O desafio

7 A continuação parte 2


Após eu finalmente ter me recuperado, fomos para o local onde estava havendo o café da manhã, faltava apenas alguns segundos para o alarme soar novamente, mas ainda teríamos tempo de tomar ao menos um suco. Eu havia passado tanto tempo sem comer, que já estava me acostumando, mas definitivamente não queria desmaiar outra vez. Quando entramos no salão todos pararam de conversar e começaram a observar enquanto nos entrávamos, me senti ainda mais desconfortável com todos aqueles olhares em cima de nós, mal consegui andar, até finalmente acharmos um espaço na mesa. Quando me sentei foi que comecei a reparar em volta, o salão era enorme, provavelmente tudo naquele lugar era exagerado. Caberia uma roda gigante de vinte metros naquele lugar, tudo era feito de mármore branco e cinza, se não tivesse cheiro de desespero, provavelmente aquele seria o lugar mais incrível que eu iria conhecer. As luzes eram completamente fortes, fiquei imaginando quando veria a luz do sol novamente, já estava sentindo falta do sol das vinte e seis horas batendo sobre meus cabelos e os deixando ruivos. O salão era enorme, mas ainda sim não fazia as vozes ecoarem, o que era ótimo, pois não ouvia tantos zumbidos juntos á um bom tempo. Não conseguia nem ao menos me comunicar com Elizabeth que estava bem ao meu lado, aquilo estava me dando uma dor de cabeça terrível. Meus pensamentos normalmente já eram confusos e sem nexo, com aquelas vozes entrando e saindo dos meus ouvidos a cada segundo estava fazendo com que isso piorasse. Não conseguia me concentrar nos meus pensamentos, e nem no que Elizabeth me dizia.

— O que? — Franzi as sobrancelhas.

— Eu disse que não estou acostumada com tanto barulho! — Lizzie, gritou.

— E eu não estou acostumado a esperar tanto tempo para comer! — Octavio resmungou gritando.

— Tenho que concordar. — Dylan começou a olhar em volta esperando um café surgir magicamente.

Não haviam garçons ou algum lugar que pudêssemos pegar a comida, como na escola. Me perguntei como ela surgiria, nenhum de nós havia ouvido as instruções e por isso ficamos sentados esperando algo cair do céu.

— Tudo bem, deve ter alguma forma de pedirmos! — Gritei — Pensem em algo diferente, vocês já viram como esse lugar funciona!

— Talvez devêssemos falar as palavras magicas. — Sebastian sussurrou no meu ouvido debochando.

Um garoto sentado na mesa ao lado, veio cambaleando ate nós. Ele tinha algum problema na perna, mancava brutalmente. Parecia ter dezessete anos, por mais que ele fosse incrivelmente alto e com braços fortes e completamente cheio de cicatrizes, tinha um rosto frágil parecido com um bebê, seus cabelos eram loiros, bem mais claros do que os de Sebastian.

— Palavras não adiantariam, mesmo se fossem magicas. — Ele disse para mim e Sebastian.

Imaginei como ele pudera escutar de tão longe assim. Sebastian olhou espantado para ele, assim como eu.

— Vocês precisam colocar as mãos na mesa ao mesmo tempo e pensar no que desejam.

— Uma mesa que lê mentes. — Sebastian fez um barulho irritante com a boca ironizando.

— Tudo bem, então é só colocarmos nossas mãos e pensar? — Perguntei. Isso era realmente possível? Estava tão curiosa que não via a hora de tentar.

Ele fez um gesto com as mãos que dizia "tente".

— Pessoal, precisamos colocar nossas mãos sobre a mesa e mentalizar o que queremos pedir! — Gritei.

— Vocês estão de brincadeira, né? — perguntou Kate.

Dei de ombros e sorri.

Todos colocaram suas mãos sobre a mesa, fecharam os olhos e começaram a mentalizar o que queríamos, menos Sebastian que mesmo com as mãos sobre a mesa não fechou os olhos e parecia não mentalizar nada.

