O fantástico mundo de Eldarya
9 Capítulo 8- A traficante da floresta
Notas iniciais
A rodinha de pessoas desesperadas ainda se mantinha firme, enquanto eu encarava a coelha impaciente. Ela continuava chorando e lamentando.
— O Mery... Mery...
— Fala logo o que aconteceu, caralho!
— Acsa!
— Ah, fica enrolando._ cruzei os braços.
— A mãe dele... veio falar comigo, estava desesperada... Miiko, o que faremos?!
— É Miiko, o que faremos? Posso matar a vagabunda agora?_ a encarei.
— Se acalmem, vocês duas. Ykhar, preciso que me conte exatamente o que aconteceu.
Nunca pensei que fosse ver isso, mas a kitsune estava dando pequenos tapinhas nas costas da coelha. Ela tava pior do que nunca, parecia que ia ter um infarto a qualquer hora. Depois que ela se acalmou, contou que dois membros da Guarda encontraram a mãe do pivete gritando no meio da floresta. E foi isso, ele simplesmente desapareceu no meio do mato. Tava bem óbvio pra mim.
— Eu não acredito! Cadê o Kero?_ a himedere já se exaltou.
— Ele está com a mãe do Mery e com a Ewelein._ a coelha confirmou.
— Certo._ suspirou._ Ok, vou precisar da ajuda de vocês.
— "É o mutirão de novo, porra!"_ a encarei.
Os três otários ficaram responsáveis por fazer um plano. Eles saíram bem sérios da sala. Ykhar iria falar com o povo e ser política pra conseguir ajuda de uns carinhas do lado. E o suíno junto com a kitsune iriam fazer buscas na floresta. Eu continuei parada, esperando. A surtada da Ykhar até conseguiu convencer a himedere a deixar ela ir junto.
— Hãã... e eu aqui?_ apontei para minha pessoa.
— Como assim?
— Vão me deixar largada sem fazer nada?
— E você vai fazer o que, Acsa?
— To desde o episódio passado falando pra me deixar matar a puta e ninguém me escuta, puta que pariu!
— Nós nem sabemos quem ou o que está sequestrando as crianças.
— Mas até chegar o momento da ação, eu posso procurar o pivete._ sorri._ "Se eu encontrar ele, posso conseguir encontrar a vagaba e cometer um assassinato."
— Deixe ela ajudar, Miiko. Quanto mais pessoas, maiores as chances._ a coelha se manifestou. A himedere suspirou derrotada.
— Tudo bem, pode ajudar.
— Eita, caralho! Vai ter sangue e morte nas minhas mãos!_ ri malevolamente, assustando as outras duas._ Ah, que povo sensível.
— Se o encontrarem ou não, me informem primeiro. Não falem com a mãe dele._ a kitsune ordenou.
— Sim, senhora._ fiz uma pequena reverência.
Todo mundo começou a se preparar para entrar na floresta maldita. Combinamos que o ponto de encontro seria o portão do QG. Como eu não tinha nada para levar, porque iria matar a desgraçada com as minhas próprias mãos, dentes e unhas, decidi ir direto para o ponto de encontro e esperar os outros putos. Só que no caminho, eu encontrei o loiro.
— Por que está tão apressada?
— Eldarya News não chegou até você ainda? Melhor ver com a sua mulher, quer dizer, a kitsune.
— É sobre o Mery? Já estou sabendo. Estou indo para a Sala do Cristal agora.
— É, a Ykhar nunca falha. Bom, eu tenho que cometer um assassinato.
— O quê?!_ o bicolor me olhou surpreso.
— Vou acabar com essa palhaçada._ sorri, voltando a caminhar para o portão.
E mesmo eu saindo antes dos babacões, fui a última a chegar na merda do portão. Maldito loiro meio moreno, me atrasei.
— Foi mau, o outro me atrasou lá atrás. Bora meter a porrada na piranha!
— Acsa, estamos indo procurar o Mery.
— Sim, isso também._ a coelha balançou a cabeça com a mão na testa, parecia lamentar.
— Jamon, pode abrir o portão.
O suíno se colocou a nossa frente e fez os guardas abrirem a porta. Ou seja, ele não fez porra nenhuma. Saímos e começamos a caminhar pela floresta, mais precisamente nos arredores de onde o pivete desapareceu.
— Eu me pergunto o que ele veio fazer na floresta.
— Também não entendo, nós deixamos bem claro que essa região é perigosa.
— Tem que ser muito otário. Ou estar muito otário.
— Como assim?
— Ah, deixa quieto.
— AQUI!_ o javali gritou.
— O quê? Você achou a vagabunda? Quer dizer, o pivete?_ olhei, esperançosa.
— Galhos quebrados...
— Ô porra...
— Acsa!!_ uma voz irritante me chamou, mas naquela hora até que foi reconfortante.
— Piv-_ ele pulou nos meus braços, chorando._ Seu ousado!
— MERY!!_ a coelha chorou também, nos abraçando.
— Meu Deus, alguém me salva!
— Por que você saiu do lado da sua mãe?! Eu... Eu estava preocupada...
— Eu só queria colher algumas flores pra você, porque sempre brinca comigo...
— Suíno, pode ser você mesmo. Me tira desse abraço, eu não to aguentando mais!
— Não faça mais isso, Mery...
— VOCÊS PODEM ME LARGAR, PELO AMOR DE DEUS?!
Depois de finalmente se largarem e me largarem, nós voltamos para o QG. Depois de sermos quase barrados, porque um dos guardas reconheceu o suíno e ficou com o cu na mão pedindo desculpas várias vezes, fomos direto para a Sala do Cristal encontrar a puta das chamas. Eu estava decepcionada? Sim, ainda não saciei minha sede de sangue. Mas... a missão era encontrar o pivete, e nós o encontramos.
— Ah, vocês já voltaram?
— É difícil lidar com as perguntas dessa gente..._ coloquei a mão na testa.
— Onde está minha mãe?_ o garoto perguntou, bocejando logo depois.
— Ela está na enfermaria. Ykhar, pode levá-lo lá e avisar o Kero?
— Claro!_ ela o levou, sorrindo.
— Acsa, obrigada._ a himedere agradeceu e eu me virei pra ela, surpresa.
— Quê? Repete, por favor.
— Eu disse obrigada.
— Tá, eu ouvi antes. Só queria ouvir de novo._ ela suspirou e continuou.
— Você encontrou o pequeno e nem quero imaginar o que aconteceria se...
— Então nem continue._ ela me olhou surpresa._ Ahh, mas eu não consegui matar ninguém. Vou procurar o avatar maldito.
— Ah, espera.
— O quê? Tem que escrever relatório de novo?_ a encarei com tédio.
— Não. É sobre a grande reunião de amanhã de manhã.
— Que reunião?
— Sobre os desaparecimentos._ eu sorri assim que ouvi.
— Então a caçada continua._ saí da sala.
Eu estava perto do meu quarto quando senti alguém me abraçar por trás. Toquei nos braços do louco e percebi que não era o mozão. Me virei dando um soco de direita.
— Ai!_ a Geléia tava caída no chão, com a mão na cara._ Por que fez isso?
— Quem mandou vir abraçando por trás? Tá louca, caralho?
— Pode pegar gelo, pelo menos?
— Se vira, o problema não é meu.
Deixei a puta dos mares pra trás e caminhei pelos corredores, encontrando a coelha.
— Oh, Acsa. Eu queria me desculpar pelo modo como falei.
— Com quem?
— Com o Mery.
— Então não é com ele que você tem que se desculpar?
— Bem, sim... Mas você também teve que me aturar.
— Eu quero é desculpas pelo abraço forçado e melecas grudadas na minha roupa.
— Desculpe por isso também._ sorriu.
— Só não faz de novo.
— Certo!
Voltei a caminhar quando comecei a ouvir mó tumulto. Encontrei o Keroshana na Sala das Portas, pedindo pelo amor do Oráculo pro povo escutar ele.
— P-Por favor, me escutem...
— Vocês o deixaram ser sequestrado?
— Inúteis!
— E ainda nos trancaram aqui!
— Ô CARALHO, DEIXA O KEROSHANA FALAR!!_ gritei, conseguindo a atenção do povo. Andei até a escada, onde o avatar maldito me olhava surpreso e logo se manifestou também.
— Acham que estamos aqui por brincadeira?
— Ezarel..._ o unicórnio se emocionou.
— Acham que queríamos fechar o portão? Pensamos na segurança de vocês e em vez de escutarem o Keroshane, o acusam como uma multidão raivosa? Quero deixar bem claro que quem for pego fora de sua casa no toque de recolher será penalizado.
— "O puto é bom, hein?"
— Então, calem-se e escutem o que ele tem a dizer.
E então, finalmente o unicórnio conseguiu falar. Resumindo, tava tudo fodido. Bom, quase. Os portões do QG iam ficar fechados, e o povo tinha que estar em casa em um determinado horário. Mesmo receoso e tímido, Keroshana ainda se disponibilizou a escutar o povo ingrato no escritório dele.
— Eles estão bem sérios, hein?
— O cheira cu resolveu falar comigo é?_ o encarei, cruzando os braços.
— Eu queria te agradecer...
— Hm...
O unicórnio citou também a tal reunião que a himedere me disse mais cedo, parece que os caras do lado da floresta iam aparecer também. Quando ele terminou, os animais saíram da sala. Keroshana suspirou, parecia bem cansado.
— Ae mano, quero te dar os parabéns. Pareceu até homem lá em cima.
— Obrigado, eu acho... Eu não teria conseguido sem você e o Ezarel.
— Ah é, o puto também pareceu macho.
— Bom, eu tenho uma tonelada de trabalho. Vou indo.
