O fio vermelho do destino

1 Capítulo único: O fio vermelho do destino


”Estou na sala de estar, com a minha filha, Vânia, sentada ao meu lado. Sobre as nossas pernas está pousado um álbum de fotografias. Fotografias do meu casamento.

– Mãe, posso fazer-te uma pergunta? _ diz ela.

– Claro, filha _ respondo.

– Como é que tu e o pai se apaixonaram?

– Bem, essa é uma boa história…

– Podes contar-me?

– Com certeza.

Sorrio ao lembrar-me e começo a contar-lhe.“

* * *

Era o meu primeiro dia na escola de Sweet Amoris. Tinha acabado de me mudar com a minha família e ia começar uma vida nova numa cidade nova.

Eu era apenas uma adolescente, mas era muito bruta. Envolvia-me em lutas com toda a gente que gozava comigo, até mesmo rapazes. Tudo por causa do meu cabelo. O meu cabelo exageradamente longo e exageradamente vermelho, de que todos troçavam e que eu odiava.

Era o meu primeiro dia de escola. Estava com receio, muito receio. Teria de me apresentar em frente à turma inteira. E ouvir montes de parvalhões troçarem e rir-se de mim.

Cheguei à escola e lá tive de me apresentar:

– O meu nome é Lúcia Teixeira e tenho 15 anos…

E foi então que começou.

– Oh! Olhem só para o cabelo dela!

– Haha! É mesmo vermelho e longo!

Já era de esperar. Todos se riram de mim. Menos uma pessoa, um rapaz. Um rapaz alto e moreno. Também tinha o cabelo vermelho, mas percebi que era pintado pois tinha as raízes pretas. Foi nesse dia que conheci o Castiel.

Os dias foram passando e, num abrir e fechar de olhos, fiquei conhecida no colégio inteiro. Ou melhor, o meu cabelo ficou conhecido. E ainda por cima deram-me uma alcunha ridícula: Pimentinha Vermelha. Eu ficava furiosa quando me chamavam isso e dava uma valente tareia a quem o fizesse. Todos da minha turma que gozaram comigo ficaram com ligaduras e nódoas negras. No entanto, o Castiel nunca fez isso. Pelo contrário, quando alguém troçava de mim, ele via e nem sequer me vinha ajudar. Ignorava-me completamente.

Um dia, eu andava a passear pela floresta quando um bando de rapazes apareceu à minha frente. Eram muito mais velhos do que eu. Notei que no meio deles estava um rapaz da minha turma que se metia muito comigo e levava sempre uma estalada.

– Então, és tu que andas a importunar o meu irmãozinho? _ disse o mais alto de todos, aproximando-se de mim.

– Ele que não me importunasse a mim primeiro! _ disse defendendo-me.

Ele deu uma risadinha e chamou os seus companheiros.

– Caramba, este teu cabelo é mesmo vermelho e espesso! _ ele começou a mexer no meu cabelo e a puxá-lo brutamente. Eu dei-lhe um murro no estômago e ele soltou um gemido de dor.

– Não devias ter feito isso… _ disse ele, e começou a atacar-me juntamente com os colegas. Eu lutei contra eles.

– Deixem-me em paz! _ gritei atirando-os para o chão coberto de folhas e terra seca.

Atirei-me para cima de um e comecei a esmurrar-lhe o rosto com toda a minha força.

– Eu não tenho culpa! _ continuei a gritar. – Não tenho culpa de ter nascido assim! Eu também detesto o meu cabelo!

Naquele momento, alguém me observava. Era o Castiel. Estava sentado em cima de uma árvore a assistir àquilo tudo.

* * *

”– Já sei! _ interrompe-me a Vânia. – O pai saltou da árvore e foi salvar-te desses rufias!

Sorrio.

– Nem por isso…“

* * *

Deixei a cara do rapaz completamente cheia de manchas negras. Os amigos dele já tinham fugido a sete pés. E o rapaz da minha turma também, a gritar: “Socorro! É a Pimentinha Vermelha!”. E ele, mal se livrou de mim, imitou-os.

Desatei a chorar. A minha vida era um pesadelo… do qual eu não conseguia acordar.

Olhei para cima e foi então que cruzei o olhar com o do Castiel. Ele corou ligeiramente e desviou o rosto para o lado. Depois saltou da árvore e desatou a correr, desaparecendo no meio da floresta. Ele tinha-me ignorado, outra vez.

