O começo dos Cullen
11 Capitulo 11 - História.
Notas iniciais
POV Edward.
Nós voltamos rindo para a casa, eu me sentia bem em estar com Carlisle, ele fazia tudo parecer bem menos ruim, eu ficava feliz com isso, mas minha garganta ainda queimava, era como se nada que eu fizesse melhoraria aquilo, o doutor pediu para que fossemos para casa pois eu tinha que me acostumar com aquela queimação, não adiantava ficar me alimentando de tudo que via. Eu fiquei um pouco magoado em como ele controlava minha sede, mais aceitei de bom grado.
Chegando na residência fui direto para o meu quarto, peguei uma camiseta azul social e uma calça preta, me desloquei para o banheiro e tomei um banho bem demorado, gostava da sensação da água descendo pelo meu corpo, eu sentia cada gota, era relaxante, eu fiquei exatamente 40 minutos em baixo d’agua. Eram 19:30 de acordo com o relógio do corredor, quando Carlisle me chamara do escritório, eu corri até ele que se encontrava encostado na mesa. Foi quando notei que nunca tinha entrado lá. Tinham várias prateleiras que estavam lotadas de livros, todos separados de acordo com o tema, no meio tinha uma escrivaninha e as paredes eram cobertas por pinturas, fiquei fascinado com todas elas, umas eram um pouco macabras, mas outras eram interessantes.
— Percebi que você tem bastante interesse em minha vida, sobre tudo que fiz, então decidi lhe contar minha história. – Ele me sorriu.
— Eu gostaria muito de saber. – Lhe disse sorrindo, eu queria muito saber sobre ele. Carlisle foi até uma pintura que ficava perto da porta ao sul da sala e apontou para ela. O desenho era de um vilarejo, haviam várias casas e algumas pessoas andando por lá com as vestimentas que eram de costume naquele tempo, era perceptível que eram pessoas pobres. Ao fundo era possível perceber uma igreja, os sinos e a cruz entregavam.
— Como já sabe eu nasci mais ou menos no ano de 1640 na Inglaterra, Londres para ser mais especifico, não cheguei a conhecer minha mãe, pois acabou falecendo no parto. Meu pai ele era um pastor Anglicano, ele era um homem muito rígido, intolerante com tudo, pregava na única igreja que havia por ali e acreditava muito fortemente no poder do mal, ele comandava caçadas por bruxas, lobisomens e vampiros. Quando os protestantes chegaram ao poder, ele foi a favor da perseguição dos católicos romanos e de outras religiões também. Eles queimaram muitas pessoas inocentes acusando-as de praticarem magias negras, de se transformar sob a lua cheia e de beber sangue, obviamente eles não encontravam essas criaturas reais facilmente. – Eu escutava tudo com muita atenção, eu não conhecia Carlisle como imaginava. – Quando meu pai ficou mais velho, ordenou ao único filho obediente que ficasse em seu lugar. Eu fui uma grande decepção no começo, não era como ele que acusava rapidamente sem ter certeza, eu não via...demônios onde não existiam, mas eu tinha uma coisa que o pastor não tinha, insistência e mais inteligência. – O doutor sorriu assustadoramente e continuou. – Acabei descobrindo um covil de vampiros de verdade que se escondiam no esgoto da cidade, que só saiam durante a noite para caçar. Nos anos cinquenta quando essas criaturas não eram só lendas e mitos, viviam assim. As pessoas pegaram suas tochas e lanças e esperaram aonde eu havia lhes indicado, aonde eu mesmo já tinha visto um sair. – Ele começou a sussurrar o pior estava chegando. – Depois de um tempo um deles acabou saindo, mas provavelmente estava fraco e com sede, ele chamou seus amigos em latim e as pessoas começaram a correr, inclusive eu, mas é impossível fugir de um vampiro. Ele matou dois homens se alimentou de um terceiro e me deixou sangrando na rua...Eu sabia que meu pai não me aceitaria, tudo que havia sido infectado por um mostro devia ser destruído, ele queimaria o próprio filho, por seus ideais. Sabendo o que ele faria me arrastei até uma plantação de batatas e lá fiquei por três longos dias, em silencio absoluto, para não ser notado. Ai a transformação acabou e notei no que havia me transformado.
— Como isso é possível, ficar em silêncio com toda aquela...dor? – Disse sussurrando.
— Era isso ou eu morreria Edward.
POV Carlisle.
Era notável que cada palavra que eu dizia deixava ele ainda mais fascinado. Eu sabia que Edward era louco para saber mais sobre mim, então decidi contar, e não existia um lugar melhor para se fazer isso se não meu escritório. Lá havia todas as pinturas que fizeram parte de minha vida, Londres, França, Itália, os Volturi.
Fui para a próxima imagem, nela havia uma floresta, era notável que estava a noite e havia um penhasco. Continuei com a história.
— Quando eu soube no que havia me transformado, me revoltei contra isso e tentei me destruir de várias formas. – Edward me olhou atordoado, mas continuei sem perder o foco. – Pulei de grandes alturas, tentei me afogar, mas eu era novo e muito forte, era quase impossível, mas eu tentei resistir a alimentação, eu tinha força e resistência o suficiente para morrer de inanição. Mas com o passar do tempo eu fui ficando mais fraco, até que encontrei um grupo de cervos e ataquei, foi ai que descobri que não precisava ser o mostro que tanto repugnava, era mais...humano me alimentar de animais. Eu achei que devia começar uma nova vida, eu tinha que aceitar o que eu era e seguir em frente, e foi o que eu fiz. Eu comecei a fazer bom uso do meu tempo eu ficava estudando, o tempo inteiro queria aprender mais, e tempo não era problema eu era imortal, fiquei fazendo planos sobre o que faria com minha vida, então decidi ir a França, atravessei o canal a nado. Eu fiquei indo por toda a Europa vendo as universidades, de noite eu estudava ciências, músicas e medicina, e foi ai que me encontrei, salvando vidas. Eu passei duas décadas inteiras sofrendo para conseguir esse autocontrole que tenho, hoje quase não sinto mais o cheiro de sangue, posso trabalhar com amor, fazendo o que gosto, isso me trazia paz. – Parei de falar para dar um tempo a Edward, mas ele me olhava ansioso por mais, então eu sorri e continuei, fui para um outro quadro nele havia quatro pessoas, Aro, Marcus e Caius os patronos noturnos das artes e eu. – Eu estava estudando na Itália quando descobri outros lá, eles eram mais educados e civilizados, mais do que os que encontrei, seus nomes eram Aro, Marcus e Caius, os patronos noturnos das artes. Eu fiquei com eles por pouco tempo só algumas décadas, eles queriam mudar minha forma de alimentação e eu tentei mudar a deles também, não deu certo, não valia apena. Então decidi ficar um tempo sozinho, eu ansiava em encontrar outros como eu, eu era muito sozinho, sempre quis ter alguém para conversar sem que me preocupasse de falar algo errado...então encontrei você e tentei a pedido de sua mãe...fim. – Disse sorrindo no final.
— Essa história é bem melhor que as dos livros. – Edward disse sorrindo, eu gargalhei.
— Pena que não posso escrever um. – disse a ele que riu. Era a primeira vez que contava minha vida a alguém, e foi uma experiência boa.
Fale com o autor