Após todos fazerem seus pedidos mentalmente (nunca imaginei que diria isso), nós abrimos os olhos e tiramos as mãos, nada aconteceu.

— Vocês realmente acreditaram nisso? Ele só queria brincar com os "novatos do café da manhã".- Sebastian riu.

O garoto, cujo o nome eu ainda não sabia, continuou em pé ao meu lado, de braços cruzados e sorrindo. Imaginei ser apenas uma brincadeira de mal gosto, mas antes que eu pudesse dizer algo, a mesa começou a balançar levemente, olhamos para ela e um quadrado se abriu, abaixando-se e deixando um espaço vazio na mesa, dela surgiu-se um prato com ovos mexidos e um copo de leite com açúcar, meu café da manha preferido. Na mesa de Sebastian e de Octávio não surgiu nada.

— Ei, como assim não saiu meu café da manhã magicamente da mesa? — Octavio disse indignado.

— E nem na de Sebastian — Kate riu.

— Seu nome é Octavio, certo? O que exatamente você pediu? Os pedidos precisam condizerem com o horário. Por exemplo, você não pode pedir alguma coisa que seja do jantar no café da manhã.

— Oh. — Octavio abaixou a cabeça.

— Octavio, o que você pediu? — Olhei seriamente para ele tentando não rir.

— Pizza. — Ele resmungou.

— Você come pizza de café da manhã? — Dylan perguntou em tom alterado, logo em seguida começou a rir.

— O café da manhã é a hora mais importante do dia, precisa ser reforçado.

— Ual, eu percebi. — Disse ainda rindo. — E você Sebastian? Pediu o que? Uma lasanha de gino?

— Acredito que a causa dele não foi essa. — O garoto cujo o nome eu não sabia ainda, cruzou os braços em satisfação.

— Tudo bem, eu não pedi nada, mas vocês queriam que eu realmente acreditasse nisso? — Ele revirou os olhos, como eu costumava fazer.

— Mas e agora? Eles iram ficar sem café da manhã? — Kate perguntou.

— Sim... — Ele respondeu e Octavio estava quase chorando. — É brincadeira, é só os dois colocarem as mãos juntos e pedirem. Ela precisa de duas pessoas ou mais para poder conceber os pedidos. Talvez, eles fizeram isso para manter o minimo de companheirismo, vocês não virão muito disso por aqui.

Todos nós nos entreolhamos pensando se isso aconteceria também conosco. Imaginei quem seria o primeiro a se esquecer da equipe.

— Nós agradecemos toda a sua ajuda. — Disse.

— Não por isso. — Ele sorriu e por alguma razão fez com que minha cabeça começasse a doer.

Ele se virou e antes que pudesse voltar a sua mesa eu me levantei e disse.

— Mas eu nem sei o seu nome...

— Jake, acredito que você seja Kristen. — Ele deu de ombros.

Minha cabeça começou a doer ainda mais, e ecoar o que ele havia dito e ao mesmo tempo que imagens distorcidas e misturadas começavam a passar.

— Kristen? Seu nariz. — Dylan gritou.

Olhei para ele, ainda zonza e passei a mão sobre ele, pude sentir algo quente escorrendo, sangue. Eu estava acordada, sabia que meus olhos estavam abertos, mas ainda sim não estava enxergando o saguão, nem meus amigos, mas sim um garoto que aparentava ter uns 12 anos, ele sorria para mim enquanto a voz de Jake ainda ecoava na minha cabeça, até ouvir uma voz distante me chamando.

— Kristen, Kristen! — Sebastian dizia enquanto me chacoalhava.

Voltei a mim, e todos me olhavam assustados, sem entender o que acabará de acontecer.

— Ta legal, o que exatamente foi isso? — Kate foi a primeira a se pronunciar após um longo período em silencio (apenas na nossa mesa).

— Kristen, você esta bem? — Sebastian perguntou, ainda de pé ao meu lado.

Olhei para ele e senti que ainda estava com sangue escorrendo, passei o pulso para limpar, o que consequentemente acabou sujando meu pulso, havia esquecido que não estava usando uma blusa de manga comprida.

