O filme da Mel
9 Trindade
Já estamos no terceiro dia de viagem... Está passando tão rápido que tenho medo de não conseguir aproveitar tudo. Estou acordada desde as 7h: 30min e agora são 8h: 30min, não sei por que, só que perdi o sono. Talvez seja por causa da ansiedade ou dos pensamentos que não me deixam quieta. Estou sentada em uma das poltronas que tem do lado de fora do quarto tomando café com leite em uma caneca fofa até. Não acordei meus amigos e primo ainda porque acho que ainda está cedo. Hoje não temos passeio com hora marcada, vamos para Trindade, mas lá pelas 12hrs, então, permito que durmam até que falte meia hora pro café da manhã acabar. A porta do nosso quarto se abre e vejo Miguel saindo.
– Caiu da cama branquela?
– Sim, acordei cedo e não consegui mais dormir.
– Entendo. Algo está te incomodado?
– Não... E você, porque acordou a essa hora?
– Seu querido primo ronca sabia? E não é baixinho.
Rimos
– Só por isso?
– Sim...
Ficamos em silêncio.
– Mel, tem algo que quero te dizer – diz Miguel meio sem graça.
– Pode dizer Mi
– Já faz um tempo que eu to meio que a fim de uma garota, mas...
– Sério? Que legal!! Porque não fala pra ela? Já sei, tá com vergonha? Por isso ta me contando? Quer minha opinião? Posso ver a foto dela? – sim, sempre acabo falando demais quando estou ansiosa ou nervosa... E acho que to sentindo um pouco de ciúmes... Quem será essa tal garota?
– Não Mel, não é nada disso... Fica quieta pra eu falar – diz Miguel rindo
Mas não da tempo dele explicar porque Alice aparece e vem em nossa direção.
– Vamos acordar os meninos? Já são 9hrs
– Pode ser Ali, você chama eles?
– Pode ser Mel, vocês dois vão pegando alguma mesa?
– Uhum – digo levantando e seguindo Miguel para ir à uma mesa
– Então, continue Mi
– Ah, deixa pra lá... Outra hora explico melhor. O pessoal vai acordar agora e não vai dar tempo...
– Tudo bem
Lá pelas 10h: 15min terminamos o café. Demoramos mais hoje porque ficamos conversando enquanto comiamos. Quando deu 12hrs saímos da pousada rumo a Trindade. Fomos para a praia do cachadaço, pra piscina natural do cachadaço e no final paramos em uma praia que não lembro o nome hahaha. Havia stand up e caiaques para alugar e foi o que fizemos, alugamos quatro por meia hora. Sim quatro. Alice não curte muito essas aventuras então ficou na areia com as nossas coisas. Finalmente ela e Arthur se desgrudaram, sim de novo eles voltaram a ficar juntos assumidamente. Os dois concordaram que não teria problemas Arthur ir e ela ficar. Miguel me ajudava o tempo inteiro, tanto nas trilhas como no stand up e eu estava gostando dessa atenção.
Chegamos à pousada era umas 21hrs, pois no meio do caminho paramos para jantar. Ficamos na piscina e saímos às 22h que é o horário que fecha. Tomamos banho e ficamos do lado de fora do quarto na área de lazer, fizemos um circulo sentados no chão, Miguel pegou seu violão e começou a afinar.
– Gostaria de me acompanhar cantando senhorita? – diz Miguel rindo e fazendo uma voz elegante (ou tentando).
– Seria uma honra senhor – digo tentando imitar seu tom.
– Como assim? Desde quando você canta Mel? – pergunta Gabriel surpreso
– Desde sempre Biel, mas antes tinha vergonha então evitava.
– Caraca, canta ai então, deixa eu ver se manda bem – diz Gabriel me desafiando
– Tá pronta? – pergunta Miguel
– Uhum
“Às vezes não consigo esquecer
Daquele nosso amor
Momentos tão incríveis com você
Que o tempo não apagou”
Gabriel me olha surpreso e todos cantam juntos comigo. Olho em volta e percebo o quanto os amo, o quanto gosto de estar com eles, aqui ou em qualquer lugar. No refrão não sei como isso foi acontecer, mas eu e Miguel cantamos nos olhando.
“O seu amor pra mim é tudo
E eu não vou te perder eu juro
Preciso tanto dos seus beijos
Menina eu to querendo te encontrar”
Ficamos assim, na roda cantando por 1h mais ou menos. Até que Gabriel se levanta.
– Não sei quanto a vocês meus queridos, mas eu estou cansadaço e amanhã temos um longo dia, então vou indo. Boa noite pra vocês! – diz Gabriel indo em direção ao nosso quarto bocejando.
– Também já vou dormir gente, Arthur vem ou quer ficar mais um pouco? – pergunta Alice
– Vou sim, to cansado também. Quer que eu entre o violão Miguel? – diz Arthur
– Pô cara valeu, quero sim!
– Boa noite gente – diz Alice e Arthur
– Boa noite pombinhos – digo
– Engraçadinha hahaha – diz Alice rindo
Todos entram e fica só eu e Miguel. Levantamos-nos e sentamos no sofá que tem perto da sala do café da manhã.
– Então, quer me contar agora? – pergunto quebrando o silêncio. Nunca havia tido um silêncio entre nós. Deve ser algo importante o que está acontecendo com ele.
– Acho que agora é um bom momento...
– Sim, pode começar – digo rindo.
– Mas preciso que você me deixe falar, sem me interromper, ok?
– Prometo.
– Bom, Mel, não sei desde quanto exatamente, mas to gostando de você. Não só como amigo, sinto algo a mais... Não sei se é por estar acostumado contigo, por saber lidar com você, só sei que adoro estar com você e não quero que isso acabe nunca. E entendo se você não estiver sentindo o mesmo por mim. – Miguel meio que fala sem respirar, cuspindo as palavras, soltando-as de uma só vez sem freio, e eu... Eu fico sem saber o que dizer.
Na verdade sei, porque também sinto algo a mais por ele, mas é certo dizer? E se isso estragar nossa amizade? Então apenas faço. Sem pensar em nada, sem pensar muito nas consequências ou qualquer outra coisa. Uma onda de calor percorre meu corpo, pois eu o beijo. Ele corresponde ao meu beijo.
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