O diário empoeirado.
1 Um
Uma noite antes da viagem, Anne Wells estava deitada em sua cama olhando para seu teto azul claro, em sua casa em Orlando, pensando na morte enquanto ajeitava a única coisa que a faria viver naquele momento, Nicole já sabia que seu destino era falecer, mais cedo ou mais tarde, não era como uma corrida contra uma pedra enorme estilo Indiana Jones que você pode chegar para o lado e se livrar da perseguição, leucemia era a mesma coisa, mas você não tem como escapar, não tem como chegar para os lado, não tem como fugir, você está destinado a morrer.
O pai de Anne, um senhor de cabelos grisalhos, olhos cor de mel, senhor Josh Wells, era anestesista, ele conseguiu um estádio de um mês em Nova Jersey, se passasse ganharia o dobro do seu salário, o que era preciso para comprar remédios e aparelhos para a filha.
Enquanto Anne pensava nisso o dia amanhecia, ela acabara de virar a noite pela quarta vez na semana, já era 6:10 da manhã quando sua mãe bateu na porta a chamando.
-Filha, está na hora de levantar, já estamos colocando as coisas no carro para irmos ao aeroporto.
A mãe de Anne, senhora Úrsula, tinha cabelos ruivos e sardas assim como a filha, a única diferença era que seus olhos eram azuis, mais claros que o céu em um dia ensolarado, enquanto os de Anne eram verdes.
Ouvindo o que a mãe dizia Anne levantou sem dar uma palavra, entrou no closet pegou uma camisa cinza com as letras "HP" escritas no centro e alguns símbolos chamados "relíquias da morte" que ganhara de seu tio quando foi para a Hogwarts convention; Uma calça jeans e um tênis cinza com azul que ficou muito bem nela por sinal; saiu do closet foi para a penteadeira, pegou uma fita azul da cor do tênis e amarrou com o aço na cabeça virando e o colocando a baixo dos cabelos; pegou uma maleta que continha sua escova de dentes, escova, prendedores e fitas de cabelos, e obviamente seu diário, que mais parecia um livro velho e empoeirado, mas era exatamente por isso que Anne não o abandonou no meio do caminho e escreve nele a exatamente dois anos, depois de pegar tudo ela finalmente se virou para a mãe e disse:-Bom dia. — Sua mãe a abraçou como se não a visse a décadas, e depois de um tempo pegou as malas da filha e foram elas juntas até a sala de estar; senhor Josh, desceu as escadas com 5 malas enormes entre os braços, dizendo:
-Que belo dia para uma viajem não é meninas? Está animada Anne?
-Estou, sim senhor- Disse ela o mais desanimada possível.
Ele sorriu, e então largou as malas, abriu a porta e Anne foi lentamente para o carro, seguida de sua mãe. Sentou-se no banco de trás na janela e abriu a maleta, afinal demoraria um bom tempo para chegar ao aeroporto, abriu a maleta e de lá retirou seu diário empoeirado, e começou a ler o que escrevia a cerca de dois anos atrás e só encontrava coisas do tipo:
"Eu amo o Vítor", "O Vítor é a minha vida.", "Eu faria tudo pelo Vítor."
Anne descobriu que tinha leucemia a um ano atrás, e exatamente a um ano atrás que esse "Vítor" a largou, seu argumento? Disse que não queria perder tempo de sua vida com uma pessoa doente, no momento em que pensava uma lágrima escorreu de seus olhos, sua mãe viu, mas preferiu não comentar que havia visto. Ela encostou a cabeça na janela e foi para o aeroporto.
Chegando lá, faltava apenas 7 minutos para o avião decolar, então eles já foram para perto do portão de embarque, ela deu uma pequena cochilada até que uma voz disse:
"Chamada para o voo com destino a Nova Jersey embarque portão 6.''
Sua mãe a acordou dizendo. "filha está na hora de ir", fazendo cafuné nos seus poucos cabelos que estavam a crescer pelo fato que não havia sido raspados a muito tempo, então eles caminharam até o avião, ela pediu para sentar na janela, encostou a cabeça caindo num sono profundo, sonhando com o momento em que descobriu que tinha leucemia, e com a reação de seus pais e de Vítor, a única pessoa que não reagiu tão mal foi sua amiga Ilse, foi a única que não a apontou como uma berração, até seus pais a descriminaram por um tempo, mas perceberam, que era melhor aproveitar o tempo que tinha com ela, ela sonhara com os momentos que cada um deles soubera, e no momento que jurava que nunca mais ia se apaixonar de novo sonhava com tudo isso, que fazia um buraco enorme na sua cabeça até que:
"Por favor passageiros, vamos descer, ajeitem seus assentos para a vertical, que vamos pousar."
Notas finais
Um beijo,
Ana Bonatte.
Fale com o autor