Gatos se desenham na parede,

Samsa assiste o espetáculo de fantoches sombrios, recostado em sua carapaça,

São pregas de saias ou folhas de outono a farfalhar?

Os gatos se tornam jaguares e os caixeiros-viajantes tornam-se insetos, escravos da justiça,

Enquanto que suas palavras se metamorfoseiam em borboletas guturais;

O frio delineia o corpo dos jaguares,

E as sombras tomam a forma de pinheiros.

Neva em teu quarto coveiro,

Mas quem vais salvar?

A ti mesmo, sua cópia patética de Samsa,

Ou a tua amante de vidro, que reflete toda a compaixão que precisas?

Não pode salvar ninguém,

Nem mesmo ao Frio, o coveiro fantasma,

Por que ele te matou sem avisar,

E agora pela segunda vez congelas,

E junto com ti, juras a violinista que seu último dueto será somente para tu;

Mente, pois jamais morre aquele cuja sanidade se esvaiu

E tu ficará sozinho, sozinho,sozinho.

Mas não te preocupes, já que tu simplesmente não és sem ela.

Então vá sem preocupação,

Brinque no inverno,

Beije na primavera,

Dance e insinue no verão

E caia na lascívia no outono,

Não te esqueças porém da mentira do Sr. Frio,

Já que acreditas nas mentiras que te contam e sente o seu toque espectral;

Então vá!

Mate sem parar, sem parar.

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