Voltei para casa. A porta estava entreaberta. Achei estranho, era suposto os meus pais não estarem em casa.

– Olá? Está aí alguém? _ perguntei entrando em casa. Não houve resposta. Estava a ficar assustada.

De repente ouvi passos atrás de mim. Virei-me e fui agarrada por um homem alto e forte. Comecei a gritar e a debater-me contra ele, mas ele levou-me para fora de casa, onde estavam mais dois homens. Um deles tapou-me a boca com um lenço de pano e encarou-me.

– Agora tu vens connosco, minha menina _ disse ele.

Começámos a caminhar. Estava a ser raptada, mas mantive a calma. Fui arrancando e largando no chão cabelos meus, muito discretamente, para que os homens não percebessem, na esperança que alguém os reconhecesse e me viesse salvar.

Já caminhávamos há um bom bocado, e eu estava a ficar fraca, quando do nada surgiu uma voz:

– Ei, vocês aí! Porque não raptam alguém do vosso tamanho?

Olhei para cima. O Castiel estava empoleirado numa árvore.

– Pira-te miúdo! _ gritou um dos homens.

O Castiel não lhe ligou. Saltou da árvore e começou a lutar com os raptores. Um pontapé aqui, um murro ali… e estavam todos caídos no chão.

Depois aproximou-se de mim, destapou-me a boca, pegou-me nos seus braços e correu dali para fora.

Chegámos a um campo e o Castiel parou. Foi então que reparei que ele tinha cabelos vermelhos entrelaçados numa mão.

– Castiel, tu… vieste salvar-me? _ perguntei-lhe.

– Bom, eu andava a passear por aqueles lados quando encontrei os teus cabelos no chão. São tão bonitos que é impossível não reparar neles _ respondeu ele.

Corei de imediato. Era a primeira vez que alguém elogiava o meu cabelo. O Castiel continuou:

– Segui o rasto que deixaste e quando vi aqueles tarados a levar-te, fui logo ajudar-te.

– Mas tu sempre me ignoraste… _ murmuro.

Ele sorriu para mim. O sorriso mais brilhante e bonito que alguma vez vi.

– Mas não te queria perder, Lúcia.

Corei ainda mais. Naquele momento, aos meus olhos, o Castiel era um rapaz fantástico.

* * *

”- Com aquele acontecimento aprendi a gostar do meu cabelo, e… apaixonei-me pelo Castiel. Quem diria que o cabelo que eu antes tanto detestava me traria o rapaz dos meus sonhos. Costumamos dizer que se tornou o nosso fio vermelho do destino _ eu termino a história a sorrir. Vejo que a Vânia também sorri e está com lágrimas nos cantos dos olhos.

– Que lindo! _ suspira ela. – O pai foi muitos corajoso!

– Sim, pois foi.

– Sabes, eu também gosto muito do teu cabelo, mãe.

– Obrigada, querida. És a segunda a elogiá-lo. E sabes que mais? Só as pessoas que elogiam o meu cabelo podem ouvir esta palavra da minha boca. Queres ouvi-la?

– Sim.

– Amo-te.

A minha filha sorri ainda mais e abraça-me.

– Mas espera lá, porque é que o pai sempre te ignorou? _ pergunta ela.

– Bem…

– Porque eu já estava secretamente apaixonado pela tua mãe e tinha medo de não a conseguir proteger _ uma voz soa da porta da sala, interrompendo-me. O Castiel entra e senta-se ao nosso lado, dando uma risada.

– Ah, que lindo! _ repete a Vânia.

– É verdade _ confirmo. – E pouco depois vieste tu!

Ela ri-se e levanta-se.

– Bom, vou para o meu quarto, estou cheia de sono _ diz bocejando.

– Boa noite, querida _ digo.

Ela sobe a escadaria em direção aos quartos. O Castiel começa a afagar-me delicadamente os cabelos.

– E continuo a adorar o teu cabelo _ diz ele.

– Obrigada.

– Mas adoro-te mais a ti _ ele envolve-me num beijo apaixonado. Eu lembro-me novamente da história que acabei de contar.

– Castiel? _ murmuro.

– Sim?

Eu abraço-o fortemente.

– Amo-te.“

Notas finais
Comentem please! Quero saber o que acharam, sim? Toca a deixar reviews! Kissus!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!