Notas iniciais
Esse é o nosso último capítulo... Boa leitura ;)

Capítulo 9

POV Lucas

Quando a Luiza abre a porta nós damos de cara com elas deitadas e dormindo.

– Acho que elas não agüentaram esperar, melhor deixar essa conversa pra amanhã.

– Tudo bem, acho que posso esperar mais um pouco, realmente já é tarde. Amanhã é sábado, elas fazem algum curso, ou estudam?

– Não, o sábado delas é livre, elas iriam viajar com o Marcio amanhã, mas acho que elas vão preferir ficar, acho que percebeu que elas estão muito ansiosas pra conhecer o pai.

– E o pai também está muito ansioso pra conhecer as filhas.

– Eu preciso comer alguma coisa, você ainda tem as necessidades básicas como fome? – Fala ela meio sarcástica.

– Não deixei de ser uma pessoa normal, e você não precisa me tratar assim.

– Me desculpe. Mas você também não achava que iria volta depois de anos e ser recebido de braços abertos.

– Eu sei que não, sei exatamente como você é orgulhosa e mesmo que tenha me perdoado não vai dar o braço a torcer, eu tenho certeza que isso não mudou em você.

– Não fique achando que ainda me conhece Lucas, você pode se surpreender. – Falou me lançando um olhar entre surpreso e risonho, e ali eu soube que tudo ficaria bem e que ela já tinha me perdoado e como eu disse, só não daria o braço a torcer, mas eu sabia exatamente como fazê-la ceder, e tenho certeza que isso ainda funcionaria.

Chegamos na cozinha e ela começou a revirar as panelas.

– Eu disse pra Mariza fazer frango, mas ela nunca faz o que eu falo, nem sei porque eu ainda fico surpresa.

– Parece que temos uma cópia sua então. – Falei rindo

– E temos uma cópia sua também, a Daniela é um doce e tranquila e a Beatriz é uma mistura de nós, muito calma, mas quando começa a brigar com a Mariza minha vontade é de bater nelas. – Fala rindo e eu pude detectar um tom carinhoso na voz.

– Como foi quando eram bebês, como você diferenciava elas?

– Com o tempo você se acostuma e percebe que cada uma tem certas particularidades, no caso delas era evidente suas personalidades desde bebês.

– Eu queria poder ter te visto grávida, eu sempre imaginei o quanto ficaria linda com a barriga grande de grávida.

– Bom, acho que posso sanar um pouco sua curiosidade. – Enquanto a comida esquentava ela saiu da cozinha e voltou dois minutos depois com um álbum nas mãos.

– Aqui está, uma foto por mês de gravidez e fotos delas até os 10 anos.

Abri o álbum e comecei a ver as fotos e como eu imaginava ela ficou perfeita com aquela barriga e as minha meninas eram lindas quando bebês, gordinhas, e me imaginei apertando e brincando com elas, coisas que nunca poderia fazer, fases que eu não acompanhei e agora eu tinha três adolescentes que eu mal sabia os nomes e só diferenciava pelo tipo de cabelo. De repente um pensamento me deixou com raiva.

– Alguma delas tem, é... – Eu não conseguia falar aquela palavra.

– Tem o que? Ah. – Ela começou a rir muito e eu comecei a ficar nervoso com aquilo.

– Qual a graça, elas tem só 12 anos, você não pode ter deixado isso.

– Calma, nenhuma delas tem namorado. – Aquela palavra me deu calafrio, eu mal as conhecia e nenhum garoto por aí iria ficar tocando nas minhas meninas. – Mas elas tem paqueras, nada demais, só paixonite da idade. Elas sabem que ainda é cedo pra essas coisas, elas tem a cabeça bem no lugar e as três concordam que estudar é mais importante pra elas no momento.

– Ainda bem, porque elas vão demorar muito a ter minha permissão pra isso e se o garoto passar pela minha entrevista, coisa que não vai acontecer com nenhum.

Ela começou a rir, mas percebi que estava bem cansada.

– Acho que já passou da hora de dormir. Acho que vou ficar pela sala mesmo.

– Você pode ficar no quarto, ele ainda é seu também. – Falou ela abaixando a voz na última parte.

– Tudo bem, vamos?

– Vamos.

Fomos em direção ao quarto, mas antes eu quis passar pelo quarto da meninas e fiz uma coisa que eu imaginei fazer desde que vi as fotos, fui até cada uma delas e as cobri e beijei suas testas. Entrei no quarto e encontrei a Luiza mexendo em algumas roupas.

– Eu vou tomar um banho, você tem alguma roupa com você?

– Eu não trouxe nada. Eu não precisava de muita coisa onde estava.

