O destino de uma princesa
4 Enfim,o Reino do Sul!
Desperto aos gritos do guarda.
— Eiiiii! Acorde!!!
Sem perceber acabei adormecendo. Não sei onde estamos exatamente.
— A carruagem foi atacada!
O guarda desce da carruagem e manda descermos também.
— Rápido! A partir de agora seguiremos à pé.
Eu pergunto:
— Onde estamos?
— Estamos mais ou menos na divisa entre o Reino ao Norte e o Reino ao Sul. Essa área é perigosa,por isso todo cuidado é pouco. O cocheiro foi morto. Provavelmente seus assassinos estão perto.Precisamos correr.
Andamos apressadamente por uma estrada de terra estreita delimitada por uma floresta densa e perigosa.
O guarda para e nós também.
De repente ouvimos barulhos de tiros vindo da floresta. Precisamos andar rápido,pois podem ser caçadores ou os assassinos do cocheiro nos procurando.
Saímos da estrada de terra e nos deparamos com uma linda vista. As montanhas que separam as Terras ao Norte das Terras ao Sul. Simplesmente uma perfeição divina. Naquele lugar de paz e serenidade presenciamos o nascer do sol. O calor leve dos primeiros raios de sol confortavam meu coração triste.
Não consigo entender por quê tudo isso aconteceu. Minha vida virou ao avesso. Antes eu só tinha que me preocupar em ter uma boa aparência, com o que iria vestir no próximo baile, aprender a me comportar e me dedicar ao meu piano e violino. Eu tinha um mundo perfeito e agora fui levada a força ao mundo real. E nesse mundo que estou vivendo agora,a única coisa que importa é até quando vou estar respirando.
O guarda começa a falar,mas não estou prestando atenção no que ele diz.
Eu não quero estar aqui. Eu quero voltar para casa. Eu quero a minha vida de volta.
O guarda começa a chamar minha atenção,pois percebe que não estou dando a mínima para o que ele está dizendo:
— A senhorita deveria ser mais atenta! Ouviu alguma coisa que eu disse ou vou ter que desenhar para vossa alteza?
— Desculpe.O que você disse?
— Vamos entrar nas Terras ao Sul, quando passarmos do rio estarão esperando por nós. Precisamos andar mais rápido,pois estamos atrasados.
—Estou caminhando a horas e indo o mais rápido que posso! Sou uma princesa e não uma corredora!
—Eu sou guarda do sul, treinado e sobrevivente de inúmeras guerras, não sou sua babá e nem sirvo como sua daminha de companhia!
— Sinto muito,mas essa foi a missão designada a você! Levar nós duas em segurança pra não sei lá onde!
— É o que estou tentando fazer,mas não tive muita sorte em ter que levar um princesa tão desatenta!Se prestasse mais atenção e se calasse já estaríamos bem longe daqui!
Faço uma cara feia.Que rapaz chato.
Lorena continua pensativa.Não disse uma palavra desde que saiu das terras ao Norte.
Tento conversar com ela enquanto caminhamos:
— Você está bem Lorena?
Ela não responde.
— Eu sei que tudo é muito difícil,mas você não pode desistir. Precisamos ter esperança que vamos sobreviver.
Ela olha pra mim.Seu olhar transborda tristeza e sofrimento. Não parecia nada com a minha antiga amiga.
Ela então responde:
— Vossa alteza,com todo o meu respeito,a senhorita está com o dia de sua morte marcado! Não há esperança nenhuma! O que você acha que vai acontecer quando chegarmos no palácio? A senhorita acha que vamos ser recebidas com festas e banquetes? Está enganada se pensa assim. Somos prisioneiras e nosso povo foi massacrado.Não temos mais ninguém!
— Lorena eu sei de tudo isso! Sei o que você está passando,mas lembrar que vou morrer em breve não me ajuda em nada. Prefiro pensar que vou sobreviver do que me entregar a morte.
Ela permanece cabisbaixa. Não vou mais incomodá-la.
Depois de horas de caminhada enfim chegamos as Terras ao Sul. Há guardas armados em volta dos portões que trancam o reino. Dois guardas estão nos esperando.
Temos as nossas primeiras impressões sobre as Terras ao Sul e sinceramente não sei se são as melhores.
Fale com o autor