— Espera, pegue isto. — Octavio me entregou um lencinho que havia vindo junto com o seu café da manhã.

— Obrigada, Oc. — Consegui dar um sorriso fraco, olhei ao redor e todos estavam esperando que eu explicasse. — Eu não sei o que aconteceu, eu só... — Não sabia se deveria contar a eles sobre as visões que eu havia tendo desde que havia entrado lá. — Eu só tive uma dor de cabeça muito forte.

Em partes a dor de cabeça era verdade, mas ainda sim Sebastian olhou para mim como se soubesse que não havia sido apenas isso.

— Você ficou parada com os olhos abertos, como se estivesse hipnotizada enquanto seu nariz sangrava, foi macabro. — Lizzie disse enquanto dava um gole em seu suco de damasco azul.

— Realmente... Alias, ninguém mais diz macabro. — Sebastian riu.

— Lá vem o senhor palavras atuais. — Insinuei, mas sabia o que ele estava fazendo, estava fugindo do assunto por mim.

— Qual é, essa palavra sempre será atual e legal! — Lizzie disse enquanto riamos.

Tudo pareceu naturalmente normal novamente, exceto pelos meus pensamentos que insistiam em juntar peças para descobrir o que estava havendo comigo.

CONTINUAÇÃO PART 3

O que me fez rir disfarçadamente, mas Lizzie percebeu e bateu no meu braço com um sorriso de lado como quem queria dizer "eu percebi isso".

— Então nosso grupo é o Dannaus plexippus, mas afinal quem são os outros grupos que estão nele? — Kate perguntou.

Todos se entreolharam e começamos a procurar os números das mesas, algumas estavam tão distantes que mal dava para enxergar o grupo. Percebi que a mesa número 32 era a mesa de Jake, não demorou muito para notarem isso também.

— Olha, o grupo do ouvido sônico está com a gente. — Sebastian disse e apontou com a cabeça.

— Jake! — O repreendi.

Sebastian estava olhando para ele quando sua expressão mudou.

— O que foi?

Olhei para trás e Jake estava olhando diretamente para mim, será que ele havia escutado novamente?

— Tanto faz, pelo menos vamos poder ouvir tudo com ele no nosso grupo — Dylan riu.

Não conseguia ver graça sobre isso, quando diziam algo sobre seus "super poderes" algo me machucava, um sentimento ruim tomava conta de mim. Nem ao menos percebi que pensava isso enquanto nos encarávamos, por algum motivo seu olhar parecia triste.

Fiquei imaginando o que aconteceria agora, se lidar com um grupo de seis pessoas já era dificil, imagine com cento e vinte e seis pessoas, alguém certamente acabaria se matando e eu torcia para que não fosse nenhum de nós.

PRÓXIMO CAPÍTULO

De acordo com cada grupo tínhamos que formar uma fila nas cores do grupo maior, e por ironia a cor do nosso grupo era laranja (cor da borboleta monarca), não sabia se os outros grupos seguiam essa linha de cores também. A fila que deveria se formar alinhadamente acabou se tornando uma aglomeração, discussões já haviam começado.

— É, não vai ser nada fácil. — Kate deu de ombros.

— E não tem ninguém para colocar ordem — Sebastian disse olhando ao redor.

Todos os grupos estavam em uma discussão continua, não havia uma maneira de fazer com que todos parassem, mas eu podia fazer alguma coisa pelo grupo que eu estava, então tive uma ideia.

— Ah, tem sim! — Disse tentando soar confiante.

Passei por Sebastian que estava com os braços cruzados e me olhou assustado.

— E o que você vai fazer? — Perguntou em tom de deboche.

Apenas o olhei e sorri.

— Dylan, você me ajuda? — Dei um sorriso, que eu espero que tenha sido sedutor da forma que imaginei, mas pela cara que ele fez, acredito que sim.

— É claro! — Ele sorriu.

O que eu estava prestes a fazer? Não fazia ideia, mas ainda sim faria. Puxei Dylan pelo braço e sumimos no meio da multidão, o levei até perto de uma das paredes onde havia uma escada logo acima, que dava exatamente para a plataforma onde havia um dos microfones de anel posicionado.