— Falou, Keroshana._ acenei, vendo o unicórnio ir para a biblioteca._ Agora, eu vou vadiar no meu quarto.
Chegando lá, me joguei na cama e dormi depois de uns dois minutos sem fazer nada. O sol que passava pela janela me acordou. Eu vi que nem me dei o trabalho de tirar meus sapatos pra dormir, puta que pariu. Me levantei apressada quando lembrei da tal reunião. Tive mó trabalho pra conseguir entrar nessa porra, se eu chegasse atrasada a puta das chamas ia encher o meu saco. A opção mais óbvia seria a Sala do Cristal como local da reunião. Eu fui até lá e adivinhem? Fodeu, tinha ninguém. Saí desesperada, olhando por todos os lados. Mas, uma alma trouxa, quer dizer, bondosa, apareceu diante de mim. Sim, ele...
— Keroshana! Você salvou minha vida!
— O que?
— A tal reunião de hoje, eu estou nela.
— E o que precisa?
— Então... eu não sei onde é.
E o trouxa deu a maior risada da sua vida, enquanto olhava pra mim com os olhos lacrimejando.
— Ri, vai rindo.
— Eu vou te dizer onde é, porque sou muito bonzinho.
— Você é trouxa mesmo, mas obrigada.
— Então, é no Salão Principal.
— Ah, tá bom. Você já vai agora?
— Não, preciso arrumar uma papelada. Provavelmente vou chegar atrasado.
— Que falta de exemplo..._ o encarei, como se estivesse julgando-o.
Enfim, finalmente sabia onde era a reunião e não demorei pra ir até lá. Gente, era o lugar que o povo comia e se pegava, no caso da Ykhar e Keroshana. Vocês tem noção disso? Eu segurei meu riso quando vi o monte de gente que se juntava lá. Consegui achar uma mesa perto da porta, já sentei igual no joguinho da dança das cadeiras. A kitsune já estava se pronunciando, com o platinado e o avatar maldito do lado. Ela tentava pedir silêncio.
— Daqui a pouco ela solta chama do cu, vai vendo.
— CALEM-SE!!_ ela gritou, soltando chama do cu.
— Eu falei._ sorri, apoiando uma mão no queixo.
Os animais pararam de falar e o Salão Principal vulgo cantinho do lanche ficou silencioso. Eu consegui ver de longe o sorriso de filho da puta do avatar maldito, logo depois ele me viu e abriu os dentes. Eu lhe mostrei o dedo do meio, sorrindo simpaticamente. A himedere começou elogiando o povo por ter chegado no horário, pelo menos. Mas logo depois, lá estava a Geléia, toda ofegante e desesperada.
— Estou atrasada! Me desculpem!
— Zero surpresas._ revirei os olhos.
Mano, até o Keroshana que tava cheio de papelada chegou primeiro. A puta dos mares se sentou em uma mesa qualquer, ainda se desculpando, enquanto a kitsune começava a reunião.
— Essa reunião tem como objetivo tratar dos acontecimentos recentes que tem abalado a região. E também assegurar que o desaparecimento de Mery não tem relação com eles, ele estava simplesmente perdido e o encontramos ontem à noite. A reunião terá três etapas: explicação da missão, divisão de duplas e esclarecimentos sobre qualquer dúvida.
— "Hm, espero ficar com o mozão."
— Ei, tudo bem?_ a coelha perguntou.
— Ah, Ykhar. Só tava pensando na minha dupla.
— Vai ficar tudo bem! Eu espero que sejamos nós duas!_ ela sorriu, apertando minha bochecha.
— Ai! Me solta!
— Silêncio no fundo da sala!_ a himedere gritou.
— "Porra..."
Keroshana tomou a frente logo depois da bronca, explicando que alguém ou alguma criatura estava dominando a floresta do lado. Por causa disso, faríamos rondas. O platinado complementou que caso encontrássemos alguma coisa suspeita ou ofensiva, deveríamos formar uma estratégia antes de agir. Eu bufei, respondendo a mim mesma que obviamente não faria isso. O azulado maldito explicou que o objetivo dessas rondas seria nada mais nada menos que criar barreiras na floresta e zonas de risco. E o mozão finalizou, dizendo que teríamos a colaboração do povo do lado. O unicórnio autorizou a Ykhar a entregar a papelada, para lermos e nos prepararmos para a missão que começaria às 3 horas da tarde. Sem demora, a coelha se levantou e começou a entregar os folhetos.
— Agora, vamos distribuir as duplas.
A kitsune começou a falar vários nomes, enquanto eu prestava atenção na decoração da mesa. Só levantei a cabeça quando ouvi que o mozão faria dupla com o cheira cu.
— "Mas é uma porra mesmo."
— Valkyon e Acsa.
— Quê?!
Ignorando totalmente o meu surto, a himedere abriu espaço para dúvidas. Eu levantei minha mão.
— Posso matar a vagabunda na porrada se encontrar ela?
— Como nós falamos, vamos nos reunir e formar uma estratégia para embosca-la._ o loiro meio moreno respondeu.
— Puta que pariu._ cruzei os braços.
O povo fez todo tipo de pergunta. Resumindo, nós iriamos usar um distintivo pra nos identificarmos durante a missão, que era fazer rondas nos arredores e prevenir que coisas ruins acontecessem. Ou seja, eu iria trabalhar como policial. A sessão de perguntas terminou e a Ykhar entregou um kit para cada um na porta. Ela me olhou preocupada e fez um sinal para eu sair logo antes de sufocar no meio de tanta gente. Decidi procurar pelo muro pra falar sobre a missão. Não devia ser difícil, já que ele brotava de todo lugar. Ah, eu não podia estar mais enganada... rodei o QG inteiro e não encontrei aquele puto. Decidi voltar para o lugar do lanchinho e olha só, o desgraçado tava lá.
— Você ainda tá aqui?
— Acsa, que bom! Eu queria mesmo discutir sobre a missão com você.
— E o que tá fazendo aqui? ¬¬
— Achei que ainda estava aqui, então esperei.
— Senhor, Deus, Oráculo... me dê paciência._ suspirei.
— Então, eu preciso resolver algumas coisas. Queria saber se posso te buscar no seu quarto quando formos partir.
— Hm, de boa. Vou lendo o relatório então._ eu estava prestes a sair quando senti uma pata no meu ombro.
— Acsa deve treinar._ disse o suíno.
— Como é que é?
— Você precisar saber se defender. Dominar arma ou combate?
— Hm, só chute no saco... então, talvez combate.
— Então, vir com Jamon. Vamos no jardim.
Dei de ombros e comecei a seguir o javali com pernas. Nós fomos até a grande árvore rosa e ele me olhou sério.
— Você pronta?
— Sei lá, acho que sim.
O suíno começou a me dar uns soquinhos, que eu desviei sem dificuldade. De repente, ele sacou uma espada.
— Porra! Calma aí, eu to desarmada!
E então, tudo ficou preto. De novo.
— Chegou a hora do treinamento corporal com o Jamon._ uma voz misteriosa de sei lá onde disse.
— Eu já to treinando, não sei se percebeu.
— Agora você vai descobrir uma nova funcionalidade: os Q.T.E. ou Quick Time Event.
— Uau.
— Durante este episódio, haverão alguns momentos em que você deverá cumprir algumas ações na sua tela. Segundo os resultados obtidos durante os seus Q.T.E., o roteiro da sua história poderá ser modificado.
— Que tela, caralho? Eu tô aqui de verdade._ bati a mão na testa._ Esse jogo tem uns bugs que nossa senhora, hein.
E então, a minha visão voltou ao normal e lá estava o porco vindo pra cima de mim. Só que, tinha um porém. Eu conseguia ver caminhos, como se fosse a tela do meu computador. Caminhos que eu devia fazer pra desviar, atacar, ou fazer o que tivesse que fazer. Eu não tinha entrado em contato com cogumelos por um tempo, então com certeza não estava drogada.
— Parabéns, Acsa ser sagaz!
— "Sei nem que porra eu fiz."
Nós continuamos brincando de soquinho por um tempo, com o suíno sempre me elogiando. Não imaginava que ele seria um treinador tão atencioso. Olha só, a vida é cheia de surpresas né? Enfim, ele logo quis trocar o treino.
— O que a gente vai fazer agora?
— Vir comigo.
— ... tá.
Nós voltamos até o QG e entramos na forja, onde tinham várias armas. Armas muito legais. Cara, eu encontrei uma foice lá. UMA FOICE!! Um sonho de arma, mano. O javali com pernas pegou apenas três e as mostrou pra mim. Nenhuma era a foice.
— Quê?
— Jamon dar a mais apta para Acsa usar.
— "Porra." ¬¬
Ele mostrou alguns golpes com os três tipos e logo me pediu para escolher uma e fazer igual.
— Virei o ninja copiador agora._ bufei, escolhendo a espada._ "Não é uma foice, mas serve."
E automaticamente, os caminhos apareceram na minha visão. Eu acho que despertei o sharingan. Não tentei nem com os outros dois tipos, eram muito chatos. Jamon me entregou a espada com um sorriso no rosto.
— Jamon orgulhoso.
— Que bom, mas ainda queria a foice.
A minha vista ficou escura novamente, só pra voz poder me parabenizar também e dizer o que eu já sabia. Depois que meu problema de vista deu uma calmada, voltamos para a grande árvore rosa e continuamos a treinar. Ele pediu então que começássemos a treinar as pernas. Eu dei uns pontapés nele, mas nem sentiu. Óbvio, o cara era um monstro. Ele me posicionou da forma correta, se posicionou e então me deu um chute na coxa.
— Caralhow!_ massageei minha coxa, olhando pra ele com raiva.
— Acsa?_ o suíno me olhou confuso.
— Acho que você esqueceu que eu sou humana né?
