O coração que os olhos não veem
18 A compreensão do coração
Notas iniciais
Ansiedade, nervosismo, incerteza, tentação. Aquela mistura de sentimos deixava Orihime confusa. Não sabia se era o certo, não sabia devia fazer aquilo. Porém uma certeza invadiu o seu corpo: ela já esperou demais. Depois de tudo o que passou, não podia fugir desta vontade. Buscou atrasa-la, porém ela sempre voltava, e cada vez mais forte em seu corpo.
O silêncio reinava naquele aposento. Pela primeira vez, Inoue Orihime e Ulquiorra Schiffer comunicavam-se sem usar palavras. Seus desejos profundamente encobridos davam seus primeiros sinais. A negação do Espada era fraca, a tentação tornava-se maior. Aquela humana lhe propiciava sempre uma nova descoberta. Como nunca se sentiu assim antes?
Seus lábios eram levados pelas amarras do desejo, encaixavam-se em toques gentis e bruscos intercalados. O beijo tornava-se mais sagaz, e com ele o desejo em explorar outras áreas do corpo alheio. Aquela mulher a sua frente o despertava uma curiosidade peculiar: até aonde ela poderia surpreendê-lo?
Segurando forte a cintura da garota, Ulquiorra a puxa para junto de si. Sentia que quanto mais próximo aquele corpo do dele, melhor a sensação que o trazia. A permanente distância entre eles foi quebrada. Não era mais necessário encarar aquele corpo todas as vezes que a visitava, agora podia, finalmente, senti-lo contra sua pele.
Em um impulso, Ulquiorra a joga contra a parede, enquanto com as mãos afastava os fios acobreados do pescoço da garota, descendo os seus beijos para este novo local. Sentia nos seus lábios a pele sedosa da jovem, a qual ligeiramente tornava-se vermelha com os toques intensos que Ulquiorra proporcionava. Orihime engole sua timidez e dá espaço à cobiça. Ansiando enxergar tudo o que aquelas roupas a impediam de ver, a ruiva desce lentamente o zíper daquele traje branco, deparando-se com um corpo escultural e definido.
O moreno não importa-se com a investida da humana, dando continuidade aquele momento e jogando ao chão suas vestes superiores. Tocando naquele peitoral, Inoue sente a pele alva, porém gélida do Espada. Contrastando fortemente, a tatuagem negrume se realçava perante seus olhos. Passou a descer os seus dedos sobre ela, lembrando-se novamente com quem estava. O Cuatro Espada. O servo mais fiel de Aizen Souzuke.
Observando aquilo, Ulquiorra afasta-se da humana.
– Eu não devo.
Orihime o observa confusa.
– Ulquiorra-kun?
– Isto aqui não tem sentido nenhum. Eu não consigo encontrar uma razão para o que fazemos, a única razão que eu consegui chegar, é a que eu mais quero evitar. Estes desejos, nunca os senti antes. Após te conhecer, eles passaram a surgir. Mas o meu dever é exatamente este. Como servo de Aizen sama, não posso permitir que uma simples humana seja capaz de me tentar. Isso... é inaceitável.
Por um momento, a ruiva lamenta-se pelo que fez. Amaldiçoou por não ter previsto isso. Afinal, Ulquiorra não era qualquer Espada. Ele era o único que honrava o seu mestre, e jurou lealdade a ele. Odiava ter que admitir que de tantas pessoas, ele foi o único que ela amou. Mas afinal, por que um Espada? Mais uma vez ela decidia pelo caminho do sofrimento. Porém, esta lamentação não durou muito. Inoue lembra-se que não é mais aquela garota chorona e fraca de antes. Dessa vez, ela precisava lutar pelo que deseja. Dessa vez, precisava deixar de sonhar e passar a tornar realidade seus anseios. Sempre acomodou-se por trás de pessoas que trilhavam seus próprios caminhos. Uryuu Ishida, Yasutora Sado, Rukia Kuchiki, Kurosaki Ichigo, todos os seus amigos lutavam para alcançar seus objetivos. Afinal, eles estão aqui no Hueco Mundo para salvá-la, mesmo sabendo que talvez não consigam. Esta confiança também precisa estar dentro dela. Pode ser mínima suas chances de vitória, mas ela precisa tentar. Queria ser a única a penetrar no muro de concreto que isolava o coração dele.