—Você vai ter que me jogar até aquela escada.

— Te jogar? Você está louca? — Dylan perguntou indignado.

Revirei os olhos.

— Olha, você só vai ter que dar impulso. Quer ajudar nosso grupo ou não?

Dylan jogou a cabeça para o lado, porém concordou. Ele juntou as mãos e eu coloquei meu pé direito, pensei em perguntar se ele queria que eu tirasse meus sapatos, mas logo em seguida isso me pareceu sem sentido, então prossegui.

A primeira coisa que pensei antes de ser jogada para cima foi: Que as aulas de ginastica façam alguma diferença! Por mais que eu não tivesse praticado tanto quanto gostaria, ainda sabia calcular a distância exata e a velocidade do pouso e claro o quanto de impulso eu deveria tomar, o que já ajudava.

— Pronta?

— Não!

— Otimo. — Dylan sorriu e em seguida me jogou para cima.

Consegui me agarrar na escada de acordo com o planejado, a pergunta era e agora o que eu faria?

— Não olhe para baixo, Kristen, nem pense nisso. — Disse baixinho a mim mesma.

O que é claro, não resolveu muito, na maioria das vezes eu não me ouvia. Olhei para baixo e não pude imaginar que a escada estava tão alta daquela maneira, olhei para os conlitimistas e eles continuavam a discutir, ninguém nem ao menos notou uma garota pendurada em uma escada. Procurei pelo nosso grupo e Oc, Kate, Lizzie e Sebastian olhavam ao redor tentando nos procurar. Olhem para cima, pensei. Ainda que eu não quisesse que eles me vissem naquela situação, sem a menor ideia do que fazer. Comecei a sentir meu braço doer, sabia que não aguentaria segurar por muito tempo, eu tinha que pensar em algo para subir na escada.

— Kristen! — Ouvi Dylan gritando, mal dava para ouvi-lo já que eu estava tão longe e dezenas de pessoas gritavam ao mesmo tempo. — Tente... — Não ouvi.

— O que? — Gritei.

— Tente se balançar e com o impulso de uma cambalhota até a escada!

— O que? — Gritei espantada.

— Tente se...

— Eu entendi o que você disse, você só pode estar de brincadeira! — Minha voz já estava falha.

— Você consegue! — Ele pós a mão ao redor da boca para fazer com que o sol saísse mais alto.

Queria gritar, pedir para alguém me tirar de lá ou apenas me soltar e esperar com que Dylan me pegasse, mas claro que eram péssimas ideias, assim como todas as que eu tinha, assim como essa que eu estava colocando em prática.

— Não eu não consigo. Ele pensa que eu sou o que? Algum tipo de ginasta ou um super herói da primeira ordem? — Perguntei a mim mesma.

Por mais que eu achasse a ideia de Dylan pior que todas as que eu já tivera, me pareceu a única forma de fazer algo, sabia que meu tempo estava acabando, não aguentaria nem mais três minutos naquela posição, tinha que canalizar toda a minha força no impulso que garantiria minha salvação ou acabaria com a minha vida. Recuperei o folego e foi como se o refeitório todo tivesse ficado em silêncio, por mais que eu soubesse que não. A última coisa que ouvi foi a voz de Sebastian gritando meu nome, meus olhos estavam fechados e nem me atrevi a abri-los, comecei a me balançar, usei toda minha reserva de energia que restava, me balancei até sentir as pontas do meus dedos escorregarem e então, saltei em pleno ar, sabia como dar uma cambalhota, mas não sabia se conseguiria fazer isso a metros do chão, mas de alguma maneira consegui, não pousei perfeitamente como uma flor de lótus quando cai na água, na verdade, por mais alguns centímetros parte do meu corpo teria caído para fora da escada, tendo que me segurar com apenas uma das pernas, o que me levaria a morte certa. Quando dizem que em alguns segundos sua vida pode mudar drasticamente, em alguns centímetros sua vida poderia acabar drasticamente também.

