O fim
2 [Capítulo 1]
Notas iniciais
Boa leitura
Nova Iorque não tem mais aquele brilho. A cidade está devastada, Central Park sem animais ou arvores. É triste dizer que o local mais badalado do mundo possui apenas 50 pessoas vivas e 5 com alguma doença, não é brincadeira. Meus pais morreram de câncer, causado por um gás tóxico que se infiltrou misteriosamente aqui. Semana passada um tornado passou levando com ele casas, carros e muitas outras pessoas. A situação é cada vez mas perigosa. No país, da para contar nos dedos ainda os que estão vivos. O mundo está acabando, ou pelo menos acabando com a gente. Convivo apenas com meus dois amigos em uma “casa” no centro, que ficou desabitada. Lauren e seu irmão Josh, perderam os pais como eu, o maldito gás. De 191 países, 98 estão desabitado por completo. A maioria correm contra o tempo para se protegerem, pois a qualquer momento outro fenômeno pode vir a acontecer.
_ Megan os medicamentos estão acabando – Lauren vem me alertar, suspiro pesado... tudo estava nas minhas costas. Me levanto da escrivaninha e vou até um compartimento na cômoda.
_ Leve isso aqui – entreguei a sacola com uns frascos de analgésicos – Sinto muito Lauren, mas é o que resta... tente fazer durar. O governo... quer dizer o pouco que sobrou dele, está se encarregando disso – dei um sorriso muxoxo enquanto ela olhava dentro da sacola.
_ Josh foi com Saul até alguma farmácia que ainda possa ter algo, mas é capaz que tudo o que restou venha estar infectado.
_ Então de maneira alguma pode deixar que eles dêem o medicamento para os doentes. Só vai agravar toda situação – bufo e passo a mão pela cabeça – Me leve até eles – peguei o casaco em cima da cadeira e ela assentiu guiando-me para o galpão aonde os feridos e adoentados estavam, era preciso separar eles dos que ainda estavam saudáveis. Aquilo era de partir o coração, todos deitados em uma maca.
_ Meg – ouço uma voz doce me chamar, ao me virar vejo Nicole. Uma garotinha de apenas nove anos, havia perdido uma das pernas por culpa de uma bactéria.
_ Nicole, por favor fique quietinha... – tentei acalma-lá, mas tudo estava evidente demais. Ela só tinha o pai, que por sinal estava a um passo de piorar.
_ Cadê meu papai? – perguntou com a voz fraca, fechei os olhos e engoli seco.
_ Seu pai está bem, Lauren está cuidando dele e... ele vai voltar pra você, você vai ver – passei a mão em seus cabelos e ela sorriu sem mostrar os dentes – Agora por favor, descanse – beijei sua testa – Vou ver os outros – soltei sua mão e acenei pra ela indo em outra parte do galpão. Lauren estava dando o remédio para Jimmy, sorri pra ele e andei até Sonia que estava sentada em uma cadeira de balanço perdida em pensamentos pois nem me viu chegar.
_ Estou te vendo menina – ela disse e assim me aproximei mais – Não devia estar aqui, sabe o perigo que corre estando perto de nós doentes – me olha de soslaio e me sento de frente pra ela.
_ E vocês deviam saber que faço de tudo para poder ajudar vocês, estamos acabando, a qualquer momento podemos nos matar ou algo matar a gente. Mas me diz, como que está indo seus ossos? – perguntei pelo fato de que Sonia quase não se movia. Ela se ajeitou com dificuldades em sua cadeira e deu um sorriso fraco.
_ Quase sem movimento algum – levantou a manga de sua blusa passando com dificuldade a mão em cima – Logo vou virar pedra – riu sem jeito da sua piada sem graça.
_ Pelo amor de Deus, não diz isso...sabe como estou lutando para que tudo volte a ser como era, perdi a maioria dos meus amigos, os meus pais, porém estou aqui, querendo fazer tudo ficar bem – segurei sua mão.
_ Ah menina, você é boa... mas entenda, não vai salvar o mundo, mesmo que tente. A situação é precária, só há um presidente vivo no mundo... e nesse governo 10 pessoas ainda prevalece. Não quero te deixar mau, mas é a real realidade do momento. Ore muito, pois Deus é o único que pode nos ajudar agora.
_ Deus deve estar muito ocupado pra nos ajudar, não consigo entender como podemos ter chegado a esse ponto? Perde tudo, sabe, as pessoas morreram... não é milhão, é mil. Menos de Mil pessoas ainda existem no mundo...países desabitados... Sonia, tenho que tentar alguma coisa. Pelo menos tentar, o mundo precisa de mim, nem que seja por algo pequeno – ela sorriu piscando lentamente.
