O fantástico mundo de Eldarya
13 Capítulo 12- Mentindo pra mentiroso
Notas iniciais
Enquanto fiquei olhando para o nada deitada na minha cama, minha vista escureceu e aquela voz falou, de novo.
— Ah porra, o que que é agora?
— Atenção, você vai obter 'Objetivos Secundários'.
— Como se eu não tivesse mais nada pra fazer. ¬¬
— Esses objetivos não necessitam validação obrigatória para avançar na história.
— Se não faz diferença, então não precisava ter nem começado.
Quando minha vista voltou, decidi levantar e caminhar um pouco. Eu tava de volta né? Depois de sei lá quanto tempo apagada pelo vírus do fluxo. Nunca imaginei, mas né. Logo quando abri a porta do meu quarto, vi que estava sem sorte.
— Acsa!_ a puta com guelras falou.
— Ah não, você não._ passei direto.
— Espere! Você está bem? Soube do que aconteceu...
— Você me queria morta, isso sim! Mas aqui estou eu, viva e plena. Pena pra você, otária!_ digo, caminhando mais rápido.
— Ei, moça!_ a irmã do mozão apareceu.
— Ah oi. E aí?
— Eu que pergunto. Soube que passou por um sufoco lá em Balenvia.
— É, não é todo dia que a gente é exposto a um fluxo tão forte.
— Não era um vírus?
— Isso, o vírus do fluxo._ ela me olhou, confusa._ Esquece, você não ia entender.
Continuei a caminhar e encontrei a Ykhar na sala das portas intermináveis. Ela me olhou, em choque.
— Pelo amor de todos os cristais!
— As expressões de espanto de vocês são incríveis._ comentei, entediada.
— Você está bem?_ perguntou, me examinando dos pés à cabeça.
— Já é a terceira que me pergunta isso, e nem faz 5 minutos desde que eu saí do quarto. Estou começando a me irritar.
— Desculpe, é que... Nossa! Ficamos todos preocupados com você e com o Ezarel.
— Aquele lá só vai morrer pelas minhas mãos, relaxa.
Eu fui embora, deixando uma coelhinha assustada. Poxa, que peninha. Fui ver se tinha alguma novidade na biblioteca, mas não encontrei nada, além do Keroshana. Ele parecia um pouco constrangido, acho.
— Oi, de novo. Quero pedir desculpas pelo abraço, não deveria ter feito aquilo.
— Tá perdoado, acho que você gosta de mim mais do que eu imaginava._ sorri.
— Gosto sim. Na verdade, acho que todo mundo aqui gosta.
— Não, isso já é mentira. Mas você é trouxa, então acredita que é verdade.
— Ei!
— Ok, vamos dizer ingênuo, então.
— Estou feliz de ver que continua a mesma. Bem, tenho muito a fazer. Até mais!
— Falou._ acenei.
Como não achei nenhum livro interessante e minha barriga começou a roncar, fui pra despensa. Quando estava prestes a roubar uma maçã, alguém grande me abraçou por trás. Dei uma cotovelada, mas parece que não fez efeito nenhum. O cara era um monstro.
— Acsa! Jamon feliz! Acsa estar bem!_ era um suíno, na verdade.
— Ugh! Caralho, vocês podem parar de me abraçar?_ perguntei, tentando me soltar._ Você tá apertando demais.
— Desculpe..._ e me soltou.
— Graças a Deus, ar puro de novo._ digo, respirando fundo.
Com a minha maçã na mão, andei pelos jardins do QG. Tava tudo a mesma coisa. Até eu encontrar aquele homem que eu queria ver desde que acordei.
— Pela sua cara, você já deve ter ido falar com a Miiko._ disse o moreno.
— Nem me lembre, ainda to revoltada. Mas é isso, política né._ digo, dando uma mordida na fruta.
— Bem, as coisas não andam nada fáceis mesmo.
— O que que tá rolando?
— Ela acabou de perder uma aliança e dois dos seus membros quase morreram. Quase.
— Tá. Deve ter parecido algo sério pra quem viu de fora, mas eu não vou morrer assim. Nem o elfo. Eu que vou matar ele.
— Acsa, o que aconteceu foi sério. Vocês quase morreram envenenados._ disse, preocupado.
— Hmm...
Enquanto pensava em uma forma de responder ao amor da minha vida, encarnei a himedere. Isso foi péssimo. Ela estava comendo uma gororoba feita pelo Naruto aposentado. E pelo que ela estava pensando, porque eu consigo ver isso quando encarno alguém, ele provavelmente tava tentando mudar o seu estilo de cozinha. E por minha causa. Uau, fiquei emocionada.
— Você está melhor? Estava com uma cara de enterro quando entrou na cozinha.
— Sim, estou. Comer é o melhor remédio._ suspirou._ Eu não gosto de ficar deprimida, mas o que aconteceu em Balenvia... Nunca pensei chegar nesse extremo.
— Foi um pânico geral ver a Ewelein chegando com os dois desacordados daquele jeito.
— E explicar tudo pra todo mundo, a repercussão que se seguiu... Fiquei exausta. Não tenho mais forças.
— Eu to aqui, gente. Só to quietinha mesmo, acompanhando o rumo da conversa._ comentei.
— É tão grave assim?_ o aposentado perguntou.
— Sim...
— Eu acho que é agora que a himedere morre do coração.
— Vai ficar tudo bem. Você enviou o bonitão de plantão pra acalmar a fera, não é?
— Quem?
— Estou falando do Leiftan.
