O futuro de nós dois
4 Ela
—Gi?
—Você é bem rápido...
—Apenas senti sua falta.
—Também senti a sua.
O silêncio que se seguiu mostrava que pouco precisava ser dito...as respostas estavam expostas nos ouvidos atentos e sorrisos bobos de ambos os lados da linha.
—Você não vai mesmo aceitar meu convite para jantar?
—Já te expliquei o motivo...
—Sim. Você está noiva de uma pessoa que te deixou sozinha por algum motivo. Está tarde, é sexta-feira. Eu preciso jantar e você também. Ambos estamos sozinhos em nossos respectivos quartos. Por quê não juntamos nossas almas solitárias num passeio calmo pela cidade?
É claro que ele a convenceria usando as palavras certas.
—Só para constar, gosto de ser solitária. Mas aceito seu convite. Estarei no saguão do seu hotel em 40 minutos — e desligou.
Respirou fundo. Tentou se acalmar. O que vestiria? Deveria se maquiar ou era exagero? Cabelo preso ou solto? Apenas respirou.
Abriu seu armário e lembrou-se de um velho vestido preto que não usava há algum tempo. Era bonito e elegante na medida certa. Com a saia rodada, alças grossas e um decote comportado. O veludo brilhava na luz da noite. Ficaria perfeito com um salto baixo.
Enquanto passava seu batom marrom em frente ao espelho, tentou se lembrar da última vez que se arrumara tão bem. Provavelmente no dia em que Nicolas a pedira em casamento, há dois anos. Bem antes de ele se mudar para o outro lado do país porque "precisava de espaço".
Checou a hora e saiu do studio rumo ao belo hotel em meio à movimentada avenida perto de sua casa. Sentia-se linda enquanto andava...deixara de ser a moça invisível com roupas demasiadamente largas e o rosto completamente nu. Sentia os olhares de todos. Estava maquiada e com um belo vestido. Era capaz de qualquer coisa novamente.
Chegou alguns minutos adiantada, mas lá estava ele: calça social preta, sapatos de couro e uma camisa azul do mesmo tom de seus olhos. Por cima, um blaser escuro que o deixava extremamente charmoso. Segurava um pequeno buquê de tulipas vermelhas — suas favoritas. Ambos sorriram. Estavam nervosos.
—Somos o casal mais belo de toda a cidade — disse Leonardo.
—Tirando o fato de não sermos um casal..
—Não estrague meu humor.
—Não vou.
Gi aceitou o braço que ele lhe oferecia e, juntos, saíram caminhando pela noite agitada da cidade.
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