O espinho do anzol
23 Alabastro.
Notas iniciais
Cândido escutou um estalar alto, e quando percebeu caía no ar na forma humana, gritos quase escapando da boca. Todavia, uma moça de puro alabastro o segurou rapidamente.
Tinha cabelos curtos e encaracolados, com uma máscara cirúrgica que escondia os lábios, e uma rosa florescendo na garganta. Branca, branca como ele mesmo era. Disse-lhe em pensamento:
— És Cândido, não é mesmo?
Estava bem confuso e assustado por aquilo, tendo uma noção de quem seria ela pelo que Aída tinha dito a eles antes. Entretanto, conseguiu assentir devagar.
Os olhos dela pareceram amornar um pouco. Então, continuou:
— Muito bem. Vim aqui pessoalmente, pois devo o quanto antes diminuir o número de pessoas que Saturno influencia... Mas isso só vai acontecer se me ajudar a te ajudar, Cândido. Tem que falar com aquela mulher, resolver isso, ou não poderá descansar... Sempre soube desse momento chegando, não?
O rapaz arregalou os olhos para o que ouvia. Mesmo que quisesse...
— Vou permitir esse encontro. — Vênus disse, lendo seus pensamentos. — Apenas feche os olhos...
E quando Cândido fez o que a deusa pediu, ao abrir os olhos, viu sua mãe o observando pálida, lágrimas caindo, e dizendo:
— Meu filho, o que fizeram com você?
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