— Ah sim, mas estou preocupada. Mesmo ele sendo melhor do que eu para ouvir e aconselhar, ela tem um gênio forte.
— Isso é verdade, ela é um saco.
— Eu também não gosto de você._ digo, cruzando os braços.
— Mas ele gosta dela, costuma tomar partido em sua defesa.
— Miiko, desculpa atrapalhar._ o loiro meio moreno brotou.
— Hmm?
— Ih, chegou o chatão._ digo, sentando no chão.
— Eu conversei com a Acsa, como você pediu. Tentei, na verdade.
— Ótimo, e então?
— Vamos conversar em outro lugar.
— Tudo bem, vamos para a sala do cristal.
Contra a minha vontade, acompanhei os dois até a salinha do cristal.
— Ok, me conte o que aconteceu.
— Como você pensou, ela está agindo normal. Até me expulsou do quarto. Bom, pelo menos, na minha frente.
— Como assim, na sua frente?
— Do lado de fora do quarto, eu ouvi ela dizendo que estava com saudades de casa.
— Bando de curioso! Cadê minha privacidade?_ perguntei, indignada.
— Acho normal, é até estranho que ela não pergunte mais sobre isso.
— Eu não acho. Nós a fizemos acreditar que não tinha uma forma e depois não paramos de enviá-la pra missões.
— É mesmo...
— Inclusive, quero minhas maanas! Não pensem que eu esqueci, seus putos!_ cobrei mesmo. Pena que ninguém me ouvia.
— Então, o que fazemos? Nós não podemos sacrificar nossas chances de ir à Terra por ela. Ela está bem cuidada, alimentada, faz parte da Guarda... Eu...
— Ah sim, to super feliz aqui._ digo, fingindo empolgação.
— Não acho que ela vai exigir nada, entendeu a nossa situação. Mudou muito desde que chegou. Não nos sabotaria nem roubaria ingredientes para abrir um portal.
— Roubaria sim, só não tive chance ainda. Não param de me encher o saco._ digo.
— Leiftan, não me culpe por tê-la acusado antes. Eu não tinha como saber.
— Eu estou brincando._ o bicolor sorriu.
— Não quero acabar com as esperanças dela dizendo 'Você não vai voltar nunca mais, acostume-se com isso'.
— Uau, que gentileza..._ revirei os olhos.
— Já é basicamente isso que está acontecendo mesmo.
— Eu sei. Não consigo pensar em uma forma de levá-la pra casa sem que nos custe tão caro. Ela é bruta e tem a língua afiada, mas sempre nos ajudou em tudo. Apesar de sempre reclamar antes e pedir maanas.
— Lógico, não vou trabalhar de graça.
— Vamos deixar essas preocupações de lado, por enquanto.
O loiro meio moreno finalizou, antes que eu voltasse para o meu corpo. Bom, mesmo que eles me enviassem de volta, não teria garantias de que eu voltaria pra 'minha Terra'. Multiverso é louco. Enfim, deixando isso de lado, a melhor coisa foi abrir os olhos e dar de cara com o meu homem de novo.
— Tudo bem? Você ficou olhando para o nada por alguns minutos.
— Tá, é que eu tenho uns problemas de vista as vezes. É foda. Mas voltando ao nosso assunto de antes, eu vou tentar me cuidar melhor. Não posso garantir, mas vou tentar._ sorri.
— Isso já é um bom começo._ sorriu._ Quer dar uma volta na praia?
— Hm, seria um encontro?
— Talvez.
— Então, eu aceito sim.
Ele até ofereceu o braço pra andarmos juntos. Cara, a gente tava super dando certo. O momento estava chegando, meus amigos. Eu ia pegar esse homem logo. Chegando na praia, nós ficamos em cima de um rochedo.
— Ah, esse bom e velho rochedo..._ disse, parecia que lembrava de alguma coisa.
— Tá parecendo um velho lembrando da juventude.
— Não, ele se mexeu de novo._ sorriu.
— 'De novo'? Você tá afim de dar um passeio em cima de uma rocha?_ ele riu.
— Não seria ruim.
— Prefiro ficar parada mesmo._ respondi, me deitando em cima da pedra.
— Então, sobre a Miiko..._ o moreno começou, um pouco receoso.
— Hm?
— Ela tem uma personalidade forte. Grita muito, exige muito.
— Aham, e onde você quer chegar?
— A posição dela exige que ela se coloque de lado pelo bem da maioria. Ela pode não estar tão bem formada quanto deveria, porque o mentor dela morreu enquanto a treinava.
— E aí tudo começou a dar errado, tipo o Cristal quebrado e tal.
— Como adivinhou?
— As coisas ruins costumam vir quando a gente menos precisa._ suspirei._ Mas ainda não entendi porque o assunto da kitsune, assim de repente.
— É porque vocês duas se parecem.
— Você foi pior do que o avatar maldito agora._ digo, olhando-o com decepção. Ele só riu, nem me levou à sério.
Continuamos conversando por mais algum tempo, dando algumas risadas. Até que decidimos que tava ficando tarde e era hora de voltar. Uma pena, a companhia tava muito boa. Enfim, quando entramos nos portões do QG, fomos recebidos por quem eu menos queria ver.
— Ah, olha só. Os lovigis estão de volta._ disse o elfo de merda.
— Você se recuperou rápido demais. Que pena.
— Diz a pessoa que me salvou._ sorriu.
— Porque quem vai te matar sou eu, seu filho da puta!
— Ezarel, como você está?_ perguntou o moreno.