– Bom, não sei se ainda serve, mas ainda tenho suas roupas e esse short. – Falou apontando pro short azul que eu sempre usava em casa ou pra dormir.

– Deve servir. – Peguei o short da sua mão.

– Use o outro banheiro se quiser um banho, tem toalhas naquela porta. – Falou e saiu em direção ao banheiro.

Eu peguei uma toalha e fui para o banheiro do corredor, tomei um banho rápido e quando voltei a Luiza ainda estava no banho. Fiquei na dúvida se ficava na cama, não sei se ela iria querer dormir comigo, mesmo que a minha vontade desde que entrei naquele quarto fosse agarrar ela e matar toda saudade que eu estava de estar com ela. Enquanto eu pensava o que fazer ela saiu do banheiro e seu cheiro invadiu o quarto, e ela estava linda com uma camisola meio curta, com o corpo perfeito pra se juntar ao meu.

– Não precisa ficar com essa cara, não é como se nunca tivesse me visto até com menos roupa que isso.

– Desculpe, é que eu estava pensando se deveria ou não deitar na cama.

– Você pode deitar e dormir na cama, mas não ache que irá acontecer alguma coisa.

– Eu sei – Falei me levantando e indo em sua direção – É que eu senti tanto a sua falta – falei chegando mais perto, e a cada passo que eu dava, ela dava um pra trás até que encostou na cama.

– Pode parar com isso, não ache que as coisas vão se resolver ta fácil assim, o que aconteceu, o que você me contou, não sei se posso aceitar tudo isso, eu ainda estou muito magoada com essa história, há muita coisa envolvida.

– Por favor, deixe isso de lado só um pouco e seja minha novamente, eu te amo, sempre te amei e não teve um dia que eu não me arrependesse da minha decisão e que não sentisse falta de você, eu preciso de você.

– Eu não consigo, não poso simplesmente esquecer tudo isso e ficar com você como se nada tivesse acontecido. Eu também sinto sua falta, minha mente pede pra te rejeitar, mas me coração e meu corpo querem que eu esqueça tudo e fique com você, eu estou muito confusa.

– Siga o seu coração assim como estou seguindo o meu, e ele está aqui na minha frente, falando comigo, porque você é meu coração, minha mente e minha vida, e todos esses anos que eu estive longe de você eu não vivi. Eu te amo e sempre vou te amar. – Falei e antes que ela me respondesse a beijei. E foi como se realmente eu estivesse submerso no mar e agora pudesse subir e respirar, foi como se eu estivesse morto e por um milagre pudesse voltar a vida. E ali, naquele beijo, senti que ela esquecia de tudo e se entregava a mim e durante aquele resto de noite voltamos a ser um, nos amamos e nos completamos, e nada mais foi dito até que dormimos abraçados e com a certeza que dali em diante estaríamos sempre junto e que eu nunca mais a deixaria.

Acordei na manhã seguinte e senti algo se mexer nos meu braços e me deparei com aqueles olhos que eu tanto ansiava ver todas as manhãs.

– Bom dia meu amor!

– Bom dia! Que horas são?

– E o que importa, vamos esquecer disso e continuar o que começamos nessa madrugada.

– Detesto te cortar, mas temos três grandes motivos pra sair daqui.

– Eu sei, estava brincando. São 11h e acho que nossos motivos de levantar estão bem impacientes. Elas já estiveram aqui várias vezes pra ver se estávamos acordados.

– Bom, eu acho que você tem mais algumas explicações a dar não é. E também espero que essa noite não tenha te dado a ilusão de que está tudo resolvido. Isso foi apenas uma trégua, mas eu ainda estou em dúvida sobre tudo o que você me contou.

– Por favor amor, acredite em mim, eu vou te levar até a casa e até o Jhon, mas só posso levar você, então nada de contar as meninas.

– Vamos levantar, eu vou tomar um banho.

– Posso ir com você? – Falei sorrindo maliciosamente.

– Não. – Ela falou simplesmente e saiu fechando a porta do banheiro em seguida.

Depois do banho, nós saímos do quarto em direção a cozinha e encontramos a mesa do almoço posta e um cheiro delicioso de alguma coisa que s meninas preparavam.

– Quem são vocês e o que fizeram com minhas filhas? – Luiza falo fingindo espanto.

– Haha mãe, você é muito engraçada, morri de rir. Falou com cara irônica.

– A gente resolveu fazer o almoço pra deixar vocês descansarem. – Falou a que parece ser mais calma

– Ô Marisa, para de fazer grosseria com a mamãe! – Falou a de cabelo liso

– Ai, começou a puxa saco, não se mete Daniela.

