O entregador de balões
16 Final
Notas iniciais
Eu deveria estar me sentindo mal pelo exemplo que dei a minha filha. Mesmo mantendo um relacionamento amigável com Edward e o colocando em minha casa junto a minha filha não justificava o impulso de ter dormido com ele após uma conversa esclarecedora. Não justificava para quem queria tomar conta da minha vida, isso sim! Eu estava muito feliz com o rumo que as coisas haviam seguido e tinha uma aliada a meu lado.
Mesmo após nossa conversa no sofá, os três, esperei o dia terminar para conversar seriamente com minha filha. Apesar de sua facilidade com fatos históricos e números, ela continuava sendo minha garotinha de sete anos carente da figura masculina do pai. Nossa conversa foi tranquila, colocamos algumas inseguranças em pauta e notei que minha filha realmente tinha curiosidades normais de uma criança de sete anos e assim também eram seus medos.
“Mamãe, e se não der certo?”
“Filha, tudo na vida gira em torno dos 50%. Eu não sei como será, na minha mente ele não é igual ao seu pai, mas, e se tudo der errado? Eu apenas preciso tentar e se algo ficar desalinhado sempre podemos voltar a nos duas.”
Minha filha estava com a cabeça em meu colo, as mechas rosa sobre minha perna branca pareciam brilhar e eu amava o toque infantil que aquilo deu a sua fisionomia.
“Eu gosto dele.”
“Eu também.”
Nossa noite terminou assim, em meio a conversas paralelas sobre escola, viagens e Edward. Estava mais segura no dia seguinte e iniciei meu dia da forma mais impensada possível. Edward estava na minha porta as 5h30 com uma sacola enorme nas mãos e flores silvestres na outra.
“Bom dia! Café da manhã?”
Aquele gesto não só surpreendeu a mim como a minha filha que se derretia por um bom croissant recheado. Nossas manhas nunca mais foram as mesmas, não que ele viesse sempre com o café, mas nos acostumamos com as ligações de bom dia, com as vídeo chamadas divertidas entre ele e minha filha, com a forma como Rose e Alice nos adotaram e também com o carinho e afeto sincero.
As semanas passaram assim como os meses e logo completei um ano de empresa. Fui contemplada com uma viagem de uma semana para Londres. Edward não tinha mais nada que o ligasse ao local e por esta razão ficamos em um hotel, nos três, como uma grande família feliz.
Eu não conseguia acreditar na visão a minha frente, em uma visita a um grande parque local, Edward e Cath seguiram em minha frente, de mãos dadas, rindo e falando como dois tagarelas que eram enquanto eu observava a cena e registrava no meu celular o magnifico por do sol que embalava o passeio dos dois. Mesmo que na foto ambos estivessem de costas, eu conseguia sentir o sorriso de ambos, a felicidade que emanava deles.
Claro que a vida não é um mar de rosas, meu ex marido não compareceu a nenhuma audiência, mesmo assim, conseguimos uma liminar o exonerando de qualquer obrigação para com minha filha. Ele não teria seu nome tirado da certidão ou documentos já que era o pai legitimo, mas, devido as circunstâncias, minha filha pode retirar o sobrenome dele do seu se tornando apenas Catharina Swan e como ela mesma gostava de dizer, futura Catharina Swan Cullen.
Eu também dei entrada em um pedido de retratação envolvendo minha amada vizinha e o incidente com minha filha. As provas a deixaram sem defesa e agora estávamos em mais uma instancia de seu pedido de revisão da retratação pedida. Eu fui muito gentil com a velha sebosa, ela apenas teria que redigir uma carta de próprio punho pedindo desculpas e pagar pelos danos causados aos bens de minha filha. Claro que minha advogada não deixou por menos e pediu um valor a mais devido a danos causados a personalidade, ainda em formação, da minha filha levando em conta o prejuízo psicológico.
Não preciso dizer que a velha quase morreu quando soube que teria que pagar o valor de cinco mil reais a minha filha. Ela ainda lutava nos meios legais pela diminuição do valor e até o momento nada havia mudado.
Ao contrário de mim que já morava no apartamento de Edward junto a minha filha e tínhamos planos de nos casar em alguns meses. Ele estava apressando as coisas, afinal, minha filha queria um irmãozinho e eu disse a ele que só casando. Achei que ele entenderia a brincadeira, mas duas semanas depois fui surpreendida com um pedido de casamento lindo e tive meu anticoncepcional confiscado.
Eu queria dizer a todos que eu estava feliz e vivia um conto de fadas, mas não, não era assim. Eu vivia no mundo real, a parte boa era que Edward havia saído de um conto de fadas em seu cavalo branco repleto de balões, eu apenas tive sorte de ser sua princesa.
FIM
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