O coração que os olhos não veem

12 Mudança de um novo ciclo


Notas iniciais
E como prometido, capítulo novo ainda esse mês! Espero que gostem, boa leitura!

– Me chamo Tesra Lindocruz. O senhor Noitora me deu ordens para leva-la daqui.

– Noitora não é o responsável por mim.

– Não precisa ser, pois Aizen sama já consentiu com isso.

Apesar do medo ainda se alastrar no corpo da ruiva, a mesma tentava controla-lo, mantendo-se mais calma possível. Sabia que o nervosismo naquela situação não ajudaria, buscava agora compreender o porquê de Aizen enviá-la para outro lugar e, principalmente, por não ter sido Ulquiorra o escolhido para fazer isso. Ela sabia que esta situação estava muito estranha. Algo devia estar errado. Ele se referiu a Noitora como seu “senhor”, sendo assim devia ser algum fraccion do mesmo. O pensamento no quinto Espada invadiu o corpo da garota com temor. Sabia que o nome Noitora lhe era familiar. Ouviu aquele rapaz de cabelos azuis dirigindo-se ao seu agressor por este nome. Sim, realmente era ele. Noitora foi o responsável por agredi-la neste mesmo local sem nenhuma razão aparente. E o responsável também por ter feito Ulquiorra exalar aquela reiatsu tão assustadora quando a viu. Será que tudo aquilo já não foi o suficiente? Por que ele ainda não tirou os seus olhos dela? Afinal, que serventia mais ela teria para ele?

– Não, isso não pode ser verdade. Ulquiorra-kun é o único qu...- Interrompe sua própria fala ao notar o grande aumento da pressão espiritual emitida pelo loiro a sua frente. Ele estava perdendo sua paciência, e ela não queria piorar isso. Por um momento se deixou ser novamente dominada pelo medo.

– Você não tem direito de contestar nada que lhe é imposto aqui. Não passas de uma mera prisioneira, logo é melhor obedecer esta ordem, se não serei obrigado a usar a força.

A ruiva engole em seco. Isso só a lembrou mais uma vez de que não possuía voz naquele lugar, e sua única função é obedecer às ordens. Depois daquela ameaça não havia muitas saídas para Inoue, se não assentir com o que lhe foi imposto. Ela precisava segui-lo, mas suas pernas não a obedeciam. Apesar de não entender aquela situação, sabia que precisava se manter forte. Todos os seus companheiros estão dando o melhor deles, ela precisava fazer o mesmo. Porém, um pensamento correu em sua cabeça: será que Ulquiorra está ciente de tudo isso? Será que ele não fez nenhuma objeção a esta mudança, simplesmente aceitou ser substituído? Se entristece ao pensar nestas hipóteses, mesmo tentando convencer-se de que não foi isso que aconteceu. Contudo, algo muito maior dentro da garota insistia em lembra-la que Ulquiorra não sentia nada por ela. Ele não passava de um servo de Aizen que obedece suas ordens, não criando laços com seres que o mesmo julga inferiores como os humanos. Haveria ainda alguma chance de ele retribuir seus sentimentos? Sua confiança enfraquece um pouco, mas permanece firme no seu objetivo. Precisava encontrar-se com ele.

Notando que a garota não mais abrira a boca para contestar nada, reparou que finalmente ela havia reconhecido a posição que ocupava ali. Tesra então vira-se, dando as costas a ela e seguindo rumo ao local designado. Não gostava de fazer Noitora esperar muito, e imaginava que o mesmo já estaria impaciente com a demora.

– Me acompanhe.

Não demorou muito para chegarem a zona indicada. O loiro percorre com a visão todo o recinto aparentemente procurando alguém lá dentro. No instante momento em que a garota pisa no interior daquele estranho território, sua feição congela aterrorizada, fazendo-a esquecer totalmente do Arrancar ao seu lado. Agora, por alguma razão, sentia-se sozinha. Seu corpo era apenas mais um frente aqueles inúmeros cadáveres que a cercavam. A quantidade de restos mortais acumulados a sua frente era exorbitante. Muitos encontravam-se sem alguns membros, outros, em um estado que tornava-se difícil determinar se aquilo um dia já foi um cadáver. Os que não tinham espaço nas mesas eram apoiados em ganchos que se ligavam ao teto, em um perfeito cenário de assombração. Nunca ela havia entrado em um lugar como aquele antes. A cada metro que sua visão estendia-se ali dentro, o pavor em seu corpo ia crescendo. O pior de tudo foi lembrar que ela possuiria alguma finalidade naquele lugar, a qual tentava não adivinhar qual seria, pois ultimamente seus pensamentos não estavam muito a seu favor.

– Oh, então finalmente chegaram. – Dentre aqueles estranhos instrumentos e aparelhos os quais eram impossíveis para Inoue compreender seus funcionamentos, surgia um rapaz de corpo magro e vestes brancas, cor que dominava todos do Las Noches. Sua aparência seria comum, se não fosse por aqueles fios rosados que preenchiam sua cabeça. Apesar de chamativos, a atenção da garota foi direcionada para os olhos alheios. Pareciam demonstrar algum tipo de excitação com a chegada dela, fazendo-a congelar ao fitar as orbes amarelas por baixo do óculos.

