O diário da minha ansiedade
7 Folha 07
21.09.18
O dia chegou ao fim! Finaaaaalmente! E o que eu tenho a dizer que eu nunca festejei tanto por uma sexta-feira. Eu amo as sextas-feiras.
Hoje quase tudo deu errado pra eu não comprar o buquê. Porque eu não moro com a minha mãe, moro com a minha tia mas como as casas ficam perto metade das minhas roupas e coisas estão na casa da minha mãe. Porque ela mal fica em casa e eu tenho preguiça de levar as minhas coisas pra casa da minha tia.
Bom, eu deixei a carteira no meu quarto (na casa da minha mãe) e ontem ela pediu pra um vizinho aqui do condomínio dela pintar a sala da casa pra ela receber o namorado gringo dela. Ok, eu tinha esquecido completamente da carteira ou que alguém me furtaria dentro de casa. Resumindo, eu fui pegar o dinheiro hoje pra pagar o buquê e quando eu abro a minha carteira... Só tinha quarenta reais, sumiu cinquenta. Eu entrei em desespero e num acesso de raiva que era capaz d'eu dar um tiro em quem falasse pr'eu me acalmar. Eu tinha planejado tudo pra desistir por causa de um furto. Eu não posso dizer que foi o pintor, sabe?! Mas eu conheço ele há tempo e sei que ele não é uma pessoa confiável e honesta. Acabou que minha mãe me emprestou cinquenta reais dela. Pra minha salvação!
Mas eu fui com tanta raiva dentro de mim pelo que houve, eu tinha planejado e quase tudo acabou indo por água abaixo. Foi aí que eu vi que era alguma força negativa encima de mim, pr'eu desistir. Porque a raiva que me deu na hora foi tão grande que eu fiquei a um fio de desistir até quando caiu a minha ficha e eu fui plena pagar o buquê. Cheguei até desabafar sobre o que aconteceu com a dona da floricultura. Ela super me entendeu. Minha mão até tremia de raiva.
Eu escolhi as rosas, três tons. Um rosa claro, um rosa indo pro salmão mais pro lado do rosa e a rosa vermelha. Eu pedi pra ela fazer um degrade das rosas e depois me mandar a foto. Quem sabe eu até não posto a foto do buquê aqui amanhã. Não sei e nem prometo.
Eu decidi realmente mandar o bilhete com o poeminha de quinta que eu fiz e foi que foi. Nem hesitei depois que encaixei os pontos.
O buquê será entregue as 18h25 até no máximo 18h30 e eu vou chegar mais cedo pra ficar checando a situação, não sou boba.
Agora mais a noite que a Martha deu um tapa em mim. Fui na festa de aniversário do marido da minha prima e lá eu tava sem internet sem nada. Eu fiquei pensando:
"Cara, essa é a minha realidade. Porque eu tô fazendo isso comigo? Por que eu comprei um buquê pra Arizona sem menor coerência?"
E comecei a ficar desesperada no meio da festa. Comecei a ficar triste e mais triste que meu coração tava até doendo. Porque eu vi como essa realidade que eu criei era uma ilusão minha.
Eu não sei se era a Martha me manipulando mas me deu tanta agonia e uma vontade de voltar atrás e falar: Não, esquece isso de buquê, é loucura demais, o extremo da minha insanidade.
É horrível ter que ouvir a Martha porque parece que ela tem sempre razão e eu estou sendo infantil e boba fazendo isso pela Arizona.
Mas quero tanto ver ela sorrindo amanhã, toda felizinha sem entender porque ganhou um buquê e ela ficar tímida, e depois rir porque não sabe onde se esconder, enfim, eu só quero ver ela. Apesar da Martha dizer que eu sou ridícula demais pra estar fazendo isso tudo por ela sendo ela que nem sabe.
Bom, eu preciso dormir. Porque estou morta de cansaço. Até amanhã.
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