O destino de uma princesa
6 A chegada ao palácio do Sul
Minha humilhação continua.
Digo irritada:
— Faça alguma coisa,por favor!
O guarda fecha a cara em minha direção,e em seguida pede as pessoas que parem de jogar tomates em mim. Aos poucos as pessoas vão saindo.
Depois dessa humilhação, não consigo conter minhas lágrimas. Quero chorar! Quero chorar por tudo que aconteceu! Quero colocar para fora tudo que está me angustiando!
Não tenho mais controle sobre minhas lágrimas. Lorena que estava tão distante em seus pensamentos, retorna a realidade por alguns instantes e em um gesto de compaixão me dá um abraço apertado.
Tento me controlar.Não posso ficar chorando!Preciso ser forte!
E é isso que decido fazer.
O guarda olha pra mim,mas não diz nada.
Até agora não sei pra onde estamos sendo levadas.Mas,o cansaço bate e sento no chão sujo e frio .Me encosto na parede de uma casa velha.Estou aguardando pra onde seremos levadas.
O guarda sai por alguns minutos. Depois volta com um lenço e me entrega. Agradeço.Seco minhas lágrimas e tento me recompor. Lorena se senta ao meu lado.
Meus longos cabelos castanhos estão amarrados em um coque. Meus sapatos estão muito desgastados. Estou faminta, não comi nem bebi nada desde ontem. Preciso tomar um banho e vestir roupas limpas.Mas, pelo que vejo meus desejos vão ter que esperar.
O guarda pede para que nós nos levante.
—Partiremos agora para o palácio. Fica mais ou menos 1 km de onde estamos. Lá poderão se limpar e comer alguma coisa.
Até que enfim! Aguardo a carruagem. Mas, acabo tendo uma desagradável surpresa.
Não tem carruagem nenhuma ,apenas dois cavalos para nos levar.
Eu não acredito nisso. É possível que piore?
Lorena sabe cavalgar muito bem, mas eu sou um completo desastre.Tentei aprender a montar,mas foi uma experiência cômica e horrível demais para se lembrar.
O guarda passa o comando de um dos cavalos a Lorena,que monta graciosamente e com confiança.Ela parece estar à vontade em cima do cavalo.
O guarda vira-se pra mim:
— Princesa, certamente não deve saber montar.Talvez nunca tenha estado tão perto de um cavalo na vida.
— O senhor está certo,não sei montar.Mas, sim, já estive mais perto de um cavalo do que imagina.
—Então por motivo de segurança a senhorita vai comigo.
Rapidamente ele montou o cavalo e estendeu a mão para que eu subisse.
— Muito obrigado!
— Disponha.
Seguimos viagem cortando a vila dos camponeses.É estranho demais para mim estar montada num cavalo segurando na cintura de desconhecido que está me levando para algum lugar mais desconhecido ainda. Então, resolvo me distrair um pouco.
—Como o senhor se chama?
— Por qual motivo gostaria de saber,vossa alteza?
— Por nada,apenas curiosidade.
— Princesa...
—Pode me chamar de Anne,meu titulo de nobreza não está valendo muito hoje.
Ele fica em silêncio.O guarda é um rapaz jovem,de pele clara,olhos verdes e cabelos castanhos.Ele é bonito e forte, apesar de ser as vezes insolente e arrogante. Mas,que é bonito isso não posso negar. Ele responde:
—Princesa Anne,meu nome é uma informação que não lhe interessa.
— Se estou perguntando é por que me interessa.
—A senhorita é bem arrogante para uma princesa,não acha?
—Desculpe, meus maus modos.Mas,o senhor para um cavalheiro do rei também peca com a arrogância.
Ele ri.
—Então? Não vai me dizer o seu nome?
— Pode me chamar de Heitor, satisfeita alteza?
—Por hora sim Heitor.
—Você não tem ideia do que lhe aguarda no palácio?
Fico tensa.O medo de morte invade instantaneamente meu corpo. Travo por alguns instantes. Heitor percebe e diz:
—Relaxe, ainda vai ter alguns dias para se despedir desse mundo.
—Bom saber disso! (Respondo com um tom irônico) O pior de tudo é que nem sei por que vou ser morta,talvez por ser o último membro da família real do norte ou pelo simples fato de possivelmente estar pagando pelos erros do meu pai.
—Pode ser os dois.Se tiver sorte poderá ser levada a julgamento.
—Minha sentença foi declarada no leito de morte do meu pai. Mas, mesmo tendo um futuro incerto, prefiro acreditar que ainda posso ter uma chance.
—Não gosto de pessoas das terras ao Norte,mas você só parece mais uma vítima do rei Nicolau!
—O que você disse?
Heitor me responde tranquilamente:
—Nada alteza, nada.
—Como nada?Por que acha que sou mais uma vítima do meu pai?
Ele fica quieto.
Chegamos na ponte que liga a vila ao palácio.Um córrego tranquilo passa sob a ponte.O palácio parece ser enorme.Tem várias torres,onde certamente há guardas e arqueiros bem treinados cuidando da segurança.
Heitor continua sem responder a minha pergunta.
—Você não me respondeu !
—Talvez depois Anne.
Atravessamos a ponte.Heitor desce do cavalo e me agarra pela cintura.O que facilita a minha descida. Suas mãos me agarram com firmeza.
Entramos no palácio. Tudo é muito bonito.Na sala principal do palácio a uma escada enorme,onde os corrimões são feitos de ouro.Há um lustre de cristal esplendoroso no teto. A escada nos leva a mais outra sala. Os quadros que enfeitam as paredes,possuem as molduras banhadas de ouro.É magnifico.
Também há muitas janelas,que permitem que muita luz natural entre e favoreça ainda mais a beleza daquele cômodo.Tanto eu como Lorena estamos fascinadas. Mesmo o palácio do Norte sendo maravilhoso, a beleza do palácio do Sul não pode ser desconsiderada.
Subimos a escada.Entramos em outra sala.Há guardas espalhados em todo lugar.Uma mulher já meio velha parece estar nos esperando ao lado de uma porta.
Quem será ela?
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