— Vivo, graças a mim._ respondi. O azulado me olhou com cara de poucos amigos.
— Estou ótimo. E você?
— Bem também, estamos voltando do nosso canto, eu e a Acsa..._ respondeu, sorrindo para mim. Eu sorri de volta.
— Ugh..._ o avatar maldito fez um som de nojo e foi embora. Demorou.
Nós andamos juntos até entrarmos no QG, só faltou as mãos dadas. A enfermeira abordou o moreno e eu voltei pro meu quarto, porque já tava ficando tarde mesmo. No corredor, encontrei o ruivo.
— Ei, você, oi!
— Ah, cheira cu.
— Você está bem?
— Estava, mas encontrei o princeso há uns minutos atrás.
— Nem parece que salvou ele outro dia.
— Você sabe porque fiz o que fiz._ cruzei os braços.
— Sei sim...
— Nem comece.
— Bom, eu não te vejo desde que desmaiou. Me disseram que estava acordada então vim até o seu quarto.
— Sigo plena, pode ficar despreocupado.
— Além disso, queria aproveitar pra falar contigo sobre o que aconteceu.
— Com os cogumelos falantes? Já me disseram, logo quando acordei.
— Eu não sei o que pensar.
— Eu não quero nem pensar, pra começar. Não vou ficar tentando resolver problemas dos outros, mesmo sendo metida neles toda hora.
— Bom, não vou ficar te prendendo aqui. Parece cansada.
— E to mesmo, passei a tarde toda com o mozão._ sorri.
— Ugh._ outro que fez som de nojo e foi embora.
— Esse povo é tão sensível..._ comentei, seguindo até o meu quarto.
Deitei, me espreguicei e tirei um cochilo. Mas não foi um sono tranquilo, porque eu meio que 'sonhei' acordada? Sei lá, algo assim. Eu tava no corpo do cheira cu, dessa vez. Algo inédito. Ele estava no salão principal com a bicolor.
— Adorei! Nossa, Chrome, to morrendo de inveja!
— Inveja?
— Sim, você teve uma ideia incrível. Estou dentro._ disse, sorrindo.
— Ah... obrigado.
— Dá pra sentir o coração batendo rápido daqui, mano do céu. Gado demais._ comentei. Não posso ficar quieta, né?
— E você, Alajéa?
— O QUE ESSE ESTRUME TÁ FAZENDO AQUI TAMBÉM?!_ me exaltei._ Porra, mano.
— Claro._ respondeu a puta.
— Já sabemos que vai dar errado._ suspirei.
— Vocês são tão lindinhos. Dois inimigos unidos por um bem comum, típico de um livro de fantasia heroica._ comentou a bicolor.
— Por pouco, Karenn. É otome game de fantasia mesmo.
— É só uma festa surpresa._ disse o ruivo.
— Festa surpresa? Por acaso seria pra mim?
— Vai ser incrível!
E eu acordei depois da bicolor dar um gritinho animado. Claro que eu não ia ficar sabendo, sempre param de me dar a informação na hora mais importante. Jogo de filho da puta. Enfim, descansada, decidi me levantar. E não foi um simples cochilo, porque o sol já nasceu lá na fazendinha. Gente, era tarde. De novo.
— Porra, por quanto tempo eu dormi?_ perguntei pra mim mesma, abrindo a porta.
Decidida a fazer algo da minha vida, fui para a biblioteca ver se tinha alguma missão disponível. Zero.
— Mas que paz, não é mesmo?
— Ah, Acsa! Você chegou bem na hora que eu ia atualizar as missões.
— A paz nunca vai chegar mesmo... Então, quais estão disponíveis?
— Procura alguma em específico?
— Não, qualquer coisa tá bom.
— Bem, a Associação dos Comerciantes Purrekos passou vários anúncios.
— É bom, gosto de ver eles, de vez em quando.
— Eles são folgados, passando os trabalhos deles pra Guarda.
— Eu não vou me meter nisso, nem ouvi.
— Então, quer ajudar no trabalho deles?
— É, pode ser. Dá pra passar um tempinho. To indo._ digo, acenando enquanto saio da biblioteca.
Então, fui para o mercadão e fiz vários serviços pros gatos folgados. Maanas, meus amigos. O vestido daquele dia foi caro. Inclusive, tava guardado no meio do mato do meu quarto. Quando iria usar de novo? Provavelmente nunca mais. Não dá pra andar de um lado pro outro com aquele treco. Mas que eu fiquei gostosa, ah, isso eu fiquei sim. Depois de terminar meu trabalho mercenário, voltei para o QG e não encontrei quem eu queria.
— Ah, tinha que ser._ revirei os olhos.
— Olha só quem está aqui._ o elfo sorriu.
— Tem como não aparecer mais na minha frente?
— E você? Não está se divertindo com o Nevra?
— Hm, é ciúmes isso que senti agora?_ sorri.
— ... Andou bebendo alguma poção escondida?_ perguntou, sério.
— Desculpinha de elfo enciumado..._ digo, andando atrás dele e assoprando em seu ouvido. Ele se assustou e eu ri.
— Agora vou ter que desinfetar isso!_ respondeu, andando em passos rápidos, acho que até a sala de alquimia.
— É, achei um ponto fraco._ sorri, continuando minha caminhada.
— Oh, Acsa! O que está fazendo?_ a puta com guelras apareceu.
— Ah não, mais uma._ suspirei.
— Vamos! Me diga, me diga.