— Eu não querer fazer mal.
— Hm, tá. Eu vou falar com a enfermeira desgraçada, talvez ela passe creme de cogumelo na minha perna.
E então eu fui mancando pra enfermaria. A enfermeira me olhou com pena.
— Isso não está nada bonito. Está doendo né?
— Não, que nada. Vim aqui só pra passar o tempo.
— Tá, entendi que a coisa está feia. Eu vou passar uma pomada.
— "Pomada de cogumelos, com certeza."_ a enfermeira se aproximou e sussurrou.
— Não treine chutes com o Jamon, lição número um pra sobreviver aqui.
— Um pouco tarde pra me falar isso._ ela sorriu, aplicando a pomada.
— Hawn... Você estar bem?_ o suíno me olhou preocupado. Eu suspirei.
— Não vou morrer só com isso. Pode ir, javali.
Ele começou a caminhar até a porta, com uma cara triste.
— Ow, valeu por me treinar!
Então, ele sorriu e foi embora. Sério, só tem tamanho mesmo.
— Você é uma boa pessoa.
— É, sou incrível mesmo.
— O pobre Jamon não sabe medir sua força... ainda bem que sempre tenho essas pomadas.
— Mano? Ele faz isso muitas vezes?
— Não desde que machucou o Kero.
— O Keroshana?_ comecei a rir._ Já imagino.
— Pois é, por causa disso eles nem se falam mais.
— Hm...
Comecei a perceber que minha perna não doía mais, mas mesmo assim ela pediu que eu ficasse na enfermaria pra descansar. Sorte que estava com o relatório nas mãos, então comecei a ler. Mas antes de chegar na segunda página, o platinado entrou preocupado.
— Acsa. Fui até seu quarto e não te encontrei, Jamon disse que machucou sua perna. Como está?
— Ah, bom..._ desci da cama, mexendo de um lado para o outro._ Sem problemas, to OK.
— Eu disse que ia sarar rápido!_ a enfermeira sorriu.
— Tenho que admitir, essa pomada de cogumelos é ótima.
— Cogumelos?_ ela me olhou confusa.
— Vamos então, tenho uma vagabunda pra caçar._ sorri.
Nós saímos do QG e passamos pela porta, caminhando pela floresta. O platinado continuou me perguntando sobre minha perna, e eu garanti que estava tudo bem.
— Eu queria ter lido o relatório inteiro... então, vamos só patrulhar?
— Isso, e buscar pela criatura que está raptando as crianças.
— E se encontrarmos, devemos voltar. Tamanha burrice.
— Precisamos retornar com uma boa estratégia.
— Sim, claro. E então dar tempo pra ela fugir._ cruzei os braços.
— Se formos discretos, ela não terá tempo.
— Ah, terá sim.
— Eu também concordo que deveríamos atacar, mas nem todos tem força de combate.
— É pra isso que as duplas deviam ser divididas entre gente que bate e gente que planeja.
— Você conseguiria matar seu inimigo?
— Se é uma filha da puta que rapta e mata crianças, sem dúvida nenhuma.
— E o seu psicológico?
— Valkyon, eu não tenho pena de quem não tem dos outros. Essa coisa de consciência pesada não me afeta.
— Isso é incrível._ ele sorriu.
— Bem, vamos continuar._ sorri, voltando a caminhar.
E com a sorte que vem me acompanhando desde que o Jamon fodeu minha perna, encontrei o avatar maldito.
— Vejam só se não é a melhor parceira de missão de todos os tempos!_ sorriu, me provocando.
— Obrigada, eu sei que sou. Pena que você não.
— Boa sorte, minha amiga.
— Espero que não seja devorado por um Black Dog.
— Agradeço pela preocupação.
— Ah, imagina.
Valkyon suspirou e então continuamos a caminhada. Acabamos encontrando Keroshana no caminho, ele parecia se sentir extremamente culpado por ter trombado em mim.
— Acsa, você está bem? Desculpe.
— Eu não sou de vidro. Tá tudo bem? Tá com uma cara de fodido.
— Ah, só estou cansado. Obrigado por perguntar.
— Não sabia que estava na missão também.
— Eu não estou.
— Então que porra tu tá fazendo aqui?
— Precisava de uma fruta pra uma poção, não tinha no mercado.
— Tá dando uma de Ezarel agora também?
— Não me insulte assim. Enfim, preciso voltar agora. Estão me escoltando.
— Hm, celebridade.
Depois desse encontro aleatório, continuamos seguindo para mais fundo na floresta. Até eu ouvir um barulho e parar do nada.
— Ouviu isso?
— O quê?
— Esse barulho de agora.
— Não ouvi nada.
— Puta merda._ ouvi outro barulho._ Vai, fala que não ouviu agora.
— Não ouvi.
— Senhor Deus._ fechei os olhos e suspirei._ Vamos olhar então.
— E se não for nada?
— E se for?
— Nós vamos perder tempo.
— As rondas são pra evitar coisas ruins, não é? A gente tem que confirmar tudo, até coisas bobinhas.
— Eu tenho certeza que não é nada, tenho experiência nisso.
— Hm, ativa seu Byakugan aí então vai._ cruzei os braços.
O platinado suspirou, finalmente se dando por vencido e indo comigo verificar o que era. Paguei de otária, porque não tinha nada. Só galho quebrado.
— Está mais tranquila agora?
— Cala a boca. ¬¬
Continuamos caminhando, procurando qualquer coisa anormal. Acabamos encontrando o mozão e o cheira cu.
— Valkyon? Acsa? O que estão fazendo aqui?
— Tamo se pegando, óbvio._ encarei o ruivo com tédio._ A gente tá explorando._ o moreno me encarou com cara de poucos amigos._ "Ué."
— Mas essa área é nossa.
— Não é não, olhe aqui._ o platinado mostrou o mapa para o vira lata.
— Merda, nós nos confundimos!
— Foi mal, Valkyon._ o moreno se desculpou.
— Sem problemas. Vocês acharam algo diferente por aqui?
— Só um cara andando, mas nada perigoso.
— Certeza?
— Sim. Mas de qualquer forma, a gente ia falar sobre isso com a Miiko.
— Entendi. Bom trabalho pra vocês, então.
Nos despedimos dos vagabundos e continuamos a patrulha. Rodamos a floresta inteira. Bom, pelo menos a nossa área.
— Acho que não vamos encontrar nada.
— Bom, eu não falo mais nada. Tomei no cu quando achei que tinha alguma coisa errada.
— Não se preocupe com isso. Bom, vamos voltar então.
— Não podemos explorar outros lugares?
— Vamos acabar invadindo as áreas dos outros._ o platinado falou, eu suspirei logo depois.
— Então vamos voltar.
Nós voltamos, eu estava calada e me sentindo contrariada. E se o povo não explorou direito? E se deixaram alguma coisa passar? Caminhei até o QG com passos fortes, percebi que o muro me encarou algumas vezes. Enfim, ao entrarmos, Valkyon me pediu para fazer um mini relatório.
— E eu vou escrever sobre o que, seu folgado?
— Desculpe, conto com você._ e o vagabundo foi embora.
— Mas olha que vadio._ sorri de ódio, indo para a biblioteca.
Chegando lá, peguei os benditos papéis e escrevi vários nada. Terminei em menos de dez minutos e deixei na mesa do Keroshana. Saí e fui direto para o meu quarto. Depois de alguns minutos de puro tédio porque eu não tinha nada pra fazer, decidi ir treinar com a minha arma. E olha, foi um tempo bem gasto. Se fosse uma foice, tava cortando a cabeça de metade do povo. Logo, aplausos me surpreenderam.
— Parabéns, Acsa! Você dominar bem melhor a espada!
— Uau, não te esperava aqui. Valeu, javali._ sorri.
— Então... perna melhor?
— Ah sim, tá de boa. Relaxa.
Pingando a suor e cheirando a porco, tomei um banho. No caminho de volta para o meu quarto, encontrei um mural com as novas duplas de busca. Ao lado do meu nome, estava...
— Senhor Deus._ coloquei a mão na testa, entrando no quarto enquanto soltava um suspiro.
Bom, eu dormi muito bem. Mas quando amanheceu, meu humor azedou. Típico, né? Quando meu humor não tava azedo? Enfim, fizemos uma pequena reunião sobre o dia. E depois, procurei o abençoado, mas não o encontrei. Em vez disso, achei o Valkyon.
— Humm...
— O quê? Dormiu mal?
— Estou com dor de cabeça.
— Osh, vai pra enfermaria. Coloca a outra pra trabalhar.
— Não, vai passar logo. Acontece com frequência.
— Tá, você que sabe._ dei de ombros e voltei a caminhar.
Rodando pelo QG em busca do vagabundo, brotou o bicolor.
— Olá, Acsa! Você está indo para a missão?
— Não, na verdade vou tomar um solzinho na praia._ cruzei os braços.
— ...
Passando vários segundos em silêncio, simplesmente deixei o trouxa lá e continuei andando. Quando finalmente achei o filho da puta no refúgio.
— Já era hora..._ reclamou o azulado.
— Cala a sua boca, eu fiquei te procurando igual uma otária.
— Mas você é mesmo._ disse, sorrindo.
— Eu vou meter um socão na sua cara.
— Vamos logo, ou vamos nos atrasar.
Eu o encarei enquanto o seguia, imaginando como seria matá-lo. Felizmente, não encontramos ninguém no caminho.
— Ontem eu comecei por ali, e você?
— Eu e o muro começamos ali._ apontei.
— Encontraram algo?
— Caralho nenhum.
— Eu falei ontem com a Miiko e ela disse que podemos escolher a zona de busca. Queria verificar uma coisa na rota que fiz ontem.
