Maria estava encantada… Aos poucos conseguia montar um bom enxoval para o seu bebê, e sua maior satisfação era ver as peças uma por uma. Tentava imaginar seu filho vestido com uma camisa bordada, fraldas e sapatinhos de tricô, saindo da maternidade aquecido com a manta que acabara de comprar. Só de imaginar, a emoção tomava conta de seu coração. Apenas lamentava não ter tido dinheiro suficiente para comprar uma chupeta, mas essa ficaria para a próxima.

Havia conseguido com o irmão Braz uns bons cortes de tecido, sem o conhecimento do pai, para costurar uma bolsa em que pudesse guardar o enxoval. Deixando de lado a modéstia, havia ficado muito bom. Inclusive, pensava em ir até a pensão de Dona Camélia perguntar se poderia ajudá-la com algum trabalho de costura, assim que o bebê nascesse. Qualquer trabalho seria bem vindo para ter o suficiente para criar seu filho.

Pôs as peças dentro da bolsa e a guardou no armário. Seu dia de folga estava acabando, e logo teria que ir servir o jantar. Sentou-se na escrivaninha, olhou alguns papéis, anotações, quando ouviu a porta de seu quarto abrir.

— Celso…

O rapaz sorria divertido, com as mãos para trás, escondendo algo.

— O que foi, Celso? Por que o sorriso?

Ele nada respondeu, apenas estendeu os braços, revelando nas mãos uma pequena caixa. Maria sentiu o coração pular, tomou o objeto para si e logo a abriu.

— Ah, uma chupeta!

Como ele havia adivinhado?

— Vi numa loja e achei que fosse gostar. – disse Celso, sorrindo ainda mais ao ver a expressão de surpresa dela, muito satisfeito.

— Sim, eu havia visto mais cedo, fui comprar uma manta… Nossa, Celso, como adivinhou?

Ele apenas sorria divertido, como se escondesse um segredo. Virou-se e sentou-se na cama.

— Sei que anda a comprar o enxoval de seu bebê aos poucos. Pensei em algo para lhe dar. Então…

— Então, comprou uma chupeta… Sim! Todo bebê precisa de uma!

Ficaram em silêncio por alguns segundos, Celso a olhava de um jeito que fez Maria corar, embaraçada. Como ela ficava linda corada, pensou novamente o rapaz.

— E como se sente hoje?

— Bem melhor, agradeço por perguntar.

— Sua barriga já está bem aparente…

— Sim, já estou com quase sete meses. Mal posso esperar para ter meu bebê nos braços.

O rosto de Maria se iluminou com a expectativa, e Celso sorriu diante de tamanha alegria. Era o que tanto admirava na jovem: apesar de tudo, nunca, nem por um segundo, deixou de amar a criança. Maria, com certeza, seria uma mãe e tanto.

— Muito obrigada por se lembrar de mim. – disse a jovem – Agradeço o presente, foi muito oportuno.

— Não me agradeça. Fiz de coração. Fiz por você.

Ao ouvir essas palavras, o coração de Maria bateu mais forte. Celso levantou, tomou uma das mãos da jovem e ternamente a beijou. A moça estremeceu diante do gesto, completamente inesperado. Inesperado? Ultimamente, o rapaz agia de modo completamente diferente de quando se viram pela primeira vez. Estava mais gentil, se preocupava com ela, estava sempre por perto quando a irmã não pedia sua presença.

— Até mais, Maria.

— Até mais…

Ao ver Celso sair, Maria levou a mão que ele havia beijado ao próprio rosto, o coração batendo tão forte que parecia querer sair do peito. Virou-se para o espelho, e observando o próprio reflexo, deixou escapar um suspiro tão profundo ao admitir para si mesma aquilo que já era óbvio.

— Estou apaixonada… Como é possível?

Abriu a caixinha que ele havia acabado de lhe presentear, olhou a chupeta e acariciando o ventre, disse com todas as letras.

— Meu Deus… Eu amo o Celso.

E mal disse a frase, sentiu o bebê movimentar-se dentro de si pela primeira vez, como se confirmasse o que havia dito.

— Você também gosta dele, meu filho? – comentou, entre risos.

Os olhos de Maria encheram-se de lágrimas ao sentir seu filho se mexer novamente. Chorou de alegria, e concluiu que apesar de todo o pesar sofrido desde que Leandro morreu, Deus nunca a havia desamparado. Em pensamento, agradecia a Ele por tudo.

….

Celso entrou no quarto com o peito transbordando de tanto contentamento. A expressão de Maria ao ver o presente dele superou sua imaginação, e isso o deixava tremendamente feliz. “Poderia fazer isso mais vezes”, pensou, “apenas para vê-la daquele jeito novamente!”

