O escolhido

14 Heitor Hartman


Notas iniciais
desculpem a demora, não faço ideia do q aconteceu, eu postei faz quase uma semana e hj quando vim dar uma olhada o capitulo não estava, então desculpem, mas aqui esta. eu to enrolada essa semana, então não tenho previsão pro próximo capitulo, pode ser que seja amanha ou depois, eu não sei, só avisando :/ relembrando do grupo da fic, o link: https://www.facebook.com/groups/1693494784209288/?fref=ts

Olho o relógio pela milésima vez. Ele estava super atrasado. Verifico ao redor para ver se ele estava ao menos chegando, nada, nem sinal de Fabrizio Belline.

– Gostaria de pedir agora? — pergunta a garçonete pela terceira vez.

Na primeira vez ela não se incomodou por eu tê-la dispensado, mas agora percebo que minha presença a incômoda, pelo fato de eu não ter consumido nada. Eu não a culpava, afinal fazia parte do seu trabalho.

– Não obrigado, sinto muito fazê-la perder tempo. — digo me levantando e começando a sair da cafeteria.

Lá fora estava uma confusão de pessoas por todos os lados, parece que ia haver uma espécie de parada. Assim que saio, uma garota esbarra em mim e quase cai, eu a seguro pela mão.

Ela tem olhos azuis e o cabelo extremamente negro, que faz um contraste muito bonito com a sua pele pálida. Ela sorri pra mim.

– Deveria tomar cuidado. — diz me analisando. — Como se chama?

– Sinto muito. — digo meio sem graça por estar sendo analisado por ela. — Heitor.

– Não tem problema, não é todo dia que se esbarra com alguém tão bonito. — diz com um sorriso malicioso. — Está indo para a parada?

– Não, estou indo visitar um amigo.

– Não é italiano, é? Você é bonito demais para um italiano.

– Não, sou de Illéa. Você também não parece ser italiana.

Eu não precisava que ela respondesse, tinha certeza que ela não era italiana, não tinha sotaque e alguma coisa nela, me era familiar, como uma foto de um estranho que você vê e curiosamente não esquece.

– Sou de Illéa também. Sabia que você não podia ser de um país tão simplório como a Itália, com toda essa beleza. — diz se aproximando de mim. — Quem sabe depois de hoje não marcamos de nos encontrar.

– Não acho que isso possa acontecer, não vou ficar na Itália por muito tempo e não voltarei para Illéa tão cedo.

– Uma pena. — diz acariciando meu braço. — Eu tenho que ir andando, muitas coisas irão acontecer hoje, se eu fosse você garotão, não iria pro centro. Apropisito me chamo Selene, se um dia voltar a Illéa me procura, aposto que você seria muito útil, pra muitas coisas...

Seu olhar me deixa incomodado enquanto ela me examina por inteiro.

– Aposto que existem muitas Selene's em Illéa. — digo tentando fazer com que pare de me olhar como se eu fosse um pedaço de carne.

Ela ri, uma risada um tanto sombria.

– Não se preocupe garotão, sou a única Selene que vale a pena em Illéa. Se quiser me encontrar vá até rua 12, em Angeles e fale com dois rapazes, Veck e Harrold, eles sempre estão por lá.

Ela se aproxima mais de mim, e eu não me afasto dela, pois fico hipnotizado por seus incríveis olhos azuis que parecem feitos de gelo. Ela deposita um beijo longo e demorado em minha bochecha, então segue para onde estava indo antes de esbarrar em mim.

Eu sigo pelo caminho oposto, vou passando pelas ruelas de Roma, tentando não esbarrar em ninguém, o que é quase impossível, pois toda Roma devia ter saído de casa hoje para apreciar a parada. Eu até pararia para observar também se não estivesse tão ocupado. Eu não podia demorar muito.

Havia deixado tia Becky em Angeles, fazendo seu tratamento, ela disse que não teria problema, que estava sendo muito bem cuidada, e estava mesmo. Todos eram gentis e atenciosos com ela, mas não iria ficar muito tempo no hospital, seria liberada em pouco mais de um mês, e até lá, eu deveria estar ao seu lado, para ajudá-la em tudo que precisasse. Contudo, eu precisava encontrar meu pai, ele não estava raciocinando, sabia muito bem no que ele estava atrás, e era uma busca em vão.

Enquanto vou caminhando e pensando no que fazer da minha vida, chego em frente ao antiquário Belline. A placa diz que está fechado, então dou a volta e verifico a porta dos fundos, está aberta. Eu a empurro e vou entrando lentamente.

– Senhor Fabrizio?

Vou passando e desviando de pilhas de caixas e vários objetos empoeirados. Entro em uma sala que deve ser muito ampla, porém com tantas estantes de livros e móveis antigos, jogados em todos os cantos como em um depósito, que mal sobra espaço para andar. Vou para o cômodo seguinte que também está entulhado de coisas. Por que será que os grandes pesquisadores sempre enlouqueciam e se trancavam em lugares assim?