— Hm, beleza._ dei de ombros. O azulado me encarou._ O que você quer agora? ¬¬
— Eu te adoro as vezes.
— Você me odeia, isso sim._ suspirei, começando a andar.
— Talvez._ o azulado sorriu, me seguindo.
Adentramos a floresta e começamos a fazer o mesmo caminho que o avatar maldito fez ontem, até que ele para de repente.
— Psiu...
— É comigo, seu puto? ¬¬
— Só faz silêncio._ sussurrou.
Ouvi um barulho que parecia ter vindo de trás de uma árvore, olhei de relance mas não consegui ver nada. Logo o vadio começou a me encarar e eu o encarei de volta.
— Chrome, é você?
— Psiu... não falem tão alto..._ o ruivo saiu de trás do mato.
— O que você tá fazendo aqui?_ perguntou o azulado.
— Eu estou fugindo dela...
— Você já tá casado? Nessa idade..._ falei, com pena.
— Do que você tá falando? Eu to fugindo da Alajéa, ela...
De repente, ouvimos ela reclamando por estar sozinha.
— Cagona._ revirei os olhos.
— É melhor você voltar._ o desgraçado azul contém uma risada. Admito que precisei me segurar também.
— Por que eu?_ o ruivo olha para cima, como que suplicando por salvação.
Eu não aguentei e acabei rindo, limpando uma lágrima do meu olho direito.
— Porque perdeu um barco._ Ezarel enfatizou.
— Nossa mas tu é um desgraçado mesmo hein.
— Eu preferia estar com você, Acsa.
— A vida é injusta, cheira cu. Olha o que eu tenho que suportar._ digo, apontando para o avatar maldito.
— Eu queria te dizer que... Ai droga, ela tá vindo._ e fugiu com o rabo entre as pernas. Tá, parei.
— Alajéa deve ser parte do castigo dele.
— Bom, se ele suportar ela por um dia, todos os pecados dele serão perdoados._ digo, voltando a andar.
O maldito ri e me encara com um sorriso no rosto.
— Para com isso, é assustador._ o encaro com desgosto.
— Você também.
Eu bufei, caminhando mais rápido enquanto ele ri atrás de mim. Sério, o dia seria longo e eu estava sem paciência nenhuma. Andamos por mais de 30 minutos e não vimos nada.
— Você andou fumando cogumelos ontem? Porque até agora, não vi nada aqui.
— Eu vi... por aqui._ disse, abrindo caminho entre os arbustos.
Ele continuou procurando de forma bem concentrada, até que um troço humano quase esbarrou em mim. Eu fui instintivamente para trás, em posição de defesa.
— Ei, atenção._ a fera disse.
— Atenção o caralho, tu quase me atropelou!
— Quem é você?_ Ezarel se posiciona ao meu lado.
— Sai daqui, vai pra lá!_ digo, empurrando-o.
— Para de frescura!
— Cala a boca, seu puto azul!
— Eu quero falar..._ a fera nos observa enquanto surtamos por uns 5 minutos.
— Então, quem é você?
— Eu não sou ninguém...
— Responda._ o elfo o pressiona.
— Vocês não deveriam estar aqui...
— Ah porraaa, tu ouviu a pergunta então fala logo quem é você!_ digo, perdendo o pouco de paciência que me restava.
— Ah, vocês devem estar com os que estão fazendo as buscas.
— "Eu vou dar uma voadora nesse cara..."
— Eu também estou procurando...
— Você tá procurando a puta vagabunda sequestradora de crianças? Me fala se achar ela, me falaaa.
— Vá procurar em outro lugar, essa área é nossa.
A coisa estranha vai embora entre as árvores. Eu encarei o avatar, dizendo de forma irônica.
— Uou, voz de comando.
— Apaixonada?_ disse, sorrindo.
— Não aumente o seu ego, moço. Enfim, aquele troço era suspeito, não confio nele.
— Hm, talvez por causa da forma dele não parecer humana?
— O suíno não tem nada de humano, então não é o caso._ digo, cruzando os braços.
— Não acho que tem motivos para nos preocuparmos.
— Se você acha..._ dei de ombros.
— Eu vou falar para a Miiko mesmo assim, sua medrosa.
— Nossa, cala a boca seu otário!_ continuei andando com passos pesados.
Nós andamos por mais algum tempo, sem achar nada. O avatar pegou um caderno e fez anotações inúteis.
— Uau, tá anotando as cores das folhas aí também?
— Isso te incomoda?
— Hm, na verdade não. Só percebi porque o muro não anotou nada ontem.
— Ele tem boa memória.
— Quer dizer que você tem memória curta?
— ...
— Te deixei sem palavras?_ sorri.
— Não vale a pena.
— Uhum, isso aí é desculpinha isso sim. Vamo voltar pro QG, to cansada já._ digo, caminhando enquanto estico os braços.
Quando chegamos nos portões, somos recebidos de braços abertos mas com porra nenhuma para informar. O azulzinho se virou pra mim, mostrando o caderno.
— Bem, eu vou mostrar isso para a Ykhar.
— E a sua busca desesperada de antes?
— Nada pra se preocupar, foi um barulho que ouvi antes. Deve ter sido aquele cara.
— Ah, o troço.
— Até mais tarde então.
— Ah, peraí.
— Algum problema?
— Não, só queria te encher o saco mesmo._ dei uma risada, sentindo que ele estava me encarando.
— Que gracinha.
— Eu sou, né?_ perguntei irônica, com uma mão na cintura.
Ele balançou a cabeça com um leve sorriso, partindo logo depois. Mas então, se virou repentinamente, como se tivesse lembrado de alguma coisa.
— Ah, sua busca amanhã vai ser com o Nevra.
— Finalmente meu mozão._ levantei os braços, dando glória.
— Ele me pediu pra te avisar que vai esperar na Grande Porta.
— Hm, obrigada pombo correio.
Ele sorriu de novo e voltou a caminhar. Esse desgraçado tava rindo demais, isso me incomodava. Cheirava a provocação chegando. Enfim, decidi ir descansar no meu quarto depois de tanta caminhada por terra, barro e fezes de criaturas desconhecidas. E olha, eu não estava esperando encontrar o que encontrei. Um tufão peludo vermelho e azul passando por todo o lugar, enquanto quebrava e desarrumava todas as minhas coisas. Ele parou e se virou pra mim, inclinando sua cabeça. Eu simplesmente saí do meu quarto e fechei a porta, sorrindo para mim mesma.
— Eu... sou uma otária._ ri para mim mesma, olhando para o teto.
O meu sangue começou a ferver, abri a porta novamente e a fechei atrás de mim com brutalidade. O inseto peludo me encarou assustado e eu lhe dei o meu sorriso mais assustador.
— Eu não sei o que você é, mas vai morrer hoje._ falei baixo o suficiente para que ele ouvisse, enquanto me aproximava.
A coisa logo tentou me atacar mas eu o imobilizei e me deitei em cima dele, usando meu peso pra parar seu surto. Ele conseguiu me arranhar um pouco no braço e eu o olhei com extrema raiva, vendo o pequeno corte sangrar um pouco.
— Se você não parar quieto, vou te cortar em pedaços enquanto ainda respira.
Ele me olhou assustado e parou, olha só. Eu sou muito boa em controlar os animais. Eu olhei em volta para todo o estrago causado no meu quarto. Lençóis de seda que nem foram usados do jeito que eu queria... agora arruinados. Eu rasguei algumas tiras, enquanto lágrimas rolavam pelo meu rosto. Mentira, eu não tava chorando. Eu tava era puta de ódio. Enfim, usei as tiras para prender o bicho descontrolado e o coloquei por baixo do meu braço.
— Agora vamos ver o que fazer com você.
Logo quando saí do meu quarto, encontrei com o loiro meio moreno. Ele estava ofegante, como se tivesse corrido uma maratona por todo o QG com a coelha.
— Acsa?
— Não, é a puta das chamas.
De repente a criatura horrenda se agitou e conseguiu descer do meu braço, se esfregando no Leiftan.
— Onde você o encontrou?
— Ah, ele só invadiu o meu quarto e destruiu todos os meus pertences.
— Desculpe por todo o inconveniente. Eu acho que ele está com ciúmes.
— Ué, então ele devia ter ido no quarto da himedere.
O bicolor me encarou como se quisesse dizer alguma coisa, então uma luz se acendeu na minha mente.
— Não... ah, nem comece.
— Mas eu gosto mesmo de você.
— Ah vai tomar no cu, eu quero pegar o Nevra!
Eu saí em passos fortes antes que pudesse ouvir mais alguma besteira. Cara, totalmente sem sentido. Eu trato todo mundo mal e dou em cima do mozão, mas mesmo assim não conseguia beijar aquele homem. Devem ser masoquistas, só pode. Enfim, voltei para o meu quarto. Arrumei algumas coisas e me deitei em um lençol em farrapos, com ainda mais folhas caindo na minha cara. Mas, dormi feito um bebê. Na manhã seguinte, eu acordei bem descansada. Comi bastante e fui treinar. Ansiosa para ver o mozão, eu me arrumei e fui para a Grande Porta. No caminho, recebi um grito.
— Ei você, não passe por mim sem me dirigir a palavra!_ me virei surpresa, encontrando a enfermeira.
— Tá falando comigo?
— Sim, você mesma!
— E tá assim por quê? O mascote do loirinho entrou na sua sala é?_ perguntei, cruzando os braços.
— Você tinha uma missão, lembra?
— Lembro nada._ dei de ombros.
— Você tinha que falar com a Ykhar sobre a sua mestiçagem...
