Notas iniciais
Tenha uma ótima leitura!! xoxo

Paralisada no corredor, pensando mil coisas ao mesmo tempo e com o coração na mão, sinto alguém me puxar pelo braço para fora da escola, mas nem sequer olho para ver quem é.

O que eu fiz?

Ele descobriu tudo?

E o André? Porque não estava falando comigo?

O sol quente na minha cabeça fervendo meus pensamentos e as lágrimas começaram a cair sem eu nem entender o motivo de tudo aquilo. Que droga estava acontecendo?

Me sentaram em algum lugar, eu nem sei quanto tempo passei andando até notar que estava na lanchonete da rua de trás, sentada e com um copo de água na mão. Olhei para frente e estava sentada ali me olhando com cara feia enquanto devorava um pastel, Camila.

— Camila? Porque me trouxe aqui?

—Eu sei que tenho sido um monstro com você todos esses anos, mas ver você chorar nunca me agradou e ainda mais quando outras pessoas que não sejam eu quem fazem isso.

Bebi a água .

—Você estava lá quando a briga começou?

—Sim. Ao lado do André quando o Gustavo chegou furioso.

— Porque? O que houve?

—Me diz, você está namorando o André?

— Eu não chamaria de namoro...

—Ai meu Deus...e você sabia que o Gustavo gosta de você?

—Bom...sabia...

—Ai! Meu! Deus! Você podendo ficar com qualquer garoto, fica justo com o melhor amigo do guri que é louco por você?

Eu não sabia o que dizer. Ela estava certa... Mas eu gosto do André e não do Gustavo.

— Você esta bem ferrada!

—O que houve exatamente no corredor?

—O André estava parado no corredor mexendo num caderno e o Gustavo chegou do nada com um soco na cara do André. Aí o André caiu e ficou meio com cara e surpresa misturada com um “o que foi isso?” . O Gustavo se agachou do lado dele e falou que ele nunca mais na vida falasse com ele. Então o André perguntou o que estava acontecendo e o Gustavo deu outro soco.

Eu não podia nem imaginar a cena que já me doía o peito.

— O André empurrou o Gustavo xingando ele e pedindo explicação, e aí o Gustavo começou a explicar. Disse algo como “você sempre soube que eu era apaixonado pela Isa, e teve a cara de pau de ficar com ela nas minhas costas?” Aí o André nem negou, só perguntou quem tinha contado isso pra ele. Aí ele começou a socar ele novamente e o André nem revidava só empurrava ele. As últimas frases que ouvi foram uma do André que foi mais ou menos como um pedido de desculpas e outra do Gustavo dizendo que a amizade morria ali. Segundo uma guria que estava mais perto, o Gustavo disse “voce não vai rouba-la de mim” e ai o André respondeu com “ela nunca foi sua”. E depois disso foi só porrada.

—Aí meu Deus!! Eu destruí uma amizade...

Naquela mesma sexta (hoje é domingo então tenho que atualizar vocês rapidinho) , saímos da lanchonete e fomos para casa. Entrando pela porta vi Melissa e Larissa sentadas e rapidamente nos olharam surpresas (nunca voltei com nenhuma delas pra casa, apesar de sermos da mesma sala e morarmos na mesma casa).

—Onde estava Camila? Sua irmã voltou da escola sozinha!

—Precisei ficar um pouco mais por lá.

Realmente... Porque ela ficou la? A briga começou bem depois do fim das aulas, ou seja, ela não ficou porque a briga começou. Ficou porque tinha algo antes.

Subi para o meu quarto e deixei elas lá. Segundos depois Camila entrou no meu quarto e deitou na cama.

—Estou saindo com o Léo a três meses.

—O que??? O Léo a três meses atrás namorava.

—Eu sei,eu sei. — Ela se sentou e apoiou a cabeça nas mãos que estavam com os cotovelos nas pernas

—E você ainda tem coragem de me julgar?

—Não grita comigo ta? Eu sei que estou errada....- Ela estava chorando

Sentei ao lado dela e a abracei. Acho que éramos amigas agora.

Minha cabeça explodindo. Camila tinha acabado de sair do quarto para ir encontrar o Léo em algum lugar secreto deles.Pensei em ligar par o André, mas achei que não seria uma boa ideia. Mas eu queria. Precisava falar com ele.

Peguei o meu celular e senti ele vibrar, se eu acreditasse em destino, diria que foi isso. Era o André me ligando.

— Alô ! – Foi a única coisa que tive coragem de dizer

—Isabela? — Estava me chamando pelo meu nome e não apelido...ai...meu...Deus...

—Oi André!

—Posso ir na sua casa agora?

—Sim, claro! Pode vir, estarei te esperando. – Acho que deu pra perceber que eu estava ansiosa, desesperada, sei la.

Esperei sem ligar pra ele nem sequer perguntar que horas vinha. Tomei banho, almocei, e sentei em minha cama aguardando.

*Campainha*

Meu coração acelera. Espero alguém abrir a porta. E em seguida ouço a Camila gritando la de baixo:

—Visita pra você Isabela! Ta subindo!

Fiquei calada, ansiosa. Não sabia se deveria ficar com medo ou feliz. Me levantei e fiquei na janela, de costas para a porta, olhando um ninho de passarinho que havia na árvore em minha janela.

A porta se abriu.