— Larga de ser curiosa, puta merda! Vai fazer algo de útil! Que inferno!_ deixei a trouxa lá atrás._ Porra, deu até fome agora. Vou roubar alguma coisa do estoque do avatar.
Caminhando até a despensa e depois até a copinha, encontrei o cheira cu.
— Ei, Acsa! O-o que você está fazendo aqui?_ perguntou, claramente nervoso.
— "Ok, a festa é pra mim." Eu vim comer, to com fome.
— A-ah sim...
— E você?_ perguntei, sorrindo. Sim, eu sou cínica.
— Eu? Nada! Não estou fazendo nada! Com certeza não estou preparando nada!
— "Ele é muito ruim, Deus!" Hm, entendi._ respondi.
Ele foi embora logo depois, mais nervoso do que antes. Esse povo esconde segredos tão bem... Quando terminei de comer, saindo pela despensa, encontrei o Keroshana.
— Oi Acsa, estou feliz de te encontrar.
— Sem abraços dessa vez, né?_ ele riu.
— Sem abraços. Na verdade, falei com algumas pessoas sobre te ensinarem a história de Eldarya.
— O Nevra tá no meio? Fala que sim, por favor.
— Não, ele não... e também, não será imediato.
— Tá bom, me avisa então quando tiver data marcada. Caso contrário, nem toca no assunto. Mas obrigada por tentar._ sorri.
E antes que eu pudesse dar um passo para a sala das portas eternas, um pivete diz meu nome de um jeito muito irritante e pula no meu colo.
— Acsa!!
— Me larga, agora._ digo. Ele sai rapidinho.
— Você é má!_ o Mery saiu correndo, chorando e todo remelento.
— "Agora que ele descobriu?"_ dei de ombros.
— Ah, Acsa! Como você está? Não cheguei a te encontrar depois do que aconteceu em Balenvia._ era a enfermeira.
— To bem, sigo firme. Talvez os fluxos do meu mundo tenham me deixado mais forte, o que é bom._ ela me olhou confusa._ Deixa pra lá.
Percebi que tava encontrando muita gente dentro do QG, não tava gostando muito não. Fui para o refúgio e lá encontrei a kitsune.
— Isso é raro, achei que você morava na sala do cristal.
— Eu estou de folga, Acsa._ respondeu, com um olhar entediado.
— Hmm...
— Você está sabendo que o Valkyon voltou da missão?
— Tava nem lembrando que ele tava em missão. O que que tem?
— Eu preciso falar com ele. Pode avisar que estou aqui?
— Depende de quantas maanas vou ganhar com isso._ comentei, olhando para as minhas unhas da mão.
— De novo isso?
— Lembra aquele vestido que eu usei pra ficar escoltando a chihuahua pra lá e pra cá? Não foi de graça._ ela suspirou.
— Tá, vou te dar algumas.
Ela me deu mais do que algumas, foi bem generosa. Estranho.
— Você quer que eu dê um abraço de boas-vindas nele também?
— Não exagere. Você cuidou de uma amiga importante naquele dia.
— Finalmente o trabalho tá valendo a pena. Beleza, eu vou procurar ele e avisar.
E a sorte estava do meu lado, porque logo quando entrei no QG, encontrei o platinado.
— Acsa? Como você está?
— Viva. Indo direto ao assunto, acabei de encontrar a himedere e ela me pediu pra te avisar que encontre ela lá no refúgio.
— Eu a vi não há muito tempo também... Será que é urgente?
— Isso eu já não sei. Enfim, recado dado. Falou._ acenei e comecei a andar, quando parei de repente porque lembrei de um negócio._ "Merda, acho que preciso fazer a droga do relatório das coisas que fiz pros gatos lá."
Fui até a biblioteca em passos super lentos, procurei por uma folhinha de almaço mas não encontrei em lugar nenhum. E não tinha ninguém trabalhando naquela porra.
— Ah que ótimo, sempre vazio quando precisamos de alguém._ suspirei. Eu tinha que procurar a Ykhar.
Rodando pelo QG, acabei encontrando a Karenn 'tentando' se esgueirar na parede pra ouvir uma fofoca, óbvio.
— O que você tá fazendo dessa vez?
— Tentando ouvir sobre a missão do Valkyon. Não me diz que você não quer saber também.
— Na verdade, não. Quero saber onde tá a Ykhar ou o Keroshana, acabaram os almaços.
— Ah, para de desculpinha. Vem logo.
Ela me puxou pelo braço e entramos como bandidas na sala do cristal. E agora que eu tava lá dentro, não podia mais sair né? Esperava que o mozão me descobrisse, pra me punir mais tarde. Se é que vocês me entendem... Enfim, a kitsune e o muro estavam conversando sobre a missão.
— Então, deu tudo certo?
— Sim, ninguém me viu quando recuperei o coração. Pareciam prontos para atacar alguém, mas...
— Grr...
— O que foi, Jamon?_ perguntou a himedere.
— Eu voltar.
— Jamon tá vindo. Vamos embora._ a bicolor sussurrou um pouco alto.
— To vendo, não sou cega.
Quando estávamos indo para o corredor, o suíno nos agarrou e nos levantou do chão. E voltamos para a sala do cristal. Eu só queria achar almaço pro meu relatório, cara.
— Sério? Quem vocês pensam que são?_ a puta das chamas perguntou, brava como sempre.
— Responde essa, Karenn. Não assumo esse BO._ digo, cruzando os braços.
— Ei, eu não te obriguei!
— Você me puxou até aqui, doida! Esqueceu?
— Chega, vocês duas!_ a morena gritou. Eu suspirei, entediada.