– Pode parar vocês duas agora, eu não quero ouvir uma briga de vocês mais, eu já estou me cansando disso. Marisa, se falar desse jeito comigo outra vez vamos ter uma conversa séria e Daniela para de implicar com sua irmã por tudo. – Falou Luiza com um tom bem sério que até eu fiquei com medo.

– Desculpa mamãe. – Falaram as duas ao mesmo tempo.

– Obrigada pelo almoço, precisam de ajuda?

– Não mãe, já terminamos, podem sentar.

– Antes, acho que o seu pai precisa saber quem é quem não é, acho que ele está um pouco perdido. – Falou olhando pra mim.

– Eu sou a Marisa. – Falou a de cabelo Liso Ondulado

– Eu sou a Daniela. – Falou a de cabelo Liso

– Eu sou a Beatriz. – Falou a de cabelo Cacheado

– Oi meninas, acho que já consigo diferenciar vocês só pelo jeito de falar.

– Vamos almoçar que eu estou morrendo de fome, quando a gente terminar de alocar e arrumar tudo nós teremos uma longa conversa com seu pai.

Todos nos sentamos e começamos a comer em silêncio, mas isso começou a me incomodar muito.

– Vocês comem sempre em silêncio?

– Não, mas não sabemos o que falar. – Falou a Marisa parecendo meio sem graça.

– Vocês podem agir normalmente comigo, eu quero fazer parte da vida de vocês e saber de tudo, o que gostam o que não gostam e do mesmo jeito eu quero que vocês me conheçam.

– A mamãe sempre falou de você pra gente, mas eu queria saber onde o senhor estava.

– Isso vocês vão saber depois que terminar de arrumar as coisas do almoço. – Luiza falou se levantando – Se vocês estão com tanta pressa, sugiro que comecem logo a arrumar essa cozinha.

As meninas concordaram e arrumaram tudo e fomos pra sala em seguida. Todos nos sentamos no carpete da sala e eu contei a elas tudo, não tinha como eu esconder isso delas, foi o que eu disse a Luiza antes de irmos almoçar e ela concordou.

Quando terminei toda a história elas permaneceram em silêncio até que a Marisa se pronunciou.

– Papai, o senhor quer mesmo que a gente acredite nessa história, não sei se alguém te falou, mas não somos crianças, temos 12 anos e essa história de super herói só pode ser brincadeira, acho que o senhor pode falar a verdade pra gente, porque eu me recuso a acreditar nessa historinha pra criança dormir que o senhor está nos contando.

– Marisa! Você ficou maluca? Ele pode não ter estado aqui antes, mas ele é seu pai e você não pode falar assim, como se ele fosse alguns de seus colegas. Peça desculpas agora. – Falou Luiza muito irritada.

– Eu não vou pedir nada, ele está achando que a gente é o que pra acreditar nessa história.

– Marisa, eu não vou falar outra vez, e abaixe esse tom de voz comigo.

– Vai me dizer que a senhora acredita nele, ou a senhora sabia onde ele estava esse tempo todo? Porque ele não diz logo que não queria ficar com a gente ao invés de contar essa história ridícula. – Falou ela já chorando enquanto as irmãs a olhavam também chorando e assustadas.

– Marisa, peça desculpas ao seu pai agora!

– Eu não vou pedir nada.

– Já chega! – Gritei segurando o braço da Luiza quando que ela iria avançar na Marisa – Luiza, fica calma, ela tem o direito de duvidar, essa história é realmente surreal, você mesma ainda não acredita. – Falei um tanto tranqüilo e depois olhei bem sério pra Marisa – Marisa, eu sei que isso parece mentira e não tinha a ilusão de que vocês acreditariam na hora, afinal eu sou praticamente um estranho pra vocês, eu nunca passei de uma foto e uma história da sua mãe, mas querendo ou não eu sou seu pai e você tem que me respeitar, agora senta junto com suas irmãs e se acalme.

Ela me olhou assustada pela seriedade que eu falei, mas disfarçou seu espanto e sentou junto comas irmãs.

– Eu disse a sua mãe que somente poderia levar ela até o lugar que eu fiquei, mas percebo que terei que levá-las também.

Falando isso puxei a Luiza num abraço e a levei até a casa, voltei e fui levando uma por uma e vendo suas caras de surpresa.

– Esse é o lugar que eu fiquei todos esses anos e aquela é a casa e, bom, esse é o Jhon.

Quando a Luiza se virou, ficou pálida ao reconhecer o mesmo homem que tentou “matá-la” na noite da praia e instintivamente ela deu um passo pra traz se colocando na frente das meninas.