Fiquei esperando que ele falasse algo mas o silencio se manteve. Estava com medo de me virar. Precisava falar algo, então comecei.

— André... Sei que você deve estar com raiva de mim nesse momento, mas temos que conversa sobre o que tem acontecido ultimamente.

Esperei por resposta e nada!

— Nunca quis magoar o Gu , mas meus sentimento por ele nunca foi recíproco, e você sempre soube disso. Eu sei também que você nunca faria nada para magoa-lo, afinal vocês são amigos...

Ele não respondeu absolutamente, o que me dava mais medo de me virar e encara-lo...porque ele não respondia nada?

— Provavelmente você esta muito furioso comigo...Eu realmente gosto de você, e acho que falar isso só vai piorar a situação, mas é a verdade. Eu só não entendo o que você espera que seja de nós agora...

Silencio

— Fala alguma coisa... — Me virei e tive a surpresa de ver a Gu parado a porta de cabeça baixa, e com lágrimas escorrendo dos olhos — Ai meu Deus...

— Voce sabia que eu gostava de você?

—N-não faz muito tempo...ma-mais sim...

— E VoCE NAO FALOU NADA? – Ele gritou de repente me fazendo assustar.

—Eu...o que e deveria ter falado? Eu não sabia o que falar...

— Me deixou esperando...tentando te conquistar...enquanto sabia e estava beijando meu melhor amigo... – Ele falou quase sussurrando ainda sem levantar a cabeça enquanto caminhava para a minha cama e sentava nela.

—Isabela, você é uma falsa.

—Como é que é? – Caminhei até ele e fiquei parada na sua frente. – Acha que sou falsa por não me apaixonar por você?

—E se apaixonar pelo meu melhor amigo! – Ele finalmente levantou a cabeça e seus olhos emanavam uma raiva que eu me assustei

— Isso não foi falsidade! – Não foi né? Meus olhos estavam marejados e eu sentia que ia chorar na próxima palavra que eu dissesse

—Não...imagina... VOCES NEM SEQUER LIGARAM PARA O QUE EU ESTAVA SENTINDO! – Ele ficou em pé eu me afastei alguns passos sentindo as lágrimas escorrendo

—Não fale o que você não sabe. Isso não faz nem uma semana que aconteceu, e SIM, nos pensamos em você em todos os momentos e por isso que...

— CHEGA DE MENTIRAS. — Ele foi chegando próximo e eu não tinha mais para onde correr, estavam entre ele e a porta fechada. – VOCES DOIS ESTAVAM JUNTOS ENQUANTO RIAM DE MIM ...

—Sai daqui! – Abri a porta – Agora!

Eu só queria chorar, e já estava começando a ficar com medo dele. Ele estava agindo feito louco, fazendo daquilo uma coisa monstruosa. Ele não saiu então eu sai na frente e fui até a escada.

— Esta mesmo em expulsando da sua casa?

—Estou.

Ele me fuzilou com os olhos e se aproximou me deixando espremida no corrimão. E fez o que jamais imaginaria que fizesse naquela situação...me beijou.

Me bateu um desespero pensando: Se o André chega agora vai surtar...

Empurrei ele, tentei desvencilhar meu rosto mas ele não me deixava sair me apertando e tentando impedir qualquer movimento meu.

—Está...me machucando...senti o a parte descascada do corrimão furando minha costas.

Foi a única coisa que consegui dizer, mas ele pareia não ouvir, ou querer não ouvir. Tentei sair pelo lado já que ele na minha frente impedia isso.

Foi quando senti meu pé escorregar no degrau. Depois disso senti ele tentando segurar meu braço mas só o que conseguiu foi arranha-lo. Senti minha cabeça batendo, depois tudo rodando e escureceu.

Vi vultos, luzes e ouvi vozes. Acredito ter ouvido muitos passos também e sentido mãos em mim. E de repente tudo estava silencioso e meus olhos abriram vendo um teto branco com uma lâmpada forte que me cegou os olhos. Fiquei paralisada tentando me lembrar onde estava, como tinha ido parar ali ou mesmo o que tinha acontecido antes. Sentei na cama branca, com lençóis brancos e notei uma sala completamente branca. Estava quase cega pela brancura total do lugar, aquilo realmente me incomodava.

Olhei em volta e não sabia o que fazer, não havia nada além da cama (e que cama estranha), e um copo de papelão cheio de água ao lado da cama (sim, no chão). Sentindo-me em um filme de terror, levantei e caminhei até a porta que tinha uma janelinha minúscula e quadrada que mesmo na ponta dos pés eu só alcançava ver um pouco. E a única coisa que eu via, não ajudava muito; uma porta idêntica a minha do outro lado, com o nome de alguém escrito, Ana Cristina.

A porta não tinha maçaneta e o quarto não tinha janelas, então resolvi bater na porta esperando que alguém me ouvisse do outro lado , mas o lugar parecia deserto. Antes de me desesperar resolvi apenas esperar, uma hora alguém apareceria. Passei vários minutos sentada no chão encostada á porta olhando para o quarto. Levantei e olhei novamente pela janelinha da porta e vi d outro lado do corredor, na janelinha da outra porta a pessoa que provavelmente era a Ana Cristina, ficamos nos encarando alguns minutos. Eu não tinha nada melhora para fazer mesmo. Até que vi alguém se aproximar.

Notas finais
E aí? Comentários são muito bem vindos! xoxo