Depois de um discurso e um sermão chato pra caralho, nós fomos liberadas sem nenhum castigo. Uma pena que não foi o mozão quem me pegou.
— Eu esperava algo pior.
— Da próxima vez que eu disser não, é não. Entendeu?
— Ah, tá bom. Relaxa, deu tudo certo.
— Certo teria dado se o seu irmão tivesse me punido._ suspirei._ Com todo esse tempo que eu perdi, já deve ter alguém na biblioteca. Não é possível.
— Te vejo depois, Acsa!_ disse, se despedindo. Só acenei e caminhei até a biblioteca.
Lá, finalmente encontrei a coelha.
— Ah, Acsa!
— Já falei pra você e o Keroshana deixarem pra se pegar a noite, entre quatro paredes.
— D-do que você tá falando?
— Ué, a biblioteca tava vazia.
— Eu estava resolvendo um assunto urgente!
— Urgente, sei..._ olhei pra ela de canto de olho._ Enfim, o almaço acabou. Preciso fazer relatório.
— Que relatório? Sobre a missão dos Purrekos que você fez mais cedo?
— Isso, essa mesmo.
— Ah, não precisa.
— Sério? Me preocupei à toa, então. Vou vadiar.
Saí da biblioteca e quando passei pelo corredor, a Miiko abriu a porta da sala do cristal e me chamou.
— Boa hora. Preciso falar contigo. Venha aqui.
— "E lá vamos nós."_ a segui, encontrando os três trouxas lá dentro._ "Que porra tá acontecendo?"
— Você já sabe que o Valkyon voltou de uma missão muito importante._ disse, me encarando séria.
— É, eu ouvi por aí._ sorri._ O que que tem?
— Bem, ele ouviu sobre um grupo de mercenários. Eles são humanos como você. Desde que chegou, todo mundo só tem falado sobre isso.
— É, minha presença é incrível mesmo.
— Eles estão falando sobre te 'salvar'.
— Me salvar._ repeti, com ironia.
— Te tirar das nossas 'garras', seres de Eldarya.
— Tá, e o que eu tenho a ver com isso? Devo fazer uma aparição pública e confirmar que to sendo bem cuidada e alimentada?_ perguntei, cruzando os braços.
— Só tenho algumas perguntas pra você.
— Uh, um interrogatório. Beleza._ sentei no chão._ Um de cada vez, por favor. Não precisam ter vergonha.
— O que você sabe sobre Eldarya?
— No meu mundo, vocês não existem. Isso é um jogo._ digo, acenando com as mãos para os arredores._ Mas vai saber._ dei de ombros.
— Um jogo? Pareceu muito real todas as vezes que você quase morreu._ disse o azulado.
— Grande perspicácia, senhor Holmes._ o encarei com tédio.
— E acha que alguém da sua família está te procurando?_ a himedere perguntou.
— Ah, com certeza. Talvez até quem não é da minha família. Eu sou muito amada._ sorri.
— Deve ser mesmo._ outro comentário do elfo maldito.
— Alguém pode tirar ele daqui, por favor?_ perguntei.
— Desculpe, sou o líder da sua Guarda._ ele respondeu, sorrindo.
— Em breve, defunto._ me levantei, sendo impedida pela Miiko.
— Acsa, depois. Você pode ir agora. Obrigada por responder.
Eu o encarei irritada por alguns segundos, antes de abrir a porta e sair da sala. Algo não cheirava bem e não era o fedô, porque ele tava bem longe. Graças ao Oráculo. Quando comecei a caminhar, minha vista ficou escura. O problema de visão de novo. E eu encarnei a puta das chamas.
— Eu sei que é uma solução extrema, mas não quero e nem posso colocar em risco os habitantes do QG._ disse a kitsune.
— Não podemos fazer isso com ela._ o moreno se pronunciou.
— Mas também não podemos correr o risco de sermos atacados._ o platinado respondeu.
— Dessa vez, eu admito que concordo com o Nevra. Não podemos tomar essa decisão por ela._ o elfo se posicionou no meio da discussão.
— Mas que porra tá acontecendo? O que tão querendo fazer comigo sem eu saber?
— Vocês acham que ela aceitaria?_ a morena perguntou, fazendo todo mundo ficar quieto._ Não gosto nem um pouco disso, mas acho que não temos outra saída. Se tiverem outra ideia, estou a disposição.
— Coitados, acham que vão conseguir me dibrar._ digo, acompanhando toda a conversa.
Até que, do nada, voltei para o meu corpo e vi meu quarto na minha frente. Eu abri a porta e entrei, me jogando na cama. Era louco como o jogo tinha alguns bugs, isso me deixava mudar a história, se eu quisesse. Ou até usar isso ao meu favor. Sorri, olhando para o teto. Isso era ótimo. Decidi tirar um cochilo porque andei muito e sou sedentária. Quando acordei, já tinha anoitecido. Com fome, saí do quarto e fui para a despensa roubar as porções do elfo. Chegando no salão principal, encontrei o Keroshana.
— Oh Acsa!_ tossiu logo depois de falar meu nome._ Engasguei.
— Cuidado pra não morrer._ digo, sentando ao lado dele._ E aí, como foi o dia com a Ykhar?
— Ah, muito trabalho. Como sempre.
— Trabalho, sei...
— O quê?
— Nada, nada._ respondi, tomando um gole da minha bebida que lembrava chá._ Me diz uma coisa, já teve casos de outros humanos como eu por aqui?