— Sim, é isso que farei. – disse para si mesmo, andando em círculos pelo quarto – Do que mais um bebê precisa?

Sentou-se na escrivaninha, pegou papel e caneta, e pensou. Anotou alguns itens que observara na loja em que vira Maria pela manhã, no entanto nada lhe parecia de acordo com o que queria. Isso o frustrou bastante.

— Não, quero algo grande dessa vez. Algo que a surpreenda mais do que a hoje.

Jogou o papel no lixo, e quando tomou outra folha de papel, batidas na porta interromperam seu raciocínio.

— Entre.

— Trancado no quarto a essa hora, irmãozinho?

Celso não pôde conter um suspiro de decepção ao ver Sandra adentrando o cômodo. Por um momento, achou que fosse Maria, para agradecer-lhe mais uma vez pelo presente. Com um beijo, talvez?

— O que quer agora, Sandra?

— Apenas dizer que titia irá dispensar o detetive. – disse Sandra com ar de vitória. – Ela está a conversar sobre isso com Dr. Araújo na sala. Saí de lá agora a pouco, com a desculpa de que chamaria você para o jantar. Claro que não sem antes consolar a nossa pobre titia.

— Bom para você, irmãzinha.

— Por que me olha assim, Celso?

— Por nada.

— Não, eu o conheço bem, caro irmão. Está a pensar em algo.

— Sim, estou sim. E não é da sua conta!

— O que foi? – perguntou a loira, fazendo bico – Ah, por que ainda pergunto? Foi ver Maria, não foi?

— E se eu tiver? O que tem com isso?

— Ora, meu irmão, o que pretende com a empregadinha? Usá-la e jogá-la fora?

Celso levantou-se bruscamente, não suportando mais as provocações da irmã.

— Não fale assim dela! Maria é uma mulher digna!

— Uma mãe solteira! Uma perdida! Sabe-se lá por quantas mãos ela já passou!

— Com certeza não mais que você!

Sandra sentiu o golpe e ergueu a mão para estapear o irmão, mas Celso, prevenido, agarrou o pulso da irmã.

— Não ouse! – avisou o rapaz.

A loira puxou com força o pulso magoado, visivelmente estupefata pela reação de Celso.

— Você não era assim, meu irmão.

— Mais uma palavra sobre Maria, Sandra, e eu não respondo por mim!

— Então fique aí, a pensar na sua empregadinha. Se duvidar, daqui a pouco estará a preparar mamadeiras e a ninar bebês em berços!

Sandra saiu batendo a porta. Celso ainda bufava de raiva com a irmã por tudo que ela havia dito, quando uma ideia passou pela sua cabeça. Uma que o deixou muito feliz, a ponto de esquecer o que havia se passado.

— Um berço! Claro! Um bebê precisa de um berço!

Pegou um papel de cima da mesa e anotou o pensamento, muito empolgado. Quem imaginaria que Sandra acabaria por ajudá-lo?

— Amanhã mesmo vou fazer a encomenda: um bom berço para o bebê de Maria. Ficarei a lhe dever essa, irmãzinha!

Quando Celso desceu para o jantar, não existia mais nenhuma sombra da contrariedade causada pela discussão recente – ao contrário de Sandra, claramente mal-humorada. Ele percebeu que Maria também estava alegre e isso o deixou ainda mais feliz. Anastácia notou a animação do sobrinho que, questionado, apenas disse:

— Apenas me sinto bem, titia. Mais que o normal.

E cruzou o olhar com o de Maria, que tentou reprimir um sorriso. Mas o brilho de seus olhos claros revelou quase todo o seu sentimento a Celso, e o sorriso dele mostrava à Maria qual, ou quem, era o motivo de tanta alegria.

“Mal posso esperar para lhe dar o próximo presente, Maria! Que surpresa terá!”, pensava o rapaz.

E naquela sala de jantar, nenhum outro coração batia em ritmos tão semelhantes quanto os de Maria e Celso, de tão unidos que estavam pelo mesmo sentimento.

Agora só restava admitir um para o outro. Quando?

… Quando o coração mandasse.

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FIM.

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Notas finais
Muito obrigada pelo apoio que recebi neste quase um mês e meio. Confesso que demorei mais a publicar este último capítulo porque foi um pouco difícil admitir que estava chegando ao fim. Foi uma surpresa ver que tantos esperavam uma fanfic de Maria e Celso (Maricel, para os fãs) e fiquei muito feliz pelas mensagens de carinho e comentários enviados. Muito obrigada! Agradeço também ao Walcyr Carrasco, por escrever uma história tão boa que desperta nossos sentimentos mais profundos, e aos atores Rainer Cadete e Bianca Bin por interpretarem personagens que nos fazem suspirar de segunda a sábado. Um abraço a todos e até a próxima fanfic!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!