O coração de Isabela.

12 Capítulo 12 – Festa “surpresa”.


Chegando na vila a Helena antes de sair do carro tapou os meus olhos e eu já imaginava o que era. Ela tirou as mãos e todos gritaram surpresa, a festa ia ser no meio da praça mesmo. Eu fingi que estava supressa e abri um sorriso de Manuela pra parecer que eu tinha adorado.

— Parabéns filhinha! – A Rebeca disse me abraçando e eu lembrei do pedido da Manuela então ia tentar ser boazinha com ela hoje, eu abracei ela de volta.

— Obrigada Mãezinha! – Abracei ela mais forte e foi até bom.

O resto foi me abraçar e me desejar os parabéns também. Foi bom ter muitas pessoas no meu aniversário, um aniversário bem diferente do que eu estava acostumada, mas ganhei uns presentes bem caipiras, um bolo da mama do Téo, um vestido da Vó da Manuela, uma botinha breguinha e até um pintinho eu ganhei! Que horror!

Sentei um pouco em um dos bancos porque eu estava me sentindo muito sufocada no meio daquelas pessoas e a Rebeca veio até mim e se sentou do meu lado.

— Está gostando da festinha querida?

— Claro que sim mãezinha!

— Eu sei que você disse que não queria nada, mas eu queria tanto comemorar com você. – Ela disse me dando mais um abraço e eu correspondi.

— Tudo bem, obrigada! – Ela me abraçou ainda mais forte e eu gostei. Ela era uma pessoa muito amorosa mesmo, e eu tinha sentido essas últimas semanas que eu me aproximei bastante dela e eu estava gostando.

— Eu te amo filhinha. – Fui pega de surpresa, mas não consegui dizer o mesmo.

— Eu também. – Só disse assim.

Me levantei e voltei para a festa.

Depois todos cantaram parabéns para mim e a Vó Nina trouxe um bolo que ela tinha decorado. Nos sentamos para comer e o bolo estava muito gostoso!

Mais tarde o pessoal ficou dançando, mas eu não quis. Apesar de tudo a festa foi divertida.

Resolvi sair um pouco da festa e fui até em casa.

Chegando lá peguei a foto do meu pai e me sentei no sofá enquanto olhava para ela. Fiquei muito triste, queria tanto que ele estivesse comigo. Não pude deixar de lembrar da música da Rebeca e cantei ela baixinho enquanto olhava para a foto.

♫ “Estarei contigo sempre
Minha única razão
Mesmo que o tempo nos separe
É teu meu coração”

E sem perceber eu comecei a chorar, tem um tempo que não chorava.

— Manu? – O Téo chamou enquanto entrava na casa.

— Estou aqui no sofá Téo. – Falei com ele enquanto limpava minhas lágrimas, nessa hora foi bom que ele não pudesse me ver, senão eu ia ficar envergonhada.

Ele foi até o sofá e sentou do meu lado.

— Está tudo bem Manu? Você está aqui sentada sozinha.

— Está sim, eu só estava dando um tempo. – Ele não pareceu acreditar em mim.

— Queria te dar seu presente. – Ele disse me entregando uma caixinha.

Eu tirei a tampa e era um relicário redondo e dourado meio breguinha mas muito lindo.

— É lindo Téo!

— Abre. – Eu abri e dentro dele tinha a foto que tiramos lá na viagem que fizemos com o Otávio e do outro lado estava escrito para não ter fim, que é o nome da música que ele escreveu para mim.

— Eu adorei! – Disse feliz. – Como você conseguiu?

— A Antonela que me ajudou com a ideia e eu pedi o Otávio a foto.

— Muito obrigada! – Eu disse abraçando ele, e ele parecia nervoso.

— Eu também queria te falar uma coisa. – Ele me disse.

Ele estava estranho.

— O que é? – Eu também fiquei nervosa.

Ele demorou um tempo para falar.

— É que... eu estou apaixonado por você. – Senti meu coração palpitar e nessa hora eu percebi que sentia o mesmo por ele. Ele me deu a mão.

— Você sente o mesmo, Manu? – E isso acabou comigo, esse nome, Manu... Ele gostava dela, não de mim, como sou burra.

Eu me levantei bruscamente e falei:

— Me desculpe Téo, eu não posso.

E corri para o meu quarto, fechei a porta e encostei nela do outro lado.

Eu abri de novo o relicário e olhei para ele. Pelo menos na foto era eu, mas ainda assim a música que ele escreveu foi pra ela. Que raiva.

Eu joguei o relicário longe.

Como eu pude me deixar levar pelo o que estava sentindo, por um momento eu me esqueci que eles achavam que eu era a Manuela, eu estava agindo naquela festa hoje como se ela fosse para mim e agora meu coração doía. Por isso que eu tentei me dizer desde o início que eu não poderia me aproximar de ninguém. Que droga! Não acredito que fui tão burra.

A partir daquele momento eu já sabia o que fazer, precisava me afastar de todos eles e continuar com o meu plano de sair de lá, não iria me deixar levar pelo coração de novo.

Fui dormir e não falei mais nada com ninguém.

—----------> No próximo capítulo <-----------

Acordei cedo e fui em uma loja de produtos de beleza que tinha no vilarejo, precisava de alguma coisa da minha vida antiga para me lembrar de quem eu era.

No hora da aula eu fiquei longe dos amigos da Manuela.

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Notas finais
O final desse capítulo foi tenso! Eu acho que a história precisava de uma reviravolta... Agora a Isabela vai passar um tempo sozinha, se isolando de todos de novo, mas ela vai até arrumar um novo amigo, quem vocês acham que é? Espero que gostem!! Até o próximo capítulo!! Beijos! :DD