O fugitivo
4 Visitas e Trabalho
Notas iniciais
Assim que Mestre Fu abriu para discussões o melhor lugar para esconder Adrien, as vozes surgiram. Ele tentou acalmar todos e dizer que já era hora do almoço. Discutiriam depois de comer afinal, o tempo da refeição também era um tempo que o Mestre pudesse pensar no melhor lugar para Adrien ficar.
Ele já sabia as identidades de todos aqueles ali presentes, já estava começando a imaginar que Adrien também já havia descoberto. Mestre Fu sabia que ele sempre achou injusto não poder conhecer a identidade de Rena Rouge enquanto Ladybug podia. Agora ele sabia todas as identidades... Como será se sentia?
Era muito mais prático que Adrien se virasse só, até porque ficar com seus amigos seria muito suspeito. Provavelmente seria o primeiro lugar em que a polícia procuraria. Isso sem contar todo o processo que se teria para esconder Adrien da família do hospedeiro.
Nino era o seu melhor amigo, lugar óbvio. Chloé era sua amiga de infância, lugar óbvio. Marinette era praticamente sua namorada, lugar óbvio. E Alya era a melhor amiga de Marinette... Ainda era óbvio, porém era a melhor das opções.
O problema é que Alya possuía várias irmãs, não havia como esconder Adrien delas. Porém, se conseguisse convencer as irmãs a ajudarem, não tinha como falhar. Irmãos levados podem despistar qualquer um. Mesmo assim, ele ainda ficou com medo de sua decisão.
Ao acabarem de comer, os portadores e Adrien logo quiseram voltar para o assunto. Adrien nunca tinha dormido na casa de um amigo antes e estava muito animado para isso. Era estranho analisar a situação desse modo, mas ele queria pensar positivo. Não tinha porque ter medo, qualquer coisa virava o Chat Noir e fugia discretamente.
Seus amigos também estavam ansiosos. Sabiam que o lar do Mestre Fu era um lugar seguro, mas todos se sentiam melhor se encarregando eles mesmos da segurança de Adrien. O medo era grande e Mestre Fu já não tinha mais um miraculous. Todos temiam que se perdessem ele de vista por um segundo, nunca mais o veriam.
—Eu sei que todos vocês gostam muito do Adrien e querem protegê-lo das acusações injustas contra ele. Porém, vocês são próximos demais dele, o que tornaria suas moradas lugares de busca óbvia para a polícia. Acho que o lar de Rena Rouge seria o menos suspeito, ainda com uma carga alta de obviedade de escolha. Precisamos protegê-lo da melhor maneira possível, essa seria deixá-lo com Chat Noir. Mas já que insistem – Mestre Fu declarou para os outros
Carapace, Queen Bee e Ladybug ficaram tristes com o que ouviram. Eles deixaram Adrien escapar pelos buracos de seus dedos novamente. No entanto, sabiam que Mestre Fu tinha razão. Todos eram muito próximos de Adrien e seria muito fácil para a polícia identificar o esconderijo. Desejando boa sorte a Rena Rouge, eles foram embora tristes.
—Existe uma burocracia para você ficar escondendo o Adrien por um tempo. — falou Mestre Fu
—Eu sei. Se necessário for, estou pronta para confiar minha identidade a ele.
—Não precisa, eu já sei. Já sei a identidade de todos vocês. Não há muitas possibilidades de pessoas que se preocupariam tanto comigo. Obrigada por ser minha amiga Alya. — Rena Rouge e ele trocaram um sorriso sincero, cheio de sentimentos, Mestre Fu sorriu
—Precisamos convencer suas irmãs a ajudarem, assim reduzimos o número de pessoas de quem temos que esconder você. Sei que seus pais e sua irmã mais velha, Nora, não aprovariam isso, mas suas irmãs mais novas seriam muito úteis.
Logo, as coisas foram arranjadas. Apesar de os outros não concordarem com a escolha, não apareceu nada que tirasse Rena Rouge da lista de primeira opção. Mestre Fu sabia que eles queriam um tempo com Adrien, isso era fácil de resolver se ele estivesse em um lugar seguro.
Eles foram até a casa de Alya e com Mestre Fu e Adrien esperando do lado de fora, Alya foi negociar com suas irmãs:
—Eu preciso de ajuda. – Alya tinha pressa
—O que é? – elas olhavam maliciosamente
—Preciso que escondam Adrien Agreste aqui.
—O filho do Hawkmoth?! – uma estava surpresa
—Ele vai nos atacar! – outra tinha medo
—Não vai. Eu sei que ele não fez nada, só preciso achar um jeito de provar... Confiem em mim...
—Tudo bem, o que ganhamos com isso...? – o olhar de malícia voltou
—Podemos ficar com a minha sobremesa por uma, não, duas semanas. – Alya disse sofrendo e as irmãs olharam torto -Tudo bem, um mês. – Alya suspirou
—Onde ele está? – elas perguntaram
—Venham comigo.
Alya guiou as duas até o lado de fora da casa, onde Adrien estava esperando por elas, sem Mestre Fu. Por precaução, Adrien já estava disfarçado. Alya quase não o reconheceu.