— Ah, claro! Nossa, que falta de atenção a minha. Ainda mais porque eu nunca faço nada nessa caralha, só coço meu cu o dia todo._ a mulher me olhou assustada e surpresa._ Olha Ewelein, se isso era tudo o que você tinha pra falar, então eu vou andando porque tenho coisa mais importante pra resolver. Tenha uma boa tarde._ falei, me virando para voltar a andar.
E no caminho, quem eu encontrei? O cara da declaração mais recente.
— Não está sendo difícil?
— Te aguentar? Sim, torturante todos os dias e momentos em que eu te encontro.
— Não, estou falando da missão de busca.
— Ah sim, essa é outra tortura. A vagaba não aparece logo pra eu meter a porrada.
— Bem, bom trabalho hoje.
— Tá, você também._ voltei a caminhar.
Esse povo chato não me deixava andar, todo mundo me enchendo o saco. Que porra. Mas olha só, eu cheguei na Grande Porta e adivinhem? Ele estava atrasado. E eu esperei, esperei, esperei... e esperei. Já passavam das três horas, que era o horário combinado. Eu suspirei, vendo ele chegando correndo logo depois.
— Acsa, me desculpe pelo atraso!
— Ah, que nada. Nem atrasou tanto._ digo, liberando um bocejo forçado e andando na frente.
— Você está brava? Já pedi desculpas._ eu me virei para o moreno, com um sorriso forçado e um olhar indignado fixado no dele.
— Claro, e por causa das suas desculpas a hora vai voltar e não vamos ter perdido tempo. Obrigada por se desculpar._ voltei a andar com passos rápidos e pesados.
— Pra onde você está indo?
— Pra floresta, óbvio.
— E onde na floresta vai explorar? Eu estou com o mapa._ disse, sorrindo.
Eu me virei para ele, com cara de poucos amigos e fui até o moreno. Arranquei o mapa das mãos dele e procurei qual era nosso destino. Enquanto estava procurando, ele se aproximou e sussurrou na minha orelha, enquanto apontava para o lugar.
— É bem aqui.
— Hm, vamos logo._ joguei o mapa pra ele e voltei a caminhar.
Enquanto caminhamos na floresta, comigo na frente, ele começou a reclamar.
— Isso é ridículo, não podemos ficar desse jeito a missão inteira!
— Agradeça ao seu primeiro ato, foi realmente inesperado.
— Acsa...
— Oh, o casal já está brigando?_ disse uma voz infelizmente já conhecida por mim.
— Ez? O que está fazendo aqui? Essa não é sua região.
— Eu sei, estava te procurando.
— Alguma coisa aconteceu?_ o moreno perguntou, preocupado.
— Um dos habitantes notificou a perda de várias braçadeiras.
O moreno o olhou com indagação, enquanto eu apenas encarava os dois com os braços cruzados.
— Só vim falar pra ficar de olho, caso encontre alguma também.
O moreno acenou afirmativamente com a cabeça e o avatar seguiu seu caminho para continuar as buscas. Eu voltei a caminhar na frente, com o Nevra vindo atrás igual um cachorrinho. Nós exploramos várias partes da floresta, sem encontrar nada.
— É uma verdadeira perda de tempo mesmo._ digo, chutando um graveto.
— Você parece irritada.
— E você nem faz ideia do por que né?
— Ainda vamos seguir com isso?
— Ok, vamos mudar de página então. Eu quero dar um soco em alguém, vou atrás do avatar maldito.
— Ei, espera aí._ ele segurou meu pulso antes que eu pudesse andar._ O que está acontecendo?
— Eu sinto o ódio crescendo dentro de mim e estou semeando com prazer para o merecedor dele.
— Que seria?
— A responsável pelo desaparecimento das crianças._ encarei meu pulso, que ainda estava envolvido pela mão do moreno._ Solta.
— Com vergonha?_ disse, sorrindo provocativamente.
— Não provoca, agora não to no momento certo.
Nevra me largou rapidinho e levantou as mãos em rendição. Uau, eu devia estar assustadora. Eu olhei em volta pela floresta, procurando qualquer coisinha significativa. Mas, era igual procurar uma utilidade para a Geléia.
— Não se preocupe com isso, Acsa. Nós mesmos não sabemos qual será o resultado dessas buscas._ eu parei abruptamente e me virei para encará-lo.
— Então vocês só estão contando com algum milagre do Oráculo, é isso?
— Esperamos encontrar qualquer pista ou criatura responsável, mas não temos certeza.
— Isso significa esperar por um milagre.
Cansada, eu simplesmente me joguei na grama e olhei para o céu. O moreno se sentou ao meu lado, encarando o céu quando começou a falar.
— Nós não sabemos se vamos encontrar alguma coisa aqui, mas tivemos que fazer isso por conta da pressão que podíamos receber no QG. Os rumores de desaparecimentos podiam se espalhar mais e podia gerar um conflito.
— Hm, e tá me contando isso pra se sentir melhor?
— Pelo quê?
— Você não acha que vou esquecer esse seu atraso de hoje tão cedo, acha?
— Aff, ainda isso?_ ele me encarou, bravo. Então eu ri.
— Ok, tudo bem._ me levantei, limpando minha roupa._ Argh, espero que não tenha bosta grudada aqui._ o moreno ri.
— Não se preocupe, você está linda como sempre.
— Ah claro, vampiro galã._ digo, piscando para ele e voltando a andar.
Nós caminhamos por mais algumas horas, passamos por várias árvores, arbustos, galhos e tudo o que tem em uma floresta. Não achamos nada. Eu continuei procurando qualquer coisa, até que o mozão me tocou no ombro, me fazendo olhar pra ele.
— Vamos voltar. Já rastreamos toda a zona que nos atribuíram, não vai adiantar nada continuarmos. Não tem nada por aqui...
— Se você diz... "Mas parece que tem alguma coisa ali..."_ eu olhei para longe.
— Acsa? O que foi?
— Vou olhar ali.
— Está fora dos nossos limites.
— Eu nunca fui certinha mesmo._ sorrio, começando a andar. Logo senti sua mão no meu pulso de novo.
— Então eu acho que devo ir com você._ diz, sorrindo.
— Hm, gostei.
Nós vamos até o lugar e encontramos só mais árvores. Eu bufei e me virei para o moreno.
— É, acho que vamos precisar voltar agora.
— Não, fiquem..._ disse uma voz desconhecida.
— Nevra meu amor, há relatos de fantasmas também?
— Que eu saiba, não. Por quê?
— Tu não ouviu nada não?
— Não, e eu tenho um ótimo ouvido.
— Aposto que tem, entre outras coisas._ sorrio.
— Acsa, eu estou aqui..._ a voz disse de novo.
— Ow caralho, se tem alguém aí aparece logo! Que merda!
— Acsa?_ o moreno perguntou, assustado.
— Não me olha como se eu fosse louca!_ apontei o dedo na cara dele.
— Fiquem... eu preciso de vocês.
— Tá inválida é? Ow porra._ suspirei, andando em direção à voz.
— Com quem você tá falando?
— Cala a boca, Nevra!
— Eu estou com medo... Ele está aqui...
— Ele quem? Não tenho bolinha de cristal.
— O homem...
— Se é ele né?
Continuei procurando igual uma otária mas não encontrei nada. Quando estava me aproximando de uma árvore gigante, uma mão simplesmente apareceu e me agarrou.
— Socorrooo, é agora que eu vou ser assaltada!
— Solte-a!_ o mozão me puxou contra ele, me separando de sei lá o que.
— E-eu... Me desculpe, não quis te machucar..._ disse uma garota com partes de árvore. Ela tava seminua, que safadeza.
— Eu tomei é um susto._ falei, massageando meu pulso._ O povo hoje tá com foco no meu pulso, num é possível.
— Você é uma hamadríade?
— Sim! Esta é a minha... árvore.
— Bela casa._ falei.
— O que uma ninfa da floresta quer com a minha companheira?
— Hm, não sabia que a gente já tava na fase dos ciúmes...
— Acsa, agora não._ ele me olhou sério.
— Nada...
— O quê? Vai dar uma de louca agora? Tu tava me pedindo ajuda._ cruzei os braços.
— Não... eu...
— Para de frescura no cu e conta logo porque eu não to com paciência._ a garota árvore me olhou assustada.
— Desculpe, ela é assim mesmo. Zero delicadeza.
— Até parece que eu sou um animal._ o moreno ia falar mas eu o interrompi._ Não dá uma de Ezarel agora não que eu te meto a porrada.
— Eu... não quero contar nada. Me deixem ou ele vai me machucar.
— Você me chamou aqui, eu estava de boas indo embora. Agora que você me chamou, você vai falar._ disse, me aproximando dela.
— P-por favor não..._ de repente, ela entrou na casa dela.
— Puta merda._ coloquei a mão na testa.
O mozão sinalizou para que eu o seguisse para longe da verdinha. Não, não é verdinha de droga. Eu o segui e logo nos afastamos da casa dela.
— Quer me pegar aqui? Acho mais confortável no quarto.
— Acsa.
— Ok, desculpe.
— Eu acho que ela sabe de alguma coisa.
— Óbvio que ela sabe. Ela também falou de um homem, to achando que pode ser o troço que eu e o avatar maldito encontramos ontem.
— Por que você acha isso?
— Intuição, talvez? Não custa nada suspeitar, né?
— O que o Ez disse?
— Que não viu nada demais. Mas ele não tava usando braçadeira e não se identificou.
O mozão suspirou e passou a mão pelos cabelos, preocupado. Eu achei aquilo tão sexy.
— Devemos contar pra Miiko.
— Sensato. E a verdinha ali atrás?
— Não vamos fazer nada sobre ela.
— Hm, vocês que sabem._ dei de ombros.
— A floresta vai cuidar dela. A ligação das hamadríades com a floresta é muito profunda.
— Ah, entendi.
