O começo dos Cullen
28 Capitulo 28 - O tempo passa.
Notas iniciais
Pov. Carlisle Cullen.
1929
— Querida, tudo bem? – Perguntei a Esme, eu estava de pé na soleira da porta olhando-a. Ela estava sentada na penteadeira fazia horas, seu semblante parecia triste e muito pensativa. Ao chamá-la ela olhou pra mim e sorriu.
— Estou bem só pensando um pouco... Ou muito. – Disse ela ao olhar o relógio, se assustando como tempo que ficou lá.
— Sabe que pode me contar qualquer coisa, sei que tem algo a afligindo. – Fui até ela e peguei em sua mão, sorrindo para encorajá-la.
— Estava pensando em minha família, meus pais em meu querido irmão, estou com um pouco de saudade deles, por mais que não tenham me ajudado em nada, para fugir ou para me separar daquele homem, eu os amo. – A olhei terno, eu sabia bem o que era deixar alguém para trás, foi assim com meu pai, eu tive que deixá-lo, sem dar nenhuma satisfação ou talvez um adeus. A abracei e beijei o alto de sua cabeça.
— Sei que é difícil querida, mas é melhor assim, ainda mais para eles, seria perigoso eles lhe verem assim.
— Mesmo se fossemos escondidos? – Ela perguntou sussurrando. Pensei nisso por um instante, as leis para os vampiros criada pelos volturi era clara “Todos os vampiros devem proteger o segredo de sua existência”, isso nos afetava de varias maneiras, uma delas era que os humanos nunca deveriam saber do nosso segredo e se por algum motivo descubram ou desconfiem, o vampiro em questão deve tomar conta da situação (se é que me entendem). Mas nessa lei não falava nada sobre irmos escondidos, se ninguém nos visse, não teria problema algum irmos vê-los.
— Podemos tentar, não vejo problema algum se ninguém nos vir. – Ela me olhou estonteante, Levantou-se da penteadeira que estava em me abraçou ternamente.
— Obrigada, significa muito para mim vê-los.
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A viagem até Columbus Ohio levaria aproximadamente 12 horas, fizemos uma parada em Nova York e Esme simplesmente achou a cidade fascinante, luzes enfeitavam os lugares, alegria, era tudo muito bonito, então decidi que na próxima mudança iríamos nos mudar para cá.
Continuamos a viagem normalmente, parando em alguns lugares, conversando, ela me disse sobre seu irmão mais velho, que eram muito unidos, sempre que um fazia algo errado o outro não o entregava ou levavam a culpa juntos, quando ela tinha quatorze anos ele se casou com uma moça e tiveram gêmeos um menino e uma menina, respectivamente, Dylan e Aurora. Quando decidiu fugir de casa por causa da gravidez apenas o irmão ficara sabendo, disse-me que a ultima vez que viu os sobrinhos tinham apenas onze anos. Pelas minhas contas hoje já teriam vinte anos.
— Como o tempo passa, já estão crescidos. – Esme disse refletindo.
— A vida passa para os humanos. – Lembrei-a.
— Gosto dessa parte, de nunca envelhecer, de nunca ter medo de que aconteça algo a você. – Sorri para ela, essa parte também me alegrava.
Já era noite, fiquei mais tranquilo em saber que chegaríamos de noite em sua casa, se estivesse sol chamaríamos muita atenção. Entrei em uma estrada de terra onde Esme me indicou que daria na fazenda onde morava, havia poucas moradias pelo local, alguns gatos pingados. Minha esposa se remexeu no banco quando uma casa azul se aproximava, deduzi que era ali que morava, virei em uma outra ruazinha, Esme me olhou questionando.
— Temos que ir a pé, não será legal parar o carro enfrente a sua casa, irei colocá-lo um pouco longe. – Ela logo entendeu.
Corremos até uma arvore próxima da porta dos fundos da casa, não parecia ter ninguém, pelo menos nenhum som cardíaco, poderíamos entrar em segurança.
— Foi nessa arvore que subi naquele dia, perdi o controle e cai. – Falou de repente, rindo.
— Devíamos agradecê-la. – Disse, fazendo nos dois rirmos. – Podemos entrar se quiser. – Ela assentiu e caminhamos para dentro.
Pov. Esme.
Quando Carlisle me disse que não havia problemas visitar minha família escondida, eu quase gritei de felicidade. Estando aqui em Columbus me faz pensar em todas as minhas recordações, a primeira delas foi ao passar pela casa rosa, a primeira casa da estradinha terra, lá morava minha melhor amiga. Eu vivia em sua casa, brincávamos de bonecas, casinha, fazíamos bolos e tortas de maça com sua mãe, ainda me lembro do cheiro de maça sendo ralada. A segunda foi quando paramos de correr e me dei conta de que estávamos do lado de minha arvore, a que me levou para o hospital e me fez conhecer o homem de minha vida. Carlisle disse que podíamos entrar se eu quisesse, então caminhei para dentro.