Quando eu era pequeno, realmente pensei em seguir os passos dos meus pais e um dia me tornar um grande historiador, mas quando minha mãe morreu, vi o quanto meu pai foi ficando distante a medida que se empenhava mais e mais em seu trabalho e acabava esquecendo das pessoas ao seu redor, incluindo a mim.

Eu não queria isso para os meus filhos, queria ser um bom pai, como meu pai foi, antes de minha mãe morrer.

Acabei descobrindo meu fascínio por fotografia, pois era a única forma de ter, de certa forma uma coisa minha. Eu podia mudar quantas vezes fosse necessário, mas as fotos sempre iriam comigo, guardando cada pedaço da minha história. Uma história que um dia eu mostraria para minha família.

– Quem é você?! — ouço alguém gritar atrás de mim.

Estava tão perdido em meus pensamentos que tomei um susto tão grande e esbarrei em uma pilha de caixas, derrubando-as, fazendo um barulho enorme e levantando um véu de poeira.

– Ora seu desastrado! — Fabrizio grita e vem em minha direção tossindo por causa da poeira.

– Sinto muito senhor Fabrizio... Eu não queria entrar dessa maneira... Mas fiquei preocupado. — respondi tossindo também.

– Alaric? — ele me pergunta desconfiado.

– Não senhor, sou Heitor, filho dele.

Ele se aproxima de mim e me olha espantando, então sorri e me abraça.

– Heitor, pelos céus! Você está igualzinho ao seu pai. — ele franze a testa quando olha para meu rosto. — Mas tem os olhos de Sophie.

A menção a minha mãe me deixa um pouco triste. Aquele lugar poderia estar velho e empoeirado, mas ainda me lembrava da época em que era limpo e bonito. Quando vínhamos a Itália, minha mãe sempre vinha aqui, visitar seu antigo professor de universidade.

Fabrizio Belline, foi um dos maiores historiadores da sua geração, até que sua única filha, Anne, contraiu uma doença e morreu. Ele ficou obcecado por uma antiga lenda de uma pedra egípcia que diziam ter o poder de invocar Anúbis e exigir dele que trouxesse uma pessoa amada dos mortos. Eu sempre achei aquela história fascinante, mas nunca acreditei, só um tolo ou um desesperado acreditaria nela.

Fabrizio perdeu tudo, a única coisa que ainda lhe restara era o antigo antiquário de sua família.

– Heitor, meu filho, o que está fazendo aqui na Itália?

– Eu vim vê-lo senhor, eu liguei ontem para cá e o senhor pediu que eu lhe encontrasse na cafeteria Dolce Emanuelle.

Ele me encara como se não compreendesse o que eu estava dizendo, então subitamente seus olhos se arregalam e ele da um grito.

– Ah! Claro, claro, sinto muito meu filho, deve perdoar este pobre velho decrépito. Eu me perdi em minhas pesquisas e esqueci completamente.

Eu dou um longo suspiro. Que ótimo minha busca se iniciava com um velho maluco, que provavelmente nem lembrava que dia era hoje. Quando volto meu olhar para ele, vejo que ele está sorrindo gentilmente para mim, então censuro a mim mesmo por ter pensando dessa forma, ele só precisava de companhia e que tirassem ele desse lugar horroroso.

– Senhor, não prefere dar uma volta para conversarmos?

– Claro! — diz entusiasmado.

Ele segue na frente, quase saltitando, como uma criança. Quando eu encontrar meu pai, vou voltar e tirar Fabrizio daqui, penso enquanto o sigo.

Assim que passo pela porta, vejo ele seguindo por um beco, me apresso para alcançá-lo.

– Senhor, eu queria perguntar umas coisas, será que o senhor poderia responder?

– Claro, será um prazer para o filho da minha adorada Sophie.- diz sem me olhar.- Mas vamos andando, ouvi dizer que hoje terá uma parada magnífica, não podemos perder.

Ele apressa o passo e fico um pouco espantado em como ele é rápido, para um velhinho de 68 anos. Ele vai entrando em ruelas e becos até que chegamos em uma grande avenida, onde ele para.

– Senhor, ouvi dizer que meu pai veio aqui, à alguns dias, poderia me dizer o que ele queria exatamente, para onde estava indo?

– Sim, sim, ele veio me ver, disse que estava indo para uma escavação no Egito.

Eu espero ele continuar, mas quando percebo que ele não falará mais nada eu o incentivo à continuar.

– Foi só isso?

– Não, ele pediu uns pergaminhos que eu tinha.

– Que tipo de pergaminho?

– Pergaminho sobre a pedra de anubis.