No caminho, o mozão me explicou mais sobre a espécie da verdinha. Resumindo, ela sempre estaria ligada a sua casinha vulgo árvore. Se a árvore desaparecer, ela morre. Trágico. Enfim, nós voltamos para o QG para encontrar a puta das chamas.
— Nevra? Acsa? O que estão fazendo aqui?
— Passeando._ digo irônica, apoiando os braços atrás da cabeça.
— Não leva ela a sério. Nós já terminamos o rastreamento da nossa área.
— E então?
— Encontramos uma jovem hamadríade que parecia confusa.
— Como assim?
— A verdinha tava com medo de alguma coisa, mais especificamente de um homem.
— O que ela disse?
— Eis o grande problema, ela não disse nada. Tava com tanto medo que correu pra casinha.
— Se a hamadríade tem medo dentro do seu próprio domínio, então tem algo errado.
— Chocada com sua conclusão e perspicácia._ falei, cruzando os braços. A himedere apenas revirou os olhos pra mim, e eu respondi com um falso sorriso.
— Me pergunto o porquê e o que._ o moreno cruzou os braços.
— Vocês falaram sobre os desaparecimentos?
— Sim, eu falei. Mas ela tava com o cu trancado, não passava nem fio de cabelo. Ela me chamou quando a gente tava prestes a ir embora, tanto que nem o mozão conseguiu escutar.
Os dois se olharam e a himedere sussurrou algo pra ele. Ótimo, mais segredos.
— Eu acho que consigo fazer ela falar.
— Não, nós temos membros competentes pra isso.
— Vai lá e manda estranhos pra assustar a verdinha mesmo, logo logo ela nem vai ter mais cu se continuar assim.
— Como eu disse, eles são competentes._ eu bufei, cruzando os braços._ Obrigada pelas informações. Passem tudo para a Ykhar, se ainda não passaram. Agora, podem me deixar pensar sozinha um pouco?
— Como quiser, kitsune._ digo, andando rapidamente até a porta.
Logo depois que saímos, o mozão segurou meu pulso.
— Puta que pariu, de novo?
— Onde você vai?
— Preciso de um banho. Mas antes eu vou falar com a coelha e o Keroshana.
— Deixa que eu vou, vai descansar.
— Ué, por quê?
— Vou conversar com a Ykhar sobre esse cara que você acha suspeito.
— Ah, você me escutou._ levantei as mãos pra cima, agradecida._ Obrigada, de verdade. Me conta qualquer coisa._ eu sorrio, sinceramente.
— Uau, esse sorriso me surpreendeu.
— É, as vezes eu sou incrível mesmo. Agora me solta._ digo, apontando para meu pulso.
— Ah é._ ele me solta, caminhando para a biblioteca.
Igual o resto de um trapo já velho, eu vou me arrastando até meu quarto. Assim que entrei, fechei a porta e me joguei na cama. Depois de ficar uns 10 minutos jogada, tomei um banho e me lembrei que precisava ver a minha dupla do dia seguinte.
— Caralho, tomara que acabe logo porque não aguento mais.
E olha só, para minha grande surpresa a fase de exploração e coleta de qualquer coisa tinha acabado. Decidi então voltar pra minha caminha. Eu deitei e dormi não muito tempo depois. Então, comecei a sonhar. Estava tudo preto e logo apareceu quem? O avatar maldito.
— Não faça isso de novo, nunca mais.
— Quem você acha que é?_ cruzei os braços.
— Não aceito que você me abandone.
— Como é que é?_ o encarei, perplexa.
— Acsa, me ajude..._ e a voz da verdinha surgiu.
— Que sonho louco, mano.
— Eu tenho medo dele._ ela apareceu do nada.
— Ok, de quem?
— Do homem sem braçadeira. Aquele que você viu na minha floresta.
— Agora isso não faz o menor sentido mesmo. Não vou me basear nos meus sonhos pra agir.
— Não tenho muito tempo, me ajude!
— Ah caralho, deixa eu dormir em paz!_ e então, eu acordei._ Porra! Merda! Nem dormir eu posso mais! Inferno!
Fiquei a madrugada inteira acordada, vendo o sol nascer lindo e belo. Eu, já estava em outras condições. A voz da cosplay de planta continuava falando na minha cabeça. Eu chutei o ar e coloquei um casaco.
— To indo, to indo!_ peguei minha espada e saí do quarto.
Primeiramente, fui para a Grande Porta na esperança dela estar aberta, porém a vida nunca me ajuda. Então, estava fechada. Enquanto tentava achar uma outra saída, me encontrei com várias pessoas. Uma delas era quem? Era quem? Adivinha.
— O que você está aprontando?_ uma voz irritante surge.
— Cedo demais pra perturbar, não acha?_ me virei para o azulado.
— Nunca é cedo demais.
— Sua presença é bem-vinda se me ajudar a sair do QG._ o avatar arqueou uma sobrancelha.
— É sério?
— Com certeza._ o encarei nos olhos.
— Então me traga mel, amorzinho.
— Vai se foder._ mostrei o dedo do meio e continuei a andar.
Eu tentei de tudo. Tentei escalar o muro, tentei dar a volta, tentei cavar. No fim, decidi passar de fininho pelo Portão. Se daria certo, eu não sabia. Mas não custava tentar. Pra minha surpresa, o povo tava bem organizado. Não consegui passar.
— Caralho, vou voltar mais tarde.
Dei uma passeadinha pelos arredores e depois de uns 30 minutos, o Portão estava escancarado.
— Uau, segurança 10. Bem, vamos lá. Não aguento mais esse cosplay de planta me irritando.
Entrei na floresta e fui em busca da verdinha. Não, já disse que não é droga. Depois de um rolê, cheguei na casa dela.
— Eu to aqui, pode parar de falar na minha cabeça agora pelo amor do Oráculo?
— Aqui...
— O que tu quer agora? Se não for falar nada, me deixa dormir em paz.
— Eu posso confiar em você?
— Olha, isso é uma coisa que você tem que decidir. Não vou ficar te paparicando não.
— Eu... me chamo Yvoni. Sempre vivi aqui mas nunca conheci ninguém antes.
— Não sou psicóloga, vá direto ao ponto.
— D-desculpe... Eu costumo ajudar mascotes perdidos a voltar para seus donos, mas recentemente tenho visto um homem e...
— E o quê?
— Desde então tudo vai mal. Eu acho que ele é...
— Sem provas, não posso ajudar. Você não viu nada?
— Ele veio até a minha árvore e deixou uma marca. Acho que é um feitiço, porque estou mal desde então.
— Hm, isso já muda as coisas. Onde está?
Ela me mostrou que estava na parte de baixo da casa dela. Não vou mentir, era feia.
— Você pode tocar?
— Sem chance, isso é uma evidência. Vou dar uma de CSI agora.
— Por favor, tire a marca pra mim.
— Vou tirar nada, já disse que isso é uma investigação. Vou voltar pro QG e contar pro povo.
Do nada, ela tentou me empurrar mas eu desviei, tocando de raspão na árvore. Isso acabou me cortando, tinha um fiapo de madeira bem afiada.
— Ah, que ótimo. Quer se explicar, por favor?_ logo, eu comecei a ficar com dificuldade pra respirar.
— Você devia ter tirado a marca pra mim._ a voz dela ficou bem diferente.
— Ah, então é você. A puta que eu tava procurando pra espancar._ meus olhos ficaram pesados.
— Fecha os olhos... eles devem ser tão bons!
A louca começou a contar sua história que eu não estava nem um pouco a fim de saber, eu já estava de joelhos no chão e tentando respirar de qualquer forma possível.
— Eu vou me deleitar com você assim como fiz com os outros, então morra logo!
— Morrer?_ me forcei a ficar de pé._ Quem vai morrer é você, sua vagabunda.
— Hm, que medo.
E do nada, no meio do clímax, do perigo, eu encarnei a himedere. Aparentemente, ela estava preocupada porque tinha me encontrado mais cedo quando tava tentando fugir pelo Portão. O loiro meio moreno estava com ela, na Sala do Cristal.
— No que você está pensando, minha cara amiga?
— Eu me encontrei com a Acsa.
— E?
— Ela parecia agitada, tem algo estranho acontecendo com ela.
— A mesma sensação de ontem? O Nevra também disse que acha que tem algo errado com ela?
— Não, eu falei com ele mas disse que estava tudo normal... mas ainda acho que tem algo errado.
— Você devia vigiá-la, nesse caso.
— Sim, vou pedir para um dos garotos cuidar disso.
— Você não confia nela, né?
— Você sabe que eu não confio em ninguém.
— Mas colocar uma pessoa importante pra vigiá-la...
— Eu posso contar com eles.
— Entendo...
— Pode falar com eles?
— Ok. Vou falar para o Jamon deixar a porta aberta pra ela.
— Sim, eu acho que ela vai pra floresta.
Caralho, meu plano. Totalmente descoberto. Fiquei chocada. É, mais ou menos. Foi muito fácil, na verdade. Estrategicamente largado depois de tanto cuidado... enfim, voltando para a encarnação.
— Ok, vou dizer para eles te encontrarem aqui.
— Obrigada.
Sem muita demora, os trouxas apareceram para falar com a kitsune. Eles já sabiam que deviam me vigiar.
— Eu sinto muito ter que pedir isso para vocês... De novo.
— Ah, não é como se você nos pedisse para vigiar uma humana insignificante... peraí, é isso mesmo._ avatar maldito, sempre com um humor contagiante.
— Poderia ser pior. Ela pelo menos é simpática._ o mozão diz.
Ah, como eles são gentis. Me sinto comovida.
— Qual será enviado?_ o azulado perguntou.
— Bem, algum voluntário?
