O dono do meu coração

5 Call me by your name


Notas iniciais
Menção ao livro e filme.

Durante a gloriosa manhã de quinta – feira, Harry acordou esquecendo completamente da conversa séria que teria com seu pai. Mas sua mãe nunca se esquecia das conversas importantes – era como se ela tivesse uma agenda mental que sempre checava as tarefas importantes do dia.

Quando Harry se sentou em sua cadeira , seus pais já estavam sentados a mesa. Eles ergueram a cabeça e disseram bom dia ao filho. O seu pai estava com a cabeça totalmente abaixada e concentrada em ler o jornal matutino Daily Mail , e sua mãe acrescentava um pouco de creme no seu chá matutino , os lábios contraídos tomando todo o cuidado para não derramar o líquido sobre a mesa.

Enquanto isso, Harry começou a se servir com o que tinha na mesa de café da manhã. Tinha panquecas, frutas vermelhas e mel. Café, suco de laranja e chá mate.

Lilian tossiu chamando a atenção do seu pai. Thiago precisou deixar seu jornal de lado com um profundo suspiro de cansaço com as noticias do país e olhou para sua esposa.

— Sim Lily?

Lilian lançou um olhar severo e indicou com a cabeça o filho, que estava começando comer as suas panquecas. Infelizmente, Thiago não entendeu o que sua querida esposa estava querendo dizer.

—Seu filho Harry quer falar de um assunto muito importante. – anunciou.

Harry engasgou com a comida , precisou pegar um copo de suco para ajudar e respirar fundo. Espantado , perguntou o que teria feito para sua mãe chamar a atenção do seu pai no café.

—Então , quer conversar? – perguntou ao filho.

Harry teve um sobressalto. Se lembrou que era da conversa séria que teve com sua mãe na noite anterior.

—Sim, eu preciso muito. Sobre Gellert e Dumbledore.

Thiago suspirou , relaxando os ombros , e voltou a sua atenção para o seu querido filho.

— Ah, o casal polêmico. – ele disse. Era assim que os jornais haviam dado titulo , abordado e influenciado a opinião das pessoas em relação ao casal. — O que tem eles ?

Harry pensou com cuidado, avaliando vários jeitos de abordar o queria dizer ao seu pai. Não queria admitir para si mesmo que estava com medo do que ele diria, como iria reagir diante da revelação.

—Eu sou como eles , pai. Eu sou gay! – soltou.

Harry precisou se concentrar para manter o seu rosto neutro. Não queria chorar na frente do seu pai. Precisou morder seus lábios e controlar a sua respiração.

—Harry, eu estou do seu lado e muito orgulhoso de sua coragem em me dizer isso.

—Você não está bravo?!

— E por quê eu estaria?! Sabe... os pais de Dumbledore e Gellert não receberam muito bem a noticia. Da noite para o dia, eles ficaram pobres e precisaram ser expulsos de casa. Dumbledore e Gellert sofreram por alguns anos, mas foi isso que fortaleceu o amor dos dois. Quando eu li sobre eles no jornal , tomei a decisão de apoiar meu filho não me importando com a sexualidade dele. Contanto que ele encontrasse em sua vida o amor e a felicidade.

—Pai !- Harry se ergueu de sua cadeira.

Seu pai fez a mesma coisa e ambos se abraçaram. Chorando como dois amigos que se entendem na alegria e na dor.

—Eu reconheci o soldado que você seria quando era pequeno e estava nos braços de sua mãe.

Harry sorriu com o elogio de seu pai.

—Pensei que você não aceitaria logo de cara. Que iria precisar de alguns anos procurando respostas nas igrejas católicas e evangélicas ou coisa assim.

Seu pai apertou seu nariz, deixando uma marca avermelhada nele.

—Será que você poderia dar um voto de confiança pro seu pai aqui, poxa. Eu não sou um monstro.

—Tá bem, desculpa! – Harry disse, rindo da cara de bravo e engraçada do seu pai.

— Já contou para sua mãe?

— Sim, ele me contou ontem a noite. – respondeu Lilian , limpando suas lágrimas com um lenço.

— Que bom. Já acabamos com a conversa séria do dia?

Harry acenou que sim.

Pai e filho voltaram a se sentar em seus lugares na mesa e tornaram a terminar a refeição, que havia sido deixada de lado.

***************************************

De noite , Harry subiu discretamente as escadas em direção a sala de aula, vestindo um casaco. Estava ventando muito. Depois da sua conversa com seu pai estava se sentindo mais leve. Não havia mais um peso enorme em suas costas ou uma mão asfixiando a sua garganta. Ele começou a orar desejando encontrar Cedrico e conversar , de uma vez , sobre os seus verdadeiros sentimentos. Porém , era Hermione que estava esperando do lado de fora da sala para dar uma notícia importante.

—Harry , eu vim te avisar que o Cedrico não vai vir na aula hoje. Ele e a Cho foram vistos num restaurante muito famoso por fazer o melhor prato de frutos do mar na região. E boatos dizem que Cho não sabia que ele era alérgico a frutos do mar e precisaram levar o Cedrico as pressas ao hospital.

Sua reação imediata foi querer bater a cabeça na parede de mármore mais próxima. Se ele não tivesse reprimido todas as sensações que tinha pelo Cedrico , principalmente ciúme e amor , provavelmente ele estaria estudando com o Harry naquele momento. E não deitado inconsciente em uma ala de um hospital. “Ou pior !”, pensou o garoto.

Mesmo assim , ele praticamente empurrou o Cedrico nos braços delicados da Cho, e que fez um excelente trabalho em deixa-lo de molho numa cama hospitalar. Harry se odiou tanto, tanto por ter dito as coisas que disse para ele.