A casa continuava do jeitinho que eu lembrava. Como entramos pela porta dos fundos estávamos na cozinha, os armários continuavam os mesmos, só mais velhos com o tempo, era em um tom azul, igual a cor da casa e havia algumas borboletas desenhadas a giz, no canto de um deles ( eu e meu irmão havíamos desenhado, mamãe ficou muito brava naquele dia). Fui para a sala, Carlisle me seguia em silencio com um sorriso no rosto, eu devia estar parecendo uma criança ao receber um ovo de páscoa. Ah! Aquela sala, tantas lembranças... Mamãe com sua maquina de costura, fazendo vestidos para mim e arrumando os ternos de meu irmão, no canto esquerdo a escrivaninha de meu pai, onde ele abria e respondia as cartas que lhe era conveniente, um lixo ao lado para jogar fora as que não lhe interessa-se. Também havia a estante de livros, onde a maioria era de estudos geográficos, meu pai adorava geografia.
— Estou tão feliz em estar aqui, rever tudo. – Disse olhando para Carlisle. Ele não parecia ter me escutado ou estava muito concentrado lendo uma noticia no jornal, havia uma caixa ao lado da porta de entrada cheia de jornais onde nos os guardava. – O que foi querido? – Ele me olhara por alguns segundos, seu rosto parecia uma mistura de espanto, felicidade, tristeza e esperança.
— Charles esta morto. – Eu arregalei os olhos.
— Como assim, ele se matou? – Perguntei indo até ele, uma parte de mim sentiu um alivio imenso por saber que agora eu estaria em paz e que o monstro nunca mais viria atrás de mim.
— Na verdade foi morto... Por um animal em Minot, faz mais de dois anos. – Tombei a cabeça para olhá-lo, Carlisle me disse aquilo como se fosse uma charada, fácil de ser desvendada, mas eu não conseguia assimilar o que ele queria dizer. – Querida, 1927, morto por um animal, não te lembra nada? – Comecei a pensar em algo que acontecera naquele ano e não demorou muito para lembrar e entender o que aquelas palavras queriam dizer.
— Edward. – Sussurrei. Carlisle assentiu com a cabeça, seu rosto estava com o sorriso ainda. – Ele vingou o que aquele monstro fez a mim. – Sorri para mim mesma.
— Isso é um bom sinal, ele não esqueceu a gente depois de cinco meses que fora embora, não acho que tenha nos esquecido depois de dois anos, tenho esperanças ainda, você também deve ter.
— Estou tão aliviada, saber que ele não pode mais vir atrás de mim. – Carlisle sorriu para mim e beijou minha testa.
— Temos de sair daqui, estou ouvindo um carro. – Corremos pela porta da frente para outra arvore que havia de frente a casa, então vimos o carro estacionar e de lá descer meus pais. Eles estavam como sempre muito elegantes, até mesmo para fazendeiros, minha mãe tinha a mesma cor de cabelo que o meu, castanho escuro, mas o dela era liso, comprido e com cabelos brancos o meu, cacheado nas pontas e curto se comparado ao dela. Seu rosto estava velho, as rugas já tomavam conta. Meu pai tinha cabelos claros e olhos claros, não havia quase nenhum traço dele em mim, talvez o rosto ou a boca fina, mas como minha mãe seu rosto também estava velho. Foi tão bom vê-los, saber que eles cuidam um do outro mesmo depois de tanto tempo. Toquei o colar que eu usava, foi me dado quando completei quinze anos por eles, em sinal de amor pela filha.
Escutamos outro carro se aproximando, meus pais pararam na porta e acenaram quando estacionou vi que era meu irmão. Ele era muito parecido comigo, cor de cabelo, seu rosto, apenas seus olhos diferiam de mim (quando humana), os dele eram azuis; Junto a ele desceu sua esposa, e dois adultos. Dylan e Aurora ficaram tão adultos, era difícil acreditar que tanto tempo se passou, pareciam estar todos muito felizes, eu não precisava me preocupar eles estavam seguindo suas vidas e eu deveria seguir a minha.
— Já podemos ir. – Disse sorrindo, então corremos de volta para o carro.
Pov. Edward.
“30 de dezembro de 1929
Já se passou dois anos e meio desde que larguei... Minha família para viver como vampiro regular. Há um tempo achava loucura negar quem eu era, um vampiro, por que fingir ser algo que não sou, me alimentar de algo que não era minha refeição real? Mas hoje entendo Carlisle. Matei tantas pessoas que já parei de contar, mas não posso voltar para eles, pelo menos ainda não, não estou preparado para voltar a ser quem eu era. Hoje parei para pensar neles, naquelas pessoas que me adotaram, Carlisle provavelmente sabia que ao me deixar sair eu sofreria, ele deve ter feito isso de propósito, desde humano sou conhecido pela minha teimosia, ele devia saber que eu só entenderia na prática, por isso me deixara partir, eu me lembro de ver o sofrimento em seus pensamentos. Esme, doce e amável Esme, me adotou como um filho, ela lembrava tanto minha mãe, tão calma, amorosa, mãe coruja. Eu não devia tê-los deixado se arrependimento matasse... Meus pais, mais do que isso na verdade, Carlisle um pai sábio, que nunca tive e Esme a mulher que faltava para eu me sentir feliz e amado novamente nesta nova vida. Eu voltarei e não demorara muito. Feliz Ano novo, onde quer que estejam.”
Diário de Edward Cullen em tempos difíceis.
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