O começo de um fim ?
1 Capítulo 1 - Porque?...
Notas iniciais
Ironia. Não. Não era a palavra certa para descrever a situação. Na verdade, acho que nem tem palavra pra descrever. Hah. Deve ter sim. Não só uma, mas muitas. Mas não quero descobrir. Porque achar uma palavra...só vai deixar essa situação absurda mais perto da realidade.
Sentei na minha cama. Estava tonta. Alguém bateu na minha porta. Rapidamente me levantei, botei as palmas da m inha mão contra a madeira e dei um empurrão forte. Provavelmente era a minha mãe, e sei que a sua intenção era boa. Ela bateu novamente, e eu fiz a mesma coisa, o que a fez ir embora. Deitei no chão e pus os meus joelhos contra o meu peito.A casa toda estava em silencio, ou talvez fosse eu bloqueando todo o barulho.Não importava.A única coisa que eu conseguia ouvir era o bater do meu coração.Eu sabia que eu estava chorando, mas não conseguia sentir as lagrimas escorrendo pelo meu rosto.Acabei por dormir desse jeito, e quando acordei, já era de manhã.Estava esperando acordar na minha cama, mas aparentemente ninguém tinha me carregado até la.
Peguei minha mochila.Afinal, era terça.Desci e encontrei todos sentados na mesa.Ao notar a minha presença, ninguém ousou abrir a boca.
-Não estou com fome- falei. Sai de casa. Ao chegar na frente do portão da escola, olhei para todos que estavam dentro. Eles estavam agindo normalmente, como se nada tivesse acontecido. Ah, é. Não tinha. Não para eles. Só para mim. Porque eu? Eu não fiz nada. Nada! Sempre estudei muito. Sempre tirei notas boas. Nunca bebi. Nunca fumei. Nunca usei drogas. Nunca desrespeitei os meus pais. Nunca bati no meu irmão...Então porque câncer? Porque porra! Porque eu tenho que morrer?
Senti a raiva me dominar. Cheguei perto de alguns alunos que estavam fumando fora da escola.
-Ei, você- perguntei.Hah. Estava descontrolada-me empresta seu isqueiro por favor?
-Ah, uma das Barbies resolveu começar a fumar? Interessante...-falou um dos garotos. Joseph, eu acho. Sem a franja emo, ele até que seria bem bonito.
-Fumar? Não. Só preciso do seu isqueiro por um instante. Posso?-perguntei, praticamente arrancando o isqueiro de suas mãos. Todos eles estavam olhando para mim, intrigados. Mas eu não estava nem ai. Abri minha mochila e peguei o livro de matemática. Acendi o isqueiro e pus fogo na pagina, que rapidamente começou a queimar. Taquei o livro dentro da lixeira de metal, joguei minha mochila no chão e virei as costas. No começo, sai andando, mas depois de um tempo, percebi que estava correndo. Já estava longe da escola. Devia ter corrido por uns quinze minutos. Ao parar, pus as minhas mãos nos meus joelhos e encarei o chão, ofegante.
Alguém pôs a mão no meu ombro direito. Virei. Era Joseph. Dei um passo para trás e acabei batendo em um poste. Imediatamente, Joseph começou a rir.
-Sobe- ele falou. apontando para uma moto. Ah. Então ele estava me seguindo o tempo todo.
Hesitante, subi na garupa.
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