_ Tudo bem. Faça o seu melhor, sei que de todas as forma vão conseguir. Só não se iluda, por que se um dia o mundo vir a voltar ser o que era antes, vai demorar anos e até lá todos aqui estarão mortos de fato, talvez até você esteja – ela sabia que dizia verdade, e eu tentava me enganar querendo saber de algo falso, que possa me iludir. Sorri e me levantei, não disse nada mais. Estava exausta, fazia alguns dias que dormia a base de remédios.
_ Megan! – Lauren grita meu nome que ecoa pelo galpão – Jenna, está tendo uma combustão... – corri até uma sala um pouco afastada dos demais. Droga, nesse tempo tive que aprender a me virar como médica e ajudar quem precisasse, por enquanto acho que posso dar conta do recado. Chegando perto de Jenna, ela se debatia contra a maca... corri até os equipamentos que pegamos dos hospitais, os regulando de maneira exata para tentar fazer ela parar, sem sucesso. Peguei uma seringa de cima da mesa junto com um vidro de tranqüilizante, ao injetar em sua veia, Jenna parou e caiu com a cabeça do lado. Os batimentos cardíacos estavam ficando fraco.
_ Megan ela vai morrer – Lauren disse desesperada, amarrei meu cabelo e posicionei minhas mãos em seu peito o pressionado varias vezes seguidas.
_ Jenna, acorda, fala comigo – minha respiração já estava ofegante, e não sabia o que fazer mais – Não... droga, volta Jenna – continuei com mais força e nada dos batimentos voltar, Lauren olhava assustada e com a face triste, parei e fechei os olhos – Eu sinto.. muito – respirei fundo – Merda! – chutei a mesa com raiva.
_ Calma Megan, você não teve culpa! – a olhei ainda alterada – Sabe da nossa situação, querendo ou não logo todos nós vamos morrer, agora se lutarmos iremos sobreviver... então se controla.
_ Como me controlar? Me diz? O mundo se revoltou, estamos a um passo do inferno, pessoas se foram... Milhões delas, tudo está ficando vazio, igual a mim – disse alto e soltei o peso dos ombros e limpei o canto do meu olho – Assim que seu irmão chegar fala pra ele desovar o corpo no mar, se é que cabe mais algum – falei passando por ela, corri sem pensar em nada até a saída. Escorei em um poste com a cabeça, talvez eu não seja tão forte quando pensei, mas é que ainda não sei como estou aqui, em pé. Se fosse com outra pessoa talvez ela já teria desistido. Ergui a cabeça e vire-a para o lado, vi Josh vindo junto a Saul. Ambos pareciam exaustos, caminhei até eles.
_ Josh! – o chamei na metade do caminho e ele acelerou o passo – Jenna faleceu – mordi o lábio – Desove o corpo...
_ Eu sinto muito Megan – me olhou terno e com aquela preocupação de sempre, Josh era irmão mais velho de Lauren, com seus 25 anos ele já vivenciou muitas coisas, sua irmã tem 21 e eu 23, viramos amigos em um acampamento. Josh sempre era legal comigo, me ajudando com brigas de pais, escola. No inicio pensei em estar apaixonada por ele, mas agora não posso ter cabeça pra isso – E... não encontramos nenhum medicamento que estaria em bom estado, mas conseguimos essas ervas do jardim de Saul – tirou do saco plástico varias mudas verdes – Talvez sirva pra alguma coisa.
_ Talvez – disse farta de tantos talvez e nenhuma certeza – Bem, Saul ajude ele com o corpo e isso pode deixar que me encarrego – peguei o saco da mão dele e fui em direção a minha “casa”. Precisava de um banho urgente, meu corpo clamava por isso. Abri a porta e entrei a trancando em seguida, coloquei o saco em cima da mesa e subi para o meu quarto. Peguei uma troca de roupa e levei até o local, me despi encarando-me pelo espelho enquanto enchia a banheira, emagreci muito, cheia de olheiras e meu cabelo anda péssimo. Penso demais nos outros e estou se esquecendo de mim. Abri a porta do gabinete da pia e retirei um frasco de remédio junto ao um maço de cigarros, aquilo me manteria acordada. Tomei três comprimidos e em seguida acendi o cigarro entrando dentro daquela água quente e podendo esquecer dos problemas por alguns segundos. Como se esquecer fosse fácil.
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