O fim de semana em que eu me apaixonei
3 Capítulo 3
Com meu coração disparado, peguei meu celular e vi a notificação de mensagem de Chris. Sentei na cama e desbloqueei a tela de meu celular. Abri o aplicativo e o contato desejado. Chris fora muito breve e simples. Com uma grande educação, ele me respondeu de uma forma que me deixou sem saber o que enviar para ele como resposta.
– Olá, Adam!! Tudo bom? Respondendo sua pergunta, deixei no papel escrito “Se quiser conversar...”. Então já que me chamou, posso considerar que você quer conversar comigo?
Meu coração acelerou ainda mais ao ler a resposta dele. Eu não sabia o que dizer. Tentei formular em minha mente uma resposta que o deixaria se reação ou talvez com tanta raiva a ponto de discutirmos e ele não querer mais conversar comigo, coisa que por acaso foi inútil. Eu era péssimo em ser mal educado, então apenas respondi normalmente.
– Estou ótimo! – Respondi, tentando ser no mínimo seco – Apenas estou sem entender o porquê de você ter me chamado para conversar na praça e ainda ter deixado seu telefone em meu livro.
– Talvez seja porque eu te achei uma pessoa legal.
– Eu? Legal? Tu nem me conhece! Como saberia se sou realmente legal?
Ele visualizou a mensagem. Passou praticamente dois minutos até que voltou a digitar uma resposta.
– Só o fato de você estar lendo um dos meus livros favoritos, de ter me chamado para conversar, e na sua foto de perfil você estar usando uma blusa de “Game of Thrones” já dá para perceber que você é uma pessoa interessante.
Interessante? Se tinha uma coisa que eu não acreditava ser, era interessante. Samantha havia terminado comigo justamente por isso. Suas últimas palavras para mim foram “Quero um homem mais interessante, desculpe!”. Eu me esforçava para melhorar, mas era difícil. O fato de eu ler um livro de aventura e usar uma blusa de uma série, não me tornava, ou pelo menos eu não me achava uma pessoa legal por isso.
Fiquei sem responder a última mensagem. Eu não tinha uma resposta. Então, vi que ele já havia começado a digitar outra.
– Você deve estar assustado comigo... – Ele enviou –
– Um pouco!
– Desculpe! Não foi minha intenção. Eu apenas estou precisando conhecer novas pessoas.
Ler aquilo me deixou comovido. Minha cabeça tentou assimilar tudo. Entendi que Chris só queria novos amigos. Talvez estivesse cansado das pessoas que o rodeavam, como acontecia constantemente comigo. Eu sempre procurava novas amizades. De todos os amigos que tinha, nenhum tinha o mesmo gosto que eu. Nunca tinha alguém para comentar sobre os meus livros, filmes e séries favoritas. Todos tinham gostos diferente do meu. Nenhum tinha os mesmos hobbys que eu. Tudo isso me impossibilitava de falar sobre as coisas que eu mais gostava. Talvez Chris fosse a pessoa certa para eu conversar sobre esse tipo de coisa. Talvez ele fosse o amigo que eu tanto desejava em minha vida e talvez eu fosse o amigo que ele queria.
– Sei como é isso! – Digitei – Acho que eu também estou precisando.
Chris mandou para mim vários emojis de carinhas felizes e eu mandei o mesmo para ele. Ficamos por mais um bom tempo conversando sobre livros, seriados, músicas e tantos outros assuntos. Para minha surpresa, ele gostava da maioria das coisas que eu também curtia. Parecia que eu finalmente tinha encontrado um amigo em que eu podia conversar sobre todas as coisas que me interessava. Não que eu esteja desmerecendo a amizade de Carol, muito pelo contrário. Carol sempre foi minha melhor amiga e eu a amava, mas ela era uma pessoa muito diferente de mim. Sempre gostara de coisas que acho que posso dar o nome de “sombrias”. Os livros de monstros e romances de vampiros, músicas no estilo heavy metal e filmes de terror que ela gostava nunca haviam me chamado tanta atenção. Eu realmente estava contente!
Quatro dias antes
Já era quase uma hora da manhã quando me despedi de Chris. Eu tinha que acordar cedo e ele também, então ambos concordamos em conversarmos mais no decorrer do dia e irmos dormir. Mas antes de me desconectar, dei uma olhada na mensagem que eu havia enviado para Carol. Ela ainda não havia visualizado. Aquilo era estranho. Carol nunca demorava tanto para me responder. Respirei fundo e decidi ir dormir. Talvez ela apenas estivesse ocupada.
...
Sem saber porque, acordei no dia seguinte de ótimo humor. Tomei meu banho e fui ao trabalho. Tudo estava ocorrendo extremamente bem. Meus companheiros de trabalho até estranharam minha felicidade. Perguntavam o porquê de eu estar sempre sorrindo e tratando a todos muita educação, mas eu não sabia o que responder.
Quando estava chegando perto de meu horário de almoço, Carol me enviou uma mensagem que dizia o seguinte:
– Oi, Adam!! Desculpa não responder antes. Ontem dormi na casa de meu namorado, então não deu para responder. O que queria falar comigo?
– Entendo!! Desculpa se atrapalhei alguma coisa!
