Notas iniciais
Para meus amigos e meus entes queridos, com quem compartilho meus santuários em Nova Roma e no Acampamento Meio-Sangue.

Nem mesmo Hera poderia me fazer esquecer da pessoa mais importante para mim.

Quando acordara mais cedo naquele dia, ainda que tivesse dormido pouco em razão dos monstros que o perseguiam incansavelmente, Percy não imaginava que seu dia se desenrolaria daquela maneira. Efetivamente, não esperava que seu dia contasse com tantas e tamanhas reviravoltas como acabou acontecendo.

Estava exausto e faminto, mas sabia que precisava seguir em frente; não podia desanimar, ainda mais agora, que se sentia tão perto de chegar a um porto seguro... ou a algum lugar que fosse o mais próximo ou parecido o possível disso.

Ele olhava ao redor para a silhueta da cidade de São Francisco, em meio aos morros e colinas que percorria — e tentava se recordar de algo na cidade que tivesse a ver com Annabeth, a única pessoa de seu passado de quem ele se recordava. Sabia que a metrópole tinha algo a ver com ela, só não conseguia se recordar ou especificar em seus pensamentos que relação ou conexão seria aquela. Sentia-se, ao mesmo tempo, tão perto e tão longe dela, mesmo com suas memórias confusas e embaçadas, que não tinha certeza de que sequer se sabia como era aquela sensação. Mas aquilo doía.

Sabia que sentia uma enorme falta dela. Precisava fazer algo para consertar essa situação. Sentia que estava chegando perto de um objetivo — algo que zumbia em seu radar interno desde que deixara a Casa dos Lobos semanas antes. Será que esse objetivo o deixaria mais perto de Annabeth? Ele precisava descobrir.

Enquanto subia a colina, na esperança de que enfim chegaria a esse tal objetivo misterioso, tentou aguçar os ouvidos e seus outros sentidos, tentando perceber se os monstros que o perseguiam pelos últimos dias sem parar estariam se aproximando do local aonde se encontrava.

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"As mulheres com cabelos de cobras estavam começando a irritar Percy".

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Usando sua roupa de camuflagem preta da cabeça aos pés e uma bandana escura que escondia-lhe a parte inferior do rosto, o arqueiro percorrera boa parte das áreas altas da Califórnia em busca de seu amigo desaparecido. Depois de meses, parecia enfim estar perto de alcançar algum sucesso concreto naquela busca.

Com sua aljava cheia nas costas e segurando o arco na mão direita, ele caminhava a passos largos, intercalando caminhadas mais moderadas com corridas e trotes acelerados. Desbravando o trecho entre Oakland Hills e Berkeley Hills, com São Francisco e a Bay Area se estendendo pelo horizonte, e o litoral do Oceano Pacífico se assomando diante dele, até onde sua visão podia alcançar.

Onde estaria Percy? Ele tentava divisar algum sinal, algum indício de aonde o amigo poderia...

Ele parou.

Agachou-se perto de alguns arbustos. Acabara de avistar Percy.

Não havia dúvidas de que era ele. Suas roupas estavam em frangalhos, ele ofegava ao correr e estava com um aspecto de quem não dormia há dias. Mas sim, era ele, o semideus que estivera procurando — o filho do deus dos mares.

Subitamente, ele ouviu ao longe um farfalhar em meio à mata que cobria as colinas, barulho de galhos se partindo e respirações aceleradas.

Percy tinha companhia — algo natural quando se era um semideus e filho de um dos deuses mais poderosos.

Talvez houvesse uma maneira de ajudar Percy, ainda que à distância e mesmo que o amigo não o estivesse reconhecendo. Pela posição dele, poderia mirar. Se conseguisse mirar e acertar seja quem fossem os monstros que aparecessem, de modo que não denunciasse sua posição...

Ele se ajeitou atrás dos arbustos, ainda mantendo Percy em seu campo de visão, e colocou o arco posicionado à sua frente, puxando uma flecha da aljava e postando-a no arco. E aguardou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.