Não podia deixar Ulquiorra escapar, novamente, entre seus dedos.
– Você está errado.
O Espada pausa sua caminhada, permanecendo de costas para ela.
– O que disse?
– Você está errado.
Nenhum resquício de medo em sua voz. Algo naquela mulher incitava Ulquiorra a querer ouvi-la. Aquelas palavras pareciam prender a sua atenção como um ímã o qual não era capaz de soltar-se.
– Por que você diz isso, mulher?
– Você busca explicação para algo inexplicável. Você se nega as suas vontades por medo de tornar-se menos hollow. Você faz cumprir todos os desejos de Aizen, mas se recusa aos seus próprios. Você teme as consequências de Aizen, mas é por não confiar em si mesmo para enfrenta-lo. É por acreditar nisso que você está errado.
Repentinamente, Orihime sente o toque brusco da mão alheia envolver a sua garganta e pressioná-la contra a parede. Ulquiorra a olhava com olhos de uma besta sedenta para atacar. Aquele olhar parecia devorá-la aos poucos. Naquele momento, havia se tornado outra pessoa. Ele não queria ouvir mais nenhuma palavra sair da boca daquela humana. Recusava-se em acreditar no que ela estava dizendo.
Por um momento, Orihime assustou-se com aquele novo Ulquiorra a sua frente. Nunca o viu com uma expressão tão assustadora. Apesar de sua aparência ser a mesma, os seus olhos a encaravam de uma forma diferente. Aquela mão permanecia apertando a sua garganta, porém ela sentiu que ele tentava conter a sua força. Como se desejasse feri-la, mas não permitisse fazer isso. Inoue respirou fundo e tentou manter a calma, mesmo naquela circunstância.
– Eu também já procurei explicação para esses desejos em mim. Pensei que estava errada, tentei tirar isso da minha cabeça, mas nunca fui capaz. Por mais que eu tentasse, não conseguia encontrar uma razão para esta nova sensação que brotou em mim. Até que eu consegui decifrá-la. Pela primeira vez, eu percebi que o amava. Isso sempre foi confuso para mim, pois sempre acreditei amar o Kurosaki-kun, logo eu nunca cogitei a possibilidade de amar você. Mas toda vez que estou ao seu lado, eu sinto que, na verdade, nunca cheguei a amar o Kurosaki-kun. Todo esse tempo, era você que conseguiu preencher o meu coração, e não ele.
A garota pousava a sua mão sobre o rosto do Espada. Sentindo aquele toque gentil, Ulquiorra retira sua mão do pescoço da prisioneira. Aquilo que ouviu, por mais inaceitável que pareça, fazia sentido para ele. Depois de ouvi-la, seus olhos passaram a enxergar uma realidade diferente, algo que nunca enxergou antes, dessa vez, dentro de si próprio. Ainda perdido em seus pensamentos, o moreno é pego de surpresa quando sente o toque terno da garota sobre o seu peito.
O verde mortífero de seus olhos abria espaço para um verde sereno e calmo. Aquele toque o fez encontrar a resposta de seus constantes questionamentos.
O coração.
Ergue novamente a sua mão em direção da ruiva, porém dessa vez a pousa sobre o seu peito. Aquele pequeno gesto a fez compreender que Ulquiorra havia, finalmente, aceito os seus sentimentos.
Lentamente, ainda com a mão pousada sobre o peito da mulher, ele começa a abrir suas vestes. Orihime, pela primeira vez, sente o toque gélido do Espada sobre seus seios, fazendo um arrepio percorrer todo o seu corpo. Recusando-se a permanecer parada, ela apoia sua mão sobre a nuca do rapaz, o puxando para si, e iniciando um beijo ardente com o responsável por dominar suas vontades. Sente em sua boca o toque úmido da língua alheia, a qual trabalhava com mais força, intensificando a carícia entre os dois.
As mãos do Arrancar passavam a apalpar o vasto seio da mulher, enquanto a acompanhava para próximo do sofá, deitando-a nele e ficando por cima dela. Seduzido pelas saliências daquele corpo, o Schiffer desce a sua atenção para os seios da garota, abocanhando um, enquanto o outro ele brincava com os dedos em seu mamilo. O toque molhado e calmo de sua língua sobre o seio da garota a fez soltar um gemido curto, porém intenso, o que motivou o moreno a aumentar suas investidas nela.