– O senhor Noitora não se encontra? – Duvidoso, questionou Tesra ao novo integrante.

– Não, ele já se foi. Mas antes disse algo como “Tesra é muito incompetente para cumprir uma simples ordem sem me fazer esperar”.

– Entendo. Já esperado do senhor Noitora...

No segundo seguinte, Orihime nota um par de olhos dourados cruzando-se com os seus. Aquela mesma feição diabólica permanecia em seu semblante. Não demorou muito para perceber que o Arrancar estava caminhando em sua direção. A ruiva permanecia parada. Sabia que não conseguiria fugir daquele lugar, mais provável voltar a ser capturada caso tentasse, e quem sabe a punição que receberia pelo atrevimento. Szayel aproxima seu rosto da humana, inspirando o ar atenciosamente, como se estivesse tentando desvendar algum tipo de aroma que nem a mesma sentia. A verdade é que o único aroma que estava a dominar o ar era o de formol, sendo difícil conseguir distinguir qualquer outro diferente deste. Após sua estranha ação, o rosado volta a erguer-se, ajustando seus óculos sobre o rosto.

– Um cheiro interessante o seu. Realmente diferente dos outros daqui do Las Noches. É um prazer conhece-la Inoue Orihime, me chamo Szayel Aporro Granz e, de agora em diante, serei o responsável por você.

O quê?!

– Aizen sama me designou como substituto de Ulquiorra, logo passaremos agora a conviver bastante tempo juntos.

Não, não pode ser verdade

– Mas claro que isso não foi sem nenhuma justificativa. Você está aqui para contribuir com o meu mais novo experimento o qual será conseguir criar uma cópia perfeita de seus poderes e oferece-la a Aizen sama como reconhecimento de sua grandeza.

Aizen sama não precisaria de algo tão pequeno como isso. O processo de amadurecimento da hougyoku está quase completo e, fundindo-se com os poderes dele, qualquer desejo seu tornar-se-á realidade.

Esta voz foi capaz de surpreender todos do recinto. Ninguém havia sentido a presença de qualquer intruso, creram estarem sós, talvez por isso o choque tenha sido tão grande ao ouvir aquelas repentinas palavras. Instantaneamente, todos miram suas atenções para a direção que proveio o som, chegando, por fim, no Espada de maior posição entre os presentes.

– O que você está fazendo aq-...

– Ulquiorra-kun! – Era ele, finalmente ela pôde encontra-lo. Todo o medo esvaiu de seu corpo em instantes ao deparar-se com o moreno a sua frente. Analisou-o por completo. Sua pele, suas roupas, seus olhos. Realmente era ele. A pressão e a fraqueza não existiam mais nela. Poderia, finalmente, jogar-se aos seus braços, se não fossem aquelas mãos que seguraram rapidamente seu punho, a puxando para longe do Espada.

As orbes verdes do Espadas encontram-se com as da garota. A mesma segura o olhar dele como se estivesse a trazê-lo para mais próximo de si. Sua feição indicava claramente que ela não estava aceitando esta mudança, não era lá que ela queria estar. Ulquiorra pareceu ignorar o significado de seu semblante. Estava mais focado a examiná-la dos pés à cabeça, percorrendo com seus olhos cada extensão do corpo alheio. Ao notar isto, Orihime cora ligeiramente. Este não seria o momento para secá-la tão descaradamente como ele estava fazendo.

– Vejo que ainda não começou os testes com a humana.

Por um momento a garota arrepende-se do pensamento que tivera. É claro que ele não estava olhando-a da maneira que pensara. Desvia o olhar para baixo enrubescida, como pôde pensar nisto numa hora como essa?

– Então Aizen sama já lhe informou da mudança. Veio até aqui para despedir-se da garota? Se não for o caso peço para que se retire, preciso iniciar meu trabalho.

– Szayel, você realmente está impossibilitado de enxergar. É claro que você não conseguirá obter o resultado desejado. Aizen sama sabia disso desde o início, mas mesmo assim permitiu que realizasse os testes na humana. Nunca se perguntou o porquê disso?

A feição do rosado se altera ao ouvir aquilo. Seu rosto não apresentava mais aquele ar arrogante de minutos atrás, agora sentia como se estivesse embaixo de uma forte cascata, recebendo todo aquele peso da água em suas costas, prestes a ser levado ao chão, sem forças para se mover. Mas, no segundo seguinte, imediatamente aparenta ter superado esse medo passageiro. Sempre fora ousado, não seria agora que deixaria sua pesquisa de lado. Pensou consigo que o quarto só pode estar blefando, não havia provas que garantisse a veracidade daquelas palavras. Se existisse qualquer risco, ele próprio já teria notado.