Foi estranho, mas senti que não devia contar a ela que eu havia conhecido Chris. Eu não sabia porque aquele pensamento se passou em minha cabeça. Eu nunca tinha hesitado em contar algo sobre a minha vida para ela, mas desta vez foi diferente.
– Eu apenas queria conversar. – Conseguir dizer –
Ficamos conversando por mais ou menos meia hora e eu não consegui tocar no assunto que envolvia a situação que havia ocorrido comigo no dia anterior. A conversa acabou quando ela disse que tinha que ajudar a mãe em alguma coisa em sua casa. Olhei ao relógio e percebi que já havia se passado dez minutos do meu horário de almoço. Levantei e fui até a praça em que eu havia conversado com Chris no dia anterior. Ao chegar lá, não me pergunte porque fiz isto, mas fui até o banco que eu havia sentado no dia anterior. Não sei se havia sido de propósito ou se havia sido apenas coincidência, mas Chris estava lá. Ele estava sentado, lendo seu livro de capa azul, o mesmo do dia anterior. Usava uma camisa vermelha e uma bermuda branca. Seu cabelo liso estava penteado de uma forma muito bonita, o que me fez ter um pouco de inveja, pois o meu nunca ficava do jeito que eu queria.
– Posso me assentar ao seu lado? – Perguntei timidamente –
Chris me olhou com um sorriso no rosto. Fechou o livro e o guardou em sua mochila.
– Acho que já sabe a resposta. – Ele disse em meio a uma risada – Estava esperando por você!
– Por mim? Você sabia que eu viria?
– Tinha quase certeza! Quer comer alguma coisa?
Balancei a cabeça positivamente. Eu estava morrendo de fome. Chris se levantou e fez um gesto com a mão para que eu o acompanhasse. Ele me levou até uma lanchonete, que mesmo ficando perto do meu local de trabalho, eu nunca havia ido. Compramos um hambúrguer para cada e ele fez questão de nos sentarmos perto da janela.
– Amo observar o movimento da cidade enquanto estou comendo aqui. – Ele disse enquanto olhava para a movimentação do transito. O sinal de pedestres se abrindo e as pessoas desesperadas para atravessarem a rua. O sinal dos automóveis se abrindo e a pressa dos motoristas a chegarem a seu destino. A movimentação era intensa e pelo jeito que olhava, Chris parecia gostar mesmo daquilo.
– Porque? – Interessado, perguntei a ele – Porque gosta de toda esta movimentação, desta... confusão e loucura?
– Acho que é porque sou meio como tudo isso!
– Como assim? – Eu não havia entendido –
Chris me olhou desconfiado. O brilho em seus olhos ainda mais intenso que no dia anterior. Ele me analisou enquanto eu dava uma mordida em meu hambúrguer, passando alguns instantes ele voltou a olhar para a rua.
– Talvez eu ainda não saiba como explicar corretamente, mas... me sinto confuso na maioria do tempo. É como se eu fosse um carro em alta velocidade e meus freios parassem de funcionar e eu não saiba onde e como parar. – Ele dizia enquanto olhava pela janela. Senti uma certa tristeza em sua voz. Houve um minuto de silêncio. Eu podia ouvir as buzinas dos carros soando. As pessoas que passavam pela calçada conversando sobre a vida alheia. As crianças chorando no colo dos pais. O barulho dos apitos dos guardas de transito. Fiquei imaginando como Chris poderia ser como aquilo tudo. Eu estava interessado no que mais ele tinha a dizer sobre aquilo, mas sabia que devia mudar de assunto. Aquela conversa parecia não fazer muito bem para ele.
– O hambúrguer daqui é delicioso. – Consegui dizer enquanto mastigava o meu lanche.
Por causa da comida na boca, falei de um jeito engraçado, coisa que chamou a atenção de Chris. Ele virou o rosto para mim, sorriu e viu que realmente não havia comido quase nada. Deu uma bela mordida em seu lanche. Olhou para mim de volta e parecia que a tristeza que percebi instantes antes havia desaparecido. Sorri para ele e com isso, ele percebeu que eu não conseguia abrir os olhos direito enquanto sorria. Meus olhos sempre ficavam semicerrados.
–Esse seu modo de sorrir é realmente encantador. – Ele disse apontando para mim –
– Você quer dizer sobre meus olhos que quase não abrem enquanto estou sorrindo? – Falei rindo –
Ele fez que sim com a cabeça.
– Você é louco. – Falei antes de tomar um grande gole de suco –
– Um pouco... – Ele pensou por alguns instantes – Talvez muito.
Consegui rir ainda mais dele.
Ficamos ali por mais alguns minutos após comermos todo o nosso hambúrguer. Depois, voltei ao meu trabalho ainda mais contente que antes. Sentei em minha cadeira, entrei no sistema da empresa e terminei todo o meu trabalho com muita rapidez.
Ao chegar em casa, tomei meu banho e deitei em minha cama. No dia seguinte era meu dia de folga. Pensei em ficar a noite toda acordado vendo filmes, ouvindo músicas, escrevendo ou até mesmo ficar conversando com Chris e Carol. Mas não consegui fazer nada do que eu pretendia. Passados exatamente dois minutos desde que eu havia deitado eu já estava adormecido. O cansaço havia me vencido.
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