– Primeiro quero me desculpar por tê-la assustado na noite em que testei o Lucas, pode ficar calma que não tentarei nada contra vocês e segundo, quero pedir desculpas a toda a família por ter tirado o Lucas de suas vidas, mas acredito que ele explicou o motivo.

Quando o Jhon terminou de falar a Luiza deu alguns passos em sua direção e deu um tapa bem estalado na cara dele, ele não sentiu nada, mas fingiu porque sabia que merecia.

–Tudo que eu passei, tudo que eu sofri, toda a falta que eu senti do meu marido, todos os anos que as minhas filhas choravam porque queriam o pai e ele não estava é culpa sua seu velho idiota. A vontade que eu tenho agora é de bater em você até a morte, mas pelo que o Lucas falou nem esse tapa fez você sentir dor, mas me fez sentir um pouco melhor. – Falou pra ele e depois olhou pra mim – Eu acredito em você, no que você disse, mas eu quero sair daqui agora, porque se eu ficar aqui mais 1 segundo eu vou descobrir uma forma de fazer esse idiota sentir muita dor.

– Bom Jhon, parece que você não será bem vindo na minha casa. – Falei sorrindo

– Não estou vendo nenhuma graça e se você realmente pretende ficar em casa e que algum dia sejamos uma família, corte relações com esse homem e nos leve de volta agora.

A Luiza falou isso tão brava que eu me assustei, mas sabia que essa raiva iria passar as meninas também olhavam assustadas pra ela. Resolvi fazer o que ela disse.

Quando todos estava-mo em casa e sentados novamente a Marisa levantou.

– Eu posso ir pro quarto? – Quando a Luiza iria falar alguma coisa eu a impedi.

– Pode sim, a três pode ir pro quarto se quiserem.

As duas levantaram e seguiram a irmã para o quarto. Olhei pra Luiza e percebi que ela estava tremendo, quando eu a abracei ela começou a chorar.

– Eu queria tanto voltar no tempo e nunca ter ido aquela praia, queria ter ficado em casa com você e contado sobre a gravidez e ter ido pra Buenos Aires com você. Eu nunca fui até lá, porque eu não teria você comigo. Eu imaginei tantas vezes a gente lá, aprendendo o tango e dançando na nossa última noite por lá. Tanta coisa a gente poderia ter feito se aquele idiota não tivesse te levado. – Falou chorando no meu colo.

– Infelizmente não temos como voltar no tempo, eu perdi muitas coisas da sua vida e da vida das nossas filhas que nunca poderão ser recuperadas, perdi parte da vida dos meus pai e agora minha mãe se foi e meu pai logo irá. Meu irmão me odeia e eu não sei se ainda tenho amigos. Mas eu precisava ficar e garantir que vocês ficassem bem. Eu fiz a cura desse vírus e descobri a de muitas outras doenças, foi um preço alto a pagar, mas agora eu estou de volta, me deixe construir memórias com você, com as meninas, me ajude a reconquistar o amor do meu irmão e me ajude a ter meus amigos de volta. Eu preciso de você, me perdoe, me aceite de volta, me ajude a ter o carinho, amor e respeito das minha filhas.

– Eu te amo tanto, tanto, quando você sumiu eu achei que não conseguiria e eu quase não consegui, hoje eu estou aqui por causa delas, das nossas filhas, que são uma parte de você que ficou. Eu te perdôo, não me deixe outra vez, por favor, eu não sei se suportaria.

Assim que ela terminou de me falar ela me beijou.

– Será que vocês poderiam fazer isso no quarto de vocês? – Marisa falou interrompendo nosso beijo – Eu queria pedir desculpas ao papai e a senhora também mamãe.

Me levantei e percebi que a Beatriz e a Daniela também estavam na sala, só que mais afastadas.

– Venham aqui as três – Falei abrindo os braços – Eu não as conheço direito, e sei que vocês também não me conhecem bem, sei que toda essa história é difícil de assimilar, mas vocês são tão espertas quanto a sua mãe pelo que eu percebi e sei que com o tempo vocês vão entender. Eu amo vocês, vocês são as princesas que eu sempre sonhei em ter, desde que namorava a mãe de vocês, eu prometo nunca mais deixar vocês e eu prometo estar aqui todas as vezes que vocês precisarem de mim e quando não precisarem também.

As três não conseguiam falar nada e só coravam, a Luiza também estava chorando no sofá, estendi o braço a chamado e ela veio para o abraço. Ali, naquele momento eu tinha tudo que mais importava pra mim nos meus braços, e ali eu soube que todas as outras coisas seriam resolvidas, porque a minha família sempre estaria comigo.

Notas finais
:*