Olhei para baixo onde Dylan sorria orgulhoso ao mesmo tempo aliviado. Ele me deu o maior suporte, ainda que tentasse convencer si mesmo de que eu conseguiria. Oc e Kate olhavam maravilhados diferentemente de Lizzie que me encarava chocada e preocupada, ainda que soubesse que agora estava tudo bem. Sebastian, bem, eu não sabia como poderia definir sua expressão, parecia surpreso ao mesmo tempo que estava com raiva, talvez?

Olhei para Dylan e sorri agradecendo-o, ele estava com as mãos nos bolsos e deu de ombros.

— O mérito é todo seu. — Ele disse baixo, como soubesse que eu faria leitura labial.

Voltei a me concentrar no plano, por mais que meu grupo estivesse prestando atenção em mim, o resto do grupo maior não. Olhei para cima e chequei se não havia nenhum colital, a plataforma estava completamente vazia, subi as escadas correndo e cheguei até onde o microfone estava. Sabia que utilizar o microfone não ajudaria em nada, o que eu diria? Parem? Aquilo estava uma bagunça, quem prestaria atenção? Ninguém. Então torci para que meu plano desse certo e eu soubesse o que estava fazendo. Comecei a desmontar o microfone até encontrar os fios que eu precisava, tinha que corta-los, mas não tinha nada pontiagudo em mãos, comecei a procurar algo que eu pudesse utilizar como faca, não havia anda lá. Até encontrar um parafuso um pouco solto na em uma mesa, corri até lá e comecei a tira-lo, demorou pouco mais de cinco minutos até ele finalmente sair, comecei a esfrega-lo na parede para que a ponta ficasse fina.

Ouvi um grito muito mais alto que o normal, corri até o parapeito para olhar, um pequeno grupo se formou ao lado de um menino caído no chão com muito sangue ao redor da cabeça, uma garota colocou a mão sobre seu pescoço e depois gritou em prantos que ele estava morto, poucos pareceram se importar, em quanto o resto continuava brigando. Corri até a parede e comecei a esfregar o parafuso ainda mais rápido, minhas mãos tremiam, sabia que precisava fazer isso logo, se não mais alguém morreria. Finalmente o parafuso parecia cortante, peguei o microfone e cortei o fio laranja,verde e preto, esperava que fossem os fios certos se não eu não saberia mais o que fazer. Quando encostei os fios um no outro, nada aconteceu, comecei a juntar virando-os, havia terminado, mas ainda nada havia acontecido.

— Droga! — Gritei e coloquei o microfone de volta na mesa.

Andei de um lado para o outro tentando pensar em algo, até perceber que para meu plano dar certo eu precisava de eletricidade, mas onde... Um pensamento me veio em mente.

— Meu cabelo! — Exclamei com um sorriso.

Mas claro que eu não podia passar os fios diretamente no meu cabelo, comecei a esfregar meus dedos no cabelo. Meu grupo me olhava lá de baixo, definitivamente pensavam que eu tinha ficado louca.

— Isso vai doer um pouco. — Disse a mim mesma e respirei fundo.

Quando segurei os fios com os meus dedos, o meu plano finalmente funcionou. Um som mais agudo que qualquer coisa que eu já havia ouvido tomou conta do lugar, o som era completamente ensurdecedor. Minhas mãos doíam por conta do choque e meus ouvidos queimavam, meus sentidos foram todos perdidos. Agora viria a parte mais difícil, conseguir soltar os fios que estavam presos aos meus dedos. Eu não sabia exatamente o que estava fazendo, era como se meus olhos estivessem fechando lentamente e infelizmente não foi apenas uma sensação, eles realmente estavam. Consegui focar novamente quando uma das janelas de vidro explodiu, comecei a gritar enquanto tentava soltar meus dedos, lentamente eles foram se afastando até que o microfone caiu das minhas mãos e pude ouvir o eco do som se esvaindo enquanto caia de joelhos. Olhei para meus dedos que estavam escuros, suor pingava do meu rosto, fiquei na mesma posição por uns três minutos, não conseguia nem ao menos me mover.