A sala ficou em silêncio. Certo, eu vi como sou extremamente amada.
— Eu vou escolher então. Vai, Ezarel.
— Mas que merda!
Ok, acho que ele tá andando muito comigo. E voltamos para a minha cena em que estou em apuros. A puta verde foi acertada por algo.
— Como OUSA?!
— Você vai queimar se der mais um passo na minha direção._ o azulado ameaça com um frasco na mão.
— Que surpreendente... bom, seria mais se eu não tivesse visto todo aquele flashback.
— Acha que tenho medo de você e da sua poção ridícula?
— Me dá esse frasco, avatar maldito. Vou fazer essa vadia engolir tudo e dizer 'Hm, que delícia'.
— Você?_ ela ri.
— Nossa, eu vou tanto te matar._ eu sorri.
De repente, o azulado jogou um frasco e fumaça surgiu no chão. Eu senti a mão dele puxar a minha e corremos para longe. E num piscar de olhos, voltamos para o QG.
— Acho que estamos a salvo.
— Eu vou voltar lá._ comecei a andar, tonteando logo depois. Mas firmei minhas pernas._ Ah, você vai ficar de pé!
— Você está ridícula.
— Cala a sua boca, não te perguntei nada.
— Você não está em condições de fazer nada._ ele olhou para o meu pescoço._ Nossa, ela acabou com você.
— Eu vou queimar ela até não sobrar nada.
— Vamos pra enfermaria primeiro.
— Eu não vou te dar porção de mel por isso, que fique claro.
Ele riu e me acompanhou até a enfermaria. A enfermeira tava sozinha.
— Você precisa examinar a Acsa.
— O que..._ ela olhou pro meu pescoço._ Contusões, marcas de estrangulamento. Olhe pra mim._ eu obedeci._ Ezarel, o que aconteceu?
— Ela resolveu fazer amizade com uma psicopata.
— Aquela missão que você tinha me falado?
— Ah, ela não me deixou dormir. Eu tinha que ver qual era a dela.
— Isso, e aí quase morreu._ o avatar maldito reclamou.
— Ah, como se você se preocupasse._ revirei os olhos.
Pude ver o que parecia um olhar de decepção, mas julguei ser por eu ainda respirar. Enfim, a Ewelein pediu para o puto ir ver a Miiko enquanto cuidava de mim e assim ele fez.
— Tá, o quão ruim o meu pescoço tá?
— Olhe essa luz e siga-a com os olhos._ eu fiz o que ela mandou, ainda perguntando._ Beba isso, você vai entender.
Eu bebi e fiz careta, o gosto era horrível. Mas vi outro flashback, do que aconteceu comigo. As vinhas da vagabunda verde me enforcando, o avatar maldito cortando elas para me libertar e a árvore, toda cheia de sangue e fedida. Não tanto quanto o fedô, mas tava chegando lá. Meus punhos se fecharam de ódio.
— Você entendeu agora?
— Eu entendi que agora finalmente vou poder liberar tudo que eu semeei aqui dentro da minha alma._ eu sorri. Ela me olhou assustada mas logo depois continuou.
— Eu vou te examinar mais um pouco e te acompanhar até a Miiko.
— Ah, vou levar bronca. Certeza.
— Fique tranquila, pense só em melhorar.
Depois de poucos minutos, vimos que meu corpo ainda funcionava. Então, fomos até a himedere. E lá vinha esporro.
— Ah Acsa, finalmente chegou. Obrigada Ewelein, bom trabalho!_ a enfermeira se vai, me deixando sozinha.
— Ok, eu vacilei. Mas ela mexeu com o meu sono. Isso é imperdoável!
— Primeiro, me diga o que aconteceu.
— Bom, eu comecei a ouvir a voz daquela puta no meu sono. Eu queria muito dormir, então fui até ela e perguntei porque tava me enchendo o saco no meio da madrugada. Ela disse que precisava de ajuda e tentou me empurrar contra a árvore. Inclusive, aquela planta maldita me cortou bem no braço._ mostrei o corte, que estava cicatrizando.
— O que ela queria?
— Tinha uma marca na casa dela, então me pediu pra tirar. Mas, como a boa investigadora que eu sou, não mexi nas provas. Foi aí que ela quase me empurrou.
— Uma marca?
— Um selo, pra ser mais preciso._ a coisa que encontrei antes falou.
— O troço! Quer dizer, coisa! Homem! Sei lá, você!
— O Ezarel me contou sobre ele. É o Cryllis, um bugbear._ disse a kitsune. Eu ri.
— Tá bugado. Ai, desculpa. Vou ser madura agora, calma._ terminei de rir._ Pronto._ a himedere me olhou com cara de poucos amigos._ Ué, já me desculpei. Continua.
— Enfim, ele é um tipo de guardião da floresta.
— Por que você acha que eu disse pra gente não se preocupar?_ se pronunciou o elfo.
— Ah nossa, tu tá aqui? Nem vi.
— É, você é bem desatenta mesmo._ eu bufei, dando atenção para o bicho.
— Então, pra que aquela marca na árvore? Ou selo, sei lá.
— Era uma marca para queimarmos a árvore.
— Quer dizer que ela sempre foi safada?
— Ela não é mais uma hamadríade, já matou muitas vezes. Está fora de controle.
— Aconteceu alguma coisa?
— ... Acsa, você pode ir. Precisa descansar.
— Entendi, não vão me contar. Beleza._ dei de ombros, saindo da sala do cristal e indo pro meu quarto.
No caminho do corredor, perto da porta do meu quarto, sou surpreendida.
— Ei, espera Acsa!_ chamou o vadio azul.
— Você tá muito apegado a mim hoje. O que é?
— Você tá melhor?
— Tô viva.
— E o seu pescoço? E você também.
— Tô achando muito estranha a sua preocupação. O que você quer?_ cruzei os braços.
— Nada. Mas ela te machucou sério hein.
— Pois é, eu vi o que aquela vadia fez comigo.
— Você estava sob efeito de possessão, por isso não deve lembrar de muita coisa.
— Eu fui possuída?
— Pode-se dizer que manipulação mental.
Bom, eu não lembrava que tinha nada em volta do meu pescoço. Mas tava difícil respirar. Eu dei um chute na parede, cerrando os punhos.
— Eu vou voltar lá e eu mesma vou mandá-la pro inferno._ deixei o azulzinho no corredor e fui caminhar pelo QG.
Não estava com cabeça pra deitar, então fui esclarecer minha mente. Acabei esbarrando na coelha.
— Acsa!
— Ei, tava me procurando é?
— Isso mesmo! Já sabe né?
— Sou bem requisitada mesmo.
— A Miiko quer que você vá pra sala do cristal.
— Porra, de novo? Acabei de sair de lá.
— Vamos, não seja assim.
— Difícil._ suspirei, indo para a sala do cristal.
E chegando lá, todo mundo tava lá dentro. Todo mundo mesmo.
— Gente, fiz caquinha?_ olhei pra todo mundo, confusa.
— Sente-se.
— To sem lugar aqui, mas sento no chão né._ me joguei no chão, que coincidentemente era do lado do avatar.
— É sério?
— O quê?
— Por que do meu lado?
— Porque eu sei que você me adora demais._ sorrio, provocando.
— Ah claro.
— Não gostou, vaza.
— Pestinha._ ele sorri.
— Estamos atrapalhando os lovigis?_ a himedere reclamou.
— Que isso?
Enfim, resumindo o que a kitsune disse, o loiro meio moreno, suíno e ela analisaram toda a bosta que tava acontecendo no QG. Desde o ataque que sofri, a floresta tinha mudado. Indo direto ao ponto, ela tava na merda. Porém, por conta do cristal estar todo quebrado, algumas criaturas sofreram mudanças. E esse poderia ser o caso da nossa querida vagabunda.
— Reunimos todos vocês aqui para a nova missão, que é eliminar a hamadríade.
— Finalmente._ comecei a rir, sentindo os olhares de todos em mim._ O que foi?
— Ela é estranha mesmo._ o elfo afirmou.
— Como se você fosse normal._ cruzei os braços. Voltei minha atenção no cara que brota de todos os cantos._ Então, quais métodos posso utilizar?
— Decapitação, desmembramento, imolação com fogo...
— Posso arrancar os olhos dela?_ o azulado me encarou assustado._ Ai que foi? Ela queria comer um dos meus olhos._ dei de ombros.
— Você pode, Acsa. Só tome cuidado._ o bicolor suspirou.
— Ela que tem que se cuidar.
— Acsa, você pode ser a isca?
— Como assim 'isca'?
— Nós queremos queimar a árvore dela, mas com certeza não será fácil nos aproximarmos. Por isso, queremos que aja como isca, ela acha que pode contar com você. E então, o seu parceiro terá a oportunidade perfeita para queimá-la.
— Chaaato, eu quero a cabeça dela nas minhas mãos.
— Sua sanguinária.
— Aquela vadia tentou me matar, puta que pariu! Só eu tenho senso aqui?_ bufei._ Enfim, quem será meu parceiro? Nevra mozão?_ sorrio provocativamente para o moreno.
— O Ezarel irá com você._ a himedere diz.
— O quê?!_ eu e o elfo falamos ao mesmo tempo.
— Vou ter que agir de babá de novo?
— Eu posso ir sozinha se for pra você agir desse jeito.
— E o quê? Planeja morrer dessa vez?
— Você nem liga mesmo, seu cuzão!
Ficou um silêncio pesado na sala do cristal, o avatar maldito encarou o chão enquanto o mozão ficou alternando o olhar entre mim e o elfo. Pra quebrar aquele clima estranho, eu bufei e concordei.
— Ah, não tem muito o que fazer mesmo. Vamos logo._ me dei por vencida.
