O convite do som
1 O coração de Sakura
Notas iniciais
O vento chicoteando meu corpo, as lagrimas banhando meu rosto, sentia tudo em mim tremer, o desespero me consumia, meu coração estava batendo tão rápido e tão intenso que eu podia escuta-lo, a nuvem que cobria a lua estava se movendo, aquela luz clara e bela refletia em nós dois. Apertei minhas mãos juntas a baixo de meu queixo, esperando por uma resposta dele que fizesse meu sofrimento se transformar em alivio...
– Você é mesmo irritante.
As palavras ecoaram dentro de meus ouvidos, meu corpo agora estava formigando, não conseguia pensar em nada. Aquela não era a resposta que eu estava esperando... Ainda existia dentro de mim uma pequena esperança. Meus pensamentos foram interrompidos quando ele se virou e começou a andar, eu não podia deixa-lo ir embora, não podia... Sabia agora que tudo estava perdido, mas não podia desistir.
– Não vá! – Gritei dando passos rápidos – se você for, eu vou gritar...
Minhas palavras foram interrompidas quando ele desapareceu da minha vista em um piscar de olhos e rapidamente senti um vento rápido em minhas costas, lá estava ele...
O silêncio pairou alguns instantes, as folhas voavam ao nosso redor, as palavras sumiram de minha boca, eu só queria que ele falasse que iria ficar, que não iria mais embora, mas nesse momento até esse pensamento fugiu de minha cabeça.
– Sakura.
A primeira palavra foi solta de seus lábios, ele disse meu nome, minhas esperanças voltaram igual a uma bomba, esperava ansiosa pela próxima palavra, por favor... Diga que irá ficar...
– Obrigado.
“Obrigado”?... Meu coração disparou, o vento estava frio, a sua presença atrás de mim deixava meu corpo tremulo, alguns segundos depois e uma dor aguda me assustou, “um golpe?”, minha vista começou a falhar, uma sombra preta começou a tomar conta da imagem que meus olhos captavam. “Não posso o deixar ir embora... Preciso evitar isso... Preciso”.
– Sasuke....-kun...
Tudo está tão escuro. Onde eu estou?...
– Plin-Ploc
“Água?”, minhas mãos estão molhadas... Meus joelhos também... Estou ajoelhada na água? Mas não consigo ver nada.
Uma luz branca intensa surgiu em cima de mim, estou ajoelhada em um rio, consigo ver meu reflexo, “como vim parar aqui?”. Não enxergo nada mais que só o espaço iluminado por essa luz... Olho para cima e não consigo ver de onde ela vem, tapo os olhos com a mão, forçar olhar para a origem da luz dói muito. “Sasuke...-Kun” uma lembrança voltou em minha mente.
– Sasuke –kun?!
Olho para todos os lados tentando acha-lo, mas não consigo enxergar nada, grito seu nome várias vezes, meu corpo voltou a tremer, meu olhos encheram de lagrimas, “ele se foi?”, não posso deixa-lo ir, preciso impedir.
– Sakura.
Uma voz um pouco distante ecoou na escuridão, quando direcionei meus olhos para onde o som veio me deparei com um novo fecho de luz se formando. De joelhos, com a cabeça baixa, lá estava ele.
– Sasuke –kun!
Corri em direção a ele espirrando água a cada encontro que meu sapato tinha com o rio. Ajoelhei-me em sua frente levando minhas mãos até seus pulsos e lá segurando firme.
– Ainda bem... Você ainda está aqui... Sasuke –kun, onde estamos?
Ele levantou o rosto e olhou em volta, talvez tentando achar um ponto de referencia, movendo sua cabeça de um lado para o outro.
– Não sei...
– Sasuke –kun, precisamos achar a vila! – disse me levantando e esticando a mão para ajuda-lo – vamos!
– Sakura. – falou meu nome me fitando enquanto se levantava sem precisar de minha ajuda – você não entende? Não irei para Konoha com você. Foi o que eu decidi. Preciso concluir minha vingança.
Encolhi minha mão de volta para junto de meu corpo, não consegui tirar de sua cabeça a ideia de vingança, Sasuke-kun ainda quer ir embora...
– Então... Me leve com você...
Seus olhos frios me encaravam, sua boca entreaberta se preparava para soltar palavras. Logo seus olhos desviaram, passou a fitar o vazio.
– Não posso.
– Porque não?... – perguntei com meu coração disparado.
– O local para onde vou... Não é para você.
Eu tinha novamente nas mãos a chance de fazê-lo ficar na vila e agora sentia como se estivesse escorregando novamente.
– Como não?... Sasuke –Kun deve haver algum jeito..
– Não! Não tem.
Minhas palavras foram interrompidas por ele, seus olhos voltaram a me fitar, por algum motivo agora eu estava com medo do modo que me encarava, suas sobrancelhas estavam enrijecidas.
– Eu irei morar e ser treinado por um dos maiores vilões que Konoha já conheceu! Acha mesmo que isso é lugar para você?
Odiava ter que concordar que ele tinha razão, mas assim ele iria para longe, iria para longe de mim...
– Então desista de sua vingança... Por favor...
– Isso nunca. – respondeu dando as costas para mim. – este é o objetivo da minha vida.
Novamente eu o olhava por trás...
– Eu te amo tanto...
O silêncio se implantou entre nós, eu não conseguia imaginar uma vida daqui para frente sem Sasuke –kun, estiquei minha mão com a intenção de segurar em seu ombro...
– Sakura.
Com o susto da palavra repentina parei minha mão no ar, meus olhos estavam arregalados com a surpresa, meu coração palpitava ansioso pela próxima palavra.
“Obrigado.”
Meus olhos se abriram lentamente, a luz invadiu minha visão, porem a lembrança, me fez despertar.
– Sasuke –kun!!
Olhei para frente porem ele não estava mais lá... Somente havia dois homens que trabalhavam para Tsunade-sama carregando pilhas de arquivos. Meu coração se encheu de tristeza, doía... Doía muito... As lagrimas voltaram a banhar meu rosto.
Sasuke –kun... Foi embora...
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