O começo de uma nova clown
2 Um amigo
No dia seguinte, pensei que tudo não passara de um sonho, mas ao chegar à escola senti algo diferente, inúmeras sensações desconhecidas.
Iniciei a manhã caminhando pela escola; perdida no pensamento de que aquilo fora um sonho, porém o mesmo menino da noite passada veio ao meu encontro: – Bom dia! – disse sorridente. Permaneci quieta relembrando dos fatos. – Só posso estar louca! – falei para mim mesma, ignorando o jovem a minha frente. Diante de tais desconsiderações dadas para o garoto, passei, andando retamente, todavia, neste mesmo momento, ele começou a berrar: – OLÁ! VOCÊ ESTÁ SURDA? – me analisou. – ESTOU FALANDO COM VOCÊ! – respondeu num tom um tanto nervoso.Ainda querendo negar as gritarias daquele imbecil, digamos assim, o que foi um erro, pois ele chutou meu joelho. Não foi muito considerável, comecei a me irritar: – Você é maluco? – olhei para ele com cara de desgosto. – Por que fez isso? – segurei o joelho machucado, com a face amarrada e de braços cruzados. – Eu estava falando com você... – abaixou o olhar. – Quer dizer, ainda estou, mas você fingiu não me ouvir. – me encarou. Percebi que estava errada: – Eu só estou confusa... Eu só estou conversando com alguém... Que... Posso... ver. – soltei o joelho, e prossegui. – E penso que isso é coisa da minha cabeça, mas não sei se não é mais. – suspirei. – Desculpe-me, bom dia. Estou arrependida. – Você mereceu o chute. – respondeu convencido. – Bom, deixe eu me apresentar. Meu nome é Nue, como você se chama? – perguntou-me. – Yuki. Preciso ir à escola, até depois. – respondi apressadamente e corri. Como se meu nome lhe fosse peculiar, ele menciona baixinho este, e permaneceu parado pensando, porém a me ver sair correndo para chegar à sala, veio até mim: – Eu vou também. – Como? Você não pode! – questionei-o. Intrigado perguntou: – Por quê? – Bom... – disse, afinal não vinha a minha cabeça uma resposta conveniente. Continuei pensando... “Ele não está morto, está?”. Parecendo convencido disse: – Eu posso entrar onde quiser. – Vá para qualquer outro lugar, então. – falei sem paciência, correndo em direção à sala, já estava atrasada. Ele continuava a me seguir: – PARE DE ME SEGUIR! – respondi em um tom furioso e berrado. Entrei na sala, e por incrível que pareça, aquele garoto veio junto. Sentei-me em meu lugar, e ele em uma mesa ao meu lado. A aula iniciou, prestei atenção, e o menino permaneceu sentado. Assistiu à aula comigo, parecendo desinteressado, todas as horas que eu o olhava de canto, ele olhava para o nada, entristecido. O sinal tocou e todos saíram para o almoço. Eu, no entanto, fiquei olhando de esgueiras para o menino. Pude perceber que seu olhar estava fundo, escuro, era tão amplo lá dentro que eu me perdi naquilo, assustando o garoto, que foi embora. Eu não poderia deixá-lo ir, então, corri atrás dele: – ESPERA! – gritei o máximo que consegui, estava ofegante. Continuei a correr atrás dele, tentei tocá-lo, porém minha mão passou por ele. “É como se ele não existisse!” – falei para mim mesma, trazendo a mão para perto do peito. Eu o havia magoado, e muito. Quando finalmente achei que ele estava intocável e distante, ele me olhou... “Aquele lindo olhar... O machuquei, ele está frustrado, surpreso... O que eu fiz?”. Ele saiu correndo, me deixando para trás. Não conseguia mais ver algum sinal seu, estava muito inalcançável. Continuei sem vê-lo até o fim de aula. “Aonde será que ele está?” – pensei, em seguida, balancei a cabeça e agi como se nada daquilo fosse de minha conta. “E daí se ele for? Não me fará falta alguma... Aonde ele foi não é problema meu.”. – pensei novamente, indiferente. De repente, recordei: – Eu não a quero perto de mim... Parei e voltei correndo... Sorri. Lá estava ele, naquele terraço onde tudo começou... Tentei ir ao seu encontro, porém fui impedida por uma coisa estranha... Uma sensação vazia... Ele se virou, ao sentir a mesma sensação que eu. – Um espírito. – disse ele. – Venha comigo! – chamou-me. Confusa, tentei voltar a aquela coisa, contudo foi impedida por sua voz: – Vamos? – virou seu rosto para mim. – Mas... – ele me olhou duvidoso. – Tudo bem. Vamos! – o segui. Fomos até o lado de fora do prédio da escola, localizado perto de um parquinho, onde, possuía algo escondido entre as árvores que piscavam. As luzes, de repente, se apagaram. Tudo estava escuro, não conseguia enxergar nada. As árvores se balançando ao ritmo brusco do vento, me trouxeram aquela sensação vazia e ruim. Embora eu estivesse assustada, aquela voz veio me dizer o que fazer: – Você precisa ir atrás dele e pegá-lo. É um espírito agressivo, se ele ficar solto por mais tempo, você irá morrer. O que ele estava pensando afinal? Aquilo era loucura! – Não fale como se você fácil. Se eu o atacar, ele me baterá. Eu não quero apanhar e morrer em seguida entende? – fiquei parada questionando.
