O coração de Isabela.

28 Capítulo 28 - Será que ele poderia ver de novo?


Era domingo e eu estava na cidade, estava passando alguns fins de semana com o Raul e ele estava morando na minha antiga casa, o que era muito bom porque eu ainda tinha meu quarto. As vezes a Manuela também vinha passar o fim de semana para poder ver o Joaquim e passar um tempo com ele, mas de vez em quando ele também ia no vilarejo para ver ela.

Estava bom morar no vilarejo com todos que eu gosto, mas eu ainda sentia falta da vida de luxo que eu levava na cidade, então eu matava a vontade nesses fins de semana que eu passava aqui. A Laura ainda trabalhava aqui na casa como empregada, então podia pedir o que eu quisesse.

Eu estava tendo aulas de canto de novo e ainda estávamos decidindo como iria ficar as duas bandas, e com isso dava tempo de eu conseguir cantar. Eu tinha dado um avanço muito bom, parecia que aquela barreira que sempre me impediu de cantar não estava mais lá.

Essa semana seria o casamento da Marina com o Ofélio e na semana seguinte seria o julgamento da Regina, várias emoções.

O namoro com o Téo estava perfeito, era a primeira vez que eu namorava e quando eu estava com ele me sentia nas nuvens, acho que nunca fui tão feliz. A única coisa que poderia fazer eu ficar mais feliz era se pai estivesse aqui comigo.

Com o Omar também estávamos conversando mais, apesar de eu ainda perceber que ele não chegava perto quando eu estava com Téo. Mas eu entendia, devia ser difícil para ele.

Já fazia um tempo que eu estava planejando conversar com o Raul sobre o Téo. Ainda não falei sobre isso com o Téo, mas estava pensando em olhar se ele poderia fazer a cirurgia para poder ver de novo. E eu sabia que esse assunto era uma coisa delicada de conversar com o Téo, mas eu só queria o bem dele.

Era noite e eu estava com o Raul na sala.

— Padrinho, queria conversar sobre algo importante com você. – Eu tomei coragem para falar.

— Claro Isa, pode me falar. – Ele disse sorrindo para mim.

— Então, você sabe que o Téo tem deficiência visual, e uma vez ele me disse que poderia fazer uma cirurgia, mas como era muita cara, e ele não podia pagar, acabou não fazendo. Você sabe se tem alguma?

— Olha Isa, hoje em dia a ciência está muito avançada então pode ser que tenha solução sim, mas eu precisava que ele fosse no consultório para eu fazer alguns testes, tem um médico amigo meu especializado nisso. Se você quiser ir com ele lá um dia essa semana, é só me avisar.

— Claro que eu posso levar ele. – Fiquei animada, mas ele ainda ia ter que concordar. – Vou conversar com ele e te ligo quando souber que dia podemos ir.

— Combinado. – Ele disse.

Mais tarde o Damião me levou de volta para o vilarejo, eu contratei ele de novo para ser meu motorista, principalmente agora que eu estava indo e vindo da cidade.

Quando cheguei fui direto até a casa do Téo, já queria conversar com ele, não podia perder tempo.

Bati na porta e a Dona Fiorina atendeu.

— Oi Isabela, tudo bem? – Ela sorriu para mim, ela ficou muito animada quando descobriu no meu namoro com o Téo.

— Estou bem sim. O Téo está?

— Está sim, quer entrar para falar com ele?

— Ele pode vir aqui fora? Prometo que não vamos demorar.

Ela assentiu.

Fiquei esperando e ele apareceu na porta e eu dei um selinho nele.

— Oi. – Eu disse sorrindo e ele sorriu. – Vamos conversar lá na praça?

— Vamos. – Ele me deu a mão e fomos até a praça.

Chegamos lá e sentamos em um dos bancos.

— Eu queria falar algo importante para você, então tenta não ficar chateado.

— O que é? – Ele estranhou.

— Então, não sei se você se lembra, mas há um tempo, quando eu ainda estava no lugar da Manuela, eu conversei com você sobre você fazer uma cirurgia para poder ver. – Ele ficou mais sério, sabia que esse assunto era complicado de conversar com ele, mas era agora ou nunca. – Hoje eu conversei com o meu padrinho e ele me disse que tem uma grande possibilidade de ter sim uma cirurgia.

Eu fiquei esperando ele responder, ele parecia tenso.

— Mas eu disse que é muito cara, meus pais não podem pagar. – Ele disse.

— Eu posso pagar para você. – Ele soltou a mão da minha.

— Não posso pedir para você fazer isso Isa.

— Mas eu quero, é para o seu bem. – Eu peguei a mão dele de novo. – Por favor, vamos tentar ir lá pelo menos.

