Notas iniciais
Olá! Depois de muito tempo resolvo voltar a escrever e postar aqui. Eu estava com saudade, mas o trabalho, estudo e a correria da vida sempre me impedia de pensar em algo bacana para escrever. Bom, nunca escrevi sobre esse tema, sou novo nisso então me perdoem se ficar chato ou sem sentido, mas estou escrevendo de coração. Espero que gostem.

Ele me olhava com um sorriso maldoso nos lábios. Meu corpo se paralisou ao pedido dele. Eu realmente não sabia o que fazer. Eu não estava preparado, mas não queria negar de uma forma rude ou áspera. Então eu simplesmente sorri e balancei a cabeça negativamente. Abri a porta ao meu lado e corri até o banheiro. Meu rosto queimando. Meu coração acelerado. Minhas mãos tremendo a ponto de eu não conseguir retirar o cinto de minha calça.

Levantei a cabeça e vi que havia um espelho bem em minha frente. Analisei meu rosto e percebi uma expressão tensa, medrosa, mas ao mesmo tempo empolgada e ansiosa. O que estava acontecendo comigo e porque estava acontecendo aquilo comigo? Nunca ocorrera isso antes. Nunca havia sentido algo como aquilo. Ao mesmo tempo que eu não queria, eu simplesmente queria. Eu não me entendia.

Respirei fundo até controlar meu corpo e parar de tremer. Retirei o cinto e a calça bege que eu usava. Vesti a bermuda que estava sobre meu ombro e mais uma vez me olhei através do espelho. Sussurrei as palavras “não tenha medo”, abri a porta do banheiro e voltei ao quarto.

...

Cinco dias antes

Olá, meu nome é Adam. Ontem me peguei pensando mais uma vez em Chris. Me considero completamente trouxa por isso. Mas é praticamente impossível não pensar em alguém que foi tão marcante em minha vida.

Tudo começou quando eu estava em uma praça de minha cidade. Eu estava sentado em um dos bancos que se localizava no centro da pracinha, que por acaso era o lugar mais calmo e o melhor para eu conseguir completar a leitura de Maze Runner – Prova de Fogo. Eu estava em meu horário de almoço e faltava aproximadamente quinze minutos para eu voltar ao trabalho. Minha concentração na história era tão grande que não percebi que uma pessoa se assentara ao meu lado. Apenas notei sua presença quando ele pronunciou suas as primeiras palavras.

- É bom saber que ainda existem pessoas que apreciam a leitura neste mundo.

Assustei ao ouvir a voz e notar a presença de alguém. Era um garoto de pele branca, cabelo raso e com um brilho no canto dos olhos. Vestia uma blusa preta e uma calça jeans rasgada nos joelhos. Carregava consigo uma mochila e um livro. Seus olhos negros me analisavam e analisavam o livro em minha mão. Eu, meio envergonhado, sorri para ele e comentei sua afirmação.

- Exatamente! – Disse apontando o dedo para o livro em que ele segurava –

- Qual você está lendo? – Perguntou ele –

- Maze Runner – Prova de fogo, e você?

- Extraordinário!

- Como? – Perguntei sem entender. O que poderia ser extraordinário em minha pergunta? –

- O nome do livro que estou lendo se chama Extraordinário!

Ele estava rindo, o que me deixou meio sem graça. Voltei os olhos para meu livro e tentei me concentrar novamente em minha leitura, mas fui novamente interrompido pelas palavras do cara ao meu lado.

- Qual o seu nome?

Eu o olhei. Não sabia se devia responder, mas disse sem pensar muito para tentar acabar logo com aquilo. Eu nunca conseguia ser mal educado com as pessoas. Sempre fui muito gentil e amável com todos. Às vezes eu me prejudicava para ajudar ao próximo.

- Adam – Respondi –

- Meu nome é Chris! – Disse ele – Desculpa estar te atrapalhando. Mas é que quase não vejo alguém interessado por livros ultimamente. É uma raridade.

- Verdade! – Tive que concordar –

- Você tem quantos anos?

- Vinte.

