O escolhido
1 Violet Schreave
Notas iniciais

– Perdão alteza. — Diz o soldado juntando o livro que derrubou quando esbarrou em mim.
– não tem problema. — respondocom um meio sorriso. — onde vai com tanta pressa?
– comandante Leger, convocou uma reunião com todos os soldados que irão acompanhar a senhorita e seus pais a Itália.
– Ah sim. Por um acaso você não viu minha irmã, viu?
– não senhorita. Posso ajudá-la em mais alguma coisa?
– Não obrigada, você pode ir.
Ele faz uma breve mesura e continua seu caminho apressadamente.
Onde será que ela se meteu? Penso enquanto continuo minha busca por Amberly.
Mais adiante vejo Josephine, nossa governanta.
– Josephine
– Pois não alteza?
– Você viu Amberly por aí?
– Creio que ela esteja no quarto dela senhorita.
– Muito obrigada.
Dou meia volta e começo a me encaminhar pelos corredores até o quarto da minha irmã.
Assim que bato na porta, eu a ouço sussurar para alguém.
– Rápido, se esconda!
– Ambs sou eu.
Ela abre a porta rapidamente e com a mesma agilidade agarra meu braço e me puxa para dentro.
–Aí! Precisava fazer isso... Meu deus! — digo assim que reparo no estado do quarto de Amberly — por acaso um furacão passou por aqui?
– Um furacão chamado Amberly. — Diz uma voz vindo do closet.
– haha você é tão engraçado. Só estou escolhendo uma roupa bonita.
Benjamim sai lentamente de seu esconderijo e me da um abraço.
–Ben, que saudade, quando você chegou? Encontrei com a tia Marlee hoje cedo e ela não disse nada sobre você ter chegado.
– Bom, é porque tecnicamente ela não sabe que eu cheguei. Quis passar aqui primeiro e dar um beijo na Ambs. — Para enfatizar ele ambraça minha irmã por trás e dá um beijo em sua bochecha.
Ela dá um leve empurrão e continua a vasculhar a pilha de roupas que está em sua cama. Dou um leve sorriso
– Vocês ainda não contaram não e?
Amberly e Ben, namoram a cerca de dois anos, mas quase ninguém sabe. Por algum motivo maluco, minha irmã acha que nossos pais não aprovariam e iam manda-la se casar com algum príncipe estrangeiro. Eu discordo totalmente e Ben gosta demais da Ambs para contrária-la quanto a isso. Acho que eles gostam da emoção de quase ser pegos, sei lá.
– Acho que vocês deveriam contar, mamãe iria adorar e tia Marlee também
– É, tanto faz, gosto mais de deixar as coisas em segredo, deixa tudo mais... — Ela segue sedutoramente até o namorado e dá um longo beijo nele. — ... Delicioso.
– Você poderia esperar eu sair para fazer isso. — rebato com uma falsa cara de nojo, fazendo os dois rirem.
Ela senta no colo de Ben.
– Quando vai ser a grande viagem?
– Daqui uns quatro dias e pelo que eu estou vendo, você ainda não arrumou nada.
–Eu não vou.
–Como assim?
– Violet, duas semanas sem o papai e a mamãe, acorda. Finalmente vou poder sair com as minhas amigas e poder aproveitar meu namorado, que passou dois meses fora, estudando.
– Você vai sair, está maluca? Sabe muito bem que os sulistas estão cada vez mais desesperados, se eles descobrirem que você vai ficar sozinha, sabe deus o que eles farão.
– Aí Vi, esse é o seu problema, você é muito careta, não aproveita a vida.
–Eu não sou careta, sou cautelosa, é diferente. — rebato franzindo as sobrancelhas.
– É, claro. Então porque não vem com a gente hoje na festa da Júlia?
– Não acho uma boa idéia.
–Viu, parece que tem medo de viver, sair e conhecer o mundo. Daqui a pouco vai ter que enfrentar uma seleção, casar com alguém que não conhece e ficar presa nesse castelo pra sempre.
Suas palavras me atingem em cheio.
Minha seleção. Estou remoendo isso desde que acidentalmente ouvi hoje cedo mamãe comentando com a tia Marlee.
Ben deve ter notado meu semblante triste
–Ei Ambs não precisa ser grossa, não é porque sua irmã pensa diferente que ela é careta. Mas você deveria vir mesmo com a gente, dessa vez não vai ser escondido, seus pais sabem. Eu cuido de vocês, não esqueça que sou o melhor aluno de esgrima. — diz sorrindo pra mim
Dou um meio sorriso para ele
– Tenho que fazer umas coisas, mas se eu mudar de idéia aviso. Afinal minha seleção pode ser mais cedo do que imaginamos.
–Como assim? — indaga minha irmã
– Hoje cedo ouvi nossas mães conversando sobre isso.
– Aí meu deus Vi, desculpe eu não quis dizer de verdade... Não acredito que a mamãe e o papai vão fazer isso.
Ela me abraça e eu retribuo.
– Está tudo bem irmãzinha, eu sabia que mais cedo ou mais tarde teria que lidar com algo do tipo. Treinei a vida inteira pra governar esse país, se tiver que fazer uma seleção eu farei.
–Vem com a gente pra se distrair vai ser divertido. — convida novamente, tentando me consolar.
–Eu tenho mesmo umas coisas pra fazer, inclusive já estou atrasada. Foi muito bom te ver Ben, você deveria ir logo falar com seus pais, sei que eles estão morrendo de saudade.
Abraço-o novamente e saio do quarto. Assim que a porta fecha atrás de mim, recosto-me na parede e respiro fundo.
Sei que aparentei estar firme diante da possível seleção, mas no fundo eu sabia que não estava preparada.
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