— Kristen! — Ouvi alguém gritar, mas parecia distante.

Não podia adormecer ou desmaiar agora, ainda tinha algo para fazer, se alguém não dissesse algo as brigas voltariam ainda maiores do que estavam e pensar que havia pedaços de vidro espalhados pelo chão me deu ainda mais motivos para me levantar. Consegui colocar um pé no chão, mas minhas pernas estavam tremendo muito e por isso me rastejei até perto do parapeito para ter algum apoio. Quando finalmente fiquei de pé novamente, pude ver que todos haviam parado de brigar e olhavam ao redor assustados e confusos, até uma garota olhar para cima e gritar.

— Olhem! Foi ela! — Gritou a garota que usava uma fita vermelha no cabelo.

Senti todos os olhares voltados para mim, eu nunca havia gostado de falar em público, na verdade, nunca havia falado. Isso me deixava muito nervosa e desconfortável, mas dessa vez era preciso.

— Você podia ter nos matado! — Uma garota parda gritou.

O que fez com que eu ficasse ainda mais nervosa, mas minhas mão não podiam tremer por isso, já que estavam tremendo por conta do choque. O que me fez pensar que se eu pude ter sido eletrocutada por tanto tempo, eu podia falar na frente daquelas pessoas.

— Me escutem! — Eu não fazia ideia do que dizer, algum discurso famoso, talvez? — Nós precisamos ficar unidos e não nós matarmos do mesmo jeito que esse lugar vai fazer conosco. Se nós não pudermos ajudar um aos outros, quem ajudará? O Estado?! — Queria poder falar mais alto, se minha voz não estivesse tão enfraquecida. — Se continuarmos com essa briga sem razão, mais de nós morreremos e o pior é que será pelas nossas mãos. E eu acho que nós já teremos muito sangue nelas, mesmo não querendo!

Parei para respirar enquanto tentava achar meu grupo no meio da multidão. Pude ver Dylan de braços cruzados, balançando a cabeça em sinal positivo e sorrindo. Oc sorria maravilhado com as mãos na cintura, enquanto Kate batia palmas e gritava essa é minha garota, porém era a única a fazer isso, o que me fez achar completamente engraçado. Lizzie também sorria para mim. Sebastian continuava com sua expressão séria e um olhar preocupado, queria entender porque ele era assim, afastei esses pensamentos quando percebi que todos ainda me olhavam.

— Ei bonitinha, se você não percebeu isso é uma competição e afinal, quem é você pra nos dizer o que devemos fazer? — A mesma garota parda disse e algumas pessoas em volta dela gritaram e deram um high-five.

Isso me fez esquecer qualquer coisa que estivesse pensando e perder minha sanidade.

— Sou a garota que subiu até aqui, quase caiu trinta metros e foi eletrocutada para que vocês idiotas parassem de se matar, então cale a boca!

Após isso um silêncio tomou conta do pátio, não sei como eu havia dito aquilo, mas antes que eu pudesse dizer outra coisa, todos começaram a gritar em comemoração. Suspirei de alivio.

Olhei para o meu grupo que se abraçava e outros grupos também, foi como se tudo estivesse em seu devido lugar novamente. Ver aquela agitação toda fez com que eu voltasse a lembrar da agitação do meu corpo, minhas pernas bambearam, me segurei bruscamente ao parapeito. Olhei para o meu grupo para pedir ajuda e antes que eu pudesse gritar vi um garoto com um estilhaço de vidro em mãos indo em direção a eles. Só consegui ver os olhos arregalados de Dylan enquanto caia bruscamente no chão com um pedaço de vidro na barriga e muito sangue saía. Só conseguir gritar, gritei tão alto que todos pararam a comemoração e ficaram em silêncio.

— Dylan! — Disse em prantos. — Alguém o ajude!

Sebastian estava afastado do grupo quando tudo aconteceu, ele estava indo na minha direção quando me ouviu gritar e olhou desesperadamente para trás e depois voltou a olhar para mim.

— Ajude-o! — Disse antes de cair no chão e apagar.