Enquanto a garota se perdia naquela sensação prazerosa, Ulquiorra descia sua boca sobre a barriga da mulher, a medida que empurrava as vestes dela para baixo, por fim as tirando totalmente do corpo. Apertava forte a coxa voluptuosa da ruiva, à medida que a sentia mais quente. Seus corpos suavam, o local tornava-se mais abafado, porém em nenhum momento isso chegou a incomodá-los.
Sua língua deslizava pela barriga da garota, sentindo o gosto doce daquela pele a qual tanto cobiçou em sua mente. Por fim, toca na roupa íntima de Orihime, enquanto com seu olhar inexpressivo passou a encara-la. Nota que o rosto da garota se tornara mais rubro desde que recomeçaram aqueles toques. Apesar de constrangida, ela o dá permissão para continuar, o que foi captado pelo moreno. Nesse momento, Ulquiorra começa a descer a calcinha da mulher e, com a mesma expressão em seu rosto, ele passava a adentrar com seus dedos aquele órgão, de forma calma.
Ao sentir aqueles toques em sua intimidade, Orihime arfava reiteradas vezes. Aquilo a estava despertando um prazer bom, nunca sentido antes. Penetrava seus dedos no interior da garota, fazendo movimentos calmos com eles, a medida que o ritmo ia aumentando aos poucos. Sentiu um líquido transparente escorrer por sua mão, o que o motivou a dar continuidade com aquilo, até perceber o interior da jovem totalmente molhado. Os gemidos da garota o excitavam de uma forma desmedida, não demorando para o moreno retirar as suas calças e jogá-las ao chão, igualando-se a ela.
Ainda arfando com aquela mistura de sensações que acabou de passar, Orihime ergue suas costas do sofá e, como se quisesse compensá-lo por aquilo, fica de quatro em frente a ele, descendo a sua cabeça até o membro do rapaz. Ulquiorra a observa, calado, até sentir as mãos delicadas da jovem sobre seu membro, não demorando para o toque úmido da língua dela captar toda a sua atenção.
Ela movimentava sua mão de cima a baixo, enquanto depositava pequenas lambidas na extremidade superior. Aquelas repetições estavam consumindo todas as forças do Schiffer, até ele não suportar tamanho prazer, soltando um gemido rouco e prolongado pelo ar. Era uma sensação indecifrável, porém impossível de recusa-la. Aquela humana o estava tentando como nunca antes, o despertava seus mais profundos desejos, fazendo-o desfazer de toda a racionalidade, e apegar-se aos instintos mais selvagens que seu corpo era capaz.
Sua respiração foi tornando-se mais rápida, enquanto deixou de ser silenciosa como antes. Arfava reiteradas vezes, enquanto sentia a garota abocanhar todo o seu membro e repetir movimentos de sobe e desce com sua cabeça. Aquilo estava consumindo o corpo de Ulquiorra em uma intensidade nunca sentida. A garota, por fim, pausa suas investidas, e encara o moreno em seus olhos. Igualmente excitada, Orihime envolve os seus braços nos ombros alheios, e o puxa para próximo dela, deitando-se novamente no sofá embebido.
Enquanto voltavam a saciarem seus lábios, foi automático o toque do membro do rapaz sobre as coxas da jovem. Suas línguas trabalhavam com mais força, os desejos deles aumentando a cada segundo. Os corpos quentes chocavam-se em uma mistura de sensações, até o ponto de eles não conseguirem esperar mais nenhum segundo. O desejo foi maior.
Aos poucos Ulquiorra vai encaixando o seu membro sobre a intimidade de Inoue. Esta, apesar de totalmente ávida, sentia um medo natural do que iria sentir naquele momento. A medida que o pênis dele penetrava em sua vagina, a dor foi surgindo e envolvendo todo o corpo. Percebendo isto, Ulquiorra pausa o que fazia.
– Não precisa ser agora.
– Não, mas eu quero que seja.
Ouvindo aquilo, ele percebe a aceitação da ruiva com ele, e em como ela está sujeita a passar por tudo, apenas para tê-lo junto a si. Aquilo só confirmou o que ele já sabia sobre ela. Esta humana não é fraca.
