O diário da minha ansiedade
6 Folha 06
20.09.18
Me desculpe, eu estava morrendo de dor de cabeça ontem pra escrever aqui. Acabei deixando a dor me vencer e dormi as 23h da noite.
O dia foi ontem foi muito bom, não vi a Arizona mas ela acaba estando presente mesmo que eu não a veja.
Primeiro vou dizer das cosias que envolve ela e depois digo como foi o dia.
Bom, a Duda é amiga muito íntima de uma amiga professora da Arizona de português-letras também, a Camila. A Camila considera a Duda como filha e tudo mais. Elas foram então comer num novo restaurante japonês que abriu aqui e a Duda disse que não perdeu tempo pra perguntar pra Camila sobre a Arizona. És então que ela me diz:
"Eu falei da Arizona pra Camila, ela disse que o pai da filha dela nem procura a menina, não dá pensão, finge que a menina nem existe e que a menina é estranha mesmo, deve ser lésbica."
Eu fiquei com pena, é exatamente como o meu pai. Que tem quarenta e dois anos ou três, sei lá, e gasta dinheiro tão fácil com balada, bebida e mulheres da vida, enfim, eu mesma já dizia o meme: Nunca nem viu. E eu só vi a filha da Arizona duas vezes e sei, que ela é sim, lésbica. A gente reconhece né, o gaydar.
Depois a Duda ainda disse:
"Ela falou também que a Arizona só tá com aquele cara lá porque ela é escritor e poeta. E ela gosta dessas coisas, a Camila disse que ele é mais feio pessoalmente que nas fotos."
Eu logo pensei: Eu sou escritora e também escrevo poemas. Acho que alguém estar a perder um pouco de tempo, talvez.
Agora eu também descobri que o último sobrenome da Arizona é Melo e o da filha dela no Facebook também é Melo. Só que a Arizona não usa esse sobrenome no Facebook. Ela usa os dois sobrenomes dela e eu acho que Melo é o pai da filha dela, que talvez ela não tenho se divorciado ainda e por isso não casou com o namorado atual dela. Porque esse namorado poeta dela não tem Melo no nome, tem Silva. Quando eu dei aquela stalkeada nele és que descubro que ele tem umas amigas drags comigo em comum e defende o movimento LGBTQ+. Achei hilário!
Outra coisa muito importante: Hoje é o dia que vou lá pagar o buquê. Eu escrevi um poeminha pra Arizona mas estou pensando se deixo aquele mesmo ou se eu escrevo outro, algo mais formal e com palavras difíceis. Mas vou acabar aderindo ao que escrevi ontem quando de repente acordei de madrugada. Eu tô um pouco ansiosa pra chegar logo sexta-feira. Meu coração chega a dar uns tremiliques, eu quero muito ver a reação dela quando ela receber o buquê. Talvez na próxima eu encomende doces, chocolate, aliás, vou até ver se meu dinheiro caiu no cartão hoje porque se tiver caído, quem sabe eu compro algum chocolatinho pra ela. Eu tô pensando nela agora, eu consigo ver ela nitidamente. Eu também tinha até pensando em escrever a letra da música Just The Way You Are do Bruno Mars pra ela, a música é doce e a mulher que ele descreve pra mim, ele descreve a Arizona. Mas sinto que é melhor usar meu poeminha de quinta, apaixonado e exagerado do que uma música que serve pra todas as mulheres apesar de ser linda.
Mas agora contando como foi meu dia ontem, sem a Arizona apenas com as minhas seis amigas, nós andamos ontem feito seis loucas atrás de salgado. Até que a Larisa não aguentou e foi embora. Sentamos na porta da casa da Jéssica e ficamos conversando sobre política e quem votaria no Voldermort da realidade. Daí eu disse que era imparcial e que meu voto ia pra Arizona. Coitada, ela sempre tá envolvida em tudo. Conversamos bastante sobre o que aconteceria na sexta-feira também e como a gente iria reagir, a Jéssica disse que vai filmar e tudo. Eu quero só ver como ela vai filmar.
Eu falei que vou fingir estar falando no telefone pra disfarçar, porque eu como acho que a Arizona sabe que sou eu, vou ter dar a melhor disfarçada do mundo.
Enfim, daqui a pouco eu estou indo lá pagar o buquê e vê como tudo acontece. Tenho também que agora pensar se devo comprar o chocolate pra ela.
E um ps: eu descobri que a Arizona leciona numa escola da PRONATEC/FAETEC que eu fiz meu curso de administração, fiquei passada porque nunca vi ela lá. Imagina se eu visse, acho que o coração teria saído pela boca.
Fale com o autor