O coração de Isabela.
14 Capítulo 14 – Novo amigo.

No outro dia estava na praça sentada sozinha tomando uma lata de suco e a Sabrina chegou e jogou um pouco de sorvete em mim me provocando.
— Nossa, desculpa, não te vi aí! – Ela disse sarcasticamente e eu me levantei do banco.
— Não mexe comigo Sabrina.
— Você está sozinha aqui porque brigou com seus amiguinhos... Tadinha da Manuela! – Ela riu. – Você vai perder eles para mim, eles não querem mais saber de você, e o Téo vai ser meu.
— Eu disse para não mexer comigo. – Eu peguei a minha lata de suco e derramei todo nela. – Desculpa, não te vi aí! – Eu disse provocando ela também.
— Nossa Manuela, eu não fiz nada, só queria conversar com você. – Ela disse com uma voz e um olhar de piedade e eu estranhei, porque de repente ele começou a agir assim?
— Manuela porque você fez isso com ela? – Eu virei e o Mateus, o Téo e a Dóris estavam lá, eu entendi porque ela se fez de coitadinha.
— Ela que me provocou primeiro, vocês sabem que ela é má.
Eles não pareceram acreditar em mim, principalmente o Téo que parecia muito magoado. O Mateus então disse:
— A Sabrina quer mudar, ela disse para a gente. E como vimos com você, as pessoas podem mudar muito. – O Mateus me disse. Nossa, essa doeu.
— Se querem acreditar nela, tudo bem, nem ligo. – Disse e saí andando.
Quando vi o Omar estava olhando tudo e rindo.
— Falei que você ia perder eles para a Sabrina. O que você acha de nos juntarmos para vingar dela?
— Não quero ficar de brincadeiras Omar. – Eu disse indo para casa.
No dia seguinte depois da aula o Omar veio de novo falar comigo, acho que agora que a Sabrina não está mais amiga dele ele está se sentindo sozinho e não me deixa em paz, então eu resolvi dar uma chance, não tinha mais nada a perder mesmo.
— Manuela, vamos lá no sítio do meu pai hoje?
— Pode ser.
— Sério? – Ele pareceu surpreendido.
— Sim, eu passo lá à tarde.
Ele pareceu animado.
A tarde me arrumei e fui encontrar com ele. Ficamos sentados na varanda.
— Aqui é muito bonito. – Eu disse para ele.
— Não acho tanto, prefiro a cidade.
Eu nem respondi mas eu também preferia.
— A gente podia fazer alguma coisa com a Sabrina e os seus antigos amiguinhos para eles se arrependerem de ter abandonado a gente.
— Você só pensa nisso Omar? Em vingança? Você não tem nada melhor pra fazer da vida né.
Ele pareceu surpreso.
— Não me divirto com outras coisas. A Sabrina sempre gostou de fazer brincadeirinhas junto comigo.
— Não são só brincadeirinhas Omar, para as pessoas que você “brinca” são coisas sérias.
— Não sabia que você era tão chata. – Ele me disse. – Você sempre agiu diferente dos outros então achei que era como eu.
— É verdade, somos muito diferentes mesmo, nem sei o que eu vim fazer aqui hoje. – Disse me levantando e indo para a saída da casa.
— Não, espera. – Ele me disse e eu me virei para ele. – Eu sempre só brinquei assim com as pessoas, não sei outra maneira.
Ele parecia ser sincero. Eu pensei um pouco e disse:
— O que você tem para fazer de divertido aqui?
Nós dois olhamos em volta.
— Você sabe andar a cavalo? – Ele me perguntou.
— Andei só uma fez, mas posso tentar.
A tarde acabou sendo legal, um dos empregados do sítio nos ajudou e eu consegui andar, no final do dia até consegui sozinha, não sabia que andar a cavalo era tão bom
Depois que paramos de cavalgar fomos sentar de novo na varanda.
