O coveiro Blackhawk
1 Prólogo
Notas iniciais
Casa dos Blackhawk, Mystic Falls, Virginia.
11 de Julho de 1975, 7:43AM.
– Não acho que isso seja uma boa ideia, querido.
O suave sussurro de Camille Boulanger fez com que Luke despertasse, abrindo os olhos devagar, sem perceber que coçava ferozmente o recente ferimento em seu pescoço. Olhou para o relógio em sua cômoda e depois para a janela acima desta, e ao ver o sol brilhar, percebeu que dormira demais.
– Não se preocupe. — Camille continuou a dizer com seu sotaque francês. — Presenteei o seu pai com um excelente vinho ontem à noite, não acredito que ele vá nos incomodar tão cedo. Além do mais, hoje é domingo.
Algo que ela disse incomodou o púbere, mas o sentimento desapareceu tão rápido quanto surgiu.
– Ahn... Obrigado, amor. — Ele sorriu. — E bom dia. — Segurou o queixo de sua amada e a puxou delicadamente para si, com apenas uma camada fina de lençol separando os dois corpos.
Demorou alguns instantes para que Luke notasse o resultado de sua coceira inconsciente: ele havia arrancado a casca de seu machucado no pescoço e agora a sua unha estava com sangue, que havia sujado um pouco o queixo de Camille.
– Ah, merda. Me desculpe. — Preocupado, se dispôs a esfregar a pequena mancha da pele alva da francesa.
Camille sorriu graciosamente. Seus cabelos loiros pareciam refletir os raios de sol que penetravam a janela.
– Já mencionei que amo sua ingenuidade? — Ela segurou a mão suja de Luke e se sentou sobre sua cintura. Levou seus dedos aos lábios rosados e lambeu o sangue do rapaz sensualmente, os olhos fixos no mesmo, que soltou um suspiro excitado. — Amo também o seu gosto... — Ela soltou sua mão e inclinou-se sobre ele, plantando um beijo em seu abdômen. As mãos do rapaz acariciaram o seu cabelo. — Amo a sua pele... — Camille sussurrou entre chupões e leves mordiscadas na extensão do seu peito. Ela movia o quadril com movimentos lentos, seus lábios vorazes trilhavam rumo ao pescoço do seu amante. — Eu amo você inteiro.
Um suspiro em seu ouvido, e então a loira mordeu o seu pescoço.
Houve um segundo de dor, e então prazer intenso. Os braços do rapaz envolveram o corpo macio de Camille com firmeza à medida que seu quadril movia-se com mais intensidade. Luke sabia que a ferida em seu pescoço seria pior desta vez, e ele sentia que Camille também se importava com isso, mas nenhum dos dois estava ansioso para parar agora. A intimidade desse momento era algo que Luke jamais sentiria novamente com outra pessoa... Ao menos não com outra humana.
Os dois eram um só, tanto em carne como em alma. A mente inteira de Camille estava sendo aberta a ele, coisa quase palpável, à margem da própria consciência. Ele sentia todas as emoções dela e ambas as consciências se misturavam e adormeciam em frenesi.
Os lábios da vampira afastaram-se do pescoço do rapaz por apenas um segundo. Ela pegou uma faca ao lado da cama e cortouuma linha acima do próprio seio esquerdo. Luke sentou ereto e, levando uma de suas mãos ao pescoço da mulher, tomou o líquido escarlate sem hesitação.
A cama rangia violentamente.
Um gemido baixo escapou dos lábios de Camille e o mundo de Luke se desfez em fogo à medida que um novo vigor o preenchia; não havia mais problemas, dores, desilusões, ódio, preconceito, não havia doença e nem sentimentos inexplicáveis. Havia apenas Luke, Camille e um desejo inexprimível de um pelo outro para todo o sempre.
Para todo o sempre, para todo o sempre, e sempre...
O momento de delírio foi interrompido abruptamente quando a porta do quarto foi ao chão com um estrondo. Cego pelo prazer, Luke quase não reconheceu a figura na porta, que os encarava com o rosto retorcido em puro ódio e repulsa.
Kendra Smallwood fechou as mãos em um punho.
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