Nós ficamos algumas horas bolando estratégias e treinando pra lutar contra a vagabunda das ervas. E por treinar eu estou falando que tive problema de vista novamente e tive que usar a espada. Bom, nada muito difícil. Mas ainda era estranho. Enfim, depois de todo o planejamento, iríamos nos reunir na Grande Porta e partiríamos todos juntos. Sim, todo mundo ia pra ficar à espreita, caso desse algum B.O. Decidi ir até o meu quarto pra me preparar e então, o inesperado acontece.
— Acsa?
— Ah mas o que você quer, meu Oráculo do céu!_ abri a porta, encontrando o azulado.
— Nada, só queria ter certeza que você não ia antes de todo mundo pra matar a criatura.
— Não se preocupe, esse show de sangue eu vou dar de graça pra todo mundo.
Eu terminei de me arrumar e fechei a porta do quarto. Subitamente, um pensamento passou por mim e eu sorri com a tentação de provocar.
— Você por acaso...
— Hm? O quê?
— Não queria entrar no meu quarto né? Ou queria?
— ... é brincadeira né?
— Não sei, me diz você._ comecei a rir, meus olhos lacrimejando um pouco._ Ok, parei.
Bom, todos se reuniram na Grande Porta e revisaram o objetivo da missão. Eu bocejei de tédio, até que finalmente abriram a porta. Eu sorri e comecei a andar, cada vez mais ansiosa. Do lado de fora, já um pouco longe do QG, eu olhei para o elfo e sorri de novo.
— O que você tá olhando agora?
— Nada, só pensando em como me sinto segura com você aqui._ eu ri._ Ai, foi mal. Foi mais forte do que eu.
Ele suspirou, mas pude ver um leve, bem leve, leeeeve sorrisinho. Não demoramos muito para chegar na floresta e bem, o que dizer? Tava bem horrível mesmo. O Halloween chegou mais cedo pra eles, se é que comemoravam isso nesse mundo.
— Caralho, que merda. Tá fedendo mais ainda._ digo, tampando o nariz.
— Tem uma aura diferente também...
— Deve ser a aura de assassina da vagabunda.
— Tomem cuidado, vocês dois._ o mozão se preocupou. Awn.
— Tudo bem, eu não vou morrer. Ainda vamos ficar juntos quando tudo acabar.
Eu rio, o elfo revirou os olhos e o meu amor só sorriu. Acho que ele não me leva a sério. Seguimos mais adiante pela floresta até que eu escuto alguém cantando 'O nome dela é Jenifer', e tava bem ruim.
— Vocês tão ouvindo essa porcaria?
— Certeza que é o Nevra.
— Não sabia que ele tinha um gosto musical tão peculiar._ dei de ombros.
Nos aproximamos da árvore amaldiçoada e revisamos mais uma vez o plano chato. Eles queriam que eu fingisse inocência. Vocês sabem que eu não sou inocente, né?
— Você não está sozinha._ o azulado reforçou.
— Eu sei._ digo, apontando para umas 30 pessoas escondidas entre arbustos e árvores._ Não tem como esquecer disso._ suspirei._ Bom, tô indo. Preparem-se para o show._ eu sorri, caminhando.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Ah, aqui está você! Acsa, o que faz por aqui?_ ela tava toda sangrando, nunca vi um período de menstruação tão intenso assim.
— Bom, eu vim tirar aquela marca da sua árvore._ digo, apoiando os braços atrás da cabeça.
— Por que mudou de ideia tão de repente? Você queria me matar, não é?
— Eu ainda quero._ sorri._ Mas sejamos justas, não é? Tenho que te dar uma vantagem.
— Oh, diz a pequena que foi estrangulada há alguns momentos atrás.
— Sua puta drogada..._ sorri, com os punhos apertados.
— Acha mesmo que eu vou...
Em um movimento rápido, eu levantei a minha espada e cortei uma de suas vinhas. Ela gritou de dor.
— Ah, para de frescura. Foi só uma vinha. Sua chorona.
— Maldita..._ ela me olhou com raiva.
— Sim, esse olhar. Eu quero ver como você vai fazer quando não tiver mais olhos._ sorri, e ela se assustou._ Eu me lembro, que você queria comer meus olhos. Vou arrancar os seus, beeem lentamente.
— Ele vai me salvar! Ele me escolheu! Eu sou pura, sua mestiça imunda!
— Tá pedindo ajuda pro carinha lá de baixo é?_ cortei mais uma vinha, seu grito fez toda a floresta tremer.
— Somos um só... ele é meu... meu!
— Tadinha, foi muita erva de uma vez.
As cenas posteriores foram de extrema violência, por isso não serão descritas. Bom, mas para não ficarem muito curiosos, vou ser direta. Eu a matei de uma forma dolorosa. O elfo maldito não teve muito trabalho, já que ele só queimou a árvore. A puta verde tava estirada no chão, cheia de sangue, agora dela. Assim que a árvore foi queimada, ela também virou cinzas. Com a árvore morta, a paisagem da floresta mudou. Tudo tinha ficado mais bonito. Eu balancei minha espada pra tirar o sangue imundo daquela vadia.
— Bom trabalho._ disse o avatar.
— Você me elogiando? Não esperava isso._ sorri. Ele vasculhava as cinzas da árvore, quando encontrou um pedaço do cristal._ Então era pra esse pedacinho que ela tava pedindo ajuda antes de morrer?
— Quase certo que sim.
— Ezarel! Acsa! Vocês estão bem?_ o platinado brotou.
— Ei, onde você conseguiu se esconder? Desse tamanhão aí._ eu comecei a rir. O azulado só me olhou cansado.
— É, nós estamos bem.
— Isso nas suas mãos...
— Sim, um pedaço do cristal. Estava com a hamadríade.
— Ei, tudo bem? Eu não consegui ver vocês, tinha uma barreira até agora pouco._ o moreno chegou.
— Sim, estamos bem. Vamos voltar para o QG, precisamos contar isso pra Miiko.
— Ah caralho._ bocejei, cansada.
Quando chegamos na Grande Porta, recebemos uma festona. Não era de abalar, mas era uma boa forma de agradecer.
— Ei! Tem bebidas aí? Eu to com uma sede...
— O relatório primeiro, Acsa._ o moreno me repreendeu.
— Aff, estraga prazeres. Sorte sua que eu te amo._ cruzei os braços.
Nós caminhamos até a Sala do Cristal e adivinhem? Encontramos o loiro meio moreno e a himedere 'conversando'.
— Ah, vocês chegaram. Leiftan, continuamos nossa conversa depois, pode ser?_ o outro foi embora.
— Eu não queria interromper a DR de vocês.
— Não vou nem comentar, Acsa._ a kitsune suspirou._ Eu ouvi aplausos, quer dizer que correu tudo bem?_ ela encarou para as minhas roupas, cheias de sangue da vagabunda.
— Ah sim, melhor impossível._ sorri.
Passamos o nosso relatório pra puta das chamas, a coelhinha anotou tudo que eu disse.
— Então eu consegui arrancar os dois olhos dela bem devagar enquanto girava a espada...
— N-não tão detalhado, Acsa. Por favor..._ a coelha começou a ficar verde.
— Ah, não vomita! Segura! Já parei!
O relatório enfim terminou e entregamos o cristal pra Miiko, ela nos deu até parabéns. Uau.
— Me pergunto o que leva alguém a engolir um cristal._ a kitsune filosofou.
— Isso é normal por aqui? Quer dizer, a loucura chega no nível da trouxice?
— Você realmente perguntou isso?
— Eu to tentando entender vocês, só isso._ dei de ombros.
— Não acho que ela estivesse louca antes. Quer dizer, esse nível de insanidade não é alcançado tão rápido._ logo, sua cara muda pra surpresa._ Me lembrei de um livro que fala exatamente sobre isso!
— Fala daquele sobre a relação entre a essência da Maana e o equilíbrio mental?_ o bicolor brotou.
— Esse mesmo!
— Você não tinha ido embora?_ o loiro só deu de ombros, sorrindo. Eu suspirei._ Sobre o que é esse livro ae?
— Basicamente, nós temos o fluxo de maana em perfeito equilíbrio. Se esse fluxo mudar, pode acabar sendo fatal.
— Caralho.
— Essa hamadríade ter engolido o cristal e agido dessa forma, prova que o livro realmente está certo.
— Então resumindo, ela estava sendo praticamente 'controlada' pelo poder.
— Isso mesmo._ Leiftan confirmou.
— Bom, o que importa é que já encontramos 3 pedaços desde que você chegou. Isso é ótimo.
— É, eu sou foda mesmo._ dei de ombros.
Ela nos parabenizou de novo e nos liberou, dizendo que tava cheia de documento pra preencher. O Leiftan tinha ficado, o que significa sabe o quê? Ela não ia preencher documento nenhum, ia se pegar com o cara ali mesmo na Sala do Cristal. Eu suspirei e saí, não queria ver nem ouvir nada. Já do lado de fora da sala, o elfo me abordou.
— Quer tomar alguma coisa?
— Mas que perseguição mais intensa é essa que você tá comigo hoje hein? Vai todo mundo? Cadê o mozão?
— Eu to aqui!_ o moreno levantou a mão, aparecendo logo depois junto com o muro.
— Ah ele já sabe, olha só!_ eu sorri, me espreguiçando._ Beleza, vamo lá. Tô morrendo de sede. Vou só trocar de roupa porque né... vocês sabem. Peraí, já volto.
Eu corri até meu quarto e procurei uma muda de roupas bem simples. Qualquer coisa só pra relaxar. Assim que eu terminei de me trocar, alguém bateu na minha porta e eu... a-bri. Senhoras e senhores... Ok, parei.
— Que é, porra?_ digo, cruzando os braços.
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