O elemento
4 Anne e Mary
Notas iniciais
"Lincoln, temos que conversar." Era a mãe dele.
Lincoln levantou da cama, eram apenas 6 da manhã. Ele sabia pelo tom de voz da mãe que nao era algo cem por cento bom. Achou que talvez seria pela reunião que fez com os amigos na semana passada.
Ele chegou na cozinha e sua mae estava vestida com roupas sociais e salto, cobertas por um avental xadrez. Ela despejou os omeletes na frigideira e caminhou em direção a ele.
"Acho que sei como achar sua mãe."
As mães de Lincoln eram casadas há alguns anos e o adotaram quando ele era bebê. Algum tempo depois Anne desapareceu.
Mary sabia que havia algo errado desde então, ela trabalhava no departamento de polícia da cidade e estava sempre viajando para cuidar de seus casos, mas nunca parou de procurar por sua mulher.
Lincoln quase derrubou a xícara de café com leite e achocolatado.
"Mãe." Ele quase não conseguia falar. "Mãe, achei que tivesse parado de procurar. Lembra do que conversamos?"
"Lincoln, a sua mãe te amava e nunca abandonaria você. Eu sei que ela está viva." Ela respirou fundo antes de continuar e pegou na mão do filho. "Desculpe-me por lhe dar essa notícia assim, mas eu acho que consigo encontra-la. Só preciso que acredite em mim."
Lincoln com certeza era a pessoa que mais acreditava na mãe. Nem por um momento sequer ele pensou que era estaria perdendo a sanidade, porque de fato não estava.
"Acredito em você, mãe, mas tem que me prometer que vai me deixar ajudar."
Ela colocou os omeletes no prato, e seu rosto dizia que algo muito complicado estava por vir. Foi quando ouviu Lincoln dizendo "Mãe, você ama ela de verdade, né? Quero dizer, eu admiro isso. Você nunca desistiu, nunca deixou de acreditar..." Ele parou quando viu os olhos castanhos dela se enchendo de lágrimas. Ela apenas sorriu. E depois se virou, de forma que Lincoln soube que ela mudaria de assunto.
"Você acredita em magia?" Ela perguntou. Seus olhos estavam arregalados e sua pele, pálida. Sentiu o coração disparar. "Porque se não acreditar nao vai conseguir ver."
Ele pode entender sua definição. Acreditar seria botar a sua fé em algo que ele sabia que era capaz. Ou talvez ele não sabia, mas queria acreditar que conseguiria mesmo assim. Porque acreditar é tão complicado? É necessário mais que otimismo. Aceitar a realização de uma probabilidade... Bom, Lincoln ia até depois do fim pelas coisas que acreditava, ou pelas coisas que queria acreditar. Ele ergueu as sobrancelhas e semicerrou os olhos.
"Acredito."
**********
"Temos que conversar"
Era Jay, ela se referia a Alex.
Morgana, Red e Oliver olharam entre si.
Os quatro estavam sentados no banco da praça em frente à escola. Eles sempre esperavam todos do grupo chegarem antes de entrar.
"É sobre a Alex?!" Os três falaram num coro.
"Como vocês sabem? Quer dizer, sim, é sim." Respondeu Jay. Ela aguardou algum comentário mas como nada surgiu ela continuou. "É que eu acho que a Alex tem sido bem controladora em todas as situações, e ela está tentando colocar as coisas ao favor dela constantemente e tem sido injusta e..."
"Jay" Oliver a interrompeu. "Respira fundo. Olha eu concordo em algumas coisas, sim."
"Gente, deveríamos falar com ela. Falar aqui assim parece errado." Morgana ressaltou.
"É que ela vem agindo tão estranhamente..." Disse Jay.
"Sei que acham que conversar com ela vai adiantar, mas ela sempre vai arrumar um jeito de se esquivar. Então vão em frente e falem com ela." Red soltou, sem parar para retomar o fôlego. "Foi a mesma coisa com Donovan." Finalizou. Estava cabisbaixa e a voz que no início ela alta estava baixa.
"Ótimo, agora não sei o que devo fazer." Jay falou olhando pro alto. Quando direcionou os olhos novamente para frente, ela avistou Alex. "Vou entrar."
"Vou com você!" Gritou Red.
Alex estava a poucos passos do banco aonde Oliver e Morgana estavam sentados.
"Cade o Lincoln? Ele sempre chega cedo." Morgana direcionou a pergunta a Oliver.
"Ele mandou uma mensagem, não vai vir hoje." Os olhos de Oliver estavam fixos em algum ponto bem distante.
Quando Alex finalmente se juntou aos dois, eles se levantaram e caminharam pela grama e passaram pelos arbustos. Depois de atravessar a rua entraram no colégio, cujo a arquitetura também era antiga. A escola ficava do lado oposto do museu, que eram divididos por uma grande praça circular.
