O diário de uma garota qualquer
11 Macumba Saravá da Alfreda Manoela
Notas iniciais
– Vocês de novo não — Rangi entre os dentes — Nos deixe em paz, para nós fazermos o que deve ser feito!
– Acho que se você quisesse saber dos seus pais — Começou Tobias — Não pediria pra te deixar em paz.
Estremeci na hora. O que o otário tinha a ver com meus pais?
– O que você tem a ver com meus pais? — Perguntei.
Tobias pegou uma rosquinha e começou a comer. Quando engoliu, ele franziu as sobrancelhas.
– Tudo. Seu pai e sua mãe não eram aqueles. Eles eram extraterrestres totalmente treinados.
Gelei.
– Então, quer dizer que meu pai não está morto e minha mãe não me expulsou de casa? — Perguntei.
O vilão assentiu.
– E onde eles estão? — Se intrometeu Alfredo.
– Olá Alfredo, quanto tempo, meu ex-colega! — Falou com falsidade o moreno — E os pais dela estão presos numa nave dos E.Ts. Não falo mais nada. E por que essa preocupação com a vida dela? Finalmente arranjou uma namorada?
Alfreda quando ouviu isso, magicamente se soltou de Bruno e deu um golpe na pleura central de Tobias. Começou a matar o coitado — que não é coitado — espancando-o o mais forte possível. Os amigos do vilão tentaram ajudar, mas ela fazia os colegas dele voarem pra longe.
Quando Tobias desmaiou, Alfreda tirou sua mordaça, e gritou:
– NOCAUTE! FALE ISSO E SINTA O PODER DA MACUMBA SARAVÁ DA ALFREDA MANOELA!
Alfredo ficou assustado com a Alfre.
– Er... Acho que você está meio obcecada Alfre. — Eu falei.
– É o amor, ué! — Ela respondeu.
– Você... Me ama? — Perguntou Alfredo ainda em choque.
Nós duas permanecemos em silêncio.
– Depois eu explico tudo pra você — Falei apressada — Vamos "pegar" rosquinhas para o almoço e dar o fora daqui rápido.
Colocamos vários potes de rosquinhas nas mochilas e procuramos um lugar pra sair. Seguimos uma placa onde dizia "saída de emergência" e damos o fora.
Quando a gente saiu daquele quartel, vimos uma placa bem grande, escrita "Bem-vindos a São Luís, capital do Maranhão".
– Essa saída vai dar pra tão longe assim? — Perguntei — Que eu me lembre, a gente estava no Piauí...
– Ou a gente voou tanto que parou no Maranhão e não sabíamos. — Argumentou Alfre.
Dei de ombros.
– Pode ser. Vamos almoçar? Estou com uma baita de uma fome.
Todos assentiram, e pegamos um pote de rosquinhas que a gente pegou lá no quartel. Começamos a comer.
O silêncio predominava ali, até que o Alfredo se pronunciou.
– Certo, agora me expliquem o que foi aquele ataque da Alfreda.
A loira corou, e eu tive que explicar tudo.
– Bem, desde que a Alfre te conheceu, ela tem uma queda por você. Ela descorou seus horários, e ficou obcecada, e ela só sabe falar de você. Pronto. É isso. — Falei meio sem graça.
Ele ficou com o olhar meio triste.
– Tudo bem, não precisam se preocupar... — Ele falou — Podemos continuar a ser amigos.
Vi a hora de Alfre enlouquecer com aquelas palavras, mas ela se acalmou.
Terminamos de "almoçar", e continuamos nossa jornada voando. Decidimos voar lado a lado, pra ninguém ser capturado por irmãos malucos de vilões.
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