Dando continuidade, ele volta a adentrar o seu membro no interior da garota, de forma calma, porém firme. A dor permanecia, porém, aos poucos, Inoue sente ela diminuindo. Não soube explicar se a dor realmente diminuiu, ou é porque acostumou-se com ela. Ulquiorra a penetra totalmente e, calmamente, inicia os movimentos de vai e vem com seu corpo, enquanto percebe o interior da jovem mais úmido, facilitando o deslize por ele. Aquela sensação consumiu o corpo dos dois, sentiam o prazer circular em cada veia de seus corpos. Pela primeira vez, Orihime pode ver a mudança na feição inexpressiva do Espada. Agora era claro o quanto aquilo também era prazeroso para ele.
Suas respirações desordenadas aumentavam a cada instante. Aos poucos o moreno depositava mais força em sua penetração, e tornava o movimento mais rápido. A velocidade aumentava a medida que o prazer se expandia. Os gemidos da garota tornaram-se mais altos, enquanto seus corpos suados permaneciam unidos em uma intensidade única. A medida que Ulquiorra pressionava seu membro mais a fundo na garota, a sensação melhorava, até chegar ao ponto que ambos gozam de forma uniforme, chegando ao ápice do prazer que eles dois eram capazes. Olhavam nos olhos um do outro, enquanto sentiam que a satisfação havia sido mútua.
...
– Eu ainda não acredito que fizemos isso. – Dizia Inoue, apoiada sobre o peitoral semi desnudo de Ulquiorra. Eles vestiam alguns de seus trajes, encontrando-se, agora, sentados ao chão, encostados sobre o sofá.
Como de se imaginar, nenhuma palavra saía a boca do Espada. Aquilo, em uma outra circunstância, deixaria Orihime magoada, porém ela passou a compreendê-lo, mesmo no silêncio. Sabe que, assim como ela, aquele momento foi igualmente proveitoso para ele, o que a fez sorrir sozinha.
– Seus companheiros devem estar se aproximando daqui, a qualquer momento. Mesmo sabendo que você ainda quer vê-los vivos, saiba que não deixarei eles a levarem.
Aquilo não era uma surpresa para Inoue. Ela sabia que, apesar de tudo o que passaram, a realidade sempre dá suas caras, e voltava a encarar o conflito de interesses. Seus amigos, seus inimigos. Seu falso amor, sua nova compreensão. Seu falso inimigo, a nova compreensão do seu amigo. Mesmo com toda a força que obteve, este conflito permaneceria, mas ela não permitiria sofrer novamente por isso.
Agora, mais do que nunca, era preciso aceitar a realidade.
– Ulquiorra-kun, você acredita em reencarnação?
Ele passou a observá-la, confuso.
– Bem, eu não acredito, mas imagino o quão incrível seria se tivéssemos uma nova chance de viver tudo de novo e, dessa vez, de forma diferente. Talvez fossemos colegas de faculdade, talvez tivéssemos o mesmo emprego, ou talvez nos conhecêssemos em alguma viagem pelo mundo... em todos esses casos, independentemente de como seriam as nossas vidas, ou de como nossos caminhos se cruzariam... você continuaria a ser o único capaz de preencher o meu coração.
Os olhos prateados encaram o rapaz, como se estivessem sorrindo para ele, de uma maneira que ele conseguia captar mesmo sem enxerga-la. A garota segura a mão do Arrancar, entrelaçando os seus dedos, e aperta-a junto a si, de forma forte e segura.
– Não importa se nossas vidas se cruzarão novamente algum dia. Não importa o momento que isso venha acontecer, ou a forma que isso venha a acontecer. Eu estou com você agora, isso é o que importa para mim. E será aqui, onde as nossas mãos estão se tocando, que você sempre irá permanecer, e nem a morte poderá mudar isso.
Ouvindo aquilo, Ulquiorra aperta sua mão com a de Inoue, sentindo o toque que tanto desejou naquela humana. No fim, ela foi a única capaz de fazê-lo compreender sobre o coração, e a retirar todo o sofrimento em sua alma. Finalmente não estava mais só.
– Obrigado, Inoue Orihime.
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