Notas iniciais
Mais um... Boa leitura ;)

Capítulo 4

POV Luiza

As meninas foram acordando e me fitaram irritadas.

– Mãe, hoje é sábado, porque temos que levantar cedo? – Falou Beatriz choramingando

– Caraca mãe, que saco, deixa a gente dormir! – Falou a nervosinha da Marisa

– Iiiii, olha a estressadinha já reclamando! – Falou Daniela rindo da irmã

– Cala a boca ô puxa saco da mamãe!

– Já chega! As três de pé e prontas pro café em 20 minutos e seu eu ouvir mais uma briguinha nada de viagem com o seu tio na semana que vem. – falei já enjoada com a briga das duas

– Aaaaah mãe! A viagem já está combinada com o tio Marcio!

Mas se eu disser que não vão, vocês não vão, simples ou quer que eu desenhe? E andem logo, ou vocês não querem ir no hospital ver a avó de vocês?

O semblante das três mudou na mesma hora, lembrar que a avó estava internada e não estava bem as deixavam muito tristes.

– Como está a vovó, mãe?

– Na mesma infelizmente. Por isso quero ir cedo, pra vocês poderem passar mais tempo com ela. 20 minutos ouviram.

Saí indo terminar de preparar o café da manhã.

Elas apareceram 20 minutos depois com cara de sono ainda, sentaram na mesa em silêncio e assim tomaram seu café, a doença da avó realmente a deixavam tristes.

– Mãe, a vovó não vai melhorar né? – perguntou Beatriz.

Elas já não eram crianças e já podiam muito bem entender o que estava acontecendo, elas precisavam estar preparadas.

– Meninas, a avó de vocês já não é uma menina, vocês sabem, ela realmente está muito mal e a tendência é ficar cada dia pior. Infelizmente essa é a realidade e vocês precisam estar preparadas pro pior a qualquer momento.

Elas abaixaram a cabeça e eu pude perceber que a Daniela chorava.

– Meninas, não precisam se segurar quando estiverem aqui em casa, podem chorar, coloquem o que sentem pra fora.

– Eu queria que o papai estivesse aqui nós não o conhecemos, mas eu sinto tanta falta dele que chega dói. – Falou Marisa de repente.

As meninas a olharam, ela não era muito de expressar o que sentia.

Eu me levantei e sentei no tapete as chamando, coloquei elas deitadas no meu colo e acariciei seus cabelos cacheados como os meus.

– É perfeitamente normal sentir a falta do seu pai, mesmo que não o tenham conhecido. Todos nós sentimos, muito.

– Mãe, porque nunca nos levou no túmulo do papai? – perguntou Marisa

Eu respirei fundo, o momento que eu fugira há anos tinha chegado, era o momento de contar a verdade pra elas.

– Meninas, acho melhor vocês se sentarem. Eu preciso contar a vocês a verdade sobre o que aconteceu com seu pai. Desculpe não ter explicado antes, mas acho que agora vocês serão capazes de entender um pouco, bom, mais ou menos, porque nem eu entendo muito bem até hoje.

Elas me olharam sem entender e eu comecei a história, toda a longa e dolorosa história do dia em que o pai delas simplesmente desapareceu em meus braços.

Chegamos no hospital duas horas depois, não foi nada fácil contar as meninas a verdade e em certo momento elas acharam que eu estava brincando, mas ao ver meu olhar sério elas se calaram e ouviram toda a história. Elas ficaram muito assustadas e me fizeram a pergunta que perdurou e ainda perdura por minha mente até hoje.

– Se o papai não morreu, quer dizer que ele ainda pode estar vivo? Ele ainda pode aparecer?

Eu ao tinha resposta pra essa pergunta, por que era o que eu queria acreditar até hoje, mas já se passaram 13 anos, minha esperança e meu amor ainda estão intactos, mas não posso alimentar isso nas meninas e as fazer sofrer ainda mais.

As meninas saíram correndo assim que pegamos nossa identificação e eu gritei pra elas:

– Não corram estamos num hospital!!!

Mas eu mesma estava gritando e uma enfermeira me repreendeu no corredor. Eu abaixei a cabeça e continuei andando, na porta do quarto da Lúcia, meu celular vibrou e eu li a mensagem, que era da faculdade, ainda andando e acabei batendo em alguém. Levantei a minha cabeça pra pedir desculpas e perdi todo o ar quando olhei o rosto que estava na minha frente.

Notas finais
O que estão achando??? Até o próximo :*