– Se você não está aqui para dizer as últimas palavras a esta humana, provavelmente não terá outra chance. Irei explorar cada centímetro do corpo desta mulher, obterei amostras de cada órgão que a compõe, naturalmente não posso garantir que ela será a mesma. Aizen apenas me ordenou para não matá-la, mas não proibiu a retirada de partes de seu corpo. Alcançarei o meu objetivo, e não será você que vai me impedir, Ulquiorra!

O Espada nada responde. Após tudo o que ouviu, apenas retoma os seus passos em direção à porta.

– Ulquiorra-kun! Por favor, não me deixe aqui!

Estas palavras foram capazes de fazer o moreno interromper seu percurso, cessando os passos.

Orihime tentava se soltar, mas Tesra era mais forte ao segurar os seus punhos. Ela não desviava sua visão das costas de Ulquiorra. Ele era a única esperança que ela tinha. O mesmo ainda permanecia parado, sequer chegando a virar seu rosto na direção da garota. Ela ainda esperava alguma atitude dele, mas nada acontecia. Depois de um tempo voltou a caminhar, retirando-se do laboratório, e deixando a mulher que já fora sua responsabilidade agora nas mãos de um insano. A garota só processou que foi deixada para trás quando vislumbrou a porta fechando-se com ela ali dentro.

Por quê?

No corredor, os passos eram dominados por uma nova tensão. Seu corpo parecia carregar consigo uma fatigante carga sobre os seus pés. O ritmo permanecia invariável, mas a pressão exercida mudou radicalmente. Ulquiorra não é mais o mesmo de quando entrou naquele laboratório. Algo nele se alterou depois da conversa com o octava Espada.

Apesar de sentir seu corpo sendo pressionado por uma espécie de inconformação, sabia que não havia mais nada que pudesse fazer naquele momento. Do mesmo modo que não possui dúvidas sobre a autenticidade do que havia dito ao cientista, sabia que ainda assim Szayel recebeu ordens de Aizen, as quais ele não podia interferir. Pensou consigo que não apenas os humanos, mas os próprios Espadas eram regidos pela escuridão de não enxergarem a verdade. Por mais que ela estivesse em frente aos seus olhos, não conseguiriam avistar.

Não passam de lixo

...

– Xeque-mate.

– Acho que hoje foi o seu dia. Estamos em uma disputa acirrada já que nosso número de vitória está praticamente o mesmo.

– Isso não durará muito. Logo minhas vitórias superarão em grande escala as suas.

– Você diz isso desde o nosso primeiro empate, a meses atrás.

As partidas de xadrez se tornaram comum entre Barragan Luisenbarn e Kaname Tousen, os únicos naquela fortaleza que possuíam interesse neste jogo. Apesar de estarem no meio de uma guerra, com invasores adentrando neste exato momento em várias zonas do Las Noches, mantinham-se calmos. Uma vez que Aizen ainda não ordenou qualquer função para eles, não havia razão para travarem lutas desnecessárias. São confiantes em seus poderes, não existindo o mínimo motivo que os faça temer qualquer ameaça.

Após a partida ser finalizada, Tousen consegue notar a presença de Ulquiorra, o qual percebe que o mesmo se dirige a sala do único indivíduo temido por todos dali. No fundo, o shinigami não simpatizava com este determinado Espada. Não que fosse devido a sua personalidade, uma vez que dos 10, ele era um dos poucos que não descumpria a ordem de manterem-se em silêncio nas reuniões, o que sempre foi rigorosamente aspirado por Kaname. Talvez a explicação seja devida alguma espécie de inveja que ele nutria, por presenciar um reles Espada com tamanha proximidade de seu superior. Não era novidade todos em Las Noches saberem que Ulquiorra é o Arrancar mais próximo de Aizen, sendo chamado pelo mesmo de “servo fiel”. Esta aproximação nunca foi totalmente aceita por Kaname, o qual permanece a desconfiar do Espada.

– Mais uma vez ele indo ver Aizen sama. Como pode se sentir no direito de entrar em seus aposentos quando bem entender?

– Eles parecem estarem a tratar de algo importante. Os encontros de Ulquiorra com Aizen estão se tornando mais frequentes que o normal.

– Não seja insolente! Refira-se a Aizen sama como seu superior, não como um igual!

– Nunca o aceitei como o meu superior, e não será agora que o farei.

...

A porta do ambiente que encontrava-se o shinigami, agora rei do Hueco Mundo, é aberta. O mesmo parecia estar esperando pela vinda do quarto Espada. Não demorou muito para vê-lo curvando-se a sua frente, em um reconhecido sinal de respeito, já imaginado de seu servo fiel.

Pois não, Ulquiorra?

Notas finais
Espero que possam ter gostado. Por favor, não pensem que sou muito dura com nossa Hime, sabemos que ela está lá como uma prisioneira e os Espadas não são todos generosos e piedosos. Peço para que aguardem um pouco mais para a cena do esperado beijo, pois faço cumprir aquela frase "O melhor fica para o final" haha :)