— Viu, podemos nos divertir sem ser em cima dos outros. – Eu me surpreendi, por mais que queira evitar realmente o tempo aqui me mudou, as pessoas aqui são contagiantes e eu estava virando uma pessoa melhor.
— Foi legal. – Ele me disse. – Você vai voltar outro dia?
— Pode ser. – Eu disse. – Vou ir embora agora. – Me levantei.
— Queria só te falar uma coisa Manuela.
— O que?
— Me desculpa mesmo por aquele dia. Eu não tinha intenção de machucar ninguém, só estava brincando com o ceg...Téo.
— Tudo bem Omar, mas nunca faça isso de novo senão não te perdoo mais, sem mais brincadeiras com nenhum dos três.
— Porque você continua defendendo eles mesmo estando brigada com eles?
— Porque eles não têm culpa de nada.
— O que você fez então?
— Não te interessa. – Eu disse, não queria falar mais sobre isso. – Até mais. – Fui embora para casa.
Quando cheguei em casa e fui para o quarto a Rebeca veio conversar comigo. Esses dias eu estava só no fingimento mesmo e mantendo a distância que eu precisava dela. Voltei a agir como nos primeiros dias que estive aqui e dando uns abraços nela de vez em quando para ela não ficar falando muito que eu estou estranha.
— Aonde você estava filha? Com seus amigos? – Ela me perguntou.
— Não com os amigos que você pensa, fiz um novo amigo.
— Que amigo Manu? Me fala quem é? Da última vez que você fez uma amizade e não me contou foi quando você sumiu. – Ela parecia preocupada mesmo.
— Calma mãe, é só o Omar, aquele menino novo que mora na fazenda. – Ela fez uma expressão de preocupada.
— Não ouvi coisas boas desse menino Manuela, acho que é melhor você não andar com ele.
— Aí mãe, me deixa em paz, não posso nem mais fazer amizade com quem eu quero. – Eu disse saindo do quarto.
Nos dias seguintes eu andei um pouco mais com o Omar e vi os olhares de desaprovação, principalmente do Mateus. O Omar estava melhor, e se eu podia mudar eu também tinha que dar uma chance para ele mudar. Um dia eu estava na fazenda dele e estávamos sem nada para fazer e eu tive uma ideia:
— Tem videogame? – De vez em quando eu jogava com meu pai, quando ele tinha tempo livre.
— Tem! – Ele disse e me mostrou o X-Box na sala. Ficamos jogando um jogo em que tínhamos que lutar contra aliens. Foi até divertido.
A noite quando voltei para casa e o Otávio pediu para dar uma volta comigo só nós dois, eu achei estranho, mas fui.
Ficamos andando pelo vilarejo e sentamos em um dos bancos.
— Manuela, eu queria conversar sobre uma coisa importante com você.
Ele disse eu eu não falei nada, só continuei ouvindo.
— Então, é que agora que você voltou e sua mãe está mais tranquila, eu gostaria de saber o que você acha de eu pedir ela em casamento?
Eu pensei um pouco e cheguei a conclusão de que eles eram perfeitos um para o outro e deveriam ficar juntos, além disso eu gostava muito do Otávio, mas eu sei que a Manuela deve estar nesse casamento, então eu esperava que eles marcassem uma data bem longe.
— Sou super a favor! Vocês dois são um ótimo casal. – Eu disse animada e ele pareceu bem feliz com a minha resposta.
— Que ótimo Manuela, vou pedir ela logo então.
Depois disso ele me deixou em casa e despediu da Rebeca. Ela tentou saber sobre o que tínhamos conversado, mas eu não contei e fui dormir.
—----------> No próximo capítulo <---------
No intervalo também fiquei sentada com ele, e observando o pessoal de longe, agora a Sabrina estava andando com eles o tempo todo.
– Não vai ser nada perigoso, só uma brincadeirinha pra ela não ficar se achando.
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