As irmãs disseram para não se preocupar com nada e agir naturalmente que ela cuidavam de tudo. Apesar de Alya preferir cuidar disso com as próprias mãos, ela confiou nas irmãs e não se preocupou com destino que dariam a seu amigo.
Adrien não conhecia a casa da Alya e tudo que sabia sobre suas irmãs mais novas ele aprendeu no dia que foram akumatizadas. Portanto, ele se deixou guiar para um quarto que ele não sabia se era delas, esquecido pela família ou o que. Era um lugar pequeno, mas grande o suficiente para se acomodar. Ele tinha dúvidas se o quarto era mesmo pequeno ou se estava acostumado demais ao luxo.
Ficou um tempo perdido em pensamentos. Não sabia como seria sua vida dali para frente. Mesmo que fosse inocentado, ainda não tinha com quem ficar. Era jovem demais para viver sem família... Não tinha para onde ir... Ele começou a ficar deprimido e sem vontade de aproveitar a companhia que Alya ofereceu tão perigosamente. Porém, ele se sentiu culpado. Não queria abandonar as pessoas como foi abandonado. Já estava indo em direção a porta, quando as irmãs de Alya apareceram dizendo:
—Você tem visitas.
Essas palavras tiveram um efeito mágico nos ouvidos de Adrien. Ele já imaginava quem estaria a porta e estava muito feliz que eles tivessem vindo. Seria muito mais fácil de superar isso com seus amigos ao seu lado. Ele precisava aprender que eles poderiam ser uma família, talvez melhor que a dele.
Ele saiu correndo pela casa que não conhecia até chegar na porta que mal lembrava onde era. Se fosse uma casa como a dele, provavelmente já teria se perdido. Porém, Alya vivia em uma casa normal e uma hora ele chegou perto da porta, onde viu o resto da turma.
Ele não sabia o que pensar ao vê-los. Havia tantas coisas que queria dizer a todos... Ficou um tempo admirando todos eles, como se fossem os mensageiros da salvação. De uma coisa tinha certeza, ele nunca fora tão grato na vida. Estava indo até eles para dizer oi, quando viu a mãe de Alya junto deles. É claro que ele havia visto ele também.
Por um segundo, Adrien congelou. Se os pais de Alya descobrissem que ele era Adrien Agreste, ele estava muito encrencado. Com certeza ela ligaria para a polícia e ele teria que fugir de uma perseguição a toda. Ficou assustado e paralisado, constatar que isso seria ainda mais suspeito não ajudou. Sorte que estava disfarçado. Ele foi salvo pelas irmãs de Alya:
—Mãe, esse é Marlon. Ele veio de outra cidade e agora foi para turma da Alya. Aí ela chamou os outros amigos dela para apresentar o Marlon e ele se enturmar.
—Ele é muito legal, estava nos ensinando a fazer origami.
A mãe de Alya achou tudo um pouco estranho. Mas como ela não tinha motivos para suspeitar de algo, deixou passar. Adrien agradeceu às irmãs de Alya e foi junto de seus amigos.
O primeiro comentário de Marinette ao vê-lo realmente o surpreendeu, ela havia reconhecido o disfarce de Mestre Fu. Por um momento ele imaginou que sua identidade havia sido descoberta e suou frio. Porém, logo se lembrou que não fazia mais diferença agora. Ele sabia as identidades de todos, seria justo que eles soubessem a dele também.
Já o segundo comentário de Marinette foi como o esperado. Uma tentativa falha de dizer oi sem gaguejar. Apesar de Marinette ter vergonha desse gesto, ele fazia–a crescer no olhar de Adrien. Ele sempre se divertia com ela e sempre gostou de pessoas divertidas.
Dali para frente, foi a vez de Nino e Chloé cumprimentarem-no. O que o deixou triste foi exatamente o fato de não poder fazer isso. Logo apareceram as irmãs de Alya puxando ele para longe dizendo que a polícia estava vindo. Adrien saiu correndo para a janela e pulou para fora da casa, correndo como nunca para fugir dos policiais. Provavelmente, eles seguiram Chloé, Nino e Marinette até a casa da Alya. Mestre Fu tinha razão, era melhor ficar só.
Ele se enrolou no chão e se preparou para passar a segunda noite na rua. Já ia se deitar no chão, quando percebeu que ainda era cedo para dormir e estava com fome.
Os restaurantes já estavam abertos para janta há algum tempo e ele não tinha dinheiro para comprar comida. Pensou em roubar um pouco, mas depois teve outra ideia melhor. Quando viu um restaurante vazio com um piano decorando.
Ele entrou com suas roupas um pouco rasgadas sem ter nenhuma vergonha e gentilmente pediu para tocar o piano. O gerente olhou meio torto, mas sabia negar traria mais problemas.
Adrien se esforçou muito para tocar como nunca tocou, deixou toda as emoções aparecerem nas músicas, tocou quase todo o seu repertório, quando começou a atrair gente para ver. O restaurante onde só havia três mesas ocupadas começou a encher numa velocidade enorme. Admirado, o gerente deu um prato de comida para o garoto abençoado.
E foi assim que Adrien arranjou comida toda as noites.
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