O florescer do Maior Amor

2 Por onde anda seu frio na barriga?


Em uma biblioteca vazia, um relógio palpita os segundos,Malaquias está de joelhos dobrados, seus braços fortes estão erguidos para o céu, com os olhos pretos fechados, sussurra uma prece: " Senhor, Deus meu, graças eu te dou por ser bondoso, cultivando a minha vida te agradeço por ser maravilhoso me sustentando em seus caminhos te peço que por misericórdia o Senhor proteja as pessoas que aqui passaram hoje, que venha tu O Poderoso Deus se fazer presente durante todo o dia comigo que sua presença seje constantemente comigo por onde eu andar, eu te agradeço grandioso Pai pela vitória já recebida te louvo pela certeza que conforme meu pedido assim será feito pelo . Poder de seu santo nome Jesus... Amém... "

No fim da oração ele se levanta limpa sua calça na altura dos joelhos dobrando as mangas da camisa clara social até os cotovelos ele caminha em direção à porta da biblioteca escolar, na porta ele olha para o belo relógio em seu pulso que está sincronizado com os da escola ele espera os três segundos que faltam para as sete e meia da manhã e assim que os ponteiros se alinham a sirene soa e Malaquias abre a porta, observando o corredor principal ser invadido pelos outros estudantes... Entre eles está Madalena carregando sobre um dos ombros uma mochila que voava no ar por esta quase vazia, ela usava calça jeans preta, botas marrom , um blusa de mangas compridas também marrom e toca de tricô amarela, vermelha e verde sobre seus cabelos, castanhos, longos... Madalena está pela primeira vez em sua vida escolar sozinha e abatida por ser acusada de coisas que não são verdades e são vergonhosas pra qualquer um, até para ela , Malaquias ainda observa os estudantes agitados pelo corredor quando percebi que eles olham, apontam, cochicham e por fim começam a rir da jovem, ela continua andando calada e de cabeça baixa no corredor, ele conhece a fama e o jeito de Madalena e sabe que algo está errado, ainda caminhando Madalena percebe um olhar diferente dos demais o cobiçado Malaquias está com os seus olhos impactantes negros presos a ela, na cabeça dela ele tem a mesma opinião dos outros sobre ela agora e então ela com seu gênio forte decide confrontar o jovem, afinal Todos nessa escola sabe que Malaquias é Cristão e os Cristãos não devem julgar as outras pessoas muito menos sobre uma coisa sem fundamento como a que ela está sendo vítima, com passos mais decididos Madalena completa o caminho até a porta da biblioteca, junto de Malaquias na porta agora chegam dois jovens conhecidos de Malaquias parados em sua frente Malaquias vê Lucas e Elias, imóveis com os olhos oscilando entre os olhos de Malaquias e Madalena...

"__ Oi. Tudo bem?" Diz a jovem com um rompante alto demais para falar com um jovem com quem nunca trocou uma palavra , seus olhos escuros desafiadores são como uma flecha em direção à um dardo que são os de Malaquias .

"__ Éee...Sim tudo , e com você ?" apesar de não saber o motivo ele sabia que não estava tudo bem, mas resolveu ser educado e conversar com ela como faria em qualquer outra situação .

"__ Comigo está tudo péssimo. Uma desgraça como você bem sabe... " respondeu Madalena odiando cem vezes mais Malaquias quanto os outros estudantes, por fingir que não sabia de nada por agir como se não fosse mais um que apartir daquela manhã iria excluír ela por ser o motivo de piada por todos aqueles corredores.

"__ Olha... Ham... Procure ficar calma..." Ele respondeu a garota que se o interrompeu e se aproximou dele de uma forma ameaçadora ,ele se calou e olhou para os dois amigos que agora estavam de telespectadores como a maioria naquele corredor...

" __Ficar calma?! Ficar calma?! " repetiu alto Madalena é que pra ela pedir calma quando ela já não está calma é como colocar gasolina em uma fogueira.

"__Eu não vou ficar calma coisa nenhuma, e olha aqui seu pastorzinho é melhor você não vir me falar o que fazer, por que eu não sou uma de suas "discípulas", e você não manda em mim, na verdade você não manda em nada e saí da frente, por que você não é porteiro daqui será que eu preciso pagar ingresso pra entrar na biblioteca?!" Nessa altura ela já havia percebido que Malaquias não sabia de nada e também sabia que estava descontando nele sua raiva mas agora todo o resto da escola assistia o confronto, ela sabia também que estava totalmente sem argumentos para debater com Malaquias qualquer coisa, mas,ela sabia dos últimos boatos que corriam pela escola de que Malaquias expulsou a jovem Jennifer da biblioteca, na realidade a garota não foi expulsa da biblioteca,e todos sabiam disso,ele apenas havia dito pra ela com toda serenidade que conseguia, que pra ler era preciso fazer silêncio,quando Jennifer disse que não estava ali pra ler ele havia dito que se não fosse para ler e estudar não era necessário estar na biblioteca , então ela e suas amigas se sentiram frustradas e rejeitadas, então foram até a diretoria e fizeram reclamações contra ele,reclamações que não resultaram em nada mas Malaquias se encontrava novamente esgotado de tentar se esquivar daquela garota que como outras estava o perseguindo em todos os lugares,elas o seguiam ,ser tão belo, inteligente,encantador e um bom garoto aos olhos de qualquer pai, fizeram de Malaquias o rapaz mais perseguindo pelas garotas.Malaquias não disse nada à Madalena somente agiu com indiferença à ignorando e deu dois passos pra trás saindo do caminho dela. Ninguém nunca havia gritado com Malaquias naquela escola por ele usar de boa educação com todos e ser prestativo ele era visto como alguém que merecia todo respeito, diante da reação dele Madalena se frustrou pra ela era horrível brigar sozinha e ser ignorada no início de uma discussão era a mesma coisa.

