Algumas saiam em grupos da Academia, já outras, eram buscadas pelos pais. Pequenas folhas, um dia, certamente ninjas, que ignoravam Uzumaki Naruto, sentado em um balanço de madeira preso a uma árvore cujas folhas cobriam-no com uma sombra apática e gelada. Um dia, ele também, certamente, seria um ninja, um ninja reconhecido por todos, seria um Hokage.

Naruto ergueu-se do balanço e encaminhou-se para casa.

No percurso, vozes de uma vida impossível chegaram aos seus ouvidos, uma tríade sonora que o fez virar o rosto e acompanhar os diálogos entre um filho e seus pais. Sorridentes, eles caminharam na frente, enquanto que o garoto órfão permaneceu estático e sorumbático, observando um profundo desejo inalcançável se afastando.

Em uma viela movimentada, expressões geladas alvejaram a imagem malquista de uma raposa demoníaca, olhares que renegavam a existência de Uzumaki Naruto. Afligido pelo desprezo recebido, com o semblante amargo, o menino proferiu sonhos em voz alta e deu as costas para todos. Enfim, chegou em casa. Ninguém o esperava.

O tempo passou.

Naruto ajeitou seu protetor na testa, a prova de que conseguira se tornar um ninja, membro do time 7 liderado por Hatake Kakashi (um cara bacana), Haruno Sakura (um amor juvenil), e Uchiha Sasuke (um idiota). Finalizou o desjejum da manhã, um delicioso lamen, e tomou as ruas em direção ao portão do vilarejo.

Sem esconder o sorriso no rosto, outrora frequentemente usado para velar a face melancólica, permitiu que os olhares desconfiados caíssem sobre ele. Estes já não eram como uma nevasca que o soterrava, e sim como uma chuva violenta que o ensopava.

Na barraca de compra ao lado, uma família de três membros chamou sua atenção. Embora ninguém o esperasse em casa, pessoas importantes o reconheceram, mas ainda lutava pelo reconhecimento de outras. Futuramente, todos os moradores o enxergariam como um ninja de Konoha, uma pessoa tão importante para a vila quanto ele era para o time 7, que o aguardava na entrada da vila para o início de mais uma missão. Ele não estava mais sozinho.

As folhas cresceram.

O time 7, com um de seus membros originais substituído, retornou para o vilarejo. Kakashi foi o primeiro a separar-se do grupo, dizendo que precisava ir a algum lugar. Sakura rejeitou o pedido de encontro de Naruto e foi para casa. Sai se voluntariou como acompanhante nesse encontro, achando que assim deixaria o amigo satisfeito, mas Naruto preferiu andar sozinho pela vila. Fora combinado que ele deveria reportar os resultados da missão para a Hokage.

Nas ruas da vila, Naruto foi assediado diversas vezes por rostos que o reconheciam como o herói de Konoha: a garoa de indiferença havia se transformado em um radiante dia ensolarado no mais ardente verão. Após inúmeras provações, Naruto nunca desistiu ou mudou o seu único jeito ninja de ser.

Um garoto, ao lado de seus pais, se aproximou do ninja e lhe pediu um autógrafo. Naruto o fez com prazer e observou a família se afastando. Lembranças recentes confortaram a alma que outrora tanto se debatia em desgosto. Ele sabia que seus pais estavam com ele, herdara a vontade deles. Ele realmente não estava sozinho.

De cabeça erguida, Naruto caminhou até os aposentos da Hokage, caminhou em direção ao seu sonho.

E o tempo passou.

Notas finais
ESpero que tenham gostado. Não deixem de comentar ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!