Entrando na sala , Harry colocou seu casaco na cadeira e tirou seu material da mochila , que sua mãe havia remendado. Olhando para os lados , vendo a sala se encher de pessoas tomando outras carteiras vazias. Hermione se sentou ao seu lado.

—Você sabe em que hospital ele está, Hermione?

Hermione apanhou um pedaço de papel do seu caderno , escreveu algo nele e entregou – o para o Harry.

—Devia ligar para ele, sabia? De acordo com os jornais a previsão do tempo era de que iria chover. Não quero que se arrisque assim.

—Hum... vou tentar. – prometeu Harry , embora intimamente preferisse conversar com ele pessoalmente do que com um aparelho quadrado.

—Tchauzinho. Estou indo para minha sala. –disse Hermione tristonha em se separar do seu melhor amigo.

Harry acenou com a mão.

***********************************

Na noite de sexta – feira Harry e Hermione haviam assistido o filme me chame pelo seu nome, vestiram seus pijamas e se enfiaram em suas camas. Hermione ficou brava com as adaptações que houve entre o livro e o filme. Prometeu emprestar o livro para ele. Harry agradeceu. Sua mãe havia colocado esquentadores entre os cobertores. Era extremamente confortável , ficar deitado na cama escutando a tempestade lá fora e perder os fios de seus pensamentos.

— O filme é totalmente diferente do livro. – exclamou Hermione , soltando os cabelos.

—Imagino que sim...- Harry se virou na cama, uma série de imagens novas e fascinantes se formaram em sua mente graças ao filme ... ele pegando na mão de Cedrico .... tocando em seu pé... abraçados enquanto a noite vai amadurecendo no céu.... deitados numa clareira com o sol alto no céu... perdendo o fôlego num beijo longo e viciante....

Harry sorriu para o travesseiro , excepcionalmente contente de que Hermione não pudesse saber o que ele estava pensando.

*******************

Era domingo . O temporal já havia cessado quando amanheceu , embora nuvens negras pudessem ser vistas quando Harry decidiu ligar na casa do Cedrico e ir fazer uma visita.

— Hoje a previsão é boa... hmm não estou com mal pressentimento- disse Harry , que corria os olhos em cada detalhe no céu.

— Você devia ir logo antes que mude de ideia ,sabia?! – comentou Hermione.

Harry pegou a sua moto , colocou o capacete e se despediu de sua melhor amiga.

— Me ligue para dizer se deu certo, meu querido. — disse ela tristemente para o Harry.

—Que surpresa te ver aqui!

—Posso falar com você, Cedrico? – perguntou Harry, em um tom amedrontado , quando ele abriu a porta.

Harry havia devorado o livro me chama pelo seu nome no fim de semana com a Hermione, e estava tomado pela coragem de se declarar para ele. Aquele livro lhe reviveu a auto- estima e confiança de si mesmo. Que nada iria acontecer com Cedrico.

Cedrico concordou. Harry pegou em sua mão firme e o levou a um lugar mais sossegado para conversar. No jardim. Debaixo de uma árvore.

Harry começou a explicar sobre o que estava sentindo em seu coração e o seu ciúme. Cedrico ficou fascinado com a declaração e deu uma risada gostosa.

De alguma forma o jardim parecia muito mais silencioso do que de costume. Os pássaros pareciam ter se calado, havia uma variedade de flores e árvores que Harry jamais vira , inclusive algumas plantas europeias.

Cedrico o envolveu em seus braços e disse o quanto amava estar com ele. Que Cho era apenas uma colega que queria aulas de reforço e que não sentia nada por ela. Harry ficou maravilhado e feliz que Cedrico sentisse o mesmo. Sem saber , Harry estava no paraíso.

Sem pestanejar ou pensar em olhar nos cantos , Harry colocou delicadamente suas mãos no rosto do Cedrico e beijou – o . Cedrico sorriu enquanto era beijado e retribuiu com tanta paixão que tirou Harry do chão .

Passados lentos minutos, ou quem sabe meia hora, os seus lábios se separaram. A família de Cedrico explodiu de vivas e gritos. Até soltaram confetes coloridos. Harry ficou tão envergonhado que se escondeu no ombro de Cedrico.

O senhor Amos Diggory colocou mais uma cadeira e pediu para o Harry se sentar e almoçar com eles. Harry não conseguiu pensar em nenhuma resposta a esse pedido, por isso se sentou. Cedrico pareceu ligeiramente encabulado.

A senhora Diggory saiu apressada para pegar um prato limpo na cozinha.

No fim , Harry acabou almoçando com a família Diggory, e avisou seus pais por mensagem. Embora ele não comesse muito – acabou repetindo o prato devido ao gostoso tempero da senhora Diggory. Depois do almoço, Harry e Cedrico subiram no quarto e se divertiram tentando jogar xadrez.

Uma chuva leve começou a cair no meio da tarde; foi muito gostoso deitar na cama abraçado no peito de Cedrico e escutar as gotas tamborilando na janela. Sentindo os dedos dele acariciando seus cabelos negros enquanto discutia sobre as melhores músicas.

Harry se sentiu sonolento enquanto ouvia a voz de seu amado. Ele não queria perder nenhum segundo sem ouvir ou ver Cedrico. Sua vista ficou enevoada. Ele teve a sensação de que seu corpo afundava cada vez mais no calor do corpo de mármore de Cedrico. Antes que pudesse dizer o quanto estar ali com ele era um paraíso, sua exaustão o fez adormecer.

Notas finais
The End. E assim me despeço dos personagens do universo de Hogwarts. Espero que tenham gostado. Bjs
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!