"__ E vocês? Vão entrar ou vão ficar me encarrando também? Estúpidos!! " disparou ela contra Elias e Lucas que ainda estavam ali. Os jovens entraram logo e Madalena se viu novamente sozinha diante da porta da biblioteca e sabia que atrás dela haviam várias pessoas prontas para rir dela e a transformar na maior piada do ano. Encuralada entre Ser ridícularizada naquela hora ou quando resolvesse assistir a alguma aula, a aula teórica de Artes que ocupava os dois primeiros horários ela ignorou optou pela opção sofrer depois, que outro a substituísse e pintasse aqueles malditos quadros ,ela decidiu usar a biblioteca como seu ponto de escape, com Dois passos se viu em um lugar pra ela Desconhecia até então , caminhou para uma mesa isolada atrás de uma estante gigante que bloqueava a visão do restante do ambiente, por esta forrada de livros velhos ela se sentou, ali sozinha observou suas mãos sobre a mesa e viu que havia feito aquela mesma escolha horas atrás antes de sair de casa iria ficar em casa trancada com sua mãe resmungando maldições sobre ela e seu irmão e seu falecido pai ou iria ir para escola viver o dia que inauguraria a Era de humilhação que ela estava praticamente condenada, da primeira vez escolheu enfrentar logo o inevitável porém dessa vez quis ser piedosa com ela mesma e resolveu ficar sozinha. Sua vida estava destruída, mas ela resolveu que não iria se desesperar pois sua vida estava destruída já à muito tempo, pensou irônica, viu que pela primeira vez na vida sofria por um erro dela mesma e esse pensamento foi o máximo de auto consolo que ela conseguiu ,pois durante toda sua vida esteve no meio do fogo cruzado que era a vida dos seus pais, ela lembrou das vezes que não sabia pra quem recorrer quando seu pai espancava sua mãe ,lembrou das vezes que sua mãe levava até sua casa amantes afim de se vingar do marido agressivo, no silêncio pacífico daquela biblioteca lembrou de todos os sons horríveis que já ouvirá: dos murros do pai bêbado contra a parede , do choro de Marcos seu irmão mais velho quando era espancado pelos pais, lembrou do barulho dos pratos quebrando os inúmeros palavrões ditos pelos pais enquanto se batiam dos xingamentos sobre ela que era apenas uma criança ,lembrou de todas as vezes que seu coração se contorceu por coisas que ela nunca conseguiu evitar todas as vezes que chorou por falhas dos outros, e viu que estava chorando novamente, era rotina pra ela, era isso que vazia sempre que estava sozinha e se arrependeu de ter resolvido entrar nesse lugar pra ela obscuro até então, aquela biblioteca agora era testemunha do seu desespero como o seu quarto também era, entregue a tristeza,Madalena se encolheu na cadeira dura e fria se abraçando sussurrava como um mantra (Ninguém me ama,por que é que ninguém me ama ?) O sentimento de ser indesejado pelos "pais" substituído pelos "amigos " só servir pra passar tempo e ser humilhada por qualquer um que ela confiasse fazia doer muito o seu já calejado coração,entre lágrimas e dolorosos gritos ao seu precipício interno escutou o sussurrar compadecido de Alguém , os olhos inundados à impediu de ver a dor que Malaquias sentiu assim que ela levantou o rosto, impedida de enchegar fechou os olhos fortemente outra vez e as lágrimas seguiram seu caminho costumeiro pela face dela que era o reflexo da falta de paz, o coração de Malaquias se fez pedaços, agora ele só queria a ajudar,abraçar, cuidar,confortar,revelar a ela a Verdade,Aquela que Salva e Liberta ... Por impulso ele há abraçou , no mesmo instante sumiu o precipício que desesperava Madalena,a solidão que fazia sua alma gritar em êxtase foi sarada, Madalena ainda chorava por puro impulso segurando firme os ombros de Malaquias surpresa pelo fim instantâneo de sua aflição que era parte dela a tanto tempo.

