Notas iniciais
Continuação

Avançou com rapidez na tentativa de derrubá-la, no entanto, quanto mais rápido, mais difícil seria de mudar de curso em último instante. Logicamente, Kate mergulhou por debaixo de seus braços, o que não foi tão difícil se levada em consideração sua altura, parando atrás dele empunhando a Katana.

— É isso o que tem para mim? Francamente, estou decepcionada.

— Olhe novamente. — Retrucou, rindo enquanto indicava com a cabeça o talho em seu ombro. — Eu não sou exatamente o que você pensa, garota...

Consumido pelas sombras, o rapaz sem nome reapareceu atrás de Kate, pigarreando enquanto ela revirava os olhos ao sentir um filete de sangue escorrer por seu braço.

— Você não é o que eu penso? Ora ora... — O fitou de soslaio, por cima de seu ombro intacto, só mentalizando o quanto ele merecia uma bela lição. — Que bom. Eu também não sou.

Puxou o colar em seu pescoço — símbolo de seu reino, uma rosa dos ventos— enfiando-o no bolso. Sem que ele se desse conta, naquele instante havia libertado seu espirito naturalmente revolto como os ventos mais cortantes e então se dissipou, movendo-se de forma ainda mais rápida que ele, reaparecendo assim como fizera, atrás de si, chutando com força a base de sua coluna, tornando a desaparecer em névoa. O rapaz, que não esperava pelo golpe, apenas sentiu a brisa e logo em seguida o impacto o jogou contra o chão, o que fez com que se amaldiçoasse por perder o foco tão rápido.

Quando Kate reapareceu ao seu lado, já investiu com a Katana, mas foi infeliz em sua estocada por ser aparada, emitindo um ruído alto com o atrito entre as lâminas, logo, tentou novamente, desta vez na diagonal e com maestria ambos iniciavam aquele ritmo perigoso que parecia, em suas mãos, brincadeira de criança onde cada investida era facilmente receptada e os olhares furtivos pareciam desafiar um ao outro. O rapaz de cabelos cor de areia emitiu um rosnado em meio a um sorriso torto ao sentir um corte em seu braço, o que o fez cambalear um passo atrás.

— Achei que todos aqui eram uns manés mas vejo que tenho uma adversária à altura. Você é exatamente o que eu esperava encontrar.

Se aproveitando da confusão de Kate diante suas palavras, chutou-lhe o tornozelo e ela, obviamente caiu, grunhindo, mas mal pôde se defender ou reagir quando ele subiu sobre seu corpo, com ambas as pernas de cada lado, em um rápido movimento encaixando a lâmina da adaga rente ao seu pescoço com uma mão, enquanto com a outra a forçava a apontar a própria arma noutra direção. Ela se debateu, odiando com todas as suas forças aquele sorriso imbecil.

— Xeque. — Anunciou, arqueando as sobrancelhas.

Gargalhando ao ver a princesa revirar os olhos, Kate, num ato impensado simplesmente conseguiu de alguma forma morder sua mão com força suficiente para sangrar, esperando que aquilo lhe desse vantagem para escapar da situação apertada. Consequentemente ele largou a adaga e ela deslizou pela lateral. Sem esperar que o rapaz se recuperasse do susto retomou a empunhadura da Katana, apontando a mesma em sua direção, próximo o suficiente para que seu brilho prateado refletisse em seus olhos profundos.

— Touché.

— Wow, você morde com jeitinho se eu pedir? — Resmungou, passando a palma sobre a mordida.

— Essa foi a coisa mais horrível que eu já ouvi na vid...

Sem terminar, observou atônita o trajeto de sua arma 6 metros até a outra extremidade da arena. Ele havia chutado o cabo de sua Katana e no momento em que se deu conta disso, sentiu o ar sendo expulso de seus pulmões quando suas costas foram de encontro ao chão violentamente, a mão do rapaz agarrando seu pescoço, a fazendo arfar, surpresa e indignada, no entanto não conseguia conter o sorriso de canto, sarcástico.

— Vai desistir? — Arqueou uma sobrancelha, sem entender o motivo de seu sorriso.

Em resposta, Kate ergueu uma mão, levando-a à sua nuca. Ela era menor, mais fraca fisicamente e sabia que não tinha a menor chance de escapar, a menos que... Bem, ela tinha algo que ele não tinha, possuía o dom que homem algum resistia: Charme. Puxando-o, raptou seus lábios, selando-os um beijo calmo.

Ele pareceu não acreditar no gesto, mas não conseguiu se afastar, sentindo a mão da garota deslizar pela lateral de seu corpo enquanto ele mesmo já a soltava, prestes a retribuir, porém não contava com uma jogada ainda maior, ela havia notado uma adaga extra em seu cinto e havia puxado esta ao tatear, empurrando o próprio corpo, girando ambos de modo que invertesse as posições e ela agora sentasse em seu abdômen, empurrando a lâmina da arma contra seu pescoço, sem o menor espaço para que ele tentasse uma contra investida.

Utilizando as costas da mão livre, limpou os lábios, em uma expressão séria mas era evidente seu desagrado, principalmente ao ouvir sua gargalhada quase insana diante a façanha de Kate.

— Me pegou. Isso foi bem... Inesperado, mas aposto que você gostou. — Ele fez um biquinho, emitindo barulhos estalados de beijos. — Podemos ficar o dia todo nessa ou você pode me deixar levantar. Eu, particularmente, gosto da segunda opção.

— Nem em sonho, garoto. — Foi a reposta fria e sem humor. Com uma careta, balançou a cabeça, se levantando e afastando-se, lançando a adaga para longe, ouvindo seu arrastar sobre o piso. — Cansei da brincadeira.

— Eu sou tudo, menos um mal perdedor... — Ele se levantou, batendo a poeira de suas vestes ao se aproximar, estendendo a mão para ela, emitindo um sorriso de canto. — Alaistair Auditore.

— Kate. Mas o resto não interessa. — Disse simplesmente, apertando-lhe a mão com desconfiança, e já ia se afastar quando o garoto das mil adagas retirou mais uma, esta presa à coxa. A adaga era bonita, de fato, seu cabo era encrustado de lápis-lazúli e possuíam formas diversas de animais. Estendeu a ela. — O que é isso?

— Um prêmio. — Insistiu, até que ela finalmente pegou a adaga, mantendo o cenho franzido.

— Vai ser útil quando eu tentar arrancar sua cabeça.

— Isso mesmo, TENTAR. — Se afastou alguns passos, deixando algumas mechas loiras caírem sobre os olhos, jogando a cabeça para o lado para afastá-las. — Você é mais do que diz ser, Kate. É mais forte que a maioria. Não mais forte que eu, mas mais forte que a maioria.

Piscou para ela em um ar convencido. Dando um último passo atrás, foi engolido pelas sombras, desaparecendo e deixando a princesa com uma adaga em mãos e suas palavras pairando em sua mente.

— Xeque-mate.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.