Ele pensou um pouco e finalmente disse:

— Tudo bem, mas por enquanto só vou fazer os exames.

— Ok. Vamos na quarta, pode ser?

Ele concordou e depois foi embora porque eu tinha falado para a mama dele que não iriamos demorar.

Os primeiros dias da semana passaram devagar, e eu percebi que o Téo estava meio calado, ele devia estar nervoso como eu.

Na quarta eu pedi para o Damião levar a gente. O Téo não falou nada em todo o percurso para a cidade. Ele pediu para eu não falar nada com a família dele por enquanto, só quando soubéssemos se daria para fazer.

Chegando no hospital o Raul pediu para eu ficar esperando que ele ia chamar o Dr. Carlos, seu amigo.

Quando o Dr. Carlos chegou e explicou os procedimentos, o Téo aparentou ficar meio triste. Acho que ele ficou com medo de que saíssemos de lá com más notícias. Então segurei a mão dele bem forte e lhe dei um beijo no rosto, isso fez com que ele sorrisse, aquele sorriso lindo e meigo dele.

— Então vou dar uma examinada no Téo e assim que acabar eu falo com vocês.

— Cetro, mas isso vai demorar? – Perguntei porque não estava disposta a ficar ali o dia todo.

— Não se preocupe, prometo que vou ser o rápido possível. – Ele Disse sorrindo.

Segurei a mão do Téo de novo e disse da maneira mais serena que pude:

— Escuta Téo, não tenha medo. Vou te deixar um pouco sozinho com o Dr. Carlos, mas prometo que vou estar te esperando na porta quando a consulta acabar. – Quando disse isso, lhe dei um selinho, para ele saber que eu estava falando sério.

Uma enfermeira veio e levou o Téo para a sala de exames.

Quase quatro horas, eu contei. Foi um tempo infernal de espera, eu não aguentava hospitais, parecia que eu ia entrar em pânico a qualquer momento. Ficava andando de um lado para o outro.

Finalmente o Téo saiu acompanhado da enfermeira e eu logo fui recebe-lo. Dei-lhe um beijo que deve ter demonstrado minha preocupação, porque quando nos separamos ele me olhou preocupado também.

— Ei calma, eu estou bem. — Ele disse tentando me acalmar, e como sempre, conseguiu.

— Só fiquei preocupada com a demora, não aguentava mais te esperar sem saber de nada. — Disse me justificando.

— Agora só vai demorar um tempo até sabermos os resultados. – O Dr. Carlos nos disse.

— Está tudo bem mesmo? – Eu perguntei para o Téo, não estava conseguindo decifrar a expressão dele.

— Está sim.

— Podemos ir embora agora? Não aguento mais ficar aqui. – Eu disse para eles e eles concordaram.

Antes de ir passei na sala do Raul para despedir, ele combinou comigo que eu iria de novo esse fim de semana para a cidade, eu ia escolher um vestido para usar no casamento.

Voltamos para o vilarejo e o Téo não parecia tão nervoso quanto antes, acho que o doutor conseguiu passar confiança nele. Eu não sabia muito o que fazer, nunca soube muito bem como fazer as outras pessoas se sentirem melhor. Mas queria fazer algo.

Quando paramos na casa dele eu desci do carro para despedir.

— Téo, não fique preocupado, vai dar tudo certo. Confia em mim. – Eu disse segurando na mão dele.

— Eu confio plenamente em você. – Ele me deu um beijo mais demorado e meio urgente, sabia que ele estava tentando ficar calmo com isso tudo e eu também estava tentando ficar calma para não estressar ele ainda mais, mas estava difícil para nós dois.

Notas finais
Bom, acho que esse é outro capítulo muito esperado. Desde que a Isabela (ainda se passando pela Manuela) disse que pagaria a cirurgia para o Téo ver eu já estava pensando nesse capítulo. Já escrevi ele há algum tempo e estava ansiosa para postar e ver a reação de vocês nos comentários, espero que vocês gostem! Mas isso é só o inicio, ainda tem alguns problemas que vão atrasar a cirurgia... E também gostaria de fazer um agradecimento à uma das leitoras da fic que tomou a iniciativa de vir falar comigo sobre algumas partes que ela tinha escrito e gostaria que eu colocasse na minha fic, então inclui só nesse capítulo um pouco do que ela escreveu na parte em que a Isabela vai no hospital com o Téo, com algumas alterações minhas. Desculpe por não poder colocar mais, mas como eu já tenho a fic escrita até quase o final fica difícil incluir. Muito obrigada Vitória por ter se animado tanto com minha fic! Você é muito fofa! Obrigada a todos por lerem e acompanharem! Tenham uma ótima semana e até o próximo capítulo! Beijos!