–Os cães do trovão são uma raça distinta dos humanos. Embora se pareçam com eles em alguns aspectos, são seres completamente diferentes. São poderosos meio-humanos, com orelhas, caudas e patas animais. Perigosos e assustadores, essa raça deve ser temida e seus indivíduos exterminados sempre que possível. — O pergaminho recém lido foi atirado na cara do garoto encolhido contra a parede. Esse mesmo sangrava abundantemente, o rosto transformado em uma massa disforme e um dos braços torcido em um ângulo estranho.

–Seu monstro! Aberração! Besta! Animal! – Eram alguns dos mais leves insultos gritados por um bando de crianças. Crianças. Apenas crianças, com não mais de 10 anos de idade, armadas de pedras e pedaços de madeira. E o menino encolhido contra a parede só podia soluçar e pedir piedade por ser quem era.

–Me... Me perdoem... — Ele sussurrou. – Eu só quero ir embora. Só quero ir para casa.

Uma gargalhada cruel veio do grupo que o cercava. Todas as crianças riam com prazer ao ver o sofrimento do pequenino. Não se sabe de qual delas era a tocha, mas ela voou e atingiu o garoto. As chamas lentamente se espalharam por sua roupa rasgada, para então consumirem rapidamente a carne da criança.

Sua última lembrança foi da dor. Excruciante, aterrorizante. A agonia não era comparada a nada que ele já tinha sentido.

–Por quê? – Ele perguntou baixinho. – Pai, mãe... Socorro.