— Hm, não. Você é a primeira. Na verdade, é bem raro humanos virem pra cá.
— "Vamos supor que ele esteja dizendo a verdade mesmo." E o que acontece com humanos que tem sangue de Winx?
— Sangue de faeliano?
— De Winx._ repeti.
— Na maioria dos casos, eles são mandados pra casa por quem os acolhe. Mas você sabe, tem sacrifícios.
— É, eu to ligada. Já dei uma lida sobre isso.
— Bom, eu preciso ir agora. Boa noite, Acsa._ se despediu, se levantando.
— Até mais._ acenei, terminando minha bebida._ "Chegada de mano querendo me resgatar, interrogatório da puta das chamas, aquela conversa que não era pra eu ter escutado mas escutei... tão aprontando."_ me levantei, encontrando o mozão na despensa.
— Ei!
— Você apareceu em um ótimo momento._ sorri.
— Por quê? Precisa de alguma coisa?
— Um abraço?_ supliquei com o olhar. Ganhei uma risadinha dele.
— Boba._ disse.
Eu suspirei, achando que não ia ganhar. Quando ia voltar a caminhar, ele me puxou pelo braço e me deu um abraço. Senti seu peitoral contra as minhas costas.
— Assim está bom?
— Podemos melhorar isso._ sorri.
Antes de me soltar, ele me virou e me deu um beijo próximo aos meus lábios, indo embora em seguida. Fiquei olhando ele, até sumir da minha vista. Ah, que bela visão. Podia ter me beijado de uma vez, vacilão. Enfim, saí do transe e voltei a caminhar. Quando estava na sala das múltiplas portas, encontrei o elfo maldito.
— Ah, você._ digo, com nojo.
— Oi, coisa feia._ sorriu.
— O quê? Eu to com a sua cara agora?
— Quer um espelho?
— Se você tentou usar, já deve estar quebrado._ sorri._ Ah, minha cabeça tá doendo. Falar com você tá tirando a felicidade que tive agora pouco com o mozão.
— Ugh._ ele me olhou com nojo, em seguida entrando no laboratório de alquimia.
Esse povo tá trabalhando até tarde, tava encontrando todo mundo. Até quem não queria. Eu ia voltar para o meu quarto então, porque tava cansada de encontrar trouxa, quando a coelha me chamou no corredor.
— Ei, Acsa! Estava te procurando.
— É a himedere de novo?
— Sim.
— E lá vamos nós._ digo, sem muito ânimo, caminhando até a sala do cristal._ Licença sem licença. To começando a achar que você realmente dorme aqui.
— Estou trabalhando, Acsa.
— Sim, percebi. Fala logo o que tu quer.
— Então, eu e os meninos pensamos bem sobre essa história dos mercenários e achamos uma solução. Dessa vez, você não tem muita escolha.
— E quando eu tive, pra começar né? Pula as formalidades.
— Tem uma poção que permite que você deixe sua presença não ser notada.
— Aham, sei... e vocês querem que eu tome né?
— Sim.
— "Eis a cereja do bolo. Era disso que tavam falando naquela hora. Muito bem." Tá bom, eu topo._ sorri.
— Oh, achei que você ia reclamar mais.
— Se estivesse mais cedo, eu iria sim. Mas tá bem tarde e eu quero ir pro meu quarto.
— Você pode procurar um dos meninos pra te ajudar na poção. Mesmo ele sendo difícil, te aconselho a pedir ao Ezarel.
— Aí eu faria ele beber a poção. Assim eu nem ia perceber que ele tá vivo ainda. Vou ver isso amanhã._ digo, saindo da sala logo depois.
Claramente isso foi uma mentira, e das bem ruins. Mesmo que eu não tivesse visto aquela conversa mais cedo, a kitsune tava bem estranha. Mas sabe, eu gosto de ver onde a mentira vai me levar. Então, eu decidi continuar com a atuação. Fui ao meu quarto e dormi o resto da noite, me levantando logo cedo. Coloquei uma roupa qualquer e saí em busca do mozão.
— E que os jogos comecem._ sorri.
Não tive muito trabalho em achar o amor da minha vida, ele estava na biblioteca.
— Ei, veio pedir mais abraços?_ perguntou, sorrindo.
— A ideia é tentadora, mas a kitsune me pediu pra fazer uma poção pra ocultar minha presença e tal. Eu preciso da sua ajudinha..._ pisquei os olhos.
— Ah, essa..._ ele pareceu meio chateado.
— "Hm, receio." Você não parece muito feliz..._ provoquei. Eu sabia que ele tava escondendo algo.
— Não, eu gosto de passar o tempo com você. Vamos?
— Então, tem um problema. Eu não tenho porra nenhuma comigo, a outra não me deu nem uma listinha. O que preciso?
— Bom, precisamos de água de Lete, grãos de café em cacho, um pouco de geléia real comestível, aguardente... e morangos com sabor de pistache, pra dar um gostinho.
— Hm, podemos usar esses morangos pra outra coisa._ o olhei, maliciosa.
— Acsa..._ me repreendeu.
— Tá bom, to indo._ antes que eu saísse da biblioteca, ele me puxou.
— Deixe que eu cuido da aguardente, você traz o resto._ e me entregou um papel com a quantidade.
— Sim, senhor._ me curvei, sorrindo. E lá fui eu.
Os morangos, a geléia e os grãos de café foram fáceis, peguei nas lojinhas. Mais maanas gastas pra fazer uma palhaçada que eu nem sabia pra que era. A água de Lete eu tive que entrar em um leilão ilegal pra comprar, mas ninguém precisava ficar sabendo disso. Enfim, com tudo em mãos, fui fazer a poçãozinha dos ninjas.
