[...] Por volta de 1692, começou a ter-se a Era "Queima de Bruxas", que que os trouxas por sua vez, tinham medo da magia, porém, não tinham meios de identificá-la.

As chamas crepitavam incansavelmente na lareira de pedras. Os estalidos e faíscas enchiam o ar próximo o local. Sentada ao lado, encontrava-se uma mulher com uma longa cascata de cabelos loiros, abraçada ás próprias pernas, com o rosto quase enterrado em seus joelhos, trajava um vestido azul claro até abaixo dos joelhos e analisava as labaredas cujo dançavam em um movimento rápido e incerto. Um abafado e leve choro de uma criança, provavelmente sua filha, vinha do andar acima, onde, a poucos minutos atrás, a mulher havia oferecido sua própria alma ao diabo, para a imortalidade da pequena.

Ouviu-se vozes vindo do portal de madeira polida no hall de entrada, e um estouro de metal nas trincas da porta. A garota recuou mais próximo a lareira, observando fixamente a porta.

Houve uma segunda batida, e três homens de vestimentas vitorianas, com uma cartola negra a cabeça; ambos possuíam uma barba perfeitamente aparada e traziam em uma mão, uma tocha, e na outra, uma adaga.

A loira por um momento, pareceu paralisada, porém, as chamas da lareira, tornaram-se labaredas em seus olhos azuis, transformando a garota, uma chama humana. Ergueu seu palmo, lançando uma bola avermelhada em um dos homens, cujo conseguiu desviar-se, tendo sua capa queimada.

Caminharam em direção a garota, agarrando-lhe ambos braços e prendendo-os com firmes cordas amareladas e envelhecidas pelo tempo, enquanto ela contorcia-se e jogava-se no chão de madeira encardido, tentando soltar-se.
Os homens puxaram-a bruscamente, e guiaram-a até a porta, onde havia uma certa aglomeração de camponeses, com tochas e tridentes na mão, todos apontando para a loira e gritando.

A bruxa olhou ao longe, vendo um certo brilho perolado refletido a luz da lua, e apenas mantendo a visão fixa, surgiu-se um rodamoinho de água, direcionado a população a frente, levantando-os aqueles que estivessem no caminho e os jogando encharcados e desacordados, guiando o fenômeno para os homens ao seu lado, também os desmaiando.

Ainda com as mãos amarradas, correu pela floresta escura, provocando um certo farfalhar das folhas enquanto corria.
Em um certo ponto, próximo a orla da Floresta, ouviu uma voz masculina próximo a seu ouvido sussurrar:

"- Oh doce Mary, ninguém deveria saber sobre nós..."

O sussurro rouco fez todo o corpo de Mary congelar e arrepiar-se. Parou enquanto a leve brisa da noite cortava seus cabelos, olhando em desespero para os matos e gramíneos, a procura do dono daquela voz.

"- Agora deverá pagar um preço..."

Um lampejo verde esmeralda cortou o breu da floresta, atingindo Mary no tórax. Seus olhos azul turquesa em espanto. Caiu de joelhos, ainda segurando um medalhão de bronze, com uma safira ao seu centro, que estaria entrelaçado ao seu pescoço. Desabou ao chão, junto a pedra do medalhão. Ecoando apenas o canto das corujas sobre a escuridão dos terrenos, como se lamentassem a perca de sua igual.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.