"__ Não chore por favor, Dói em mim também. " Ele disse com uma rouquidão que surpreendeu ele mesmo, não era a primeira vez que a compaixão assaltava o coração dele mas dessa vez machucou demais vê-la sofrendo. Ela não parou de chorar não disse mais nada só chorava com a mesma dor,no mesmo ritmo , e isso deixou Malaquias mas destroçado.

"__ Tem alguém que te ama. " afirmou ele com toda convicção. O choro não permitia ela ver os famosos olhos dele ,e sua voz também foi retida, depois de vários minutos tentando superar os soluços ela conseguiu perguntar.

"__ Quem ? " sua voz vestida de sofrimento e revestida de humildade, foi de encontro a pessoa certa , Malaquias disse com toda fé.

"__ Jesus! Ele te ama. " afagando os cabelos brilhantes dela ele abraçava a cabeça de Madalena que ainda estava sentada na cadeira junto a sua barriga, e via ela aos poucos se acalma.

Desenbolar a língua foi tão difícil quando acreditar que ele dizia aquilo Jesus, Jesus, era ele que há amava, depois de todas as pessoas imundas que riam dela depois que seus próprios pais de corações podres a Amaldiçoar, depois de tanto ser o sofrimento deles só por existir ele dizia mesmo aquilo, que Jesus amava ela, e justo ele o Santo,ele o perfeito era ele que amava ela,impossível, impossível ele me amar , ninguém ama.Afirmava ela à se mesma.

"__ Por que você acha que ele me ama ?" perguntou ela desnorteada com tamanha inconveniência dele ao dizer isso. De todos os absurdos de todas as ilusões ,de todos os santos por que justamente Jesus.

"__ Eu não acho eu tenho uma certeza absoluta disso,ele te ama e é um amor imenso incompreensível pra nós ... " afirmou ele. Ela não compreendeu por que ele dizia aquilo com tanta certeza?! Louco!!Mas ela estava cansada demais pra levantar argumentos que fosse rebater a opinião da única pessoa que a fez acalmar naquele momento. Na verdade Jesus não significava muito pra ela, as vezes duvidava de existência dEle, e segundo ela tinha muitos motivos que há faziam pensar assim, é se Ele existisse ela sabia que ela Não tinha nenhuma importância pra Ele de qualquer forma.. Aos poucos as lágrimas pararam, o ar tomou todo seu lugar dentro dela e respirando fundo conseguia a sensação de liberdade de todo aquele sofrimento que havia radiado seu corpo, ela sentia algo que era o mais próximo de paz que ela já sentirá,Malaquias não havia dito nenhuma novidade,pensou ela quando o soltou dos seus braços, sempre dizem a todos que Jesus os ama,muito apelativo talvez uma tentativa desesperada de consolo usada quando já não tem nenhuma outra opção, era quase um clássico mas havia funcionado e Madalena achava isso no fundo cômico e desolador,alguns na TV era comum ver os ex-presidiários, os acamados que estam vegetando nos hospitais , os mendigos ,todos afirmando que eram amados por Jesus,segundo eles Jesus amava todos,qualquer um, principalmente os mais sofridos , quanto mais miseráveis fossem mais acreditavam que eram amados por Jesus , mas Madalena tinha uma opinião bem formada sobre o Amor ,era uma romântica comprida,pra ela as pessoas que amam são capazes de tudo,de todas as loucuras,de todos as declarações,de quase todos os perdões... para favorecer o ser amado , ela afirmava em mente que Ela mesma era capaz de abrir mãos de tudo se isso garantisse felicidade à alguém que ela amasse, lembrou de Noah, e do tanto que fez por ele de tudo que abriu mão, de todos os sacrilégios de tudo que foi capaz de fazer por uma pessoa que ela acreditava que amava, se Jesus amasse todo mundo como diziam eles não sofreriam tanto, quem ama faz de tudo pra ver o alvo desse amor longe das tristezas e Jesus não era o poderoso ?!podia usar todo seu poder pra dar boas vidas a todos que ele amava, afinal ele não era Deus, mais não era isso que acontecia,ao ver dela Jesus pouco se Importava com os,que sofriam e,choravam noite e dia, Jesus nem se quer existia essa foi sua última conclusão e se ele existisse ele não era bom como diziam.

"__ Quer um copo d'água? " perguntou Malaquias preocupado com a jovem descabelada que ficou calada por minutos.

"__ Por favor... " sussurrou Madalena arrependida e envergonhada por deixá-lo vê-lá naquele estado deplorável.

Malaquias saiu em busca do copo de água, mas,sua mente estava junto da,menininha chorosa que encontrou atrás da estante de Romances de época. Sabia que as histórias escritas por Judith Mcnaught não havia feito ela chorar mais sim a história escrita por ela mesma, e ele tinha como meta agora fazer com que Madalena tivesse fé Que Jesus tinha por ela o Mais profundos dos Amores e assim estivesse disposta a entregar-se para que Ele escrevesse com Letras bordadas todo o resto ...