— Trouxe tudo, mano. Cadê a parada que você ficou de finalizar?_ perguntei, colocando tudo na mesa as escondidas.
— Acsa, o que você tá fazendo?_ perguntou, me olhando como se eu fosse doida.
— Ah, você não tem graça. Não entra no personagem._ respondi, cruzando os braços._ E aí? Qual a receita agora, chef?
— Eu ainda não terminei de purificar a aguardente. Se quiser voltar depois, não tem problema.
— Fui rápida demais para o meu próprio bem._ dei de ombros, saindo da sala de alquimia.
E fiquei rodando e rodando e rodando pelo QG, até infelizmente trombar com o ELFO FILHO DUMA PUTA!
— Olha só, chegou quem vive colocando Eldarya toda em perigo.
— Coloquei mesmo, não devia ter te salvado. Princeso adormecido._ dei uma risadinha.
— Você me devia por eu ter te salvado de vinhas.
— Ah, então estamos quites. Cuidado, da próxima vez eu posso não ser tão boazinha._ pisquei, voltando a andar.
As alfinetadas foram menos piores do que de costume. O próximo encontro foi mais tranquilo, com a Karenn. Depois daquele sermão de meia hora, ela tava bem sossegada.
— E aí, cunhada. Tudo bem?
— Você tá namorando o Nev?_ perguntou, me olhando animada.
— Infelizmente, ainda não. Mas to chegando lá._ digo, e ela voltou a ficar deprimida._ Que que rolou?
— A morte, o nada... estou a beira do abismo.
— Não caia na depressão e não corra atrás de cogumelos.
— Eu preciso de fofocas.
— Você precisa de algo melhor pra fazer. Mas quando eu começar a namorar o mozão, você vai ser a primeira pessoa a saber._ sorri, caminhando de novo.
Do lado de fora do QG, outro que eu não queria encontrar mais.
— Ei, senhorita._ chamou o bicolor.
— O nome é Acsa. Eu achei que você ia parar de falar comigo depois dos presentes. A puta das chamas vai ficar putaça.
— A Miiko não vai se importar.
— Ah, mas eu vou. Tchau._ e nem passou 5 minutos, já encontrei outra pior.
— Acsa!_ a puta com guelras.
— To não._ passei reto.
Decidi voltar porque tava muito perigoso, só gente chata. Entrei na sala de alquimia sem bater na porta.
— Espero que você tenha terminado.
— Sim, senhora. Está pronto.
— Oh glória!_ levantei as mãos aos céus._ Então, sou sua assistente agora, chef. O que devo fazer?_ perguntei.
Ele me deu todas as instruções da preparação da poção e enfatizou uma coisa: pensar nas pessoas que conheci. Todas elas. Façam as contas, meus amigos. Esse mistério não é tão misterioso assim.
— Hm, é muita gente pra lembrar. Por que preciso fazer isso se vou só ocultar minha presença aqui?_ me fiz de desentendida.
— Porque é uma poção 'ligada' a você, deve ter a sua energia.
— Seria mais fácil tacar meu sangue nesse troço.
— Nada de sangue. Vamos começar.
— Sim, senhor._ sorri.
Tudo o que eu fiz foi como se fosse a preparação de uma receita pra comer. Depois que estava tudo pronto, o mozão me disse que iríamos realmente fazer a poção. E o que ele falou logo depois, tive que me segurar pra não rir.
— Escreva o nome e o sobrenome dos seus pais aqui, nesse papel.
— Ué, achei que tinha só que pensar neles enquanto fazia uma receita._ coisa que eu não fiz, não sou trouxa.
— Imagino que eles são as pessoas mais próximas de você, isso vai aumentar o efeito da camuflagem.
— Hmm, entendi. "O menino não fica nem vermelho, gente."
Continuamos a preparar a poção e, pra finalizar, cortei uma mechinha do meu cabelo e joguei no troço.
— Agora repita comigo._ ele falou na linguagem da putaria.
— Mano, calma. Foi muito rápido.
Com uma ajudinha, repeti tudo com a mão no peito. Shinzou wo sasageyo, caralho. E terminamos, aparentemente.
— É isso. Devemos deixar a poção aqui e você deve bebê-la na próxima lua cheia.
— Tá certo. Vou dormir, então. Encontrei muita gente desagradável hoje._ bocejei.
— Em vez disso, vá ao seu quarto, fique linda e me encontre no salão principal as 18hrs.
— Hm, só nós dois?
— Mais tarde, talvez.
Em frente a porta da sala de alquimia, parei, dei um sorriso travesso pra ele e fui pro meu quarto. Ah gente, nem parecia que tava me enganando. Enfim, descansei um pouco, coloquei uma roupinha provocante e fui para o salão principal. Lá, encontrei um breu total.
— Alguém deixou de pagar a conta?
— Surpresaaa!_ um monte de voz gritou e a luz acendeu.
— "Ah é, aquela conversa que o Chrome teve com o povo. Por causa do assunto da poção, até esqueci." Eeeee._ levantei as mãos, fingindo empolgação.
— Acho que não é seu aniversário e nem aniversário da sua chegada aqui em Eldarya, mas queríamos te fazer uma festa surpresa. Você gostou?_ perguntou o ruivo.
— Parece ressentimento. Vocês fizeram ou pensaram algo errado sobre mim?
— Acsa!_ o cheira cu me repreendeu.
