O espinho do anzol
28 Candeia.
Notas iniciais
Everton olhava com hesitação a candeia próxima dele. Afinal, fogo e papel eram inimigos deduzíveis, e o desenho que fazia no momento estava com um progresso interessante.
Como se um blecaute pudesse interromper sua arte! Bem, falando sinceramente, apenas não estava com sono, enquanto que não havia mais pessoas para conversar por hora.
Nathália e Aída dormiam no quarto da segunda, Francisco tinha voltado para casa, Cândido tinha se tornado um corvo, negro dessa vez, o que preocupou o grupo, mas o rapaz garantiu que ficaria bem desde que não fosse longe, e Laércio... Parecia bem distraído.
Estava tentando terminar o retrato que Francisco havia proposto. Quando ouviu sobre isso, Laércio não pareceu contra. Então, continuou, mas...
— Ei, Laércio. — Everton chamou com alguma urgência.
O rapaz não estava muito longe dele. Entretanto, como estava distante, Everton precisou falar mais alto para ser ouvido.
— Que? — Laércio disse, levantando uma sobrancelha.
—... acho que não vou conseguir terminar seu retrato. — Everton disse antes que pudesse voltar atrás. — Não queria admitir, mas ainda é cedo para eu tentar algo tão complicado.
Não queria dizer ainda que era porque começou a temer que o outro pudesse sumir diante dos olhos dele se fizesse isso.
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