O diário de uma garota qualquer
13 Fuga
Notas iniciais
Acordei em um lugar escuro, e só tinha uma vela iluminando o local. Olhei para todos os lados, e estava tudo pendurado no teto.
– Ai... Por que está tudo pendurado no teto?
– Na verdade, você que está pendurada no teto. — Respondeu a voz conhecida.
Olhei pros meus pés, e eu estava com os pés amarrados e pendurado num ferro.
Tentei descobrir quem estava falando. Forcei a vista, e vi Tobias.
– Para de me perseguir! — Resmunguei — Cadê meus amigos?
– Olhe pro seu lado. — Ele apenas disse.
Vi eles dentro de uma cela minúscula, com uma corda no pescoço bem apertada.
– Você não vai matar meus amigos! — Gritei apavorada — Solte-me já!!
– Você vai atrapalhar meus planos Marina. Por que eu te soltaria? — Tobias indagou. — Quero que morra aí. Ninguém mandou você ir pra base super secreta, ou mandou? — Ele fez um olhar nada preocupado — Bem, adeus, vou fazer você morrer afogada.
"Morrer afogada?" pensei "Como assim?".
Ele então ativou algo que fazia surgir água. E ela ia subindo mais e mais.
Eu ia morrer?
Não, eu não podia morrer. Pelo menos não naquela hora. Eu tinha um dever a cumprir, prometi que ia cumprir. Teria que salvar meus pais, o Sr. P. — apesar de não querer -, Ângelo e, além deles, meus amigos, Alfredo e Alfreda, que nem sequer estavam acordados.
Olhei para as minhas mãos. Estavam amarradas, mas somente no pulso. Então, com minha boca, comecei a morder a corda. Pelo bem de vocês, pelo amor de Deus, só faça isso se for necessário. Corda é ruim demais!
Minutos mordendo, a corda rasgou-se. A água estava já batendo no meu cabelo. Apressei desamarrando a corda das minhas pernas, fazendo eu cair de cara na água.
Comecei a nadar, apesar que a queda foi muito dolorosa.
Percebi que minha bolsa estava no outro lado da sala. Alfre e Alfredo estavam dentro de uma jaula com cadeado. Trancado, infelizmente.
Quando lembrei que dentro da minha mochila tinha um grampo de cabelo. Eu poderia usar ele como chave.
Correndo — ou melhor, nadando -, fui até minha mochila. Comecei a procurar desesperada, quando finalmente eu achei. Eu estava morrendo de fome, mas aquilo não era hora de morrer de fome nem comer. Mesmo faminta, eu queria salvar meus amigos.
Vi que Alfredo acordou. Estava completamente desnorteado.
– O que diaxos estou fazendo aqui?
– Aguenta firme aí! Caso não queira morrer! — Gritei com água dentro da minha boca.
A água subia cada vez mais rápido, e eu estava ficando mais fraca a cada segundo. Mas eu teria que resistir.
Cheguei até a jaula. Com o grampo de cabelo, enfiei-o no cadeado e tentei girar. A água já estava alcançando o meu nariz.
Como tinha um pedaço de corda boiando por ali, peguei-o e me amarrei na jaula, para as correntes da água não me levar.
Depois de muito tempo lutando, o cadeado abriu. Me soltei imediatamente da corda e entrei na pequena jaula. Desamarrei a corda do pescoço do Alfredo, que logou desamarrou a que estava no pescoço da Alfreda.
Alfreda continuava nos braços de Morfeu, enquanto a água já tinha alcançado meu olho. Eu fazia de tudo pra respirar.
O barulho da água enchendo era muito.
– Vamos subir na jaula! — Gritou Alfredo, e pela cara dele, estava torcendo que eu entendesse.
– E a Alfreda? — Gritei de volta.
– Joga ela em cima da jaula!
Fiz o que ele mandou, e joguei-a. Ela acordou assustada.
– O que aconteceu? — Ela perguntou com cara de pânico, pálida.
– Não há tempo pra explicações! — Exclamei — Temos que sair daqui urgentemente.
Alfredo subiu na jaula primeiro. Já eu quase não consegui. Havia água demais. Eu estava a ponto de surtar.
Entretanto, consegui subir. A água já estava alcançando o topo da jaula, e minha cabeça batia no teto.
– Por onde fugimos?- Indagou a loura.
Olhei ao redor. A única saída que havia era a porta, que por sinal estava trancada.
Então mandei eles se afastarem.
– Por quê? — Gritou Alfredo.
– Você vai ver!
Então eles se afastaram.
Respirei fundo, e fiz o que eu devia fazer, apesar de não estar nem um pouquinho disposta pra isso.
Então, com meus poderes, destruí a parede. Poeira e mais poeira surgiu pra todo lado, e a água começou a escorrer.
– Vamos! — Gritei.
A gente saiu correndo. Encharcados, passamos por um corredor todo amarelo, enquanto a água nos seguia. Corríamos feitos loucos, mas essa loucura tinha razão, pois não queríamos morrer.
Rapidamente, comecei a me cansar. Meus amigos, notando, pegaram meu braço e começaram a me ajudar, puxando-me. Me senti grata na hora, mas eu não tinha tempo pra agradecer.
O corredor parecia que não acabava nunca, mas corremos ainda mais.
Então, finalmente, vi o fim do corredor. Era uma porta. Senti medo de eu tentar abrir e estar trancada e a gente morrer afogados, então eu destruí a porta com meus poderes.
Corremos ainda mais, saímos do corredor e desviamos o caminho por onde a água corria. Esperamos por um tempinho, até que a água toda se acabou.
Todos, exaustos e encharcados, desabaram no chão. Peguei minha mochila, abri-a e peguei o pote de rosquinhas. Em menos de um minuto, ele ficou vazio.
– Ufa, nunca corri tanto na minha vida... — Comentei.
Quando eu estava prestes a desabar, uma voz surgiu.
– Não vai escapar tão fácil assim não, mocinha.
Olhei pro lado. Era o E.T. que tinha me feito desmaiar.
– Não. Você de novo não! — Gritei prestes a chorar, não sei se ia ser um choro de tristeza, decepção, raiva...
– Ah sim, eu de novo sim! — Ele riu da minha desgraça — Ninguém mandou você entrar na base super-secreta... Ou mandou?
Acho que eu tive um dejá vu.
– Não, ninguém mandou não... — Respondi engolindo minha raiva — E ninguém mandou você terminar de destruir minha vida, seu idiota!
Com o resto da minha energia, evoquei todos os raios possíveis e lancei nele. Ele começou a se eletrocutar, e caiu no chão. Mas aquilo não foi o suficiente pra mim. Vi que tinha um mendigo descascando uma laranja vendo tudo assustado. Vi que ele descascava a laranja com uma faca.
Tomei então a faca do mendigo e cortei a cabeça do E.T.
E o resto eu não me lembro, porque eu desmaiei.
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