- Hum – Ele disse, desviou o olhar para longe. Percebi que ele estava esperando eu dizer alguma coisa. Eu não sabia o que dizer. Na verdade nem queria estar conversando com ele. Queria estar apenas lendo meu livro e aproveitando meus últimos minutos de descanso. Mas não consegui deixa-lo no ‘vácuo’ e depois de alguns instantes repeti a pergunta que ele havia me feito. –

- E você? – Perguntei – Digo, quantos anos você tem?

Ele me olhou animado.

- Tenho vinte e um. – Seus olhos me percorreram e ele tirou sua conclusão sobre mim. – Você me parece ser uma pessoa tímida.

- É porque sou. – Respondi com um sorriso –

Chris sorriu também. Eu não queria admitir, mas ele tinha um belo sorriso. Não falei nada sobre isso. Achei que não seria conveniente elogiar alguém que eu mal conhecia e ainda mais um homem. Seria muito estranho para ele ouvir um elogio de uma pessoa que não conhece, ainda mais de uma qualidade que, geralmente só é elogiada por amigos, parentes ou por alguém que quer “algo a mais” com uma pessoa. O que ele pensaria de mim?

- Você tem um sorriso bonito! – Chris disse para mim –

Eu quase caí para trás quando ouvi aquelas palavras. O susto foi tão grande que deixei o livro cair de minha mão. Ele lê mentes? Pensei. Eu estava pensando exatamente isto dele e ele diz a mesma coisa, só que para mim. Como ela podia achar meu sorriso bonito? Meus dentes eram tortos e eu ainda usava aparelho. Como ela podia ter me dito aquilo? Ele não tinha vergonha do que eu pensaria dele?

Fiquei sem reação. Meu rosto queimava de vergonha. Eu devia estar vermelho como uma pimenta, mas não queria mostrar isso. Como se fosse possível. Peguei o livro no chão e o limpei da sujeira que havia grudado nele. Logo após limpar, percebi que devia dizer alguma coisa. Mas eis a questão! O que eu deveria dizer? Devia perguntar o que ele queria de mim? Devia xinga-lo? Mas com minha gentileza exagerada, apenas consegui agradecer.

- O-obrigado! – Gaguejei ao dizer a última palavra. Eu não conseguia olha-lo diretamente, mas pelo canto do olho, percebi que ele estava sorrindo. Não parecia estar achando graça da situação, mas era como se estivesse gostando daquele momento. O sorriso era mais com os olhos do que com a boca. Seus olhos brilhavam ao me ver constrangido e tímido com o elogio.

Para minha salvação, o celular em meu bolso começou a vibrar e tocar uma música mega irritante. Salvo pelo gongo! Pensei. Retirei o celular de meu bolso e percebi que era o alarme que estava tocando. Quase ajoelhei para agradecer a Deus por me tirar daquela situação vergonhosa e constrangedora em que eu estava passando. Eu definitivamente não sabia como reagir a elogios, ainda mais de desconhecidos.

- Meu horário de almoço acabou. – Falei –

- Ah! – Disse ele que pareceu decepcionado – Antes de ir, você me emprestaria seu livro por um minutinho só para eu ler o que diz sobre o autor?

Não vi mal algum naquele pedido. Talvez ele apenas estivesse interessado no livro e quisesse saber mais sobre o autor e sobre suas obras. Olhei para o livro em minhas mãos e o entreguei a Chris. Ele o abriu na última página, olhou a foto do autor e leu sua biografia. Passou alguns segundos, ele fechou o livro e esticou o braço me devolvendo. Sorriu novamente e pronunciou sua penúltima palavra.

- Obrigado! – Ele disse –

- Hã, ok! – Falei –

- Tchau!

Olhei para o relógio em meu pulso e dei as costas para Chris. Andei o mais rápido possível para o local em que eu trabalhava afim de me afastar dele o mais rápido possível. Quando eu estava quase saindo da pracinha, olhei disfarçadamente para trás e percebi que ele ainda estava sentando no mesmo local de antes e com a cabeça baixa lendo o livro que segurava. Praticamente igual a mim há quinze minutos atrás.

Notas finais
m, acho que é isso. Espero que tenham gostado do primeiro capítulo. Tentarei me superar nos próximos. Abraços!!