O começo dos Cullen
7 Capitulo 7 - Dia novo, vida nova. Part. 1
Notas iniciais
No tempo que se passou eu fiquei vendo a estante de livros que Carlisle tinha em sua sala, a maioria era de medicina, alguns outros variavam como história, geografia e biologia. Eu comecei a escutar o doutor falando algo, mas não parecia ser para mim. Foi então que me toquei que eram seus pensamentos, eu vi algumas imagens se passando em sua cabeça como a cidade grande, era onde as pessoas iam fazer suas compras, era local onde as moças compravam seus vestidos mais chiques para ocasiões como "Jantar com o prefeito" ou teatros. A segunda imagem me deixou atordoado, eram pessoas machucadas com sangue em todo local. Larguei o livro que acabara de pegar para ler de história na estante e fui até o escritório do doutor onde ele se encontrava, chegando lá, ele estava de cabeça baixa se sustentando com o braço, e as imagens continuavam a passear pela sua mente.
— Está tudo bem Carlisle? — Ele se recompôs na cadeira e olhou para mim com um sorriso.
— Sim, está tudo bem. — Ele me olhou como se não soubesse o porquê da pergunta, demorou uns 30 segundos para ele entender, foi quando as imagens sumiram. — Oh, sinto muito Edward, não estou acostumado com seu poder!
— Tudo bem, eu acho...o que era aquilo tudo? — perguntei um pouco assustado, eu não estava acostumado a ver violência, minha mãe nunca deixará eu pegar um livro na qual pessoas morriam violentamente, ou demonstravam cenas fortes. Carlisle olhou para baixo, parecia que estava pensando em um jeito de falar que não me magoasse ou algo do tipo.
— Eu estou com medo de leva-lo amanhã a cidade...Edward, o sangue humano é muito mais forte que o sangue animal, é quase impossível para um recém-criado, como chamamos vampiros novos, conseguir se controlar, um simples corte no dedo pode leva-lo a loucura.
Eu me senti mal, me senti como se eu fosse muito perigoso, Carlisle disse várias vezes que o sangue humano era muito mais forte e poderoso, disse que os humanos são a presa natural de um vampiro, por isso a garganta queimava só de ouvir essas palavras "Sangue Humano". Ele tinha razão eu estava queimando, estava com sede.
O doutor pensou no meu rosto, com o semblante magoado, eu tentei mudar, mas foi inútil.
"eu sinto muito Edward, foi cruel pensar em você desta forma."
— Eu vou matar pessoas se eu for?
"Não, eu nunca permitiria isso, foi cruel."
— Fico feliz por me ajudar. — eu sorri. Carlisle era uma pessoa muito generosa e tinha uma grande compaixão, ele entendia o que eu estava passando e queria me ajudar, eu fiquei grato. Ele sorriu de volta.
— A outra coisa que quero conversar. — Algumas imagens vieram a sua cabeça, minha família, meu sumiço do hospital, o surto da gripe. — Sua família era muito conhecida por aqui, e bom, para eu conseguir te tirar do hospital, tive que forjar sua morte, atestado de óbito, e muitos acham que você faleceu por conta da doença, por este motivo acho bom nos mudarmos daqui, seria muito arriscado se alguém o visse andando por ai. — Eu entendi o que ele queria dizer, e concordei com a cabeça em me mudar com ele. — Bom, nós vamos a cidade e duvido que alguém te reconheça pois terá de usar um óculos.
— Mas para onde iremos nos mudar exatamente?
— Eu estava pensando em Ashland, é uma cidade localizada no estado de Oregon, faz bastante frio lá.
— Tudo bem então. – Eu conhecia essa cidade, em uma das viagens do meu pai ele fora para lá, dizia que era um local muito bonito e calmo, a viagem demora cerca de um dia.
O tempo passou bem rápido, no resto da noite que se seguia ficamos conversando, ele perguntou sobre meus pais, perguntou sobre o que eu mais gostava de fazer e minha resposta foi ler e tocar piano, adorava passar tempos tocando piano ou lendo. Perguntou também sobre a escola, falei que já havia terminado o terceiro ano. Lembro que eu o perguntei como minha mãe sabia o que ele era e não obtive uma resposta, então perguntei de novo, ele disse que existem pessoas que são muito mais perceptivas que as outras, que percebem pequenos detalhes, como sermos frios a cor dos olhos, minha mãe era uma dessas, disse que é difícil encontrar pessoas assim, mas as vezes acontece. As conversas foram indo e vindo na janela já era perceptível o amanhecer, mas o tempo parecia estar nublado, como sempre.
— Bom já é oito horas, vamos para a cidade? – Disse Carlisle depois de várias perguntas.
— Vamos. – Respondi apreensivo. O doutor me olhou e deu um sorriso amigável.
“Não tenha medo, nada de ruim vai acontecer”
— Não pode ter certeza. – Respondi pelo que parecia um pensamento. Ele não moveu os lábios.
