Isso me incomoda mais do que deveria. Eu não deveria não estar satisfeita com essa vida, afinal, não tenho nada do que reclamar. Mas no fundo eu sinto que não pertenço a este mundo, que meu lugar não é aqui. Que tudo que eu vivi é uma farsa. Eu estou confusa... Vou tentar encontrar as respostas que tanto preciso.

- Se você encontrar este diário, queime-o.

Ela entrava melancólica na cafeteria. Aparentava não ter dormido direito, e estava com o nariz vermelho. Seus cabelos vermelhos estavam presos em um coque bagunçado, e ela usava roupas confortáveis. Sentou em um dos bancos altos na frente da bancada, e se apoiou na mesma.

- Você está bem? Parece cansada... – Jack, o dono da cafeteria, perguntava. Ele já estava acostumado com a presença da garota, que ia lá todos os dias.

- Eu não dormi muito bem essa noite, aqueles pensamentos esquisitos tomaram conta da minha mente de novo... – Ela suspirou.

- Ei, tente não se preocupar muito com essas coisas complicadas... Você ainda é muito nova, isso pode ser só uma fase. – Ele dizia enquanto coloca uma xícara de café na frente da menina.

- É, talvez você tenha razão... – Ela bocejou e logo em seguida deu um gole no café.

Aquele clima melancólico tomava conta daquela manhã de segunda. Um clima frio, mas agradável e aconchegante.

De repente se ouve o barulho da porta abrir. Entra um garoto de cabelos e olhos negros, e pele branca. Carregava apenas uma espécie de caderno, e uma caneta presa no elástico do caderno. Ele parecia um pouco confuso, se sentou em uma das mesas e ficou observando o local.

- Posso ajudar? – Uma garota de longos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, olhos amarelos e usando o uniforme da cafeteria para na frente da mesa do rapaz.

- Que lugar é esse..? – Ele perguntava sem olhar para a garçonete.

- Aqui é uma cafeteria, senhor. Vendemos bebidas a base de café. – Ela deu uma risadinha baixa.

- Então é tipo uma taverna? – Ele continuava olhando para seu caderno.

- Ér... sim... eu acho... Bom, o senhor quer alguma coisa?

Ele levantou a cabeça e olhou no rosto da jovem.

- Melody?! – O rapaz num impulso a abraçou.

- Ei... Como você sabe meu nome...?

- Sou eu, Clint! Você não se lembra de mim?

- D-desculpe... Mas não conheço ninguém com esse nome...

- Argh, é claro, faz sentido... Me desculpe.. mesmo. Eu não quero nada, talvez mais tarde, mas posso ficar aqui? Algumas coisas aconteceram e eu preciso me concentrar em resolvê-las...

- Tudo bem, fique a vontade. – A moça saiu e foi atender outra mesa.

A ruiva observava a cena. De certa forma, aquele garoto parecia familiar, mas ela não fazia ideia do porquê. Ela ficou curiosa em relação a ele.

- Psiu, Melody! – a ruiva sussurrava – vem cá.

- Que foi? – Melody também sussurrava.

- Você conhece aquele rapaz?

- Não... Ele provavelmente me confundiu com alguém...

- Ah, certo, certo. Obrigada.

A moça de cabelos vermelhos observava o rapaz discretamente, enquanto bebia seu café. Ela nunca tinha o visto antes, mas sentia que ele não era apenas um cidadão qualquer. Enquanto ela pensava, Melody apareceu do seu lado sem uniforme.

- Vamos pra faculdade, mocinha.

- Nhaaaw, to morrendo de sono. – A ruiva bocejava.

- Sem preguiça, vamos logo.

As duas saíram da cafeteria e foram caminhando até a universidade.

- Que cara esquisito, né? Ele disse que a cafeteria era igual uma taverna. – Melody ria.

- Taverna? Que estranho...

- Pois é... Ei, você tem certeza que quer ir pra faculdade?

- É claro que eu não quero. E pelo visto você também não, né?

- Nem um pouco... – Melody sorriu.

As moças caminharam até uma loja de CD’s. Elas gostavam muito de música, principalmente Melody. Foi uma manhã de certa forma divertida, ajudou a tirar o clima de estresse que rondava uma das garotas.

Depois de caminharem pelas ruas, voltaram ao Luky’s. Jack deixou Melody tirar o dia de folga, então ela fez companhia a ruiva, que parecia aflita.

Melody se sentou na mesma mesa que a garota e ficou encarando-a, esperando uma resposta.

- Eei, você tá bem?

- Sim sim, estou.

- Hum...

O rapaz de antes observava as garotas. Ele não tinha percebido a presença da ruiva antes, mas sentia que aqueles cabelos... eram familiares. Apesar de só conseguir ver a garota de costas, ele percebeu que ela não era uma simples moça de cabelos vermelhos.

(Será que... Por Corellon, tem que ser ela. Mas eu preciso ser cuidadoso...) – Pensava o garoto.

Ele abriu seu caderno e escreveu algo. Olhava para as garotas e as estudava. Precisava saber se aquela ruiva era quem ele estava procurando. Imagens daquela “tragédia” passavam na mente de Clint. Nem o próprio rapaz sabia se aquilo podia ser chamado de tragédia, afinal, tudo foi muito confuso.

O mesmo clima monótono reinava sobre a cafeteria Luky’s. Mal se escutava barulho de pessoas conversando, pois a maioria lia ou escutava música com seus fones. Aquilo era extremamente agradável, parecia que cada pessoa lá estava confortável no próprio mundinho.

O celular da ruiva tocou, e ela atendeu parecendo não estar satisfeita.

- Alex?

- Oi meu amor, onde você está?

- No Luky’s, ué.

- Ótimo, estou indo ai! Tenho um presente que vai te deixar muito feliz.

Ela desligou.

De certa forma já estava farta de seu namoro com Alex. Ele era gentil, mas ela nunca gostou dele de verdade.

- Alex está vindo pra cá... – A garota fez uma cara de tédio.

- E por que essa cara?

- Melody, eu não aguento mais esse namoro de mentirinha não, já deu. Acho que vou terminar com ele.

- Você que sabe...

O barulho da porta se abrindo é escutado, e lá estava Alex, com uma caixa grande nas mãos.

Notas finais
Obrigada por lerem ♥ Espero que comentem. Até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.