Notas iniciais
Palavra do dia (25/10): Mortalha (Local usado para sepultar alguém; cova). Espero que gostem ~

Cuidaram da mortalha silenciosamente, inquietos, pois a autópsia do corpo de Hilda não revelou nenhuma doença de sintomas graves, e não havia sido o fogo do incêndio que a matou. Então, o que havia terminado sua vida? Era o que os poucos presentes deviam estar se questionando.

Aída, em seu guarda-chuva verde simples, naquela chuva que engrossava com o tempo, cantava uma melodia baixinho, lembrando de um pedido que não pode cumprir. A esposa do primo do pai de Hilda e Nathália, escandalizada pela atitude cúmplice e autora do marido, acabou por custear aquela cerimônia para a sobrinha falecida.

Era quem provavelmente teria as melhores condições financeiras e afetivas para cuidar de Nathália também depois do acontecido. Mas não queria tirar Nathália daquele círculo familiar que tinha, não naquele momento. Queria que sofresse o menos possível... era o que Aída podia fazer, mas teve que sacrificar aquele luto que Nathália merecia para isso.

Quem ali teria se importado mais com aquela moça fúnebre do que a própria irmã? Nem Aída conseguiria superar, e sentia culpa o bastante por não ter tentado mais. Entretanto, não poderia ter feito diferente: há anos tinha deixado de ser uma deusa como um dia foi.

Notas finais
Até :3