— Tá, eu gostei sim. Obrigada pela festinha. Cadê o álcool?_ vasculhei ao redor em busca de um drink.
De repente, senti que alguém puxou o meu braço. Achei que era o mozão, mas ah... que engano mais triste.
— Já quer cair na cachaça?_ perguntou o elfo maldito, sorrindo enquanto soltava meu braço.
— Cuida da porra da tua vida. Por que você tá aqui, afinal?
— Porque eu gosto de você. O que acha?_ provocou.
— Ugh._ fiz um som de nojo, me afastando o mais rápido que podia.
Tinha muita gente lá, muita mesmo. Até quem eu não gostava, infelizmente. Logo, senti uma mão no meu ombro. Quase virei no soco, quase... Ainda bem que não.
— Está feliz?_ perguntou o moreno dos meus sonhos.
— Agora estou._ sorri._ Não esperava esse tanto de gente aqui.
— É a sua noite.
— Hm, fala de novo.
— Essa é a sua noite.
— Já que é minha, posso pedir qualquer coisa, né?_ perguntei.
— Acho que desconfio do que você vai pedir._ sorriu.
— Como você é difícil en..._ cruzei os braços, sem desfazer meu sorriso.
Nosso momento juntos foi interrompido quando algumas pessoas chamaram ele. Mas não tive muito tempo pra ficar sozinha, já que todo mundo tava se reunindo a minha volta. E começamos a conversar sobre amor. Meus amigos, o Keroshana era uma anta.
— Falar que uma mulher é linda como a sua mãe é foda, aí não dá._ comentei, bebendo um drink que roubei da cozinha.
— I-isso foi há muito tempo!_ ele justificou.
— Ah, então você virou um especialista agora né? Vai falar com a Ykhar quando?
— Pelo Oráculo! Acsa, não diga isso!_ a coelha ficou vermelha.
— O quê? Vocês são terríveis em disfarçar, já disse isso.
— Nesse quesito, o Nev também peca._ comentou a Karenn.
— Ah, eu só trato toda mulher como um monumento da natureza._ deu de ombros.
— Eu ouvi sobre isso mesmo. Mas o tempo em que ele vai reverenciar apenas um monumento está próximo._ comentei, terminando minha bebida.
— Me pergunto qual escultura será essa._ o moreno disse, jogando verde.
— Ah, você nem imagina._ e eu joguei mais.
Conversamos mais um pouco, até ficar bem tarde e o pessoal começar a ir embora. Depois de tomar uns 3 copos, me levantei meio tonta e caminhei até o meu quarto. Correndo o tempo sem graça porque não to com paciência, os dias até a lua cheia passaram bem rápido. E chegou o momento da mentira mais mal feita da história.
— Ah bem, vamo lá.
Antes que eu saísse do quarto, vi um papel no monte de folha da minha cama. Belo lugar pra deixar um bilhete. Abri a cartinha e vi meu nome. Awn, uma carta de amor. Então, eu li.
— 'Uma poção de camuflagem de presença. Sério? Você seria idiota a esse ponto? Pergunto quem são as pessoas que vão te esquecer.' Aaa blá, blá, blá. Vamo pular que tá longo demais. 'De seu aliado, Ashkore.'_ segurei o riso._ Belo nome, senhor mascarado. Vamos responder à altura._ sorri, escrevendo outro bilhete.
Chamei o Senpai e mandei ele entregar para o dono do cheiro da carta do mano. Tava na hora de ele trabalhar, tava só na vida boa. Agora sim, saí do quarto. Fui direto para a sala de alquimia, onde encontrei o mozão.
— Ei, se não é a mais linda._ sorriu.
— Em breve, seu monumento da natureza._ sorri de volta._ Então, onde tá a poção?
— Ali._ apontou.
Eu caminhei calmamente até a poção, a peguei lentamente e, quando estava prestes a virar para beber, olhei para o moreno por cima do copo. Sei lá que troço era aquela louça.
— Nevra, não tem nada que você quer me contar?_ perguntei, séria.
— Como assim?
— A poção. Essa que eu estou quase bebendo.
Ele me olhou com nervosismo e tristeza, até abrir o bico.
— Isso não é para ocultar sua presença, é pra fazer as pessoas da Terra que você conheceu te esquecerem. Todas elas._ respondeu, cabisbaixo.
— Hm, ótimo._ comentei, afastando o copo dos meus lábios._ Antes tarde do que tarde demais._ caminhei para fora da sala de alquimia.
— Onde você vai?
— Fazer uma promessa pra alguém._ sorri, respondendo calmamente.
Uma das coisas mais incríveis sobre a minha pessoa, é que no meu humor normal parece que eu vivo pistola. E no meu humor de trevas e ódio, parece que eu to super calma. Enfim, sou um mistério. Caminhei lentamente pelo QG em busca da Miiko. E não demorei muito pra encontrar ela.
— Ah, Acsa! Está na hora da poção.
— Essa aqui, você diz?_ estendi o copo e derramei tudo em seus pés.
— O que você-
— Quando tentar fazer algo pelas costas de alguém, você precisa saber esconder bem. Nenhum de vocês tem talento pra isso._ ela me olhou confusa. Continuei._ Se tiver algo pra resolver comigo, tenha vergonha na cara e venha falar comigo. Nunca mais envolva a minha família ou alguém precioso pra mim, porque da próxima vez eu não serei tão boazinha._ lhe dei um último olhar gélido e caminhei plena.
— Ela não gritou nenhuma vez...
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