Não estou surpreso pela resposta. Quando recebi a estranha mensagem de meu pai, a primeira coisa que me veio à mente foi essa lenda. Fui em busca de informações sobre os últimos lugares que ele tinha ido, antes de desaparecer, e a sua vinda a Itália antes de embarcar para o Egito, só confirmaram minhas suspeitas.

– Mas ele disse porque precisava desses pergaminhos? — falo quase gritando para que ele possa me ouvir em meio ao barulho.

– Estão vindo! Olha!

As pessoa gritam ao meu redor coisas parecidas. Então vejo uma enorme carruagem se aproximando, dentro esta a família real da Itália e de Illea.

Eles acenam felizes para a população que balançam fervorosamente as bandeiras de ambos os países.

Subitamente sou jogado para trás, junto com quase todas as pessoas próximas a mim, quando um carro, a cerca de um metro de distância explode.

Bato a cabeça com força no chão e minha visão escurece por uns segundos, meus ouvidos zunem. Quando minha visão começa a entrar em foco novamente, levo a mão a parte de trás da cabeça e sinto o sangue entre meus dedos.

Olho ao redor e vejo muitas pessoas caídas, desmaiadas ou mortas.... Algumas gritam, outras choram e a maioria simplesmente correr tentando salvar suas vidas. Ouço mais explosões alguns metros à frente. As pessoas se desesperam mais ainda.

Senhor Fabrizio... Lembro dele quando um senhor passa correndo por mim. Começo a me arrastar até as pessoas que estão desacordadas. Procuro-o e sinto um certo alívio quando não encontro-o em meio aos corpos. Me levanto e começo a tentar sair da zona de caos.

– Heitor... — ouço uma voz sussurrar meu nome.

Olho a minha volta tentando achar o dono da voz. Não muito longe vejo-o caído, próximo ao que sobrou da entrada de uma loja de doces.

– Senhor Fabrizio!

Corro até ele, assim que me aproximo o bastante, posso ver o enorme pedaço de ferro perfurando seu abdômen, sinto um calafrio percorrer a minha espinha.

– Ai merda! — coloco minha mão em seu ferimento e tento arrancar o pedaço de ferro.

Ele grita de dor, fazendo com que eu recue a mão.

– Senhor... Eu... Eu não sei o que faço. — digo ainda em choque.

– Encontre seu pai... Não deixe que ele fique como eu...- vejo lágrimas saindo de seus olhos.- Ele perdeu sua mãe, mas ainda tem você.

Ele tosse, junto com ela vem sangue, sei que não lhe resta muito tempo. SEGURO sua mão com força suficiente para confortá-lo em seus últimos minutos.

– Volte ao antiquário... — mais tosse com sangue — encontre o mapa, vai levá-lo até seu pai....

Ele mal termina a frase, quando seus olhos perdem o foco. Sinto as lágrimas molharem meu rosto. E um profundo sentimento de culpa se apodera de mim. Eu o tirei de casa, eu o trouxe para o centro.... Aquela garota, Selene, disse que eu não devia vir para o centro. Como ela sabia?

Não tenho tempo para bolar teorias, pois um tiroteio começa no meio de toda a confusão gerada pelas explosões.

Eu não podia deixar Fabrizio, mas se eu tentasse tirar seu corpo daqui eu poderia ser atingido, e nunca encontraria meu pai, e tia Becky iria ficar sozinha. Começo a correr junto com as pessoas e me enfio em uma ruela, escapando de um tiro por pouco. Continuo correndo e não sei explicar, se foi meu subconsciente que me guiou, mas eu reconheci as vielas, estou indo direto para o antiquário. Dobro no final do beco e entro na avenida onde fica a entrada da frente do antiquário Belline.

Corro para frente da loja, e tento, inutilmente abrir a porta, que está trancada. Depois de alguns segundos forçando a maçaneta, lembro da entrada nos fundos e quando vou me dirigir ao beco, que onde está a entrada, vejo uma garota ruiva sair de lá.

Não era uma garota qualquer, era Violet Schreave, princesa de Illea. Mais adiante vejo dois homens armados saírem da ruela por onde eu tinha vindo.

Ajo por impulso, e corro em sua direção, agarro-a por trás e tapo sua boca para que ela não grite, devido ao meu gesto, mas eu tinha que impedir que ela fosse capturada.

Ela se debate em meus braços, enquanto eu arrasto-a para dentro do beco, e empurro-a para dentro da loja.

– Me solta! — ela grita quando tiro minha mão de sua boça.

– Shhh!! — eu a silêncio — Eles vão ouvir você.

– Quem é você?!

– Quer parar de gritar ou quer que os rebeldes encontrem a gente?!

Ela me encara meio espantada.

– Heitor?

A menção ao meu nome, faz com que eu finalmente repare em seu rosto. Ela era linda, provavelmente a garota mais linda que eu já tinha visto. Na verdade, não era a primeira vez que eu via seu rosto.

– Ví? — pergunto desorientado — Você não era loira?