— Tampe a respiração, isso vai ajudar, nós somos imortais Edward, nada pode matar um vampiro, nós só respiramos por costume. – Ele explicou depois que arregalei os olhos. Fiz o que ele disse, parei de respirar, era uma sensação estranha, mas o ar não me faltava, então continuei assim.
Fomos para o carro de Carlisle, era um “Central door Sedan”, eu não entendia de automóveis, mas esse era muito conhecido, todos sonhavam em ter um.
O caminho era um pouco longo até o centro, o doutor morava longe de tudo e todos, comecei a pensar o porquê disto. Primeiro pensei que poderia ser por causa dos humanos, mas achei improvável, ele disse que quase não sentia mais o cheiro de sangue.
— Algum problema Edward? – Carlisle perguntou de repente.
— Eu só estava imaginando, por que mora longe do centro, você tem que fazer esse caminho todos os dias para ir a o hospital, não seria melhor morar perto dele? – Carlisle sorriu enquanto olhava a estrada e respondia.
— Eu tenho vinte e dois anos. Acha que seria normal se daqui a uns dez anos as pessoas me olhassem envelhecidas com o tempo e visse que eu estava igual ao que sempre fui? Temos que ter cuidado com todos os detalhes, me mudo a cada oito ou dez anos, antes que as pessoas comecem a criar teorias. Por isso moro longe, não me “enturmo” com as pessoas para não me tornar mais perceptivo.
Conversamos mais uma coisa ou outra, até que avistamos o centro, já haviam pessoas andando por ali, o parque estava cheio de crianças brincando enquanto suas mães liam seus livros e conversavam entre si. Minha garganta queimou. Eu queria pedir para que Carlisle voltasse para a casa, dizer a ele que eu não aguentaria, mas eu queria ser forte. A sorte contemplou a mim e uma rajada de vento veio direto em meu rosto eu respirei profundamente e tampei a respiração.
O doutor olhou para mim pensativo, como se não tivesse certeza se aquilo seria certo, mas eu o incentivei a continuar, sorri em sinal de que estava bem. Ele abriu o porta luvas e me entregou um óculos escuro, saímos do carro e fomos para o bazar de roupas mais próximo, estava tentando me controlar o máximo que eu podia, Carlisle estava andando do meu lado isso me dava alguma segurança.
O lugar que entramos era fechado e pequeno, tinha apenas uma janela, e estava bem empoeirado o lugar. Procurei roupas do meu tamanho e da forma que eu gostava, felizmente o local tinha várias roupas que eu usava, peguei algumas peças de roupa e fomos para o caixa. Minha mente se desligou de mim por um momento. A moça que nos atendeu estava praticamente do nosso lado, eu conseguia ver a veia de seu pescoço, aquilo era uma tentação, minha garganta começou a queimar demais, foi quando um turbilhão de pensamentos me invadiu, eu não sei porque comecei a escutar o pensamento dos outros, parecia que estavam em volume baixo e eu os aumentei.
“Que homem mais belo, ele é tão lindo, droga a esposa está com ele, mas parece estar olhando para mim.”
“Droga! A mamãe vai descobrir que eu quebrei o vaso dela...vou varrer para baixo do tapete talvez ela não veja.”
“Vestido azul de pérolas ou o mais simples rosa, decisão difícil.”
“Não é toda hora que entra dois rapazes tão lindos em minha loja...o de cabelo cor de bronze não parece estar bem, devo oferecer-lhe um copo de água?”
Eu voltei a mim com esse pensamento, tentei parecer o mais bem possível.
— Muito obrigada senhorita. – Carlisle disse de uma forma muito cavalheiresca.
Ao saímos da loja fomos direto para o carro, provavelmente ele percebeu que eu estava estranho.
— O cheiro deles é muito...bom, provavelmente o cheiro mais doce que já senti na vida. – disse a ele com a cabeça baixa.
— Eu sei. Por um momento achei que tentaria fazer algo na loja...mas algo te parou...
— Pensamentos, parece que tem um monte de gente falando ao mesmo tempo do meu lado, foi como se eu aumentasse o volume. – Falei tirando o óculos e colocando a mão na cabeça aquilo me deixaria louco.
“Se acalme Edward. Esqueça todas as outras vozes e se concentre só na minha.”
Fiz o que ele disse, me concentrei o máximo que consegui e esqueci o resto, as vozes foram se aquietando ficando bem lá no fundo, e a do Carlisle se destacou. Levantei a cabeça e sorri para ele, agradecido por me ajudar.
O carro começou a se movimentar e percebi que estávamos fazendo um caminho diferente pelo qual viemos. Aos poucos fui reconhecendo o local, avistei uma praça, eu a conhecia tão bem, minha mãe me levava nela aos sábados, para tomarmos um sorvete, para conversamos, ela dizia que o sábado era reservado só para mim e para ela, momento “Mãe e filho”. Eu sorri aquilo não era uma lembrança triste, pelo ao contrário, eu esperava a semana toda para esse dia! Comecei a ver as macieiras passando por nós aquilo indicava que estávamos perto de minha casa. Foi quando a avistei, e um momento nostálgico se instalou em meus pensamentos.
Continua...
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