Depois da terceira aula, todos se reuniram no salão principal da escola para o intervalo. As portas do salão principal eram abertas por uma hora, para que os alunos pudessem sair e fazer um lanche. Ninguém gostava muito da cantina da escola.
Red, Morgana, Oliver, Jay e Alex desceram as escadas, atravessaram a grande praça circular e foram direto numa lanchonete do outro lado da rua, ao lado do museu.
"Gente eu preciso contar uma coisa." Oliver parecia triste. "Eu vou me mudar, e hoje é meu último dia na escola. Não contei antes porque... Nao sei porquê." Eles se abraçaram, estavam perplexos. As meninas começaram a fazer perguntas a ele sobre aonde ia, como, quando, por que...
Os cinco, se sentaram a mesa redonda.
Red ainda não havia começado a comer quando avisou longos fios dourados. Logo reconheceu aquela pessoa de costas, era a mesma pessoa que tinha ido a festa.
"É a Ky."
Red se levantou e correu até ela, sentou-se ao seu lado na mesa.
"Oi, eu sou a Red." Ela sorriu. Ky a encarou com um sorriso. Seus olhos azuis eram encantadores e Red não soube como reagir quando olhou pra eles.
"Eu sei quem você é." Ky também ficou um pouco corada.
"Como sabe quem eu sou?" Red estava um pouco surpresa.
"Te vi um dia desses, temos uns amigos em comum. Perguntei meu amigo ali o seu nome" ela apontou para o amigo do outro lado da mesa. Ele tinha vários cachos escuros, Red reconhecera o cabelo de algum lugar. "E ele falou que você era a Red."
"Ahhhh, espera, você era a menina da blusa xadrez? Que estava perto da fonte com uns amigos e... Ele tava lá também!" Red apontou para o amigo dela na mesa.
"Sim. Vi você dentro do museu." As duas sorriram. Ky era tão espontânea quanto Red queria ser as vezes. "Inclusive, meu amigo aqui se chama Travis."
***********
Enquanto os meninos passavam a manhã na escola, Lincoln, nesse dia, se encontrava em casa. Tivera uma longa conversa com a mãe, e tudo era novo e esquisito demais.
"Lincoln, eu preciso sair, volto mais tarde. O almoço está no microondas." Mary disse enquanto caminhava apressadamente pela casa. "Tenta praticar um pouco!" Além do eco da voz, foi possível ouvir a porta bater.
Bom, talvez ela realmente esteja ficando maluca
Lincoln pensou. Ou talvez não.
Para ele, o conhecimento era a coisa mais importante e não custava tentar.
Decidiu fazer como a mãe havia o orientado mais cedo.
Lincoln sentou em sua cama, após ter fechado todas as janelas. Acendeu uma vela em sua frente. A chama estava parada, com todas as janelas fechadas não havia um movimento sequer.
Ele fechou os olhos e pensou numa forte corrente de vento, ar puro. Pensou na chama e na fumaça presente após a vela se apagar. Em seguida, pensou na fumaça sendo levada pela forte corrente de ar. Então ele sentiu o ar gélido.
Quando Lincoln abriu os olhos, a vela havia se apagado e todas as janelas do quarto estavam abertas.
Ele estava boquiaberto e paralisado, seus olhos grandes e verdes iam da direita pra esquerda e vice versa, em sua cabeça haviam inúmeras possibilidades e nenhuma delas fazia sentido.
Sério? Pensou.
*********
"Lincoln temos que conversar."
Dizia o SMS de Red.
"O dia hoje tá bem estranho... Essa frase, não gosto dela."
Ele enviou.
"Não sei não ser direta, então, o nosso beijo, não pode mais acontecer, aquilo foi... Eu estava um pouco desesperada."
"Foram dois beijos. Desesperada com o que?"
"Eu sei. Quer dizer, eu gostei. Mas não me senti bem. É que eu tô me sentindo estranha ultimamente, não gosto quando encostam em mim ou... Sei lá me sinto mal. É só ter paciência que vai passar, mas enfim. Vamos ser só amigos, por favor."
Lincoln já sabia. Então isso não o atingiu tanto quanto deveria.
"Tudo bem, entendo.
Ja vi isso antes."
"Já??"
"Minha mãe teve esse problema, algo parecido, alguns anos atrás. Inclusive hoje à gente teve uma conversa muito estranha e... foi doido."
"Vocês falaram sobre o que?"
"Sobre... Mágica? Tipo, uma coisa relacionada com elementos, ela disse que o meu elemento é o Ar. Isso é muito bacana mas não sei se faz algum sentido."
"Eu vou parecer louca mas, faz sentido."
"QUE?"
"Te explico depois. Encontrei a Ky hoje. Conversamos bastante, ela é tão linda e legal."
"Vish, subiu uns coraçõezinhos ai?"
"Que, não. É que senti um calor vindo dela bem interessante, uma energia boa, sei lá."
Os dois falaram os assuntos daquele lobgo dia.
Red se arrumou para dormir e estava deitada quando o celular vibrou.
"Oi, é a Ky aqui!"
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