Ajoelhada diante da miséria,

a alma lutava para permanecer em pé

enquanto o corpo pendia ao solo,

como se fossem dois seres

a discordarem se a vida valia à pena viver

Os olhos se fechavam,

na dolorosa decisão de não mais se abrirem

embora o coração, revoltado,

teimasse a continuar a bater.

Os ouvidos foram os primeiros a notar

as vozes curiosas,

as sirenes apressadas,

os flashes midiáticos,

o assombro diante daquilo pelo qual todos ainda viriam a passar

A alma se partia e,

quebrada em mil pedaços,

ansiava por juntar seus cacos e abraçar-se,

segurando-os firme na vã esperança de se recompor.

A boca

Que boca?

Não falava, não soluçava, ainda que o peito clamasse pelo choro.

Não gritava, mesmo que a dor o dilacerasse.

Não implorava, apesar do arrependimento

Os olhos nada viam.

Os ouvidos tudo escutavam.

A boca se calava e, aos poucos,

o corpo se unia ao asfalto,

a alma deixava cair seus pedaços, um a um.

Tudo que restava era

apenas mais um fato curioso,

mais uma sirene ligada em vão,

mais flashes a registrar a comum tragédia

daqueles que o mundo tanto rejeita.

Notas finais
Nota: Essa fic não é uma apologia ao suicídio.

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To numa fase BIZARRA da minha vida. Eu escrevi dois poemas e isso é assustador para alguém que NUNCA conseguiu escrever nem uma estrofe durante meus 20 anos. o.o

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