Senti um vento forte me enlaçar, ele voava meus cabelos bruscamente. Eu colocava força para permanecer em pé, reconhecendo que aquilo era normal, porém: – CUIDADO! O MONSTRO! – ele pulou para um lado, e eu me joguei para o outro. Vendo que eu não manifestaria, o garoto agarrou o monstro e daí falou, repentinamente: – Eu preciso parar essa coisa! – disse. Então, eu pude perceber que ele iria tentar sozinho. Decidida que deveria fazer algo com aquela criatura ofensiva, encorajei-me e corri para aquela direção. Fui lançada fortemente ao chão. Levantei-me e fui novamente, acabando por desabar no chão de novo. Sem nenhuma força, ergui-me com dificuldade procurando por Nue. Como aquela besta estava preocupada demais com o jovem, não viu eu me aproximar. Com alguns atos repetitivos, consegui localizar, em um movimento da criatura, uma alma de alguém, talvez de um menininho, que gritava desesperado: – NÃO! QUERO VIVER! ALGUÉM ME AJUDE! – lacrimejou. Vendo se vontade aquele desespero, pensei duas vezes em enlaçá-lo em meus braços, queria reconfortá-lo. Aproximei-me e ditei palavras para lhe acalmar: – Você ficará vivo. – confiei minha palavra. – Não se preocupe! – acariciei sua cabeça. – Chegou a sua hora de descansar. Parecendo entender, ele fechou seus olhos e eu me transformei em um espadachim, antes de brilhar, claro. Aquilo era tão comum agora desde primeira vez. O que não percebi, era que eu estava dentro do monstro, porém sai de dentro dele o atacando vingativa. A luta fora incrível e sem detalhes, nem eu mesma sabia como aquilo estava acontecendo. Caí no chão; exaustada, após salvar a alma da criança, e Nue, que me perguntou: – Você está bem? – Sim... – afirmei sem fôlego. – Olha, desculpa pela àquela hora, eu... Eu... Sinto muito! – agarrei sua mão, conseguindo tocá-lo. – Você é a primeira pessoa que conseguiu me tocar... – olhou para a minha mão feliz. – Como fez isso? Sorri, e como se soubesse a resposta, disse: – Bom na hora que você estava lá, eu só pensei em como o salvar... Acho que você é a única pessoa que tive perto de ser amigo. Virei o rosto, feliz. – Você é meu amigo, por isso que consegui te tocar. Eu queria te ajudar e obtive isso. Ele sorriu: – Você é estranha. Concordei e disse: – É eu sei... Levantei-me. ¬– Preciso ir para CASA . Ainda meio tonta, caí, mas ele me segurou e explicou: – Acho que ainda não se acostumou com tanto poder e transformação. – Me sinto bem pesada. – Acho que seu cansaço vem de estar viva. Perguntei sobre um assunto passado, desde então: – Eu me lembro de você dizendo que os clowns são pessoas mortas, estou certa? – Sim, são pessoas escolhidas por terem a capacidade ser um, e são enviadas para a terra com a finalidade de ajudar as almas presas. – Sendo assim... Err, você também é um clown? Ele respondeu escapando do assunto: – Falaremos disso depois. Onde você mora? Eu o orientei: – Depois do parque, duas ruas na direita e uma na esquerda. Ele me segurando, pronunciou: – Eu vou lhe levar até lá.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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